Maya sempre gostou de observar o porto. Por algum motivo, era atraída por aquelas pessoas de cabelo cor de ouro que iam e vinham nas grandes embarcações que flutuavam no oceano. Ela sempre ficou de longe, por algum motivo, era como se em seu coração buscasse por algo – ou alguém.

Um dos dias que se atreveu a chegar perto demais, esqueceu-se de como humanos eram e esqueceu-se de esconder as orelhas, e foi atacada. Conseguiu fugir rapidamente de volta para o seguro da floresta, não era nada grave, mas incômodo. Mas a floresta era sua casa e guiava seu caminho, movimentando-se para atendê-la e levá-la de volta o mais rápido possível para o local em que era acolhida. Antes que entrasse, no entanto, uma estranha a encontrou. Percebeu que ela era diferente. Mas quanto mais olhava para os cabelos dourados, percebia que havia encontrado o que nem sabia que estava procurando.

Era estranho se sentir tão ligada a alguém. Sempre foi sozinha. Mesmo sendo acolhida tão gentilmente por Fumi-san ao chegar desamparada, nunca se aproximou realmente dos outros. Mas com Claudine era diferente. Acabou se atraindo por aqueles olhos gentis e que carregavam tanta dor e sofrimento.

Ela havia dito que iria voltar. Constantemente, encontrava-se olhando os navios ao longe, escondida nas sombras das árvores, deixando que suas três caudas balançassem no ar. Quando o sol começava a se pôr no horizonte, sabia que era hora de retornar. Era uma jornada solitária. Desde que ela havia partido, esse sentimento parecia ter crescido dentro de si. Mais que antes de se encontrassem.

— Maya!

Suas orelhas se mexeram ao ouvir aquele timbre familiar. Achou que seus ouvidos estavam lhe enganando, então se virou lentamente, temendo que mais uma vez fosse uma ilusão.

O sol poente no horizonte cobria o rosto dela com uma sombra, porém o seu sorriso – reconheceria em qualquer lugar.

Os olhos de Maya se iluminaram, e ela simplesmente saltou do declive, o mesmo no qual havia empurrado Claudine séculos atrás, se jogando na direção da vampira para envolvê-la; e ela retribuiu o enlace, segurando-a ainda no ar em um abraço.

— Eu finalmente entendi que meu lugar é aqui. Depois de tanto tempo... — Claudine suspirou, fechando os olhos e a apertando contra si. — Desculpe ter demorado tanto...

Claudine sentia-se culpada. Havia prometido voltar no impulso, mas ficou com medo de retornar. E se Maya tivesse se machucado por sua causa? E se trouxesse apenas mais dor e sofrimento a todos? E se ela tivesse lhe esquecido? Sabotava-se. Foi só apenas ver com seus próprios olhos uma vampira vivendo feliz com uma humana, que percebeu que poderia ser feliz também. Que talvez Elizabeth estivesse lhe dando uma segunda chance. Com um suspiro pesado, ela recuou o rosto, o suficiente para fitar dentro dos olhos de Maya.

— Me desculpe, Maya. Eu tinha perdi tudo. Elizabeth não está mais nesse mundo. E eu achei que não merecia mais ser feliz, carregando essa culpa. Mas você está. E isso é suficiente... se você ainda me quiser por perto, é claro.

Claudine sorriu sem graça, mas ao ver aquele riso enfuriante, suavizou a própria expressão.

— Não parece com você esse jeito de agir. Eu estava te esperando, Claudine-san. — Com um sorriso gentil, envolveu o rosto dela carinhosamente entre as mãos. — Seja bem vinda de volta.

E foi como se todos os medos que restavam a ambas se dissipasse como passo de mágica.

— Estou de volta, Maya.

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