When You Fall In Love

8 I Just Don't Know What I'm Trying To Prove


Notas iniciais
Heeeeeey! Manu aqui, como estão? Eu ia postar mais cedo, mas não deu. Espero que gostem!

*Pov Santana*

Rachel saiu e eu pude ver como a baixinha estava machucada. Será que ela se apaixonou por mim assim como eu por ela? As coisas poderiam ser tão mais fáceis...

Ela tinha razão,a obra do meu apartamento já deveria ter acabado,mas algo me fez dar um prazo maior para a empresa que está responsável. Na verdade, eu sei bem o que aconteceu: eu queria um motivo para ficar mais perto dela.
''Se quer ter algo comigo de verdade, assuma primeiro quem é, não tenha medo ou vergonha, uma mulher agindo assim por medo?'' ouvir isso foi como uma facada. Ela estava certa, no entanto, eu não me sinto pronta para me assumir. Sei que posso perder muitas coisas. Rachel não entende isso porque pelo o que sei, Will e Shelby sempre foram pais compreensíveis e ficaram do lado dela na hora de ''sair do armário'', mas eu? Meu pai é um louco viciado em trabalho, minha mãe só sabe viajar com as amigas e fazer compras. Os dois fazem de tudo para manterem o status e boa reputação, o escândalo de ter uma filha lésbica seria o fim para eles.

– Oi, Santana. — Shelby apareceu de maiô,aparentemente iria mergulhar na piscina.

– Oi. — forcei um sorriso.

– Will e eu vamos aproveitar a água, nos acompanha? — minha amiga me convidou e eu vi o marido dela se aproximando apenas de sunga. Os dois eram muito bem cuidados,davam de 100 em muitos jovens. Não é atoa que Rachel tem aquele corpo perfeito, mais uma vez os pais dela dão o exemplo.

– Obrigada, mas eu estou cansada e vou deitar lá dentro. — recusei me levantando da cadeira.

– É bom descansar mesmo para estar novinha em folha para receber seu pai. — Will afirmou e meu corpo gelou. — Não se preocupe,eu já pedi que preparem um jantar especial.

– O-o que? — minha voz saiu entrecortada.

– Você não está sabendo? — o marido da minha amiga parecia surpreso. Balancei a cabeça negativamente. — Seu pai telefonou perguntando se poderia ficar aqui quando chegasse de viagem, ele disse que iria te ligar para avisar.

– Não ligou. — só podia ser brincadeira. Agora mais essa!

– Bem,ele chega hoje. — eu achei que iria desmaiar ali. Minha cabeça parecia querer explodir. Eu não queria, não podia encontrar meu pai logo agora. O que ele veio fazer aqui?

– Está tudo bem? — Shelby questionou com uma expressão preocupada.

– S-sim. — menti.

– Você está pálida. — William reparou e os dois se aproximaram.

– Eu só estou cansada mesmo, vou subir, aproveitem a piscina. — disse rápido, pegando meu óculos de sol e indo em direção a porta que dava para a casa. Por que meu pai não me avisou que estava vindo? Se não fosse pelo Will, eu teria tido um infarto quando visse o poderoso Jorge Lopez na minha frente. Procurei o número da secretária dele no meu celular para ligar. Eu ainda tinha esperanças de aquilo tudo não se passasse de um mal entendido.

– Pronto. – a voz de Catherine soava formal.

– Catherine, que conversa é essa de que meu pai está vindo para cá? – perguntei aflita

– Bem, como você sabe, seu pai não me dá muito detalhes das coisas.– Cath murmurou. — Mas pelo o que eu entendi, ele vai fechar um negócio por ai.

– O único negócio que ele tinha pra fechar por aqui eu estava fechando para ele.– afirmei.

– Desculpa,mas essa é a única coisa que sei.– ela declarou. — Ele já deve estar indo para o aeroporto.

Que raiva! Será que ele decidiu fechar o negócio por conta própria? Meu pai sempre teve essa mania de querer resolver tudo sozinho. Pelo visto eu teria que enfrentá-lo mesmo! O problema seria esconder o que sinto por Rachel, provavelmente ela vai me pressionar quando ver que o senhor Lopez está por perto. Realmente,talvez seja a minha chance de ser sincera com meus sentimentos,mas não tenho certeza se vale a pena, afinal, ainda não entendi o que sinto pela baixinha.

