When the Moon meets the Night

7 Capítulo 7 - A musicista (parte 2)


Notas iniciais
Como prometido, voltamos à programação normal de terças feiras. Então boa leitura ^^

Os cavaleiros, como o combinado, começaram a busca em solo com os dois fúrias da noite juntos, estes iam na frente seguidos pelos seus respectivos donos.

— É estranho que não tenhamos ouvido Tempestade ou os outros até agora. – Morgana comentou.

— Sim, eles teriam feito algum sinal. – Soluço concordou e tentou sorrir para a amiga, mas a morena desviou os olhos rapidamente, o que fez o garoto franzir o cenho frustado.

— Olha, Morgana eu queria conversar... – Soluço tentou se aproximar da garota que olhou curiosa para ele, mas antes que ele conseguisse continuar, foi interrompido por Perna de Peixe que entrou no meio dos dois.

— Soluço, Morgana.... – Ele estava encolhido e com medo enquanto passavam no meio de uma neblina.

— A gente sabe Perna de Peixe, não tem nada de incrível aqui. – Morgana sorriu para o loiro para tentar acalma-lo, mas não teve muito sucesso.

— Votação para que acha assustador e sinistro. – Melequento ergueu a mão seguido dos gêmeos e da Morgana também.
Eles andaram mais um pouco até pararem surpresos diante da visão a frente.

— Por Odin. – Morgana cobriu a boca em surpresa.
Diante deles havia uma pilha de ossos de dragões enorme, com mais de 5 metros de altura, de todos os tipos de espécies possíveis.

— Que rochas brancas de formatos estranhos. – Cabeça Dura parecia confuso e Morgana olhou feio para ele.

— São ossos de dragões, seu idiota, mostre um pouco de respeito. – A novata falou com raiva para o loiro que recebeu um olhar feio da irmã também, depois se calou com uma cara de desculpa.
Banguela e Luna chegaram mais perto dos osso e começaram a rosnar, Morgana se aproximou da pilha para ver melhor, mas virou para trás quando ouviu a voz da Astrid.

— Mas o que é isso? – A loira tinha achado algo no chão, era uma pedra laranja transparente, parecia de vidro.

— Eu não sei. – Soluço respondeu.

— Eu posso ver isso? – Morgana estendeu a mão para pegar o objeto estranho. – Eu acho que já vi isso antes. – Ela girou o objeto para analisar melhor.
Porém, os pensamentos da garota foram interrompidos por um grito/rugido muito alto e assustador.

— O que foi isso!? – Melequento perguntou assustado.

— Isso foi um dragão em apuros. – Perna de Peixe respondeu.

Os dois fúrias da noite tiveram uma resposta instintiva de correr atrás do grito o que foi seguido prontamente por Morgana, que não pensava duas vezes diante do socorro implicado ao rugido.

— Morgana! – Soluço suspirou frustrado antes de correr atrás do trio, sendo seguido pelos outros.

Morgana viu Luna e Banguela correrem até uma parede de pedra, mas quando ela chegou mais perto, viu que havia uma pequena passagem no canto. Ao atravessar, ela soluçou surpresa ao sair bem no meio de um pátio cercado por paredes de pedras, mas o que mas prendeu o olhar dela eram os dragões, havia no mínimo 20 deles, nadders, pesadelos monstruoso e outros tipos presos ao chão por meio da mesma pedra estranha que Astrid tinha achado antes.
A morena virou para trás quando ouviu passos, se deparando com o resto do seu grupo. Ela se voltou para as criaturas presas e se aproximou de um gronckle azul que rugia baixinho como se pedisse ajuda.

— Shh... Vamos achar um jeito de te tirar daqui. – Morgana tentou acalma-lo fazendo um carinho no focinho. Mas a verdade era que ela não sabia o que fazer, tentou bater na pedra, mas esta parecia dura demais para se quebrar. Ela sentiu um cutucão de leve na sua lateral e se virou para Luna. – O que foi garota?

