When the Moon meets the Night
19 Nova Temporada C1- A instrutora de cavaleiros
Pov em terceira pessoa
Já era bem tarde, o céu estava escuro e os nossos cavaleiros de dragões estavam em plena missão, na verdade era um patrulhamento rotineiro noturno, essa tarefa é geralmente dividida em duplas, agora, Soluço e Astrid ocupam a parte norte da ilha.
— Ótimo patrulhamento, Astrid, mais uma volta, e podemos terminar por hoje.
— Tudo bem... — A loira resolveu perguntar algo que estava em sua mente desde cedo. — Sabe, Soluço, eu fiquei um pouco surpresa de você ter pedido para eu acompanhar o patrulhamento de hoje.
— O quê? Por quê? Não vejo problema nisso. — Moreno falou realmente confuso.
— É que geralmente você sai em dupla com a Morgana. — Astrid falou com um sorrisinho no rosto, que passou despercebido pelo líder.
— Ela tinha que cuidar do Amarok, ele acabou comendo um peixe estragado sem perceber. — Ele deu de ombros e depois arregalou os olhos, o rosto ficando vermelho. — E você é minha amiga também, não vejo problema.
— Amiga como a Morgana né, sei... — Tentou segurar o riso. — Mas você deve me entender porque vocês dois estão sempre formando um dupla nas nossas missões.
— Nem sempre! — Soluço tentou negar rapidamente. — Teve aquela vez... ahhh... e naquela missão... naquele dia lá...
Soluço sentiu o rosto ferver mais ainda, não tinha percebido antes, mas pensando agora, não conseguia se lembra de missões recentes que ele não tenha feito dupla com Morgana, era natural a primeira opção ser ela, uma garota inteligente e guerreira, não que Astrid também não seja, porém por algum motivo era sempre a morena que lhe vinha a cabeça quando precisava de alguém ao seu lado, como amiga... não é?
Astrid soltou uma risada ao ver a cara de constrangimento do melhor amiga, mas logo sua expressão se fechou quando eles passaram voando por cima dos pedestais que ficam os Terrores Noturnos.
O adolescente já estava pensando em uma desculpa para o seu rosto vermelho, mas as palavras morreram ao ver o olhar da loira.
— O que foi?
— Soluço, onde estão todos os terrores noturnos?! Eles não deveriam estar de vigia? São nossa ultima linha de defesa!
O moreno fechou o rosto de raiva porque já sabia a resposta do problema e soltou um grito de frustração: — CABEÇA DURA!
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Não foi nenhuma surpresa quando Soluço percebeu que estava certo, porque tinha acabado de chegar na arena com a loira e lá estavam Perna de Peixe, Melequento e os gêmeos aparentemente brincando com os Terrores Noturnos, que não eram para supostamente estarem ali.
— O que vocês estão fazendo? — Soluço perguntou confuso e indignado.
— O que você acha que estamos fazendo? — Cabeça Quente perguntou com ironia. — Treinando dragões, duh!
— Você mais do que ninguém deveria reconhecer isso. — Cabeça Dura continuou. — Prepare-se para ficar encantado.
O loiro deu o comando de "comprimentar", mas o dragão acabou deitando de costas no chão e mostrando a barriga enquanto se sacudia.
— Viu isso?! Você achou que ele ia dar a patinha porque eu falei, mas na verdade eu ensinei isso, legal né?
— Olha, a gente entendeu, só não sei como isso é útil. — Soluço suspirou irritado, depois olhou para os lados e percebeu a ausência de uma pessoa. — Hey, onde está a Morgana?
— Ela ainda estava com o Amarok, ele vomitou bastante de tarde. — Perna de Peixe respondeu.
— Ainda? Aconteceu alguma coisa, ele piorou? — Astrid perguntou preocupada pelo dragão e pela amiga.
— Na verdade, ele está bem melhor agora. — Todos se viraram quando ouviram a voz da morena vinda de trás deles. — Consegui acalmar o estomago dele, mas deve ficar de repouso por uns dois ou três dias.
— Isso é um alívio. — Soluço sorriu para Morgana que retribuiu, até ela franzir o cenho diante dos -dragões negros pequenos .
— Por que os Terrores Noturnos estão aqui e não nos postos de vigia?
— Morgana, que bom que chegou, quer ver ele buscar o meu chinelo.
A treinadora arqueou a sobrancelha antes de trocar o olhar entre Cabeça Dura e Soluço que segurou a testa com raiva.
— Cabeça Dura, os dragões são mais do que os nossos "bichinhos", são parte integrante do nosso sistema de defesa. — Astrid tentou dar uma luz para o loiro lerdo.
— Ele resolve problemas de matemática básica batendo com a pata, desde que a resposta seja 3! — Cebça Dura ignorou completamente o que a loira disse.
— Astrid esta certa Cabeça Dura, como você acha que vamos saber se alguém tentar invadir a ilha? Já percebeu o tamanho desse lugar? Não é tão simples quanto o seu cérebro diminuído pensa. — Morgana se pôs ao lado da amiga com os braços cruzados.
— Além do mais. — Soluço tentou amenizar. — Você já tem o seu bichinho. — Ele apontou para a Galinha, está se sentiu bem traída e virou a cara para o loiro e pulou no colo da Morgana.
Morgana arregalou os olhos surpresa, mas até ela não resistia a cara dócil do animalzinho e resolveu segurar ela com afeto, Astrid olhou estranho para ela.
— O que foi? Ela é fofa!
Astrid retomou o tópico importante: — O Dagur poderia chegar com a frota inteira lá na praia e nós nem ficaríamos sabendo porque os Terrores Noturnos estão fora de seus postos.
— Calma ai, Astrid. — Melequento se meteu a onde não devia. — O Dagur nem sabe a onde fica o Domínio do Dragão.
— Ainda não, mas se vocês não levarem isso a sério, logo, logo ele vai saber.
— Por mim, ele pode vir! Deixa aquele pamonha chegar, eu e o Dente de Anzol vamos botar juízo naquele maluco. — Melequento parou de falar quando Morgana bateu na cabeça dele.
— O único maluco aqui, agora, é você Melequento, da para pensar um pouco só dessa vez e perceber que isso não é uma brincadeira?!
