Notas iniciais
Hey meus aores aqui esta mais um capitulo
Espero que voces gostem
Boa leitura

POV QUINN

Eu não acreditava no que estava fazendo. De certa forma ainda estava em choque com a declaração de Rachel. Nem ao menos tive tempo de processar toda a informação e mais ainda, processar a avalanche de sentimentos que me invadiu.

E eles vieram com tanta força que eu meio que fiquei paralisada sem saber o que dizer ou fazer. Fiquei tão ... tão estática que nem ao menos percebi a aproximação de Ashley , quando dei por mim ela já rugia ameaçadoramente para Rachel.

Assim que despertei do meu transe tratei de me por defensoramente na frente dela. Tentei trazer Ashley de volta a razão, mas Rachel não colaborava em nada desafiando Ashley daquela maneira.

Mas quando tive certeza de que Ashley a mataria, eu não pensei duas vezes. Eu não amava Ashley, mas tinha um grande carinho por ela, era doloroso pra eu ter que enfrentá-la. Mas eu não tinha duvidas. Entre ela e Rachel, entre ela e minha família, Ashley iria perecer.

Em segundos eu ouvi passos da minha família em nossa direção, e Ashley também ouviu, tanto que se apressou em atacar Rachel antes que os Fabray’s viessem me ajudar, não tive dúvidas, empurrei Rachel em direção a minha família e ordenei que a tirassem dali.

Era incrível que mesmo apavorada, pois eu ouvia o martelar desesperado do seu coração, Rach ainda se preocupava em me proteger, ainda cogitava enfrentar o monstro que Ashley havia se transformado, achando que eu fosse uma frágil humana como ela.

Minha Rachel era incrível. Eu tinha muita sorte de tê-la na minha vida, de ter uma amiga como ela. Uma amiga que queria mais do que isso de mim.

Em meio aos meus conflitos internos toda uma possível luta se armava a minha frente, toda minha família rosnando para Ashley e ela fazendo ameaças, mas em um descuido dela ao ameaçar meu irmão, eu me aproveitei e a agarrei pela garganta. Eu ainda tinha esperanças de que quando em fim ela se visse me enfrentando ela pararia. Eu realmente não queria machucá-la.

Mas assim que a avisei que não permitiria que ela machucasse minha família, ouvi o martelar do coração da única humana ali triplicar a velocidade se é que isso era possível, e logo em seguida um arfar de susto.

Lembrei então do que ela estava vendo. Da cena que ela havia acabado de presenciar.

Lancei um olhar para trás, e acho que esse foi meu maior erro.

Pude ver o horror estampado em seus olhos. E ao mesmo tempo pude ver meu reflexo nos olhos dela.

Ela olhava para um monstro. Um monstro veloz, selvagem. Uma fera de olhos vermelhos

Nesse momento todo meu receio em machucar a Ashley sumiu. No lugar, cresceu um ódio sem tamanho por ela.

Por causa dela, eu estava mostrando meu verdadeiro eu para a Rachel. Ela estava descobrindo o monstro que eu sou.

Fechei os olhos e me virei para Ashley.

– Você vai me pagar por isso Ashley. – eu rosnei para ela.

– Como ousa? Você é minha. Vou matar essa humana e sua família de uma vez, você nunca mais vai se afastar de mim.

– Você não encostará em nenhum deles, eu te mato antes.

Então ela me chutou para longe, me arremessando contra uma árvore, partindo ela no meio.

Mal havia caído no chão eu já me levantava e corria de volta para ela que agora atacava minha família.

Marley, Judy e Brittanny formavam uma barreira em volta de Rachel. Elas estavam a protegendo como faziam quando ela era uma criança. Como fêmeas que protegem a cria.

Um pouco a frente Russel, Puck e Santana formavam uma linha defensora protegendo suas companheiras e também Rachel.

Ashley avançava sobre eles, sempre atacando e recuando. Sua habilidade de luta, muito boa por sinal. Mas ela tinha um ponto fraco, eu conhecia bem de mais todas as suas táticas de luta e sabia exatamente onde ela iria atacar.

Ela esperaria que todos se distraíssem com suas falsas investidas e saltaria para atacar as fêmeas. Podendo assim ter a vantagem da surpresa e conseguir matar Rachel em um só golpe. Mas eu jamais permitiria isso.

Eu tinha que agir rápido.

