When You Fall In Love
10 Make The Light Come Through
Notas iniciais
~Dois anos depois~
* POV Rachel. *
Eu não podia estar mais feliz! Finalmente estou no meu último período da faculdade, já não aguento mais esperar, estou louca para trabalhar logo com o que eu amo. Nesse meio tempo, Santana e eu começamos a namorar sério e há quatro meses estamos morando juntas no apartamento dela.
– Pequena, estou indo trabalhar. — ela me avisou descendo as escadas com pressa.
– Ei, cadê meu beijo? — fiz biquinho.
– Está chegando. — Santana brincou indo até a mesa já que eu estava sentada tomando café. Levou suas duas mãos ao meu rosto e encostou seus lábios nos meus. Nunca me canso disso, essa boca carnuda me mata.
– Toma café comigo. — pedi assim que ela se afastou um pouco.
– Não posso, tenho uma emergência pra resolver agora. — minha latina respondeu com voz suave e eu bufei.
– Que chato isso! — exclamei dando uma mordida no meu sanduíche natural.
– Acostume-se, daqui a pouco vai acontecer o mesmo contigo. — ela lembrou e eu fiz uma careta. Essa era uma das coisas que eu não estava nem um pouco ansiosa!
– Nem me fale. — murmurei assim que esvaziei a boca.
– Prometo voltar cedo. — minha namorada afirmou e eu a olhei com uma sobrancelha arqueada.
– Não prometa o que você não pode cumprir, querida. — ironizei e ela revirou os olhos.
– Estou falando sério, vou chegar bem antes do jantar. — não acreditei muito,mas assenti com a cabeça e dei de ombros. — Tchau amor. — me deu outro beijo e saiu apressada.
Essa era nossa rotina: Trabalho de uma,faculdade de outra. Mas nós sempre arrumávamos um tempinho para a gente. Bem, preciso terminar logo esse café da manhã e estudar, as provas estão cada vez mais perto.
***
Já era final de tarde e eu olhava desanimada para a TV. Eu sabia que minha latina se esforçava para chegar cedo, mas era complicado. Sempre aparecia um imprevisto,fora o transito dessa cidade que é um caos. Eu ia levantar para pegar uma água quando ouvi a buzina do carro da San. Sorri largamente e praticamente corri até a porta.
– Eu disse que chegaria antes do jantar! — ela declarou abrindo a porta do carro me fazendo suspirar. — Trouxe uma surpresa. — comentou e eu franzi o cenho.
Antes que eu perguntasse algo, vi Martin colocar a cabeça pra fora da janela. Levei as mãos à boca e fui até o veículo. Eu amava meu cunhado, ele foi importantíssimo no meu relacionamento com a San. Ele saiu do carro e o observei abrir a porta de trás e Lauren saiu. Sorri ainda mais, ela era esposa dele e estava grávida do primeiro filho. Eu estava muito animada, sempre amei crianças e o meu afilhado me adorava. Claro que Finn e Katy queriam me enforcar por mimar demais aquele menino.
– Lauren! Martin! — abracei os dois ao mesmo tempo e senti meu cunhado beijar o topo da minha cabeça.
– Rach! — Lauren retribuía o abraço do jeito que podia,afinal, a barriga de 6 meses estava bem grande já.
– Como está essa menininha? — indaguei acariciando aquele barrigão. Fiquei ainda mais contente quando soube que era menina, eu teria um casal de sobrinhos!
– Incomodando bastante. — Lau respondeu rindo.
– Mãe, saia logo do carro! — ouvi Santana gritar e olhei na direção.
– Credo, eu queria fazer surpresa. — minha sogra resmungou abrindo a porta. Pode parecer confuso, mas ela era incrível. Assim que ela soube que a San é lésbica, reagiu totalmente ao contrário do que esperávamos. Brigou com o marido e tudo. Mudou bastante, passou a ser mais amigável e caseira, participar mais da vida dos filhos,já que sempre preferiu viajar. — Rachel, querida. — abriu os braços e eu fui abraçá-la.
– Estava com saudades de vocês! — declarei sincera. Nos vimos pela última vez um pouco antes de eu me mudar para o apartamento da Santana.
– Nós também. — Martin falou me abraçando mais uma vez.
Pegamos as malas e levamos para dentro de casa, não eram muitas então deduzi que não passariam muito tempo. Estávamos todos na sala, menos minha latina que tinha subido para tomar banho. Fiquei tentada a ir pro banheiro com ela, mas precisava me conter.
– Já decidiram o nome? — perguntei curiosa.
– Estamos em conflito quanto a isso. — Martin comentou. — Eu quero Maya.
– Eu quero um nome mais americano, pensei em Ashley. — Lauren contou.
– Eu amo o nome Jessica. — foi a vez de Maria se pronunciar.
– São nomes bonitos. — realmente eu gostei dos três.
– E ainda tem o que meu... — percebi que meu cunhado pausou e ficou pensativo.