O clima já estava ficando um pouco mais tenso e o líder já estava tentando pensar em algo quando uma Carta Terror passou por eles e se chocou com o Perna de Peixe, o que chamou a atenção de todos.
O inteligente, já recuperado, começou a ler a mensagem: — É de Berk... e não é nada bom.
Acabou não sendo nada bom mesmo, a mensagem foi enviado por Stoico, o líder da tribo de Berk que avisava do ataque sofrido por eles pelo Berseker fugitivo, Dagur. Essa notícia fez todos se mobilizarem imediatamente e estavam em seus dragões indo para vila. Dada a distância, a chegada ocorreu na manhã seguinte... e o estrago estava pior do que eles esperavam.
Eles foram recepcionados pelo próprio chefe da vila, Stoico, o Imenso.
— Filho, que bom que vocês estão aqui. — A preocupação era visível na sua voz.
— Quem fez isso? — Soluço perguntou.
Morgana olhou para os lados, era óbvio que quem os tinha atacado estava com muita raiva, não tinha mais picos de incêndio, mas o ar ainda estava coberto de fuligem com casas completamente destruídas ou em pedaços.
— O Dagur não pode ter feito isso tudo sozinho. — Morgana falou ao ver um casal tentar recuperar os pertences em baixo dos escombros.
— Foi um ataque surpresa. — Stoico explicou. — Com catapultas e uma chuva de flechas de fogo, atingiram algumas habitações, Astrid, uma delas foi a casa dos seus pais.
A atenção de Morgana que estava nas casas foi desviada rapidamente para amiga ao ouvir a notícia, e já sabia o que ela iria fazer, porque Stoico nem tinha terminado de falar e a loira já saiu em disparada, a morena, que não iria deixar a amiga enfrentar aquilo sozinha, foi atrás sem pensar duas vezes.
— Astrid, Morgana, esperem! — Soluço tentou chamar por elas, mas sabia que nenhuma das duas iram parar, então ele e os outros resolveram segui-las.
Tempestade e Luna mal pousaram e as treinadoras já estavam fora das sela, mas Morgana não correu atrás da amiga e nem foi preciso, porque quando esta viu o estado que estava a sua antiga casa, ela parou sem reação.
— Calma, menina, os seus pais estão bem, eles estão na Corrida de Iaque Anual. — Um Bocão todo chamuscado veio avisar.
— Por Thor, Bocão, você está bem? — Morgana perguntou, já entregando um lenço para ele.
— Obrigada, mas não se preocupe mini curandeira, não é um foguinho que vai pegar o velho Bocão aqui. — Ele se virou para Astrid. — Me desculpe não termos conseguido salvar a sua casa.
— E se eles estivessem em casa...?
Morgana abraçou a amiga de lado. — Hey, eles não estavam, pense que eles estão bem, se divertindo e agora você vai poder ajudar a redecorar tudo.
Astrid tentou dar um sorriso.
— Vai ficar tudo bem, menina. Vamos colocar essa casa em pé novinha em folha. — Bocão prometeu.
— Vem, Astrid, precisamos nos reunir com os outros para começar.
A treinadora da Fúria da Noite puxou a amiga de leve e Astrid teve que se recompor porque eles tinham muito trabalho para fazer.
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Stoico tinha acabado de delegar as tarefas para o povo da vila quando Soluço começou a sua parte:
— Melequento, gêmeos, transportem tudo que eles precisarem. Perna de Peixe, você e a Batatão vão cuidar da carga pesada...
— Cara de pai orgulho heim?
Stoico piscou e olhou para a garota que pareceu ao seu lado.
— Bem, ele é um Haddock. — O viking estufou o peito e não ia deixar a garota com cara de deboche. — Tem que se lembrar disso quando virar uma também.
Stoico percebeu que tinha conseguido a sua meta quando viu a morena ficar de boca aberta
— E eu vou atrás do Dagur. — Soluço terminou e tinha raiva em seu olhar, isso fez Morgana sair do transe.
— Hey, não vai não mocinho. — Morgana se colocou bem na frente dele. — sozinho, não vai mesmo, se o Dagur conseguiu fazer isso com a vila imagina se você sozinho só correria risco.
— Então, você vai comigo?
— Não, não, não, nós dois vamos ajudar na reconstrução das cabanas e amanhã... — Ela frisou a última palavra. — nós todos vamos fazer uma patrulha.
Soluço pensou em retrucar, mas sabia que era uma luta vencida, então ele suspirou e só assentiu.
— Morgana tem razão filho, foi um ataque estranho, um único navio deu uma salva de tiros e depois se virou e saiu.
— Que estranho, não é estilo do Dagur.
— Bem, ele é louco, então não é tão estranho assim. — Morgana deu de ombros. — Mas agora que decidimos que você não vai fazer uma outra loucura sozinho, vamos ao trabalho. — E ela saiu andando.
— Decidimos é?
Soluço estava prestes a seguir a morena quando sentiu uma mão em seu ombro.
— Pai?
— Sabe, filho, é bom você nunca discutir com Morgana, porque quando ela for chefa ao seu lado, saiba que nunca vai ganhar uma discussão.
O futuro chefe ficou de boca aberto com as palavras do pai e não soube responder, já Stoico saiu rindo alto.
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— Tem certeza que não quer voltar para ver como Amarok está? — Soluço perguntou preocupado enquanto eles ajudavam a carregar mais uma leva de madeira para as cabanas novas.
— Não se preocupe, Amarok está sobre efeito de remédio, ele ainda vai dormir por mais um dia ou outro, não se preocupe.
— Bem, fico feliz em ouvir isso, não quero que você fique mal também.
— Aposto que você só não quer perder a parceira de carregamento. — Morgana brincou ao empurrar o ombro do Soluço com o dela.
A treinadora voltou o olhar para o rosto do moreno quando viu que ele não riu, e percebeu que ele ficou com uma cara pensativa.
— Ei, o que foi?
Ele coçou a parte de trás da cabeça antes de falar: — Você acha que a gente forma dupla demais?
— Como assim? Tipo, que a gente sempre faz mais o trabalho? — Ela estava confusa.