A fúria da noite parecia bem nervosa, ela olhava para a dona e depois para o dragão preso e tentava murmurava em rugido, mas a amiga não entedia.

— Eu não entendo garota, tem algo errado com o gronckle? – Ela tentou adivinhar, mas Luna parecia mais nervosa ainda, e repetia os mesmos gestos, olhava para a garota e depois para o gronckle.
— Vocês sabem o que esta rolando né? – Cabeça Dura fez uma cara pensativa.

— Alguma coisa esta prendendo os dragões nessa substancia âmbar rochosa e imobilizando eles. Ai os quebra todinho para depois comer – Perna de Peixe respondeu e parecia ter esclarecido bem para o gêmeo.

—Ah! Eu tinha imaginado algo diferente envolvendo olho de peixe e carneiro estragado.

— Mas que bobagem, quem faria isso? – Cabeça Quente questionou não acreditando na história.
Morgana rolou os olhos para a cena, mas parecia que um estalo tinha ocorrido na sua cabeça.

— Âmbar? Você disse âmbar? – Ela perguntou assustada o que chamou a atenção dos outros. – Soluço nós temos que sair daqui agora! – Ela tinha um olhara tão assustado no rosto que deixou Soluço bem preocupado.

Ele deu um passo para se aproximar da morena, mas parou quando um rugido estridente ecoou pelos céus acima deles. Um dragão enorme ofuscou o sol, ele era amarelo com detalhes em roxo e da cor da pedra âmbar, as assas eram enorme e eram detalhadas como o de uma borboleta. Ele voou até pousar em uma pedra e soltou outro rugido alto.

— Que tal aquele cara? Parece bem suspeito. – Cabeça Quente, bem “discretamente” gritou e apontou para o dragão que se virou para a direção do barulho, mas por sorte Perna de Peixe tampou a boca dela e a puxou para atrás de uma pedra para se esconder junto dele, Cabeça Dura, Astrid e Melequnto.

Em outra pedra, mas próxima a parede, Morgana e Soluço tentavam segurar Luna e Banguela que rosnavam baixo para o dragão desconhecido.

— Soluço, precisamos pegar os outros e sair daqui agora! – A morena sussurrou.

— Por que você está assim?

Morgana não respondeu, preferiu ficar em silêncio para não chamar atenção desnecessária e olhou de volta para o dragão tentando pensar em algo. Para a sorte deles, o réptil não ficou muito tempo lá, porque ele pegou um terror terrível perto dele e saiu em voo de novo, provavelmente para devorar a presa.
Todos se reuniram no meio da clareira novamente.

— Eu sabia que já tinha ouvido o barulho antes. – Morgana chamou atenção para ela. — Acabei me lembrando com essa camada âmbar nos dragões. Eu já encontrei um dessa espécie, eles são canibais (Obs da autora: Lembrando que canibal é quem come da mesma espécie, não é um termo usado só para humanos), atraem outros dragões com o canto e depois os prende.

— “Canção asa?” – Perna de Peixe disse, mas a morena olhou confusa para ele. — Não é um nome bom? O que você chama ele?

— Chamar? Eu não sou como vocês, não dou nome para tudo, se você não percebeu eu era nômade não tinha proposito para dar um nome sem ter para quem informar isso. E você fazer isso agora? – Morgana disse irritada com a preocupação do loiro ao invés de eles estarem tentando fazer o que ela disse: saírem o mais rápido possível de lá.

— A gente tem que chamar de alguma coisa. – Perna de Peixe se defendeu.

— Eu pensei que canção da morte pode ser mais apropriada. – Cabeça Dura apontou.– Porque se você ouvir a canção vai morrer.

— Vocês têm sempre que colocar morte no nome dos dragões?

— Mas pior que ele tem razão. – Soluço concordou já entrando na vibe de escolher um nome.
Morgana suspirou frustrada com a situação. E Astrid pareceu tem o mesmo pensamento.

