Notas iniciais
Hey emus amores aqui esta o novo capitulo para voces

POV QUINN:

O que vocês são?

Como responder a essa pergunta?

Mentir para ela? Inventar alguma história? Isso não me parecia justo.

Falar a verdade? Seria loucura. Como dizer a uma humana, a humana que morou conosco. Que no momento mora em nossa casa, que as pessoas que querem cuidar dela são..."vampiros"

Eu não sabia o que fazer. Era mais que óbvio que tínhamos que dar uma explicação, nós devíamos isso a ela. Mas eu não sabia como fazer isso.

Todos olhavam para mim, acho que eles queriam que eu tomasse a iniciativa, afinal eu fui a primeira a entrar na vida dela.

Vendo minha hesitação, ela se apressou em falar:

– Por favor, não mintam mais para mim, eu tenho o direito de saber.

Eu ainda não estava pronta, nem em seus olhos eu conseguia olhar. Eu olhava através dela. Imaginando, antecipando qual seria sua reação ao saber de tudo.

Então Russel tomou a frente e falou:

– Acho que aqui não é o lugar certo Rachel, vamos voltar para casa e lá conversamos.

– Ok.- assentiu.

Mas eu estava me saindo uma grande covarde, ainda não estava pronta.

– Vão na frente, daqui a pouco eu irei.

– Quinn. – Russel parecia me repreender, como se soubesse exatamente o que eu estava fazendo, mas eu tinha uma boa desculpa.

– Preciso sumir com o corpo de Ashley. Sabe que não podemos largá-la aqui, é muito arriscado.

Ela me olhou deixando bem claro que não tinha caído na minha desculpa.

– Só preciso de mais tempo. – eu sussurrei para ele.

Ele acenou com a cabeça e começou a caminhar com os outros em direção a casa, Rachel já havia ido, acho que não chegou a escutar a conversa que tive com Russel.

Olhei para o corpo a frente e suspirei. Andei devagar pela floresta recolhendo gravetos secos, fiz uma pequena pilha e coloquei o corpo inerte da Ashley em cima, fechei os olhos e me despedi silenciosamente da mulher que foi minha amiga nos últimos dois anos.

Talvez tudo tivesse sido diferente se eu tivesse feito isso logo no inicio, percebido que Ashley não passava de uma amiga. Balancei a cabeça e abri os olhos, tirei um isqueiro do bolso acendi e joguei em cima do corpo.

Então como se eu houvesse jogado algum liquido inflamável por cima, o corpo dela explodiu em chamas.

Me agachei longe das chamas, mas perto o suficiente para observar seu corpo ser consumido pelas labaredas até restar somente cinzas.

Quando o fogo já havia se extinguido e as cinzas começavam a ser carregadas pelo vento eu vi que não dava mais para adiar o inevitável.

Murmurei um: “- Adeus Ashley...”.

E comecei lentamente o caminho de volta para casa.

Eu sabia que não havia passado nem uma hora ainda desde que eles haviam saído da floresta, mas esperava fervorosamente que já tivesse dado tempo deles terem explicado a Rachel exatamente o que nós somos.

Estranhei ao me aproximar da casa e ouvir somente o silêncio e os sons do batimento cardíaco e respiração de Rachel.

Imaginei então que ela estivesse tendo um tempo quieto para entender e aceitar todas as explicações que recebera, então entrei na casa menos nervosa, mas para minha surpresa, assim que passei pela porta encontrei toda minha família cabisbaixa sentada nos sofás na sala e uma Rachel aparentemente muito zangada, me encarando encostada a lareira e com os braços cruzados em frente ao peito.

– O que houve? – eu quis saber.

– Estávamos lhe esperando Quinn. – ela começou a falar andando em minha direção. – Chega de fugir de mim, chega de se esconder.

Ela parou em minha frente e como se tivesse esquecido toda a cena em que ela me presenciou sendo uma fera fatal, falou em tom de desafio:

– Eu quero saber de toda a verdade e é você quem vai me contar.

Eu suspirei audivelmente.

De nada adiantou a minha tentativa de adiar.

– Estou esperando Quinn-. Falou seria, ainda me encarando.

Eu bufei.

– Não abuse Rachel. Você não sabe com o que está lidando.

Eu olhava desafiadoramente para ela. Era mais fácil para eu lidar com uma Rachel tímida e levemente amedrontada, não medo de mim como vampira, mas medo das minhas reações em geral.

Essa Rachel recém confiante e até um pouco arrogante não me deixava pensar direito.

Ela estava inclinado em minha direção, e era um pouco mais baixa que eu, mas mesmo assim me olhava desafiadoramente.

– E eu não tenho medo de você. Não me importa o que você é, você vai parar agora de fugir de mim, não sou mais uma criança, agora sou uma mulher e sei muito bem exigir o que eu quero.