— Não... quero dizer que a gente nunca forma dupla com outras pessoas.
— Ah... — A garota sentiu suas bochechas esquentarem e desviou o olhar para o chão. — Bem... isso te incomoda?
— Não! — Ele negou tão rápido que até balançou a cabeça de um lado pelo outro junto. — Claro que não, é só que você acha errado sempre trabalharmos juntos, como se a gente negligenciasse os outros?
— Não, eu não acho. — Ela criou coragem para levantar a cabeça e o olhar diretamente. — Para mim, é só normal, eu gosto de trabalhar com você.
Agora, era o moreno que tinha se avermelhado, mas engoliu em seco e respirou fundo para criar coragem de estender o braço e tomar a mão da garota na sua.
— É... eu também penso assim. — E ele lhe deu um sorriso tão bonito, que Morgana sentiu a sua respiração parar.
Mas como eles não estavam no melhor dos ambiente, aquela bolha foi estourada com o despeso de um tronco de árvore enorme do lado deles.
— Hey, pombinhos, você vão ficar de papo ou ajudar no que é realmente necessário? — Bocão, que tinha causado o estrondo, falou, mas era possível ouvir o tom brincalhão em sua fala.
— Isso, trabalhar! — Morgana voltar a pegar o feno que tinha nas mãos e correr para o caminho inicial, mesmo sem olhar para trás era possível ver as potas das orelhas dela, vermelhas.
Soluço suspirou e deixou os ombros caírem, antes de lançar um olhar bravo para o adulto.
— O que foi? Ficou bravo de eu interromper o casal.
— Não somos um casal!
— Então por quê está bravo? — Bocão abriu um sorriso de deboche quando viu o garoto abriu a boca e não sair nenhum palavra.
— Somos amigos, ok?! — Parecia que o treinador de dragões falava aquilo mais para si mesmo do que para o adulto e Bocão percebeu isso e acabou rindo ao ver Soluço bufar e também voltar ao trabalho.
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As tarefas tinham sido árduas para todos, mas agora, no final de tarde, a turma estava se reunindo na antiga escola de treinadores de dragões de Berk.
Morgana e Soluço chegaram juntos e olharam estranho para uma Batatão com as quatro patas imersas em barris.
— A Batatão está bem? — Soluço perguntou.
— Claro, ela está bem sim, é que vários pousos e decolagens machucaram as patinhas dela. — Perna de Peixe respondeu.
Preocupada, Morgana já estava se ajoelhando ao lado da dragão para fazer um exame.
— Ela está com muita dor? Já subiu para as pernas?
— Não se preocupe, Morgana, eu fiz a infusão com uma das suas receitas médicas.
— Isso é muito bom, agora ela só precisa descansar, não é Batatão? — Morgana fez um carinho nela que aceitou bem enquanto balançava a cauda.
Depois dos gêmeos levarem uma grande bronca de Morgana por terem aparecido com uma mesa cheia de comida e vários móveis, que eles descobrirem serem roubados, Astrid chegou com uma cara bem desanimada.
— Astrid, e os seus pais? — Soluço perguntou preocupado.
— Eles estão bem, mas a casa... a casa que eu cresci está em pedaços.
— Hey, não se preocupe, nós vamos ajudar a deixa-la novinha, ok? — Morgana tentou animar a amiga.
— É, Astrid. — Melequento se aproximou e se apoiou no ombro da loira. — Você está precisando de um ombro para chorar?
Ao invés de responder, a guerreira resolveu pegar nesse mesmo ombro, girar o corpo por cima da cabeça dela e lançar o Melequento na parede.
— Obrigada, Melequento, eu estava precisando disso. — Astrid brincou antes de ajudar o lerdo a levantar.
— De nada, conheço o meu papel. — Melequento tentou sorrir, mas acabou gemendo de dor.
— Sabe, isso pode ser meio terapêutico.
— Gente, temos que focar, o Dagur foi visto por último indo para o norte, agora ele já deve estar quase saindo do arquipélago. — Soluço redirecionou o assunto ao que eles deveriam se preocupar agora, achar o bandido fugitivo. — Então, a gente vai voltar para o Domínio amanhã bem cedo e usa-lo como base para as buscas. Agora nós vamos voltar para as nossas casas e ter uma boa noite de sono.
Todos começaram a ir para os dragões, provavelmente para ir para suas casa quando Morgana apareceu do lado da Astrid.
— Então... noite das garotas?
— Você vai dormir aqui? — Astrid perguntou surpresa.
— Espera, vocês duas vão ficar aqui de noite? — Soluço perguntou confuso.
— Bem, a Tempestade e eu vamos, mas você não precisa Morgana.
— Eu nem tenho casa aqui na vila, acredita eu já dormi mais noites fora de casa do que em uma. — Morgana brincou, mas viu o olhar de agradecimento.
— Olha, que coincidência, o Banguela e eu estávamos pensando em ficar aqui também. Além do mais, o ronco do meu pai é horrível.
Morgana sorriu, sabia que ele estava fazendo por Astrid e ela achava isso muito fofo, porque ela sabia que ele também faria a mesma coisa para qualquer outra pessoa do time.
— É! A Batatão e eu vamos ficar por aqui também, pelos velhos tempo.
— Não vai rolar noite do pijama! — Melequento falou, mas depois.. — sem mim e o Dente de Anzol!
No final acabou que todos concordaram em passar a noite na arena e depois de um dia trabalhoso como aquele, também não tardou para que roncos fossem ouvidos... menos de duas guerreiras que estavam bem acordas.
— Não consegue dormir, não é? — Morgana saiu de onde estava deitada para se sentar ao lado de Astrid, Luna logo veio atrás para voltar a se aconchegar ao lado da dona.
— Eu te acordei?
— Não, eu não menti quando disse que só dormia fora, muitas noite eu nem conseguia pregar o olho de medo por estar em meio a floresta, então não dormir por uma ou duas noites, não me afeta tanto. — A morena deu de ombros, mas viu a curiosidade no olhar da loira.
— Você nunca nos disse o que aconteceu realmente com você.
Morgana desviou o olhar, não achava que o assunto iria chegar naquilo.
— Se você não quiser falar tudo bem.
