Notas iniciais
Oi pessoal.
Trouxe mais um cap para vocês.

Rachel POV.

O dia de hoje foi longo e cansativo, não que todos os outros também não sejam, mas como hoje fazia frio de mais, o simples fato de andar sem um casaco que seja, consumia todas as minhas forças.

Eu passei o dia todo vagando pelas ruas pedindo esmolas, e limpando as janelas dos carros nos sinais.

Bom, eu tentava limpar, mas eu mal alcançava o meio do para-brisa, quem dirá o alto. Acho que por isso que quase ninguém me dava trocados pelo serviço.

A muito que havia anoitecido. Já devia ser muito tarde, tinha pouquíssimas pessoas nas ruas, e elas andavam apressadas por causa do frio.

Eu estava exausta, faminta e quase congelando de frio.

Enquanto todos passavam por mim com botas, casacos e sobretudos, luvas e cachecóis, eu apenas vestia uma calça de moletom, uma blusa de mangas compridas, e uma jaqueta jeans puída, minhas mãos vestiam luvas, mas essas eram gastas e pequenas em mim, o que dificultava elas de me aquecerem. Meus dentes batiam de tanto que eu tremia. Eu ousava dizer que hoje era o dia mais frio que eu já vi e senti.

Eu estava voltando para o beco em que eu morava. Aliás, o beco aonde Karofsky me deixava morar.

É... para viver nas ruas de Nova York também tinha que se pagar uma taxa.

O beco de Karofsky era o mais barato que eu tinha achado. Havia muitos outros, mas para isso tinha que se pagar mais caro ou ainda fazer outras coisas, coisas as quais eu jamais faria e nem sequer entendia direito.

O preço de Karofsky era quatro dólares por noite, o preço incluía se aquecer perto de um latão de lixo que ficava queimando papeis e lixo o que nos impedia de morrer congelados, dormir em um papelão imundo e comer um prato de uma sopa horrenda que ele fazia toda noite.

Sim, você está certo. Era péssimo, mas muito melhor do que morrer congelada em uma rua qualquer ou ser espancada por alguma gangue.

Ahhh, como eu tinha saudades do tempo que eu vivia com meu papai.

Lembrava-me como se fosse ontem.

Nós morávamos em um casebre de periferia, eu ficava o dia todo sozinha em casa, apenas com uma vizinha que vinha de vez em quando dar uma olhada em mim, pois o meu pai precisava trabalhar. Minha mãe morreu em meu parto.

Meu pai teve que se virar para me sustentar. Ele trabalhava como empacotador em um supermercado. Ele era muito novo e por isso ninguém dava outro tipo de emprego para ele.

Mas mesmo eu ficando sozinha todos os dias, eu ficava aquecida no nosso casebre, que meu pai sempre mantinha limpo e organizado. Tinha roupas para me aquecer. E sabia que quando ele chegasse, ele faria uma gostosa comida para nós comermos e também brincaria comigo até a hora de irmos dormir. Dormíamos juntos e abraçados, o que me fazia ter a certeza que eu era muito amada.

Mas um dia a policia entrou em minha casa dando a notícia de que meu pai fora atropelado enquanto ia pra o seu trabalho, ele havia morrido na hora. Me Agarraram e levaram para um abrigo.

Passei um mês nesse abrigo, mas lá eu era forçada a trabalhar, todas as crianças lá trabalhavam duro e também era espancada sempre que alguém achava que o serviço não era bem feito.

Fugi de lá na primeira oportunidade que tive, e passei a vagar pelas ruas. Já faz dois anos que moro nas ruas. Estou com oito anos. O Karofsky diz que já está na hora do preço para morar no beco dele subir.

Segundo ele eu já tenho idade para aprender a roubar. Mas isso eu não quero fazer, roubar é errado.

Entrei no beco e me dirigi a Karofsky.

– Então pirralha, trouxe meu dinheiro?

– Sim. Aqui.

Tirei do bolso tudo que eu tinha conseguido hoje e dei para ele.

– Mas que droga Rachel. Aqui só tem dois dólares. Já faz uma semana que você não consegue me trazer o dinheiro todo.

– Amanhã eu compenso Karofsky. Vou conseguir mais dinheiro e te dou tudo.

– Sei. Você está me dizendo isso todo dia. E cada dia você vem com menos dinheiro.

– Ta fazendo muito frio, tem poucas pessoas nas ruas, e elas nem param para me olhar quando peço dinheiro.

– Isso é o que dá ficar pedindo esmola. Já te disse que você ta grande de mais para isso, já ta na hora de você passar a roubar.

– Não. Eu não vou fazer isso. Meu pai dizia que isso era errado.