***


*Pov narrador*

Rachel e Emily entraram em casa de mãos dadas, conversando animadamente. A mais alta contava mais alguns detalhes sobre suas conversas com a tal garota da festa. Revelava que o nome dela era Dianna, tinha 26 anos e que era formada em administração.

– Você é muito melosa, Ems. — a menor comentava sorrindo. — Está caidinha por essa garota!

– Cala a boca, Rach. — a outra resmungava arrancando risadas da amiga.

As duas pararam de falar quando viram a movimentação na sala de jantar.

– O que está acontecendo, Heather? — Rachel indagou para a empregada observando que os copos,pratos e talheres na mesa, eram os usados em ocasiões diferenciadas.

– O pai da Srª Lopez está chegando e seus pais pediram que eu caprichasse.

A baixinha sentiu algo estranho. Ao mesmo que tempo que ficava feliz e animada, ficava angustiada e tensa. Ela esperava que a latina assumisse sua homossexualidade logo e ter o pai dela por perto seria uma boa oportunidade. O ruim, é que se isso não acontecesse, seria uma prova forte que Santana não se importava com o que as duas tinham. Se é que elas tinham algo!
Nesse momento a campainha tocou.

– Deve ser ele, eu ainda não terminei! — a empregada parecia estar nervosa.

– Calma, deixa que eu atendo, meus pais devem estar descendo. — a jovem falou já indo até a porta.

Rachel abriu e deu de cara com um homem bem mais alto que ela, devia ser até mais alto que Will. Pele bem morena, cabelos lisos e negros com alguns fios brancos, olhos da mesma cor escura. Porte atlético, usava uma calça jeans escura e um blusão preto.

– Boa noite. — o latino cumprimentou avaliando-a dos pés à cabeça. — Sou Jorge Lopez.

– Boa noite, eu sei quem o senhor é. — a baixinha tentou ignorar o fato de estar sendo julgada mentalmente. — Sou Rachel Berry. — declarou e ele arqueou as sobrancelhas estranhando o fato da dona da casa atender a porta,como se fosse uma empregada.

– Hm, posso entrar? — se convidou,ajeitando a mala não muito grande na mão esquerda.

– Claro, por favor. — a morena deu passagem e fez uma careta apenas para Emily ver.

– Srº Lopez! — Will exclamou enquanto descia as escadas junto com Shelby. — Como está?

Os homens se cumprimentaram com um aperto de mão.

– Ótimo. — o latino respondeu sorrindo, mostrando os dentes muito brancos.

Os mais velhos terminaram de se cumprimentar e foram para a sala conversar um pouco, enquanto a janta ainda não ficava pronta.

– Cadê a Santana? — Emily questionou.

– Não sei, deve estar fugindo. — Rachel murmurou cruzando os braços, fitando Jorge. Santana e seu irmão eram muito parecidos com seus pais, as fotos dos quatro juntos não negavam isso. As maneiras de falar, agir. Mas a baixinha esperava de coração que fosse só aparentemente. Ela sentia que a latina mais nova era diferente, certamente esconder de todos que era lésbica a obrigava a ser fria muitas vezes. A forma que a empresária agia quando estavam só as duas provava que ela era diferente.

– Pai. — Santana apareceu no topo da escada.

– Filha. — Jorge levantou encarando a jovem. A latina desceu os degraus com cuidado, suas pernas vacilavam e ela precisou segurar no corrimão para ter segurança. O olhar enigmático do homem sempre deixava todos tensos e nervosos. Ele usava aquilo para intimidar as pessoas.

*Pov Santana*

– Estava com saudades , querida. — meu pai pegou minhas mãos assim que estávamos bastante próximos.

– Eu também. — respondi e,sinceramente, não fazia ideia se estava falando a verdade. — Mas o que o senhor veio fazer aqui? — a curiosidade era tanta,que eu tive que perguntar.

– Eu vim me encontrar com o Torres. — ele confirmou o que eu suspeitava. Soltei minhas mãos das dele.