— O nome não tem importância nenhuma, se ele fez isso com todos esse dragões provavelmente também fez com os nosso.

— Ela tem razão, precisamos achar eles já, antes que aquela coisa volte. – Morgana concordou e todos não perderam mais tempo antes de se separarem em meio aos dragões presos para tentar achar a Tempestade e os outros.

— Betatão! – Morgana correu até a gronckle que tinha acabado de achar presa como os outros, a dragão parecia feliz em ver a garota porque deu uma leve lambida na cara dela quando esta se ajoelhou para tentar ver se ela estava bem. – Calma menina, vamos fazer algo. Perna de Peixe!

Morgana se virou para chamar o garoto e viu que este tinha achado a Tempestade e Melequento e Astrid, o Cabeça de Anzol.

— Morgana, achei o Amarok! – A morena suspirou aliviada quando viu Soluço do lado do pesadelo monstruoso azul, tinha medo que ele tivesse virado refeição.

Porém, antes que eles contassem vitória, o rugido que eles menos queriam ouvir tinha voltado.

— Benguela, não! – Soluço tentou impedir o amigo atacasse o Canção da morte, mas ele não conseguiu segura-lo por muito tempo e o fúria da noite subiu em cima de uma pedra em plena visão e rosnou para o adversário. O dragão amarelo não pareceu se intimidar, ele soltou um urro e depois se desviou do ataque de plasma e lançou uma gosma laranja em direção do Banguela. Morgana só viu um vulto passar do lado dela e Luna se jogar em cima do Banguela o empurrando para o lado para receber o tiro e cair no chão presa.

— Luna! – Morgana gritou desesperada.

Banguela tinha ficado meio tonto, ele olhou para cima para ver de onde tinha vindo o golpe e viu que tinha sido Luna e foi para o lado dela e começou a tentar quebrar a prisão de pedra com as unhas. Banguela estava tão desesperado em soltar a amiga que não viu, mas sentiu um “banque ” nas suas costas e ele também foi rodeado por laranja, ficando preso junto de Luna.

— Banguela! – Soluço correu para o lado do amigo, junto de Morgana. – Pessoal, eu quero que tentem soltar os dragões.

Os dois cavaleiros alcançaram os melhores amigos, e tentaram socar, chutar, bater, mas nada funcionava. Os outros também não tiveram sorte, e o Canção da Morte não gostava do que via do alto, porque tinha logo encontrado todos os humanos e começou a lançar ataques de âmbar em cada um até Astrid, Perna de Peixe, os gêmeos e Melequento também estivessem presos.

— Soluço cuidado! – Morgana gritou quando o Canção da morte estava prestes a atacar o garoto também. A garota tirou o Osso Voador das costas e lançou em direção a gosma que iria acertar o garoto o que fez com que a arma fosse atingida no lugar.

Sem perder tempo, e sem ter mais o que fazer, a morena puxou o líder pelo braço, contra a vontade de ambos para que eles se escondessem em meio as rochas.

— Me larga, Banguela está lá! – Ele tentou se soltar, mas a garota apertou a mão.

— E você acha que eu quero deixar Luna e Amarok lá sozinhos? Mas não vamos conseguir nada se também formos presos. – Morgana tentou raciocinar para ele. Soluço hesitou, mas assentiu.

Contudo o esconderijo deles não era tão bom quanto aparentava, porque as pedras eram bem lisas, o que fez com que a perna de metal do garoto escorregasse e, como a garota ainda estava segurando ele, também foi arrastada até os dois estarem escorregando por uma fenda.

No final da decida, Morgana levantou a cabeça um pouco tonta, mas viu que eles estavam em uma clareira diferente, longe dos outros, mas não menos perigosa, porque o Tambor Trovão roxo de antes estava parado bem na frente deles.

— Nós estamos ferrados. – Morgana murmurou mais para si do que para o amigo do lado.

— Hey, acho que você reconheceu a gente. – Soluço disse brincando, mas era óbvio que ele estava nervoso.