— Não é que eu não confie em vocês, eu faço com a minha vida,não tanto com o Melequento, mas não é algo que eu posso falar abertamente porque eu nunca conversei sobre isso, teve só uma pessoa, mas faz uns 6 anos.
— Alguém? Foi algum romance seu? — Astrid agora estava bem curiosa.
— Não, não, não. — Morgana riu com a ideia de isso ser uma possibilidade. — Está mais para um irmão, ele me ajudou e me apoiou muito. Porém, faz algum tempo que eu não entro em contato com ele. Mas, esquece de mim, como você está?
Aquela pergunta fez o rosto de Astrid se fechar. — Eu... não sei realmente.
Morgana pensou bem e suspirou.
— Olha, é difícil para mim também porque eu posso ser a única outra pessoa aqui que sabe o que você está passado. — Com a volta da curiosidade da amiga, Morgana resolveu revelar um pouco mais. — Eu também já tive uma vila... uma família e eu perdi tudo em uma noite só, minha casa, meus amigos, tudo.
— Eu sinto muito...
— Obrigada, mas você não precisa sentir. O que eu estou tentando dizer, Astrid, é que você ainda tem os seus pais, eles estão bem e nem eles e nem ninguém culpa você por não estar aqui quando ocorreu o ataque. — Morgana viu a surpresa no olhar dela com a sua fala.
— Como você...? Como eu posso fazer esse sentimento ir embora?
— Sei? Por que eu pensei nisso por anos, se culpar só te corroí e deixa aquele que realmente causou esse ataque, Dagur, mais forte. — Ela colocou o a mão no ombro da amiga para lhe dar um aperto reconfortante. — O que você pode fazer é se fortalecer, usar essas emoções como um meio e lutar para impedir a mesma coisa no futuro, porque o que já aconteceu não vai mudar, você não deve esquecer e sim superar.
— Acho que agora eu sei o que tenho que fazer. — Astrid deu um sorriso de agradecimento para a amiga. Podia fazer apenas alguns meses, e apesar das desconfianças no começo, Morgana já era uma amiga que tinha feito falta para a loira por muitos anos, uma amizade que ela nunca conseguiu com mais nenhuma pessoa da vila, só com a Heather, mas está não esteva presente, então ter alguém que a apoiando agora era muito bom. — Obrigada.
— Você sabe que o meu ombro é bem melhor que o do Melequento. — Isso fez as duas rirem um pouco, mas pararam ao ouvir o ronco alto do alvo da piada. — Tenta dormir agora, foi um dia exaustante, amanhã você precisa de força.
Morgana deu mais um sorriso fechado para a amiga antes de se virar para se agitar melhor e deitar encostada em Luna, antes de fechar os olhos, ela percebeu que a outra treinadora resolveu seguir o conselho e também se virou para finalmente dormir.
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Na manhã seguinte, Morgana sentiu uma presença se aproximando por trás dela e isso a fez ficar alerta e quando a ela sentiu a pessoa estar bem perto dela, a morena abriu os olhos virou o corpo, agarrou a gola da túnica do ser, o virando por cima do corpo, ao mesmo tempo pegando uma das adagas na bota direita, subindo em cima do garoto e parando a lâmina bem perto da sua garganta.
— Opa, opa, opa, sou eu! Não me mate!
— Soluço? Você sabe que não pode se esgueirar perto assim.
— Eu só ia te acordar, todo mundo já estava levantando. — Morgana olhou para os lados vendo que era verdade, meio estranho para ela, porque sempre era uma das primeiras a levantar. — Hummm você poderia afastar a adaga?
Morgana olhou confusa para ele até perceber que não tinha movido a arma.
— Desculpe, mas você mereceu por fazer isso. — Ela se levantou e o ajudou depois.
— É, fica como um sinal para a próxima vez.
Soluço deu um sorriso meio torto e a garota revirou os olhos, mas sua atenção se voltou para a única pessoa que continuava sentada na arena. Morgana deu um cutucão no amigo e fez sinal em direção a Astrid, ele entendeu e os dois se aproximaram.
— E ai, você conseguiu dormir um pouco? — Soluço perguntou preocupado, se ajoelhando ao lado da loira.
— Um pouco, mas eu também fiquei pensando muito.
— Bom, a gente vai sair em uma hora, eu posso te ajudar com o equipamento. — Soluço tentou ser gentil, mas pela cara que Astrid fez, Morgana já tinha uma ideia do que estava por vir.
— Soluço, eu tomei uma decisão, não vou voltar para o Domínio do Dragão, vou ficar aqui em Berk.
— Espera, você vai ficar?! — O líder ficou tão em choque que até levantou e deu um paço para trás. — Quando que você tomou essa decisão?!
Astrid tinha se levantado agora. — Ontem a noite, quando eu conversei com a Morgana e depois com o seu pai.
Soluço desviou o olhar entre o pai dele e Morgana, que acabou dando um sorriso triste para ele, a treinadora não sabia que Astrid tinha falado com Stoico ontem a noite também, devia ter sido depois que ela foi dormir.
— Eu não vou deixar Berk indefesa de novo, não posso.
— Astrid, um dragão não vai fazer muita diferença. — Soluço tentou contrapor.
— Soluço, eu vou ficar e treinar novos cavaleiros.
— O quê? — Agora o moreno estava bem surpreso. — Essa ideia é maluca, você não pode fazer isso sozinha, diz para ela Morgana?
— Na verdade, eu acho uma ideia fantástica.
— Você também?! — Os ombros do Soluço caíram com a resposta.
— Pensa bem Soluço, a melhor defesa que Berk pode ter contra um louco como o Dagur, são os dragões, treinar novos cavaleiros é o ideal nesses tempos de guerra.
— Isso! Vai ser uma equipe de apoio para situações como essa. — Astrid completou, animada com o apoio da amiga.
— Morgana, Astrid, essa ideia... — Ele suspirou. — É muito boa.
Astrid sorriu e levantou o punho para receber o toque da morena, não tinham combinado aquilo, mas foi uma situação que saiu muito bem.