Estranho.

Muito, muito estranho.

Eu estava... estava gostando de ter ela falando assim comigo. Eu não sei bem o que estou sentindo.

Estava irritada em ser tão claramente desafiada por ela, mas estava também feliz, algo dentro de mim se aquecia em resposta a essa reação dela e eu não sabia explicar isso.

– Rachel filha, — Russel se remexeu desconfortável no sofá. — é melhor não falar assim, deixe-a encontrar seu tempo....

– Não! Ela já teve tempo de mais e tudo que ela faz é me enrolar. Isso acaba agora.

Todos na sala a encaravam de olhos arregalados. Acho que todos esperavam o mesmo que eu, uma Rachel amedrontada e tremula, esperando ouvir que tudo não passou de um pesadelo.

Mas isso.

Essa Rachel, confiante, nessa postura rígida e decidida estava surpreendendo a todos.

Continuei olhando dentro de seus olhos, estranhando o novo brilho que morava ali.

– Vamos Quinn, estou esperando.

Então com essa nova frase, uma ansiedade cresceu dentro de mim. Não sei bem por que sentia essa vontade, era até contraditório ao que eu faria agora, mas eu não me contive, eu queria perturbá-la um pouco. Tirar um pouco dessa confiança dela.

Então eu levantei mais minha cabeça em direção a ela e deixei vir de dentro do meu peito um rosnado. Nada grave de mais, somente um som parecido ao que um gato faz quando se sente ameaçado e avisa que também é perigoso.

– Cuidado criança. — eu falei desafiadoramente para ela.

Vi com prazer ela engolir em seco, mas tive ainda mais prazer em ver que minha Rachel não se deixava abater tão fácil. Ela sustentou meu olhar, sufocando dentro de si todo o possível medo que meu rosnar e minha frase causou nela.

Ela estava demonstrando ser uma grande mulher, muito corajosa. Peguei-me a analisando de cima a baixo. Realmente uma grande e linda mulher.

Repreendi-me mentalmente por avaliar assim a mulher que até outro dia eu queria como filha e virei de costas para ela.

– Diga o que você quer saber Rachel. — eu falei fingindo uma calma que eu não sentia.

– Eu já disse. O que vocês são?

Ainda de costas para ele eu olhei para minha família e meu pai acenou afirmativamente para mim, então eu me virei para ela.

– Nós somos vampiros.

– Vam... vampiros?

POV Rachel.

Raiva. Acho que é assim que posso descrever o que eu estou sentindo.

Sempre soube que Quinn e a família me escondiam alguma coisa, mas nunca consegui imaginar o que seria, e isso nunca importou muito para mim também.

Mas depois de tudo que presenciei naquela floresta.

Céus. Eu fiquei paralisada de medo. Primeiro fiquei aflita, pois eu vi que a Ashley era algum tipo de monstro e ela poderia ferir a Quinn, mas depois... Quando ela me olhou eu vi. Seja lá o que Ashley for, Quinn era igual.

E então para meu desespero, todos a minha volta também eram aquilo. Todos estavam rosnando e... e ... Sei lá, mas estava estampado em seus rostos que eles eram... Perigosos.

Então eu fiquei paralisada de medo.

Mas quando eu a vi matar aquela desgraçada para defender a mim e a família, e depois de ver que todos eles a enfrentavam por minha causa, o meu medo foi substituído por amor.

Eu os amava ainda mais. Eles estavam mais uma vez me protegendo, como faziam quando eu era criança, e ela... ela estava literalmente matando a mulher com quem ela iria passar o resto da vida por minha causa. Justo ela que ia contra toda a família em favor de Ashley, estava matando-a por mim.

Nesse segundo eu passei a amá-la ainda mais. Não me importava o que ela era, eu a queria para mim.

Mas como um estalo algo veio a minha mente. O que ela era?

Seja o que for, estava claro que ela não era uma mulher comum. Então se eu quisesse ter alguma chance com ela, estava na hora de começar a parar de agir como uma garotinha, como uma adolescente resmungona e mal humorada.

Como Cassandra havia me dito, eu já era uma mulher e estava na hora de mostrar isso para ela, e iria começar pelas minhas atitudes. Tinha que mostrar para ela que eu poderia estar à altura dela.

Então comecei pela parte em que eu exigia uma explicação, pois eu precisava e muito de uma, mas como sempre ela fugiu de mim.

E isso me irritou. Despertou algo em mim.

Ela não podia fazer isso comigo. Eu tinha todo direito de saber. Eu faria ela parar de me ignorar. Ela iria parar de me tratar como criança e é agora.

Não admiti que ninguém começasse a me contar nada antes que ela chegasse. Ela não fugiria mais de mim, nunca mais.

