Notas iniciais
A narração é feita em primeira pessoa, mas pode sutilmente mudar, talvez não, depende da interpretação do leitor.

Para onde vão os corações partidos?

Essa historia não começa bem, assim como as historias preferidas dela, mas ao contrario das historias acho que o fim não vai ser tão feliz.

Era um dia de chuva. Até o céu sabia do que viria a seguir, ela me confessou o seu amor e eu muito novo e burro para saber o que estava perdendo, parti seu coração. Eu tinha um rouxinol, ele sempre cantarolava ao fim da tarde, mas um dia eu cheguei em casa e em seu horário habitual ele não cantou, só ali eu percebi que ele tinha fugido. Senti sua falta naquele dia, mas apenas naquele, o por do sol não foi o mesmo sem ouvir sua canção. Não era o que acontecia agora, o primeiro dia que a perdi foi o que menos doeu, mas a partir daquele dia sabia do que eu meu amigo falou um dia depois de meu rouxinol ter fugido:

"Você só sentiu a falta dele por causa do silencio." Quem está acostumado a ter amor não percebe que o tem até perdê-lo, e era aquela a minha situação. Dessa vez o rouxinol não tinha fugido, eu o deixei escapar por entre meus dedos, eu o deixei escapar.

Ela era a minha melhor amiga, a quem eu podia confiar, era a única que ria das minhas besteiras e não se irritava com minhas piadas sem graça, na verdade achava hilário. Eu poderia ter tentado não quebra-la ao meio, como sei que fiz. Mas qual dos dois seria pior: assumir um sentimento que não era real ou arrasá-la com a verdade? Se perguntassem antes daquele dia chuvoso eu diria sem hesitar que o melhor seria a verdade, mas eu confesso que hoje, depois de dois anos daquele dia chuvoso sem vê-la, eu teria escolhido outra opção. Hoje tento encontra-la, em vão. Preciso encontra-la para me desculpar pelo meu crime, eu parti seu coração, mas como disse, não consegui encontra-la. Ainda.

Agora, estou procurando em cada lugar solitário pelo seu coração, que pode estar em algum bar conversando com uma tequila, ou simplesmente se embebedando na solidão. De vez em quando recebia noticias de nossos amigos dizendo que ela estava bem, mas eu conhecia minha pequena, ela não estava, ela apenas queria que os outros acreditassem nisso. Levou um tempo, mas eu descobri como me redimir, não é a melhor forma possível, mas eu tentei. Fiz para ela um mapa. O mapa dos corações partidos.

O objetivo desse mapa é mostrar para onde vão os corações partidos. A resposta é simples, mas só saberá no final. Espero que ele te ajude porque não estou tendo a mesma sorte.

O ponto de partida começa nós mesmos, os criminosos redentores. O primeiro passo é tomar conhecimento do que está fazendo, você está indo até a suposta cura para os seus males. O segundo passo são as memórias, lembrar-se dela é a parte mais importante, o modo como amarrava seu cabelo, como ficava irritada quando eles caiam em seus olhos, sua letra desenhada, mesmo quando escrevia um simples bilhete, capricho fazia parte dela, seus dotes para a cozinha, mesmo que fosse apenas macarrão instantâneo e brigadeiro, seus olhos atrás da lente de seus óculos e como ela ficava linda com ou sem eles, a vergonha em te abraçar mesmo tendo muitos anos de amizade e quando o faz fica um bom tempo, suas birras infantis ou seus surtos de maturidade, como sempre preferia se sentir confortável ao invés de bonita, apesar de ficar linda do mesmo jeito, sua disposição e dedicação para a amizade, e as muitas vezes em que ela agradecia por tê-la ajudado, onde muitas vezes você tinha certeza de não ter feito nada.

O terceiro passo é a aceitação, mas conhecido como a fase em que deixamos de ser cegos. Não é difícil fazer isso, apenas leia o passo dois e veja o quanto sua garota é incrível.

No entanto o passo mais importante e o mais difícil é o da redenção, nunca tente apontar justificativas porque elas serão inúteis essa altura do jogo, nem tente se vitimar também, qual a diferença de quem foi a real vitima se foi ela que saiu machucada? Esse passo é o mais pessoal, mais original porque vai depender de vocês, os caras. Se querem algum tipo de encorajamento, eu vou lhes dar o meu exemplo:

Eu fiz para ela uma casa de um lar em pedaços, na bancada deixei uma canção que escrevi e nela estava escrito todas as palavras que eu sei que ela deve ter deixado de dizer. A cada esquina eu a imaginava sentada na calçada me esperando e reclamando do quanto me atrasei. Sei que fui o culpado por ela pensar mal do amor, por isso fiz dela o meu, para que ela pudesse fazer com o meu coração o que quisesse, eu merecia qualquer tipo de vingança. Eu não sabia que quando ela se foi eu também tinha ficado com o coração partido e tenho certeza que tenho um porque se não tivesse, não teria como escrever isso.

Todos nós nascemos com corações inteiros porque nossos pais nos dão um pedaço dos seus, onde duas metades se tornam um inteiro, mas chega uma época que parte dele também vai sumindo e sentimos a necessidade de preenchê-lo, alguns mais cedo que outros. Eu não sentia falta porque o meu estava completo com a metade dela, e quando ela foi embora senti pela primeira vez aquele elo se quebrar. Quando eu notei, tinha um inteiro quebrado, mas ainda um inteiro, ela só tinha uma metade.

Eu não sei mais o que fazer. Estou sentado em pleno meio fio com o pedaço dela que estava dentro de mim e cheguei a conclusão de que um coração quebrado apenas se cura quando encontra sua outra parte quebrada, o resto é apenas remendo.

Notas finais
Essa foi uma one shot de experiência, pretendo fazer mais oneshot's e essa ano ainda irei postar uma história, a primeira, mas vou deixar para o meio do ano.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!