O tambor trovão soltou uma rajada sônica nos dois e Soluço puxou Morgana para trás do escudo dele.

— Acho que a nossa relação começou com o pé esquerdo. – Soluço tentava conversar com o dragão.

— Soluço... – Morgana tentou falar, mas o tambor trovão continua a lançar pequenas rajadas neles. Elas não eram muito forte, mas ele continuava a usa-la e o moreno tentava ao máximo proteger os dois e ao mesmo tempo dando passos para trás para tentar escapar da criatura.

— Soluço...

— Escrever nos livros dos dragões: “Tambor Trovão guarda rancor”. – Ele sussurrou para a garota, mas esta só devolveu com um olhar feio.

— Soluço, ele-

Ela foi interrompida dessa vez, não por uma rajada, mas sim por um golpe do tambor trovão que empurrou os dois para trás. Morgana achou que o dragão tinha ficado mais violento, mas quando olhou para o lugar que estavam antes, percebeu que na verdade o animal tinha os empurrado para evitar o ataque do canção da morte que agora pairava sobre eles.

— Soluço, tudo bem? –Morgana correu para o moreno que ainda estava no chão. Depois de ver que ele estava bem , ela se concentrou na briga que estava ocorrendo ali: o tambor trovão tentou atacar o canção da morte, mas esse o golpeou com a calda para depois imobiliza-lo no chão com as patas.

Morgana levou as mão as costas procurando por seu bumerangue só para encontrar o vazio e lembrar que estava sem sua arma de defesa e sem capacidade de ajudar o dragão roxo na sua frente. Contudo, para sorte dela, Soluço também pensou em ajudar, porque ele pegou o escudo dele e apontou para a besta, a garota não sabia como aquilo seria útil, até ver a meia esfera no centro da arma laçar uma corda que se enroscou em torno da boca do canção da morte impedindo que ele atacasse e soltasse o tambor trovão.

— Ora, mas você não é cheio de surpresas? – Morgana elogiou realmente impressionada com o mecanismo, Soluço sorriu em agradecimento.

— Mas não vai aguentar muito tempo. – Ele informou. – Olha, você não vai gostar do que eu vou fazer, mas confia em mim vai ser bom para nós três, eu garanto. – Soluço falava com o dragão, o que deixou Morgana confusa, mas então ele agarrou o braço dela do nada e se jogou em cima do dragão roxo, levando ela junto.

Montar um tambor trovão selvagem do nada não era algo muito prazeroso, porque são feras bem instáveis que decidem rodopiar no céu com dois cavaleiros de dragões lutando para se segurar.

— A gente já não tinha resolvido isso. – Soluço tentava falar com o dragão e ao mesmo tempo “pilotar”. Morgana estava agarrada a cintura dele de olhos bem fechados enquanto eles giravam sem orientação.

— Estou tentando ajudar nós dois. Você não ouviu!? – O vinking continuava tentando.

— Era isso que eu estava tentando te falar lá atrás! Tambores trovões são surdos! – Morgana gritou em meio a rodopios e a tentativas de não comer o próprio cabelo que voava junto para todos os lados.

Quando o dragão pareceu que finalmente tinha parado, ele decidiu mergulhar com tudo na mata até o chão causando um impacto que jogou os dois humanos para fora das costas dele.

— Esse definidamente não foi o seu plano que eu mais gostei. – A garota murmurou depois de levantar com uma baita dor nas costas.
Soluço também se levantou um pouco dolorido, mas acabou rindo quando se virou para a morena ao seu lado.

— O que foi? – Ela perguntou confusa e passou a mão na cara achando que tinha sujado no “pouso forçado”, mas entendeu a fonte da graça quando levou os dedos ao cabelo e percebeu ele mais “cheio” que o normal, na visão do Soluço, parecia uma juba toda embaralhada. – Era só o que me faltava...