...

“– Vamos Quinn, estou esperando!

– Cuidado criança!”

Ouvir meu anjo rosnando para mim e me ameaçando era novidade para mim, mas se isso fazia parte do que ela era eu tinha que me acostumar, e mostrar que não me deixava intimidar.

Então mesmo com cada célula do meu corpo gritando perigo, eu não deixei meu medo transparecer. Engoli em seco e a enfrentei.

Ao olhar em seus olhos naquele momento, eu pude vislumbrar um fio de divertimento passar por eles. Como se ela estivesse gostando desse nosso pequeno joguinho.

Balancei a cabeça.

Eu devo estar totalmente louca. Eu olho para uma criatura de olhos vermelho vivo e ainda consigo tentar decifrar o que se passa por detrás deles.

Mas isso já tinha durado tempo demais, por isso quando ela tentou ganhar tempo perguntando o que eu queria saber eu respondi já sem paciência.

– Eu já disse. O que vocês são?

Eu já imaginava que nada de normal sairia da boca dela, e já estava preparada para algumas possíveis respostas que ela me desse, mas nada no mundo me prepararia para o que ela me respondeu tão calmamente.

– Vampiros!

POV QUINN

Eu permaneci parada enquanto eu via o rosto de Rachel passar por vários tons de branco até chegar a um que se parecia e muito com o de um fantasma.

Eu já a visualizava gritando comigo. Mandando-me sumir da vida dela, ou até mesmo correndo porta a fora sem nem ao menos olhar para trás, mas eu não estava pronta para o que eu ouvi.

Ela depois de um minuto inteiro de silencio, simplesmente caiu na gargalhada.

Ela se contorcia de tanto rir.

Todos na sala olhavam para ela como se ela tivesse perdido o juízo.

Olhei de relance para Santana só para ter certeza de que eu não precisava chamar um médico para ela, mas Santana também prendia o riso, o que mostrava que Rachel realmente estava achando algo muito engraçado.

Mas eu não via nada de engraçado naquilo então logo me irritei.

– Posso saber qual é a graça?

– Você! Acha mesmo que dizer que vocês são vampiros, vai me fazer acreditar Quinn? Ou você quer me distrair me matando de tanto rir.

– Eu não quero nada Rachel, simplesmente respondi a sua pergunta.

– Ora Quinn, fala sério! Vampiros. Você não tinha nada melhor para me falar não!

Ela ainda ria um pouco. Então eu achei melhor acabar de vez com aquilo. Ela queria saber não era?!

– Rachel, você esta vendo alguém além de você rindo.

Então ela olhou em volta e o seu sorriso sumiu.

Olhou de volta para mim, o pânico começando a se instalar em seus olhos.

– Não pode ser. Isso... isso é impossível.

– Tudo que você viu a pouco na floresta também pode ser classificado como impossível, no entanto aconteceu.

– Mas... vampiros? Tem que haver outra explicação.

– Mas não há. É isso que nós somos.

Ela pareceu se lembrar que havia mais pessoas na sala e começou a olhar uma a uma.

– Vampiros? – ele perguntou diretamente para Russel.

– Sim Rachel, todos nós somos vampiros.

Ela pareceu soltar o ar que eu nem havia percebido que ela segurava. Perdeu o controle por um segundo indo se apoiar na parede mais próxima.

Eu me apressei em ir em seu socorro, quando me lembrei que eu era a causa do seu medo, o que me fez parar no mesmo instante.

– Sinto muito Rachel.

Ela ainda estava parada encostada a parede sem dizer nada.

Russel e Judy se levantaram e foram bem lentamente em direção a ela.

– Não se preocupe filha, você não corre perigo conosco, nós jamais a machucaríamos.

Eu olhei cinicamente para meu pai.

Ele estava fazendo garantias que ele não poderia cumprir, afinal, eu era uma grande ameaça a ela.

Eu vi que Rachel continuava em choque, então percebi que talvez fosse melhor eu sair dali, tendo em vista que foi a mim que ela viu ser mais fatal do que a todos ali, talvez o medo maior dela fosse eu. O que me fazia sentir uma dor muito estranha.

– Acho que o melhor é seu sair um pouco pai, acho que ela vai preferir conversar com vocês a sós.

Mas antes que eu pudesse dar dois passos, a voz dela me chamou.

– Não Quinn, por favor. Fica.

– Mas... você está com medo de mim Rachel-. Eu falava olhando para baixo, sem nem ao menos me virar para ela.

– Não estou com medo de você. É só que é muita coisa para... para entender, para acreditar na verdade. Mas eu prefiro que você fique. Eu preciso que você fique.

Notas finais
Se voces comentarem bastante, eu posto mais um hoje a noite ;)

Entao... Comenteeeeeem
Beijos e até o proximo