Saltei caindo de frente a ela. A impedindo de dar um golpe em Santana. Ela se surpreendeu com meu ataque, mas a surpresa não demorou mais que um milésimo de segundo, logo ela tentava me atacar.

Ashley era ótima de luta. Eu sabia que não podia me distrair nem mesmo por um único segundo. Por essa única razão eu não podia olhar para Rachel e ver como ela estava reagindo a isso tudo.

Eu apenas escutava o martelar desesperado do seu coração e os seus constantes ofegar de surpresa a cada pulo ou golpe que nós trocávamos. Eu sabia que a cada nova descoberta ela se afastava um pouco mais de mim, de nós. Mas eu não podia pensar nisso agora. Primeiro eu tinha que me assegurar que ela e a minha família iriam sobreviver.

Estava difícil.

Éramos quatro contra Ashley, já que Britt, Marley e Judy não lutavam, apenas protegiam Rachel. Mas mesmo estando em maior número à luta era muito difícil. Ashley era uma lutadora nata de 300 anos de idade. Seu dom era esse. A luta. Ela sabia exatamente como ficar atacando e recuando até encontrar a brecha necessária para dar o golpe fatal.

E a cada minuto que passava eu tinha mais raiva de mim. Eu já fora uma excelente lutadora, mas estava a tempos de mais sendo civilizada. E graças a isso eu tinha perdido um pouco do meu lado selvagem. Um pouco da minha impulsividade. Da minha natureza.

Em uma tentativa de agarrá-la ela me socou, Puck tentando me ajudar agarrou Ashley pelo braço, mas a mesma conseguiu dar um salto pousando nas costas de Puck e dando uma mordida em seu ombro, ouvi meu irmão gritar de dor. Santana e eu pulamos em cima de Ashley, mas ela se esquivou na hora.

Foi à gota d’água. Todos estavam se machucando. Rachel corria risco de vida e tudo por minha culpa. Afinal fui eu quem trouxe Ashley para a vida deles.

Então eu senti, correndo dentro de mim querendo liberdade estava o meu espírito selvagem, a Quinn nômade que vagou por um século lutando quase todos os dias pela vida.

Dei um grito em minha voz natural, grito de raiva e ódio. Era ensurdecedor aos ouvidos humanos por isso vislumbrei Rachel tampando os ouvidos e caindo de joelhos.

Todos pararam atordoados.


Os Fabray’s nunca me viram assim, e Ashley por ser selvagem como eu já fui, sabia exatamente o que aquele grito significava.

Mas nesse segundo de distração Santana a pegou desprevenida e a golpeou nas pernas. Na hora ela caiu e Russel a segurou pelo pescoço e Puck pelos braços.

Ela ficou imóvel, aparentemente tinha acabado a luta, mas eu via em seus olhos que ela ainda podia dar um golpe mortal, Russel falava com ela, mas muito de perto. Se ele se aproximasse mais um pouco, Ashley conseguiria dar uma mordida fatal em sua garganta.

Então enquanto Russel insistia em oferecer uma saída pacifica a Ashley, eu a vi se preparar para o golpe então me apressei em gritar:

– Larguem-na.

Todos me olharam confusos.

– O que? – Puck perguntou.

– Larguem Ashley agora. – eu sibilava. – Não ousem tocar nela.

Vi todos me olharem incrédulos, inclusive Rachel e Ashley.

– O deu em você Quinn?! – perguntou Marley.

– Eu já disse, larguem minha companheira. Não vou permitir que a machuquem.

Caminhava lentamente até eles.

Eu via a incredulidade nos rostos deles, e ao mesmo tempo eu via um sorriso surgir no rosto de Ashley .

– Minha filha. Só estamos protegendo Rachel e nossa família. Foi ela quem começou, você viu-. Russel tentava explicar.

– Não interessa. Não posso ver vocês a machucando. Não consigo.

– Quinn, o que esta fazendo? – Santana perguntava a mim. Aparentemente ela poderia estar perguntando sobre eu defender Ashley, mas eu sabia que ela tinha sentido as minhas intenções, ótimo, assim ela poderia ajudar em meu plano.

– Eu não vou permitir que ninguém a machuque. Soltem-na agora. É a última vez que eu falo.

– Se a soltarmos Quinn, ela vai nos matar e a Rachel também. – meu pai tentava argumentar.

– Não, ela não vai.

Então eu olhei direto nos olhos de Ashley.