— Olha, eu não pude deixar de ouvir a conversa. — Melequento apareceu. — Já que eu estava ouvindo, mas se você precisa de um instrutor, um cavaleiro treinado pelo Melequento aqui vai ser capaz de antecipar cada movimento de seu dragão, é como no xadrez, não que eu jogue xadrez. — Ele conseguiu se desviar da cauda do Dente de Anzol. — Viu! — Mas acabou voando para a parede no segundo golpe.
— Eu não sei como ele conseguiu virar um cavaleiro. — Morgana brincou, mas viu o semblante sério na amiga.
— Desculpe, Melequento, mas eu vou fazer todo treinamento sozinha, é uma coisa que eu tenho que fazer.
— E nós entendemos isso completamente. — Morgana frisou o "nós" quando viu que Soluço tinha aberto a boca para falar algo e ele acabou assentindo concordando.
— Beleza, mudança de planos, Morgana, Melequento, gêmeos e Perna de Peixe, sigam a trilha do Dagur para fora do arquipélago, se não o encontrarem, abasteçam no Domínio e continuem as buscas.
— Então... — Morgana começou. — Essa é uma boa hora para dizer que eu também não posso voltar.
— O quê?
— Morgana, eu sei que quer ajudar, mas eu disse que vou fazer todo o treinamento sozinha.
— Não é isso, ficaram muitos feridos dos incêndios, mais do que a Gothi da conta sozinha, ela precisa da minha ajuda. Já iria ficar, antes mesmo da sua ideia. — Morgana avisou e Astrid acreditou, apesar de no fundo a morena também não queria deixar a amiga sozinha nesse momento, porém ela tinha falado sério dos feridos, precisava ajudar, mas era bom ter aquela desculpa também.
— Ok. — Soluço coçou a cabeça. — Apenas os outros vão. — Ele viu o olhar feio da Astrid para ele. — Hey, relaxa, eu só vou ficar para fazer mais alguns patrulhamentos entorno da ilha, para o caso do Dagur voltar, só isso. Você nem vai notar que eu estou aqui.
Ambas sabiam que não era "só isso".
— Tudo bem, então. — Astrid concordou com aquilo. — Mas é claro que tem a opção de ninguém querem se candidatar para essa Equipe B.
— Sabe, eu prefiro o termo "Time Astrid". — Morgana finalmente arrancou um sorriso do rosto da amiga.
Contudo, ao contrário da última fala da loira, quando a notícia se espalhou, uma pequena multidão estava se reunindo dentro da arena.
— Nossa, que repercussão. — Ninguém podia negar o que Soluço disse. Ele e os outros cavaleiros estavam montados em seus dragões do lado de fora da arena, observando.
— Olha só essas pessoas, cheias de sonhos, sonhos que vão ser destruídos. — Cabeça Dura falou melado. — Já fomos jovens assim.
Morgana teve que rir disso, mas concordar de certo modo, aprender a montar um dragão era realmente algo animado e empolgante para qualquer iniciante.
— Melequento, aquele é o seu pai? — Perna de Peixe apontou e lá estava o vinking no meio dos outros.
— Soluço eu tenho que ficar! Eu preciso ensinar a ele e apontar cada erro que ele fizer! — Melequento praticamente implorou. — Você me deve isso, o mundo me deve isso!
— Isso é que é ironia, o cara que votou contra a gente desvendar o Olho de Dragão agora está querendo virar um cavaleiro. — Morgana se inclinou para sussurrar para Soluço. — Aposto que ele está com inveja do seu pai.
Soluço acabou rindo, era meio conhecido a competição que Gosmento tentava ter com Stoico, a mesma coisa que o filho dele tentava fazer com o Soluço.
— Senhorita Morgana! — Gustav gritou em meio aos candidatos, acenando animadamente.
Morgana retribuiu o comprimento com um sorriso enorme o que parecia ter animado mais ainda o garoto que quase pulava no lugar.
— Fico feliz por ele finalmente estar recebendo as aulas que queria. — Ela comentou.
— Acho que ele preferiria recebe-las de você. — Soluço brincou, apesar de estar feliz de não ser ele o treinador.
— Eu sou horrível como professora, você sabe isso quando tentei te ensinar a cozinhar.
— É, fiquei com o cabelo com cheiro de queimado por uma semana. — Os dois riram com a lembrança, mas sabiam que não podiam ficar ali o dia inteiro.- Vamos embora pessoal, a Astrid tem trabalho a fazer e nós também.
Antes que ele pudessem sair voando, Morgana se aproximou do Perna de Peixe.
— Hey, Perna de Peixe, você pode dar uma olhada no Amarok para mim quando voltar, ele já deve estar melhor, mas ainda vai ficar de cama por um tempo. — Ela pediu.
— Mas é claro, quando você voltar ele vai estar novinho em folha. — O loiro prometeu, pegando as instruções que a médica estendeu para ele. — Cuide dos feridos aqui que eu cuido do de lá.
Morgana agradeceu antes de partir na direção oposta dos outros para a cabana no topo da monte da vila. Ela ficou muito surpresa quando viu uma vila enorme, uns com queimaduras, outros segurando membros que acabaram quebrados ou descolocadas com a queda de materiais em cima deles, um com uma gripe, não tinha muito haver com o ataque.
— Por que vocês estão esperando assim, cadê a Gothi?
Um dos Viking com o que parecia um braço quebrado falou: — Ela sumiu, acho que foi para o treinamento de cavaleiros, deixou esse recado para você.
Ele apontou para o chão onde tinha uns desenhos estranhos e Morgana não fazia nem ideia do que significavam.
— Por Thor. — A treinadora/curandeira em treinamento soltou um suspiro e esfregou a testa em frustração. — Ok, depois eu cuido da Gothi, agora todo mundo continua em fila que eu vou atender um por um.
Morgana pensou que poderia ver o treinamento, mas agora com esse povo todo, ela achou melhor se concentrar e tentar fazer o melhor o mais rápido.
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— Nossa, que treino intenso. — Soluço comentou ao lado do Banguela, ambos estavam sentados do lado de cima da arena.
— Então o que foi que eu perdi? -Morgana apareceu com Luna, estava limpando as mãos em um pano.
— Morgana! Como foi com os feridos, conseguiu mais um pouco de experiencia? — Soluço foi um pouco para o lado dando espaço para a morena se sentar.