Flash Back on

Estávamos na rua dando uma volta. Era folga do meu pai e ele sempre me levava ao parque quando tinha tempo livre.

Quando chegamos ao parque eu corri para os balanços, meu brinquedo favorito. Mas assim que ia subir no balanço, eu vi uma carteira caída no chão.

A peguei e chamei meu pai.

– Papai! Olha só que eu achei.

Ele veio ver, pegou a carteira de minha mão e abriu. Começou a vasculhar a carteira até que achou um pedaço de papel com a foto de alguém, enquanto ela olhava o papel eu me estiquei para ver a carteira. E quando eu vi que tinha dinheiro ali eu puxei a carteira do meu pai.

– Olha pai! Tem muito dinheiro. Que legal, podemos tomar sorvete, comer cachorro quente, comprar brinquedos. Podemos fazer muitas coisas.

Eu pulava de alegria. Mas meu pai ralhou comigo.

– Nada disso Rach. Este dinheiro não é nosso. Não podemos gastá-lo.

– Mas pai, fui eu quem achou. Por que não posso ficar com ele?

– Por que isso é errado minha filha. Olhe, na carteira tem documentos da pessoa e telefone. Vamos ligar para avisar que achamos.

– Mas pai. Poxa, tem tanto dinheiro aí, a pessoa nem deve precisar.

– Pode até ser que não precise meu amor, mas não é certo pegar uma coisa que não é nossa. Isso é roubo, e é muito feio fazer isso.

– É errado mesmo que a pessoa tenha muito dinheiro papai?

– Sim é. Pois tendo muito dinheiro ou não, foi à pessoa que trabalhou para ter. Ninguém tem o direito de tirar o que é de outra pessoa. Você entendeu Rach?

– Sim Papai-. Falei sorrindo e ele me deu um beijo carinhoso em minha testa.

Flash Back off

Nesse dia eu entendi que roubar é errado, pois mesmo meu pai precisando muito do dinheiro, ele não pegou nem um centavo da carteira.

– Para de besteira pirralha. Vai roubar sim. E vai roubar pra mim-. Ele me tirou das minhas lembranças.

– Não vou!-. Bati o pé.

– Ou passa a roubar ou não dorme mais aqui no beco.

– Então eu vou embora. Me dá o dinheiro-. Estiquei a minha mão.

– Há há. Nem no seu sonho. Isso aqui fica pelos dias que você não me pagou tudo.

– Mas eu to com fome. Não comi nada ainda. Isso dá para pelo menos comprar um biscoito.

– Problema seu pirralha. Agora some daqui.

Fiquei com tanta raiva dele. Estava morrendo de fome e frio. Não pensei duas vezes, voei na direção dele e peguei as moedas da mão dele, fui eu quem andou o dia inteiro para conseguir aqueles poucos trocados, eles eram meus.

Tomei o dinheiro dele e corri o mais rápido que pude. Mas fazia muito frio e as ruas estavam escorregadias pela neve do dia anterior. Eu levei dois tombos e quando me levantei pela última vez, Karofsky conseguiu me alcançar e me puxar pelo braço.

– Menina sem vergonha. Vem cá que vou te ensinar a nunca mais me enfrentar.

– Não! Me larga. Socorro!!!-. Gritei enquanto tentava me soltar.

– Grita, pode gritar a vontade. Acha mesmo que alguém vai socorrer uma menina de rua.

Eu ia berrando e chorando, mas ninguém parecia ouvir ou ligar.

Karofsky me arrastou para uma rua totalmente deserta e mal iluminada. Me arrastou para de baixo da única lâmpada acesa e tirou o cinto da calça.

– Agora pirralha, eu vou te dar uma lição que você nunca mais vai esquecer.

Ele começou a me bater com o cinto. As primeiras correadas doeram demais. Mas depois meu corpo foi ficando dormente. Eu caí no chão, mas não pela dor, e sim por não senti mais meu corpo. Eu murmurava que estava com frio e que doía. Mas ele só fazia gritar mais e bater com mais força.

Olhei para baixo e vi que minha calça estava molhada, eu havia feito xixi na calça. Não sei se foi por medo ou pela dor, só sei que além de tudo isso eu senti uma enorme vergonha.

Sentia minha blusa grudar no meu corpo e achei que talvez fosse sangue.

Ele vai me matar. Já estou esticada no chão e ele nem mostra que vai parar de bater.

Quando comecei a sentir meus olhos pesados, comecei a desejar a morte. Sim, se eu morresse, eu não iria mais sentir fome, dor, frio. E o melhor, eu iria encontrar o meu papai

Mas quando eu achei que era o fim eu ouvi uma voz falar.