– Me perdoe. Eu nunca tinha sentido antes, mas só agora, com eles prontos a te matar é que eu senti. Você é a minha companheira. É você que eu amo.

Ela sorriu vitorioso para mim.

– Eu sempre soube disso meu amor. Sempre soube que você perceberia que eu sou a única para você.

– Eu te amo Ashley. Vamos embora agora. Juro que nunca mais volto aqui para essas pessoas.

Eu olhava para os Fabray’s de forma desdenhosa e eu via a dor nos olhos deles, isso me machucava muito, mas eu repetia a mim mesma, só mais uns minutos. É preciso.

– Não precisamos matá-los, mas também não quero mais nenhum contato com eles. – então me virei e fiz algo que me rasgou por dentro. – nem com nenhuma humana idiota, que por falar besteiras acabou causando uma briga entre nós.

– Você não liga mais para ela? – Ashley perguntou meio desconfiada.

– Eu odeio qualquer um que faça nós duas brigarmos. Perdoa-me meu amor?

– Claro Quinn, eu te amo.

Então eu olhei mais uma vez para Russel.

– Solte-a agora.

Antes que Russel pudesse argumentar, Brittanny se manifestou.

– Faça o que ela pede pai.

Ele olhou para ela espantado, não acreditando no que ouvia.

– Nós já a perdemos, não vamos fazer com que ela nos odeie também. Largue-a e as deixem ir embora, é o melhor.

Ela parecia derrotada como todos ali, mas eu seus olhos eu via. Ela já tinha tido uma visão do que eu ia fazer, ela estava me ajudando.

Arrasado, mas sem alternativa, Russel sinalizou para que meus irmãos a soltassem. Assim que se viu livre Ashley correu para mim e me beijou.

– Eu sabia o tempo todo, você é minha. Você nunca precisou desses idiotas para nada, eles só atrasavam a nossa vida.

– Sim, agora eu sei disso meu amor.

Então ela me beijou mais uma vez. Eu ouvi Rachel gemer baixinho como se aquilo estivesse a matando e dizer meu nome com dor.

“ – Quinn...”

Aquilo doeu em mim como nada havia doido antes, mas eu tinha que fazer isso.

Em meio aos nossos beijos eu comecei a fazer carícias que eu sabia que fariam Ashley se entregar sem receios.

Eu não olhava, mas sabia que minha família continuava ali, eu sentia eles, assim como sentia Rachel.

Assim que percebi que Ashley já estava completamente entregue, eu comecei a distribuir beijos por todo seu rosto e a fazer carícias em seu corpo.

– Eu não te amava, mas você sempre me amou, e isso bastava para mim-. Comecei a falar.

Ela gemia em resposta. Ela achava que eu estava me declarando.

Ledo engano, eu estava me despedindo.

– Você sempre foi muito importante para mim, e apenas por isso eu teria passado toda a eternidade com você.

Eu desci os beijos para sua garganta arrancando mais gemidos dela. E no que parecia uma simples brincadeira sexy eu prendi seus braços atrás das costas com minha mão.

Ela rosnou em resposta, mas um rosnar de satisfação, ela estava achando que eu iria mostrar agora o quanto apaixonada eu estava.

– Você só cometeu um erro meu amor.

Então eu me preparei, alonguei ao máximo as minhas presas.

– Você jamais deveria ter ameaçado as pessoas que eu amo. Jamais deveria atacar minha família e a Rachel.

Senti todo corpo dela se retesar em alerta, mas era tarde de mais. Cravei meus dentes em sua garganta a dilacerando.

Ela tentou se mexer, mas seus braços estavam presos atrás do seu corpo.

Ela caiu de joelhos e eu me afastei olhando em seus olhos.

– Seu erro foi fatal. Eu jamais ficaria contra eles. Eles são tudo para mim.

Ela já estava morrendo, mas em uma vã tentativa de me levar junto, seus braços vieram em minha direção e antes mesmo que eu me afastasse Russel em um único golpe arrancou a sua cabeça.

O corpo de Ashley tombou no chão, completamente sem vida.

Toda raiva se esvaiu de mim e no lugar só ficou o medo.

Medo do que aconteceria agora.

Minha família deveria estar com raiva de mim, afinal eles me alertaram tanto dizendo que o Ashley era perigosa.

Por minha causa toda a família correra perigo.

E medo do que a Rachel estaria pensando de mim. Provavelmente ela estava apavorada.

Fiquei encarando o corpo sem vida no chão a minha frente por alguns minutos.