— Prática? Eu quase estava abrindo a minha própria clínica, a Gothi aproveitou de eu ter ficado aqui, sabe que não entendo nada que ela diz com aquele cajado, simplesmente desenhou algo no chão e saiu! — Morgana bufou e Soluço acabou rindo. — Pode rir, mas eu tive que cuidar de uns 25 vikings, sorte que a Luna é uma boa ajudante, se não eu ficaria lá até de noite. Estou morta.
Foi meio sem pensar, mas a curandeira estava tão cansada que acabou deitando para o lado e apoiando a cabeça no ombro do moreno. Soluço prendeu a respiração e por um minuto não soube como agir, mas ao ver o semblante cansado da garota, acabou relaxando e se posicionando melhor para que ela conseguisse encaixar bem na curvatura do pescoço dele, se ela parecia não se importar, por que ele iria reclamar se aquilo fazia o coração dele acelerar de uma forma tão boa?
Todavia, voltando ao treinamento da Equipe B, Astrid já tinha apresentado os novatos aos seus dragões, tirando o Gustav que já tinha o Anzol de Dente, eles agora estavam no treinamento de voo com giro o acerto no alvo em seguido. Primeiro Astrid fez uma demonstração certeiro, em seguida foi a vez do Gosmento, mas este errou, depois a Gothi, que tomou outra iniciativa ao girar com o dragão e atingir o alvo com os pés.
— Nossa, a Gothi está quebrando tudo. — Soluço comemorou, mas com cuido para não atrapalhar a guerreira apoiada nele.
— Errado! Para você ser um cavaleiro de dragão, você deve montar o seu dragão. — Eles ouviram Astrid contrariar.
— Sério? Ela não vai nem levar em conta que ela acertou o alvo? — Morgana perguntou indignada.
Em seguida foram a dupla no Ziperarrepiante, Estrume e Baldão, eles conseguiram acertar, mas não voltar de quando estavam de cabeça para baixo.
— Errou!
— Espera, essa ai tem que valer! — Soluço só ficava indignado, mas Morgana só franziu o cenho.
Esven tinha errado o alvo, mas acertou com o machado.
— Errou! Trapaceou!
— O que ela está fazendo? — Soluço não gritou agora, só estava sem entender as coisas. Morgana acabou se desencostando dele, que ficou surpreso e até sentiu falta, mas ele pode ver o olhar de pensamento na cabeça da amiga que estava bem séria.
Por último foi o Gustav, era o mais experiente entre os novatos e conseguiu acertar o alvo perfeitamente, mas Astrid alegou "tiro de sorte" e o mandou fazer de novo, só para empurrar o alvo para o lado quando ele atacou.
— Elemento surpresa, essencial em qualquer batalha. Pousa e paga vinte. — Ela pegou as vassouras. — E para o resto de vocês, vamos ter que começar do zero.
— Você também está vendo isso. — Soluço perguntou a Morgana. — A impressão é que ela quer que eles errem.
— Acho que é justamente isso, Soluço, porque quanto mais tempo ela os treinar, mais ela vai ficar em Berk. — Soluço arregalou os olhos com a revelação. — Acho que o problema para a Astrid, não é que Berk não tem cavaleiros e sim que não tem ela.
Os dois esperaram mais algum tempo, mas perceberam que teriam que falar com Astrid, então eles desceram para fazer isso. Astrid estava do lado do Gosmento fazendo flexões... de novo.
— Então, o que ele fez agora? — Soluço perguntou.
— Ele é pai do Melequento. — Ambos deram de ombro com a resposta da loira, era justo.
— A gente pode conversar?
— Não da, eu estou ocupada, Soluço.
— Astrid, por favor, nós já sabemos o que você está tentando fazer. — Morgana chamou, e a amiga olhou confusa para eles.
— É sério? E o que eu estou fazendo?
— Olha. — Soluço começou. — Vocês está pegando muito pesado com eles, vimos o que você fez com o Gustav.
— O "elemento surpresa"? Como isso é pegar pesado? Só porque ele é o protegidinho da Morgana?
— Hey! Não começa a criar o que não existe. — Morgana se pôs bem na frente da loira. — Não foi só com ele e você sabe disso.
— Sei é? Você acha que faria melhor em proteger uma vila que é o meu lar e não o seu?
— Como que é? Você acha que eu estou aqui só para brincar de boa samaritana então?
Soluço percebeu que o clima estava esquentando, então resolveu puxar a Morgana um pouco para o seu lado, para que ele pudesse se posicionar entre elas.
— Nós só queremos dizer Astrid que parece que você quer que eles fracassem para que você possa ficar aqui em Berk.
— Vocês estão enganados. — Ela deu as costas e cruzou os braços.
— Eu entendo Astrid. — Soluço tentou continuar a conversa. — Sei que você quer ficar e proteger a sua família, mas você não pode fazer isso por eles a cada segundo de cada dia pelo resto da vida.
— Só uma coisa, Astrid, você não está corrigindo erros do passado, apenas se prendendo a eles, o que só a torna mais fraca. — Morgana não esperou pela resposta, mas viu que a loira tinha ficado tensa. A treinadora da Fúria de Dragão resolveu sair e evitar outra briga, sabia que a amiga estava chateado, mas não iria deixar ninguém falar assim com ela, não o fez com caçadores, bandidos e torturados e não iria começar agora.
Soluço ficou mais um pouco para dizer que ele iria voltar para o Domínio para ver como os outros estavam, depois foi correndo para alcançar a morena.
— Hey, tudo bem? — Soluço perguntou, tentando andar ao lado dela que só apertou o passo.
— Uhuum. — Ela não parou, e Soluço teve que segurar na mão dela.
— Você sabe que ela não quis dizer aquelas coisas realmente, só está estressada.
Morgana suspirou. — Eu sei, sei bem, mas se ela não quer a minha ajuda, não vou insistir. Vai ser melhor eu voltar o Domínio também, já acabei com o que tinha para fazer aqui.
— Tudo bem, vamos juntos e torcer para que eles tenham encontrado alguma pista.
Os dois voltaram a caminhar, agora juntos, até achar Stoico, iriam avisá-lo e depois ir.