Ela tentou dar um jeito, mas parecia que quando mais tentava arrumar, mais ela bagunçava.

— Aqui, deixa que eu te ajudo. – Soluço se aproximou dela e levou as mão aos fios negros, tentando desembaraça-los. Na distância em que estavam, Morgana percebeu que o garoto era alguns centímetros mais alto que ela, e depois de ficar um pouco em transe com o toque gentil dele, parecia ter acordado e percebido que ele estava perto, muito perto.

Totalmente vermelha de vergonha, a garota pulou para trás assustada. – Deixa que eu faço o resto. – Ela disse rapidamente voltando a mexer no cabelo, mas a atitude dela não parecia ter agradado em nada o viking a sua frente.

— Mas qual é o seu problema?! – Ele praticamente gritou, bem irritado, o que surpreendeu a garota.

— Como? Por que você está bravo? – Morgana perguntou indignada.

Soluço riu em deboche e depois começou a gesticular com as mãos, prova que ele estava de saco cheio. — Meu problema? Você está agindo totalmente de forma estranha desde que deixamos Berk, toda vez que eu me aproximo você pula dois metros de distância. Nós estamos presos em uma ilha com um dragão surdo, o nosso grupo preso com os nosso dragões, e você fica agindo como se tivesse aversão a mim!

Morgana tinha ficado de boca aberta com o estouro do garoto, mas sacudiu a cabeça para se defender.

— Eu não tenho aversão a você!

— Jura? Então o que é? Por que é só eu ameaçar de te tocar. – Ele estendeu a mão para pegar a dela e a garota de um passo para trás institivamente. – Viu! Você não consegue nem me deixar segurar sua mão!

Soluço não parecia ligar para como suas palavras poderiam ser interpretadas por outras pessoas, porque a única plateia que os dois tinha eram um réptil roxo gigante e surdo. Já a garota desistiu e resolveu responder.

— Os gêmeos me disseram o que você falou. – Ela olhava para os próprios pés, mas era possível ver que as bochechas dela estava rosadas.

— Os gêmeos? – O semblante irritado do garoto tinha sido substituído por um totalmente confuso. Mas Morgana não viu assim, agora a pessoa irritada, ela levantou a cabeça e resolveu gritar tudo na cara dele.

— Sim! Eles me disseram como você odeia que fique te tocando, que você não gosta desse tipo de aproximação e como eu estava te irritando por ter escolhido ficar perto de você. – Soluço não conseguiu responder, estava com os olhos arregalados e de boca aberta. – E sabe o que mais? Se você não gostava de mim, não precisava ficar fingindo ser atencioso comigo só por pena ou para que eu não me sentisse sozinha, eu estou muito bem, obrigada!

Morgana parou para respirar, mas Soluço ainda tinha um olhar bem perdido no rosto o que resultou em um silêncio bem desconfortável entre eles. Quando a menina acho que era demais e ira voltar a gritar qualquer coisa para ele ter uma reação, Soluço começou a rir sem parar, e isso fez Morgana fechar os punhos de raiva e humilhação. Ela se virou preste a ir para qualquer lugar que não fosse ali, longe do garoto, quando sentiu uma mão se fechar em torno da sua e virar ela para frente de novo.

— Hey, eu não estava rindo de você. – Soluço tentou acalma-la enquanto ela tentava se soltar das mãos dele, mas ele não deixou.

— Sério? Porque você parece estar se divertindo bastante. – Ela disse isso ao ver que sorria, mas ameaçava rir de novo.

— Eu estou rindo, por causa da sua conclusão louca. – Com essa resposta, Morgana ficou parada olhando para ele com a sobrancelha erguida. — Eu não ligo de ter você por perto Morgana, você é uma pessoa incrível e eu posso te prometer que nossa amizade não tem nada relacionado a pena.

A palavra “amizade” parecia ter causado uma sensação estranha na garota, mas ela resolveu ignorar isso por hora.

— Eu realmente não estou entendendo.