– Seu pai quer? — indaguei.
– Sim. — ele sussurrou.
– Tudo bem você falar nele, Martin, é seu pai. — o tranquilizei.
– É um pouco chato. — Lauren suspirou.
– É sim, mas qual nome ele quer? — perguntei.
– Sofia. — minha sogra respondeu. — Ele sempre gostou desse nome, daríamos ele para nossa filha mas eu fui mais rápida e coloquei Santana. — deu uma piscadela. — Sinceramente,ela não tem cara de Sofia. — entortou a boca e eu ri. Tinha que concordar com ela.
– O que tem eu? — minha latina questionou do topo da escada.
– Estamos falando sobre o nome da bebê. — eu disse. — sua mãe estava comentando que seu nome seria Sofia.
– Nossa. — Santana se aproximou de nós e sentou no meu colo. — Não combino com esse nome. — ela fez um careta adorável e eu ri de novo.
– Seu pai discorda. — Maria declarou e percebi que minha namorada respirou fundo.
– Meu pai... — ela sussurrou e eu a abracei forte pela cintura.
– Eu sei que você sente vontade de se reconciliar com ele, mas pode deixar, isso vai acontecer um dia. — a mais velha assegurou confiante.
– Já se passaram dois anos, mama. — eu odiava ver como minha latina ainda sofria com tudo aquilo.
– Filha, tudo tem seu tempo. — Maria afirmou suavemente.
Ficamos em silêncio por alguns segundos e eu beijei a bochecha da San, sempre tentava mostrar que estava ao lado dela quando via seu lado frágil.
~ 5 meses depois~
Eu mal posso acreditar! Faltam três dias para a última prova do período, estou praticamente formada. Para me ajudar a relaxar, já que é a prova mais importante de todas, a Santana me levou para a cidade San Juan visitar nossa sobrinha. Sofia é a menina mais fofa do mundo! Certo, sou suspeita à falar,já que também falo que Allan,meu afilhado, é o menino mais fofo do mundo.
– San, você pode me ajudar com a comida? — ouvi Lauren pedir.
– Claro. — a latina prontamente foi até a cozinha auxiliar a cunhada.
– Posso subir para ver a Sofia? — indaguei esperançosa,quando cheguei a pequena já estava no quarto então nem fui vê-la.
– Sim, eu já ia te pedir para ver se ela acordou. — Lau comentou. — Às vezes ela acorda e não chora, e o Martin foi no centro comprar fraldas. — acrescentou.
– Pode deixar, vou ver se minha sobrinha quer algo. — afirmei orgulhosa. Definitivamente,eu era louca por crianças. Acho que pelo fato de elas serem menores do que eu,talvez.
Subi as escadas ansiosa para vê-la. Assim que abri a porta, vi a menina se mexendo um pouco e ouvi alguns ruídos. Me aproximei e observei seus olhos negros e expressivos me encarando. Suas mãozinhas tentavam pegar alguma coisa. Eu sorri para ela e dei dois de meus dedos para que ela tentasse pegar. Estava tentada a pegá-la no colo, mas queria ver se ela dormia novamente. Ela era linda, o pai latino e a mãe mulata deram uma ótima mistura.
– Você é muito fofa, sabia? — sussurrei depositando um beijo na testa da pequena latina que retribuiu erguendo os bracinhos. Não aguentei e acabei pegando aquela criaturinha no colo. — Vou acabar mimando você assim como fiz com Allan. — murmurei como se ela entendesse. — Espero que sua tia Santana seja uma mãe mais rígida, porque eu vou estragar seus futuros primos. — ri baixo com minha própria afirmação.
*POV Narrador*
Jorge chegou na casa do filho e assim que entrou, avistou Santana e Lauren cozinhando. Sentiu seu estômago embrulhar, fazia muito tempo que não via sua filha mais nova.
Aproveitou que as duas conversavam e entrou em silêncio, subindo as escadas tomando cuidado para não fazer nenhum barulho.
– Eu queria ter um casal, para serem amiguinhos de vocês. — o homem ouviu uma voz feminina soar do quarto de sua neta e se aproximou. — Fico pensando nos nomes, amo essas coisas. — Jorge viu que era Rachel e se encostou no batente da porta, sem falar nada. — Não vejo a hora de ser mãe, mas acho que Santana prefere esperar mais um pouco.
O Sr º Lopez observava a situação sentindo seu peito apertar. Não podia negar, sentia muita falta de sua família, todos haviam se distanciado ainda mais quando viram o monstro que ele tinha sido com Santana.
– E ainda tem seu avô, ele nunca aceitaria. — Rachel falou com pesar e Jorge abaixou a cabeça. — Espero que quando você crescer, as pessoas sejam mais tolerantes, entendam que amor é amor. — desabafou. — Sabe, sua tia sofre muito com o desprezo do pai. — comentou. — Às vezes a pego chorando vendo fotos antigas.