Eu só ouvia as respirações atrás de mim. E ouvia um coração começar a tentar bater em um ritmo mais saudável.

Então sem que eu esperasse, meu corpo foi suspenso em um abraço sufocante.

– Quinnie! – Puck gritava me girando.- você quase nos matou de susto. Por um momento achamos mesmo que tínhamos perdido você.

Então em menos de meio segundo eu fui rodeada pela minha família. Todos me abraçando e beijando.

– Minha menina, eu achei mesmo que você fosse com ela. – minha mãe falava como se chorasse.

– Jamais mãe. Eu nunca deixaria vocês. E jamais permitiria que alguém machucasse vocês.

Ficamos assim um tempo. Meus irmãos dizendo o quão orgulhosos eles estavam e meus pais dizendo que agora eu não sairia mais de perto deles. Dizendo que ali era o meu lugar e que eu tinha que aceitar.

Mas ainda faltava uma coisa para resolver. E eu acho que essa seria a parte mais difícil. Rachel.

Saí do abraço de minha família, ainda sem coragem de olhar para trás. Então me movimentando bem de vagar para não assustá-la mais, eu me virei.

Ela estava olhando diretamente para mim. Seu olhar parecia apavorado e curioso ao mesmo tempo.

Arrisquei um passo em sua direção e ela não saiu correndo. A meu ver isso já era uma vitória.

Minha família entendendo a situação, na mesma hora começaram a agir da mesma forma. Ficaram cautelosos e pararam com a comemoração.

– Você está bem Rachel? – perguntei a ela.

Ela não respondeu nada, continuou parado olhando para mim.

– Rachel? – eu repeti.

Ela balançou minimamente a cabeça como se saísse de um transe.

– O...o quê?

– Você está bem?

– Pra ser sincera eu não tenho certeza. – ela parecia confusa.

– Está ferida?-. Continuei com as perguntas

Ela abria a boca e fechava várias vezes, mas som algum saía dela.

– Pai, será que ela está em choque?-. Perguntei baixinho para Russel.

–Eu não sei, pode ser. Rachel... filha você está se sentindo bem?

Mas Rachel não respondia e nem tirava os olhos de mim. Então de repente ela começou a falar.

– Então não era a minha imaginação. Há anos atrás não fui eu que imaginei aquilo. Seus olhos eram mesmo vermelhos aquela noite.

Eu sabia do que ela estava falando. Na noite em que eu a achei na rua, eu tentei esconder ao máximo, mas ela tinha visto meus olhos.

Não havia motivos para esconder mais nada dela.

– Sim eram. – eu falei baixo, mas sabia que ela tinha ouvido.

De repente seus olhos se arregalaram e ela pareceu se assustar mais uma vez.

– Naquela noite você matou o Karofsky-. Ela não estava perguntando. Ela já tinha entendido.

– Sim.

Eu me virei de costas para ela.

Lágrimas rolavam pelo meu rosto. Rachel jamais iria permitir que eu ficasse próxima a ela, com certeza estava apavorada e com nojo de um monstro como eu.

Os Fabray’s continuavam quietos, mas vendo minha dor, Marley se aproximou de mim e me abraçou.

– Ela só precisa de um tempo Quinn. Ela vai acabar entendendo. O medo vai passar.

– Não! – Santana disse.

Senti todo meu corpo se arrepiar. Santana tinha o dom de sentir tudo que os outros sentiam. E se ela estava dizendo que o medo de Rachel não iria passar, então eu não tinha a menor chance. Nem adiantaria tentar me explicar.

– Não se desespere minha irmã. Eu disse não, por que ela não esta com medo, pelo menos não tanto assim-. Santana se explicou.

Olhei para ela confusa e então para Rachel.

– Você me salvou! – ela parecia confusa e pensativa, mas continuou falando. – Me salvou quando eu era criança, me salvou agora... e ... e eu acho que me salvou naquela noite no parque também não foi?

Eu não encontrei minha voz para responder a ela. Parecia surreal de mais para mim ela ainda estar ali falando comigo ao invés de estar correndo o mais rápido que ela pudesse.

– Acho que agora algumas coisas começam a fazer sentido para mim. Agora entendo algumas coisas... mas....

Então ela olhou no rosto de cada um da minha família e por fim, olhou para mim de novo e deu um passo na minha direção.

– O que vocês são?

Continua...

Notas finais
Comenteeeeeem
Até o proximo
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