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A dupla conseguiu chegar no Domínio de noite, e parecia que a turma tinha conseguido muito mais que informações sobre Dagur e era o próprio bandido e seus barcos atacando a sede.
— Por Thor! Como eles deixaram isso acontecer. — Morgana falou com horror pela cena. — Precisamos achar os outros.
— Parecem que eles estão se protegendo na arena fechada, vamos passar pelos navios de forma discreta e entrar pela passagem entre as cavernas que dão na rachadura do chão.
Morgana assentiu e eles executaram o plano, conseguindo entrar na caverna antes de serem atingidos por uma chuva de flechas de fogo.
— Soluço, Morgana! — Perna de Peixe os recebeu com alívio.
— Estão todos bem? — Soluço perguntou preocupado, era possível sentir o domo tremer com as pedras lançadas das catapultas.
— A Batatão foi atingida na asa, mas vai ficar bem.
— Deixa eu dar uma olhada. — Morgana correu para o lado da dragão para ver apenas uma raspagem de flecha na asa, nada preocupante. — Vou passar essa pomada, ela vai ficar boa logo, mas é melhor ela não voar.
Perna de Peixe suspirou de alívio e Batatão sacudiu a cauda feliz.
— Amarok! — Morgana ficou tão preocupada em ver o ferimento que não percebeu o dragão azul de pé ao fundo, ela correu para ele e lhe abraçou a cabeça, o Pesadelo Monstruoso parecia bem melhor. — Que bom que está bem, nada de comer o que eu não separar para você de novo.
— Chegaram de surpresa, nós atacaram antes que percebemos! — Melequento informou e depois ficou bravo. — Se o nosso sintema de defesa estivesse no lugar!
Ele se referiu aos gêmeos que até agora ainda estavam com um dos Terrores Noturnos, que acabou fugindo para o ombro da Morena, nem ele aguentava mais os dois irmãos.
— Hey, não vale colocar a culpa toda nos gêmeos não! — Cabeça Dura tentou se defender, mas acabou recebendo uma pancada na cabeça de Morgana.
— Quando isso acabar, é bom vocês deixarem os Terrores Noturnos em paz, se não eu vou amarrar vocês nos postes de vigia! — A treinadora se deu por satisfeita quando viu ambos assentirem rapidamente e se voltou para o líder. — Soluço, acho que isso foi tudo ideia do Dagur, deve ter atacado Berk para nos tirar do Domínio e depois seguido os 4 de volta para o Domínio.
— Não acredito que ele nos pegou assim. Agora nós precisamos revidar! — Soluço falou com convicção.
— Nós tentamos, mas não fomos muito bem. — Cabeça Quente falou meio derrotada.
O chão tremeu com outro ataque.
— O Dagur encurralou a gente aqui! — Melequento começou.
— Com uma dúzia de navios! — Perna de Peixe continuou.
— Sem contar que ele tem essa catapulta que pode lançar umas 20 flechas de uma vez. — Cabeça Dura terminou de explicar a nossa situação ruim. — Que eu achei bem maneira, vou pedir uma de Snolgeltog, acha que o Dagur vai me dar?
— Isso não me interessa. Aqui é nosso lar e temos que defende-lo! Agora pensem, que vantagem a gente tem?
Morgana tinha gostado da abordagem do Soluço, fazer os outros pensarem para anima-los.
— Bom, nós temos o espaço aéreo. — Perna de Peixe foi o primeiro.
— E proteção. — Melequento listou.
— E suprimentos. — a irmã.
— E dragões. — O irmão.
— Bem não saímos do óbvio. — Soluço falou.
— Nós temos mais dois cavaleiros em Berk, Astrid e o seu pai. — Morgana deu uma ideia diferente.
— Isso! — Soluço pareceu mais animado e foi até a sua sela. — Vou mandar um Terror Correio para Berk pedindo o reforço. Enquanto isso vamos defender o Domínio.
Mais outro ataque que fez tudo tremer.
— Temos que evita que eles consigam subir para as cabanas, tentem atacar as passarelas. — Morgana observou.
— Melequento, Perna de Peixe e gêmeos, mantenham os ataques na terra, ataquem, mas não se arrisquem demais. — Soluço instruiu. — Morgana, você e eu vamos atacar os navios, com Luna e Banguela sendo os dragões mais rápidos, temos mais chances de não sermos atingidos.
Formulado o plano rápido, eles se agilizaram para tentar defender o seu lar, mas era mais fácil planejar do que executar. Apesar de terem dragões, eram muito navios com as flechas e catapultas, sem contar que eles estavam com dois dragões a menos, Amarok que Morgana insistiu que se mantivesse na arena, e Astrid ainda em Berk. Contudo, uma coisa que nenhum dos membros do Domínio era, era ser covarde, eles iriam lutar e defender até o último momento.
E assim eles começaram e continuara, os gêmeos conseguiram chegar a uma das catapultas de defesa do forte atingindo os navios; Batatão impediu que eles subissem ao acertar as passarelas de baixo e o Melequento, bem o Melequento tentava queimar qualquer coisa que se mexesse. Já a dupla de Fúrias da Noite sincronizavam os ataques para atingir os navios de perto, quem visse de longe achava que os dois cavaleiros tinham sido crescidos juntos tamanha era a sincronização de movimentos, mas foi graças há dias de treinos, que ambos conseguiram derrubar mais dois navios.
— Dois dragões se aproximando! — Foi o grito de um dos capangas de Dagur, antes de ser jogado no mar por este.
E ele estava certo, do horizonte, se aproximavam Stoico e Astrid, preparados para entrar na luta. Stoico começou já destruindo um navio inteiro com Quebra Miolos e sua força bruta. Porém a sorte estava começando a acabar quando o viking ruivo foi derrubado em um dos navios por causa de uma rede, Quebra Miolos ficou preso, mas Stoico saiu e agora estava lutando contra os bandidos corpo a corpo. Já Astrid que estava indo bem disparando espinhos sobre os alvos, acabou sendo presa no ar por um arpão disparado pelo próprio Dagur.