– Eu também. — a voz forte do homem preencheu o local e a baixinha o encarou com medo.
– E-eu não vi que você estava aqui. — Berry colocou a sobrinha novamente no berço.
– Foi até bom você não ter visto. — Jorge murmurou. — Rachel, você e Santana se amam? — fez a pergunta sabendo que era retórica.
– Sim. — a morena respondeu convicta.
– Eu sei. — ele se aproximou . — Ela preferiu continuar contigo,mesmo sabendo que isso significava ter meu desprezo. — lembrou. — Hoje vejo a mulher forte e corajosa que tenho como filha.
– Como? — a pequena parecia confusa.
– Demorei tanto tempo para perceber,mas vendo você com a Sofia pude ver como você e Santana formam um lindo casal. — a cada afirmação de Jorge a estudante arregalava mais os olhos. Sofia fez um barulhinho fofo,típico de bebês. — Eu quero ter uma casa cheia de netos. — ele comentou sorrindo para a bebê.
– Lau disse que vai esperá-la crescer antes de começar a pensar em dá-la um irmãozinho.
– Que eu saiba,tenho dois filhos. — o empresário declarou sorrindo.
– Sério que você está falando tudo isso? Não é nenhuma pegadinha? — Rachel simplesmente não podia acreditar.
– Me ajude a refazer minha relação com minha filha? — Jorge pediu e a jovem notou que seus olhos lacrimejavam. Pode sentir a sinceridade em seu olhar,sua voz.
– Ajudo sim,mas você vai ter que me provar que mudou. — Berry afirmou seria.
– Faço qualquer coisa. — Sr° Lopez afirmou e no momento Sofia sorriu, talvez aprovando a situação mesmo que não fizesse nenhuma noção dela.
***
Santana e Lauren ainda terminavam de ajeitar a cozinha quando ouviram alguém descendo as escadas.
– Então, ela acordou? — a mãe de primeira viajem indagou.
– Sim,mas agora está dormindo novamente. — Rachel respondeu sorrindo de forma exagerada.
– Esses minutos com ela foram tão bons assim pra você voltar com essa cara? — San perguntou arqueando uma sobrancelha.
– Na verdade, outra coisa muito boa aconteceu. — Berry comentou mal se segurando de ansiedade.
– O que? — a negra questionou curiosa.
As outras duas viram a baixinha fazer algum sinal para a escada e ficaram sem entender. De repente, Jorge aparece no ambiente, deixando-o com um clima tenso na hora.
– Vem pra cá, cariño. — Santana chamou sem encarar o pai.
– Está tudo bem, amor. — Rachel levou uma das mãos ao braço esquerdo do sogro. — ele quer conversar.
– Desculpe,mas nós temos algum assunto? — Santana questionou cruzando os braços.
– Filha, eu...
– Agora é filha? — a latina interrompeu.
– Deixe ele falar, Santy. — Rachel pediu se aproximando da namorada, que bufou.
– Filha, eu sei que agi errado. — Jorge declarou. — Eu demorei tanto para construir uma carreira de sucesso, ter renome, e quando vi que algo poderia destruir isso em um piscar de olhos,surtei. — desabafou. Santana ameaçou dizer algo,mas ele fez sinal para que ela esperasse. — Só depois percebi que eu que estava destruindo tudo, afastando minha família, amigos. — comentou. — sei que demorei para despertar,mas eu quero consertar isso.
Enquanto falava, Martin e Maria chegaram em casa, com duas bolsas de fraldas cada um. Pararam no meio da sala quando viram o que estava acontecendo,como não pegaram o assunto do começo, logo temeram que algo ruim acontecesse.
– Um pouco tarde. — Santana resmungou.
– Ei, amor, eu sei que você quer isso. — a baixinha sussurrou pegando na mão da latina. — Dê uma chance pra ele.
– Por favor, eu só quero ter uma chance de me redimir por ter sido tão cruel com você. — Jorge falou suavemente, nada parecido com a forma rude de sempre. — Com vocês. — corrigiu olhando para Rachel.
– Mana, todos nós torcemos para que nossa família se una. — Martin comentou esperançoso assim que entendeu a natureza da conversa.
– Por favor, mijá. — o homem pediu com sotaque espanhol e a mais nova sorriu abaixando a cabeça. Deixou uma lágrima de felicidade escorrer e permitiu que o pai a abraçasse. Seu sonho estava se realizando, seu pai não estava simplesmente sendo carinhoso, estava também aceitando o fato de sua filha ser ''diferente.''
– Eu te amo, papi. — Santana apertou os braços.
Maria que até o momento estava quieta, começou a chorar de alegria, assim como os outros que acompanhavam a história dos dois.
– Eu também te amo, mijá. — Jorge respondeu beijando o topo da cabeça da filha.
Rachel sorria de orelha a orelha, finalmente poderia ser plenamente feliz e até construir sua tão sonhada família.
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