— O ponto é que você está com a gente há pouco tempo, mas já deve ter percebido que os gêmeos têm teorias bem doidas e interpretam as coisas do modo deles. — Soluço esperou ela assentir para continuar explicando. — Então, eu te explico que em momento nenhum eu disse para eles que não gosto de você por perto, o que eu disse para eles era que eu não gostava que ELES ficasse me batendo ou tentando pegar a minha perna de metal e eles viram isso como "Soluço não gosta de ninguém perto dele", entendeu agora?

Morgana assentiu lentamente outra vez finalmente entendendo a situação, agora ela evitava olhar o garoto nos olhos, não de vergonha dele, mas vergonha dela mesmo por ter sido pega em uma das enganações do Cabeça Dura com a irmã.

Ela suspirou e se virou para ele que esperava pacientemente por uma reação. — Me desculpe, eu não queria que as coisas tivessem ficado estranhas.

— Tudo bem. — Ele sorriu. — Mas agora a gente têm que descobrir um jeito de ajudar os outros.

Morgana achou que Soluço iria tentar formar um plano miraculoso, mas ele apenas deixou os ombros cairem cansado.

— O que foi?

— É só que essa viagem era para explorar lugares, ser uma aventura, e eu não acredito que essa confusão está acontecendo. Eu devia ter deixado todo mundo em Berk, agora estão todos presos nessa coisa rochosa, têm um canção da morte raivoso nos perseguindo...

— Hey, hey ,hey... para e respira um minuto. – Ela instruiu. – Ninguém que está aqui agora foi obrigado a vir, eles vieram porque são os seus amigos que querem te apoiar, mas também querem participar dessa aventura. Você não pode pensar assim, parece que esta desistindo, ok?

Soluço respirou fundo para voltar ao assunto principal ali: libertar o resto do time.

— Mas nós ainda estamos presos aqui com um tambor trovão que não escuta nada do que a gente diz.

Morgana tinha uma ideia.

— Na verdade ainda podemos usar a ajuda do

— Sônic?
— O que? Só vocês podem dar nomes? — A garota respondeu rindo de leve.

— Tudo bem, mas como ele vai ajudar, se ele não pode ouvir nada do que a gente comanda?

— Caro Soluço, você ainda tem que entender que cada Dragão é diferente.

A resposta da morena só o deixou confuso, mas ela resolveu demonstrar ao invés de falar. Morgana ajoelhou na frente do tambor trovão e levantou as mãos e começou a fazer gestos, Soluço não entendia, mas o Dragão sim, porque depois que ela terminou Sônic balançou a cabeça em concordância. Soluço olhou a cena todo quieto, mas se surpreendeu como a garota levantou a mão e devagar encostou no focinho do dragão exatamente só jeito que ele mesmo faz.

— Ele entende linguagens de sinais? — Perguntou surpreso.

— Sim, a linguagem de sinais com as mãos é bem antiga, e as vezes, dragões mais surdos como tambores trovões aprendem quando interagem com outros humanos igualmente surdos. Foi sorte nossa esse aqui saber também e que ele não pode ouvir o canção da morte.

— Mas é claro! Se ele não pode ouvir a canção, então ele também não é atraído, por isso ele não foi pego mesmo estando sozinho.

Sonic pareceu concordar quando solou um rugido fraquinho.

— Vamos então? – Morgana estendeu a mão para Soluço já em cima do dragão. Soluço não perdeu tempo e os três estavam voando de volta para as pedras.

Quando eles sobrevoavam o local podiam ver que a situação para os amigos não tinha melhorado, eles ainda estavam presos na substancia âmbar, mas pelo menos o canção da morte não estava lá e não tinha feito nada com eles ainda.

— Você tem alguma ideia para quebrar os “casulos”? – A morena virou para perguntar ao Soluço que estava pensativo.

— Podemos tentar quebrar? – Soluço parecia meio incerto, mas era o melhor plano deles.
Sonic interrompeu uma conversa bem “construtiva ” dos gêmeos sobre que seria comido primeiro jogando os dois no chão.