— Soluço, vai ajudar a Astrid, eu vou cuidar do seu pai. — Morgana gritou para o moreno, sendo que este não conseguia se aproximar do pai por estar recendo ataques de outros navios. Soluço não tardou em concordar, porque sabia que a segurança de seu velho estaria em boas mãos.
Luna era ainda mais rápida que Banguela graças a sua envergadura mais fina e um pouco menor, o que a fez ser capaz de desviar dos ataques inimigos com maestria, quando estavam próximos do navio, a réptil soltou um tiro de plasma ao mesmo tempo que sua dona jogou o Osso Voador acertando os outros dois bandidos restantes. A dupla pousou no convés.
— Vocês estão bem, senhor?
— Sim, sim, sim, vai ajudar os outros enquanto eu liberto Quebra Miolos. — Stoico falou já correndo para o seu dragão. — Ah, e obrigada, futura nora.
Morgana corou vermelho, antes de balançar a cabeça, se ele estava bem para fazer piadinhas, estava bem para continuar lutando. A dupla voltou para o ar para procurar o próximo alvo, pensando que Soluço já podia ter lidado com o problema da Astrid, mas Morgana percebeu que as coisas não eram tão simples, porque Astrid acabou pulando no navio em um ataque de raiva, que acabou soltando a Tempestade, mas agora a loira estava lutando sozinha com o psicopata ruivo, e Soluço não conseguia se aproximar.
— Não! — Morgana gritou de medo ao ver a loira ter os braços presos por um dos capangas de Dagur e este estava prestes a dar o golpe final. Luna tentou se aproximar para ajudar, mas agora os alvos de mais de três navios eram elas, o que fez a morena assistir em horror o que seria o fim da amiga... até que um ataque inesperado atingiu Dagur.
— "Elemento surpresa" essencial em qualquer batalha! — Era Gustav e logo atrás dele, o Time B de Berk.
Morgana aproveitou a distração para voar em cima do navio e estender a mão para que Astrid pegasse.
— Valeu! E... sobre o que eu disse antes. — Ela tentou se desculpar, mas foi parada quando Luna se desviou de mais uma flecha.
— De nada, mas menos conversa e mais luta, não é como tivesse algo para desculpar. — Morgana piscou para a amiga antes de deixa-la bem em cima da Tempestade que se aproximou voando.
Com mais cavaleiros, os outros que estavam na base foram para o ar para que com força total, todos pudessem dar o fim aquilo. Não demorou muito para ouvir o grito de frustração de Dagur, Morgana estava prestes a ir atrás dele, quando Banguela entrou na sua frente.
— Eles estão saindo em retirada, só sobraram dois navios, Morgana, deixa ele. — Soluço falou, eles lutaram por tempo demais, os dragões estavam exaustos e ela sabia disso, então só resolveu deixar o bandido escapar por isso.
A comemoração foi grande, mas agora o Time B tinha que lidar com uma coisa pior que o Dagur: a consequência de ter desobedecido uma ordem direta de Astrid de permanecer em Berk e era por isso que agora estavam todos no Domínio, o Time B alinhado ombro a ombro bem no meio da arena.
— Ela não vai realmente ficar brava com eles, vai? — Morgana sussurrou para Soluço que deu de ombros, eles deveriam dar um prêmio para os novatos, mas não era o time de nenhum dos dois, mas sim o Time Astrid.
— Todos vocês desobedeceram uma ordem direta minha, de quem foi a ideia desse pequeno motim? — A foz da treinadora era autoritária e a resposta foi um "sim" de cada um dos membros antes dos mesmo começarem a fazer flexões sem nenhuma ordem. — Tudo bem, todos se levantem. O que vocês fizeram foi perigoso, insensato e totalmente fora do que foram treinados para fazer... mas também foi corajoso e vocês também trabalharam como uma equipe e por isso eu estou muito orgulhosa de chama-los de companheiros cavaleiros de dragões.
E isso tirou sorrisos e felicidade dos novatos.
— Gustav, como cavaleiro mais experiente, eu nomeio você encarregado dos cavaleiros dragões auxiliares. — Astrid informou e Gustav deu um pequeno pulo de alegria e olhou para Morgana que lhe deu um dedão positivo de orgulho. — Eu vou continuar aqui no Domínio do Dragão, afinal eu não posso mudar o que ouve, mas vou lutar por um dia melhor e vocês já estão prontos para a tarefa de proteger Berk.
— Até que eles foram bem para uma equipe B. — Melequento comentou.
— Que nada, essa é a Equipe Astrid. — Soluço descordou.
Morgana correu e pulou nas costas da Astrid e gritou: — Equipe A! — E serviu para mais gritos de animação e um riso da loira.
Contudo, não seria a instrutora Astrid sem um aviso final: — Mas se eu souber que vocês amoleceram por um minuto, eu vou cair nas suas costas como um Gronkel no granito!
— Ela é uma ótima professora. — Morgana comentou.
— Você quis dizer assustadora. — Perna de Peixe retrucou, mas a garota negou com a cabeça.
— Eu acho bem eficaz.
— Vou manter as vassouras a mão, vamos Time A! — Gustav mandou e todos subiram em seus dragões para voltar para Berk e manter a sua função de protetores.
Morgana acabou rindo ao ver Baldão sair montado em uma vassoura.
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— Finalmente um descano. — Soluço falou ao esticar os braços, ele e Morgana estavam sentados na passarela em frente a cabana da treinadora.
— Parece que eles também precisavam disso. — Morgana apontou para Banguela que estava deitado com Luna apoiada nele. — Bom, que depois de toda essa ação eles podem se recuperar.
— E você? Passou uma tarde inteira cuidando dos feridos em Berk e depois teve que lutar, deve estar mais exausta que qualquer um.
— Estou cansada, mas essa é a minha hora favorita do dia. — Morgana disse olhando para frente e ao céu em tons alaranjados e vermelhos pelo por do sol. — É uma visão muito linda.
Inconsequentemente, Morgana fez de novo, ela se deixou relaxar e caiu até a cabeça apoiar no ombro do moreno ao seu lado. Como antes, Soluço prendeu a respiração, mas até ficou mais fácil dessa vez e agora aquela horário do dia também se tornara o preferido dele.
— É muito linda mesmo...
Só que os seus olhos não estavam no Sol a sua frente.
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