– Tststs. Que coisa feia. Um homem desse tamanho batendo em uma criança. Não tem vergonha?

Olhei em direção da voz, mas não vi ninguém. Apenas um contorno na escuridão.

Karofsky também parou de me bater e procurava pela dona da voz. Ele tirou um canivete do bolso e ficou olhando ao redor a procura de alguém.

– Quem está aí? Aparece se tem coragem?

– Você deveria procurar alguém do seu tamanho para bater, e não ser covarde e bater em criancinhas.

A voz ainda falava da escuridão.

– Se eu sou o covarde por que você está se escondendo na noite? Anda, aparece se é tão valente? Quer ver se tem coragem de me encarar.

– Você deveria tomar cuidado com o que deseja. – a voz acabou de falar e a pessoa deu um passo para perto da luz.

Eu arfei, era um anjo. Uma linda mulher. A mais bonita que eu vi na vida. Ela estava parada de frente para nós com olhos fechados.

Será que o meu pai mandou um anjo para me ajudar?

– Ora, ora. Uma belezinha como você tem coragem de me enfrentar?

– Você não deveria julgar assim tão rápido. E não deveria maltratar crianças.

– Essa aqui mereceu esse castigo. E você também vai ganhar um por me interromper. Mas seu castigo vai ser diferente. Vou fazer você gostar de ser castigada belezinha.

– Você vai é soltar essa menina agora. E nunca mais vai machucar ninguém.

Estranho, ela ainda estava de olhos fechados. Será que era cega? Mas então se ela era assim, ela não poderia fazer nada com Karofsky, ele iria machucá-la. Não. Ela tinha que ir embora.

– Cui...cuidado, vai embora.

Eu tentava balbuciar.

– Cala boca sua inútil!. — Ele levantou a mão para me bater de novo, mas uma mão segurou o seu braço.

–Já disse para não machucá-la mais.

Karofsky olhou bobo para ela, não sei se pela sua beleza, pela sua coragem ou pela rapidez, afinal, ela agora mesmo estava a uns 10 metros de nós, como chegou ali tão rápido e sem fazer barulho?

– Ora neném, vamos fazer um trato. Eu troco você por ela o que acha? Você vem comigo e em troca eu largo ela aqui.

– Eu acho perfeito.

Ela tinha um leve sorriso nos lábios.

– Você é cega boneca?

– Não, pelo contrário, enxergo perfeitamente.

– Então por que não abre os olhos, quero vê-los.

Ela deu mais um passo para frente e ficou na frente de Karofsky.

– Ah mais você vai vê-los. Aliás, é a última coisa que você vai ver.

Falando isso ela abriu os olhos e Karofsky deu um passo para trás.

Os olhos dela eram vermelhos, vermelhos como sangue. Ela segurou o seu braço e começou a arrastá-lo para traz de uma caçamba de lixo que tinha ali perto. Ele berrava com toda a força.

– Socorro! Alguém me ajude. Socorro!

– Pode gritar a vontade. Você mesmo disse. Acha que alguém vai ligar para um mendigo de rua como você?

Falando essas palavras ela o jogou atrás da caçamba de lixo e também foi para lá. Ainda o ouvi gritar mais uma vez e depois mais nada.

Ainda olhei por um tempo para lá, mas eu não via mais nada e nem ouvia nada. Achei que talvez ele tivesse conseguido fugir e a moça tivesse ido atrás.

Comecei a rastejar para longe, tentei ficar de pé duas vezes, mas eu não conseguia. Estava tão frio e meu corpo tão molhado pelo sangue e urina que eu estava praticamente congelando ali.

De repente comecei a ouvir passos, olhei para traz assustada, achando que fosse Karofsky voltando, mas não, era meu anjo.

Ela passou por mim dizendo:

– Não se preocupe criança. Ele nunca mais vai encostar em você, e nem em ninguém.

Ela nem ao menos olhou para mim, ela passou o mais longe possível de mim.

– Espere. Me ajude.

Eu balbuciava.

– Levante-se e vá até a outra esquina. Têm policiais lá. Eles podem te ajudar.

– Mas eu não consigo andar. Estou machucada e com frio.

– Criança eu não posso te ajudar.

– Por favor anjo. Por favor.

Nesse momento eu senti uma brisa gelada passar por mim e quando olhei para frente eu paralisei de medo.

Em uma fração de segundo ela estava agachada na minha frente e olhando para mim com aqueles olhos vermelho sangue.

– Eu não sou um anjo criança.

Notas finais
Comemtem e me digam o que acharam
Eu provavelmente só conseguirei postar na sexta pq tenho alguns trabalhos da faculdade para essa semana
Beijos e ate o proximo
sz