— O que está acontecendo? ... Faz de novo! – Cabeça Dura gritou surpreso.

— O plano A de tentar rachar o casulo não deu certo.

— Por favor, me diz que têm um plano B. – Astrid perguntou já cansada de ficar presa.

— Se for cortar, bater ou rasgar pode deixar pra lá Soluço, porque assim que esfriar essa coisa vai ficar mais dura que a pedra mais dura. – Perna de Peixe tentou “ajudar”.

— Esfriar? – Soluço exclamou, mas podia se ver realização estampada na sua cara. – Morgana você ainda têm...?

— Era possível ler seus pensamentos. – A garota brincou ao mostrar o pote com gel de pesadelo na mão dela para ele que sorriu agradecido para ela, principalmente pela relação deles parecia ter voltado ao normal.

— Ok, ninguém se mexe.

— A que engraçado, um comediante nato. – Cabeça Dura ironizou.
Soluço não se deu o trabalho de responder, ele e Morgana se ocuparam de espalhar o gel de pesadelo da garota e o do Melequento por todo mundo.

— O que você e a novata estão fazendo, Soluço?

— Confie em mim Melequento.

— Falou o homem que está quase tacando fogo em mim!

— Não foi você que disse que doía só um pouquinho?

— Eu menti! Sabe que sou mentiroso!

— Vai dar certo Melequento, eu juro. – Soluço garantiu .

Contudo, Morgana puxou o garoto para um canto quando o convidado mais indesejável possível voltou para pegar mais dragão como seu lanchinho.

— Não... – A morena sussurrou quando viu que o dragão que tinha sido levado era o gronkle azul que ela tinha conversado mais cedo e prometido ajudar.

Soluço viu o olhar triste da amiga e pousou a mão sobre o ombro dela em forma de consolo.

— Depressa Soluço, Morgana, ele já pegou a entrada e eu acho que sou o prato principal. – Perna de Peixe gritou desesperado.

— Relaxa, Perna de Peixe, ele vai demorar horas para comer aquele dragão. – Astrid tentou acalma-lo, porém, aquilo não era totalmente verdade, porque em menos de cinco minutos, o canção da morte tinha voltado.

Mas a dupla que estava solta tinha um plano, Soluço estava com Sonic para distrair o canção da morte enquanto Morgana terminada de espalhar o gel verde por quem faltava: Astrid, Perna de Peixe e a Batatão.

Como um tambor trovão não solta fogo, a única opção do filho do Stoico, o Imenso, foi se jogar no chão e usar o escudo como pouso e ao mesmo tempo criar faíscas que acenderam o rastro de gel e conseguiu soltar todo mundo. Banguela, Luna e Amarok correram para os braços dos donos.

— Ei amigão, que bom ver você.

— Que saudade meus amores, vocês não se machucaram não é?

Algo chamou a atenção do canto de olho da garota.

— Soluço, olha. – Soluço seguiu o dedo da garota e viu um pequeno tambor trovão azul, adolescente. – É por isso que ele continua aqui.

— Morgana, você solta o tambor trovão, eu vou cuidar do canção da morte. – Soluço não deu tempo para discussões e saiu no Banguela acompanhado de Sônic.

Contudo, a novata tinha outros planos, ela pegou o pote do gel e jogou para Astrid.

— Astrid, você e os outros libertam ele e os outros dragões.

— Mas a onde você vai? – A loira olhou surpresa para a amiga que já estava em cima da Luna.

— Eu vou cuidar de algo, não deixem nenhum dragão para trás. – Ela respondeu bem séria, o que ninguém resolveu contrariar. – Vamos, Luna, Amarok.

Os três voaram pelo mesmo caminho que o canção da morte parecia ter ido mais cedo.

— Vamos, vamos , vamos.... onde está? Não é possível que ele tenha devorado aquele gronkle tão rápido.

A garota não queria desistir, mas a ilha era estranha demais. Porém ela tinha avistado algo bom (que na verdade não era maravilhoso): a pilha de ossos de mais cedo, e havia um pequeno ponto azul ao lado.

— Ali!

Morgana fez Luna descer e correu para o lado do dragão azul, que parecia tão tristonho.

— Eu disse que iria te ajudar garoto, vou te tirar dai. – Ela pegou um frasco extra do gel da bolsa e passou sobre o animal. – Amarok, acende.

Como antes, o casulo se partiu completamente e o gronkle conseguiu sair.

— Tudo bem, de nada. – Ela riu feliz quando o dragão foi até ela e lambeu a sua cara em agradecimento. – Você está livre agora, mas precisa ir para outra ilha.

— Morgana!

A morena virou para trás quando ouviu Soluço gritar seu nome e viu que todos estavam esperando ela. Então, depois de se despedir do gronkle, ela subiu na Luna e eles foram para junto dos outros.

— Aquele era o gronkle de antes, não era? – Ela apenas sorriu para Soluço. O moreno se virou para os dois tambores trovões. – Se eu fosse vocês, acharia outra ilha, eu não sei quanto tempo vai aguentar.

— Eles não estão te ouvindo sabia? – Cabeça Dura apontou o óbvio. Soluço rolou os olhos irritado e olhou para Morgana, ela se virou para os dragões e fez alguns gestos de sinais com as mãos, que eles entenderam porque o maior soltou um rugido leve em concordância e se virou com o adolescente para irem embora.

— Espera um minuto, tambores trovões entendem linguagens de sinais? – Perna de Peixe perguntou surpreso. – Isso é muito interessante.

— Sim, eu posso te ensinar depois.

— Por favor.

Todos eles estavam voando para longe da ilha da Harmonia, bem mais tranquilos, mas o líder daquele grupo ainda parecia inquieto.

— Olha pessoal, eu queria pedir desculpa por ter envolvido vocês nessa. Se vocês quiserem voltar atrás...

— Está brincando né? – Astrid perguntou.

— Foi a coisa mais legal que fizemos em anos. – Melequento disse bem feliz.

— Mas tem uma coisa que a gente têm que fazer.

— Sou todo ouvidos. – Soluço incentivou.

— Precisamos de uma ilha, a nossa própria ilha. – Todo mundo parecia ter ficado bem animado com a ideia da Astrid.

— Astrid tem razão, Soluço, estamos muito longe de Berk para ficar indo e voltando. – Perna de Peixe concordou.

— Acho que seria bom uma base de operações. – Morgana acrescentou. – Um lugar bom para nós e para os dragões.

— Exatamente, mas dessa vez não vamos deixar os dragões escolherem. – Perna de Peixe fez uma pequena referencia aos ocorridos do dia.

— Melequento, Morgana, vocês são as melhores pessoas porque trouxeram o gel de pesadelo monstruoso. Então vocês escolhem.

Os dois olharam surpresos para Soluço.

— É sério?!

— É sério.

— Então tá, o que você acha dentinho? – Melequento recebeu um rugido animado do Dente de Anzou. – Eu concordo plenamente: PARA ALÉM DAS FRONTEIRAS.

— PARA ALÉM DAS FRONTEIRAS. – Todos gritaram junto, menos

Morgana, que ainda não compartilhava daquela alma animada do grupo.

— Eu disse que todos estavam bem. – Morgana disse apenas para Soluço ouvir e esse respondeu com sorriso antes de ambos seguirem o resto dos amigos para procurar a nova ilhas deles.

Notas finais
Bem, eu vou tentar fazer um episódio da série com um capítulo, mas escrever os detalhes as vezes pode deixar muito longo, então eu vou começar a resumir algumas parte e as cenas em que a Morgana ou a Luna não fizerem parte, não vão aparecer, a não ser que sejam de relevância para a história. Bom, é isso. Até semana que vem! Kiss