– Eu te falei que estava com tudo sob controle. — Afirmei chateada. Ele confiava tanto em Martin,por que era diferente comigo?

– Santana, você sabe como eu sou. — papai passou a mão direita pelo meu cabelo. — e foi uma desculpa para vê-la. Forcei um sorriso, tentando acreditar nele.

– O jantar está na mesa. — Heather informou. Que bom,meu pai odiava falar de boca cheia,então seria menos tempo de conversa.

– Certo, vamos Sr° Lopez,por aqui. — Will guiou meu pai até a sala de.jantar. Eu fitei Rachel que me encarava de volta disfarçadamente. Emily me fuzilava na cara de pau mesmo.

Fomos até a mesa também e notei que a comida era algum prato chique. Desses que eu só como quando estou com minha família e pessoas importantes socialmente falando,perto de pessoas mais ''comuns'' eu dispenso totalmente. Uma lasanha para mim já é mais que suficiente. Depois de nos servirmos , começamos a comer em silêncio. Acho que ninguém tinha assunto.
Percebi que meu pai encarava Rachel às vezes e aquilo estava me incomodando. Será que ele não gostou dela?

– Então,senhorita, está gostando da faculdade? — meu pai perguntou para ela de repente, e eu me assustei. Acho que todos tiveram a mesma reação,pois olharam rapidamente para ele.

– Sim, é realmente com isso que eu quero trabalhar. — a baixinha respondeu depois de alguns segundos.

– Fiquei sabendo que você já estava estagiando. — eu não sabia o real motivo pelo interesse dele. Papai nunca perguntava muito da vida das pessoas, ainda mais se tivesse acabado de conhecê-las.

– Estou,mas não é algo oficial. — Rachel parecia estar confusa pelo interrogatório, mas tentava não demonstrar.

– No que você tem tido mais dificuldade? — o poderoso Jorge olhava fixamente para Berry.

Shelby e Will se entreolhavam dando sorrisinhos,talvez a ideia de ter um empresário como meu pai interessado pela vida da jovem estudante,fosse uma realização deles.

– O convívio com alguns funcionários. — Rachel me fitou rapidamente. — eles me subestimam por eu ser nova e filha da chefe, pensam que eu só estou lá por ter ''costas quentes''.

– Entendi. — meu pai ficou um pouco pensativo por alguns segundos. — Sua sexualidade também te atrapalha? — perguntou e meu corpo ficou tenso. Como ele sabia disso?

– Desculpe,acho que não entendi a pergunta. — a pequena parecia tão surpresa quanto eu.

– Na minha época, gente como você não tinha muitas oportunidades. — pronto. Eu sabia que ele estava aprontando algo!

– Na sua épocas, as pessoas ainda eram idiotas e preconceituosas ao extremo. — Rachel respondeu séria. Observei os pais dela, que agora demonstravam estar incomodados.

– Descordo. — papai declarou e eu arregalei os olhos.

– Como? — foi a vez de Will se pronunciar. — Então você acha justo tratar alguém de forma diferente por causa de sua opção sexual? — ele estava visivelmente indignado.

– Cada um faz a escolha que quer, e junto dela vem consequências. — tive vontade de vomitar. Como um homem tão rico podia ser tão pobre de pensamento?

– E se eu escolher JOGAR esse suco no senhor, quais serão as consequências? — a baixinha arqueou uma sobrancelha,levantando o copo com suco. Eu segurei a risada, ela era tão inocente e madura ao mesmo tempo.

– Eu posso ficar sujo por alguns instantes,mas você vai ficar suja para sempre se continuar com esse modo de viver horrível. — eu estava com vergonha dele.

Rachel olhou para mim, talvez pedindo que eu tomasse alguma atitude. Eu queria, realmente queria. Mas estava com medo demais! Depois de alguns segundos,acho que ela percebeu que eu não faria nada,então vi seus olhos se encherem de água.

– Você não pode falar assim com a minha filha dentro da nossa casa! — Shelby exclamou e eu achei que ela fosse voar em cima do meu pai.

– Tudo bem, mãe, a suja aqui vai se retirar, perdi a fome. — a voz de Rach saiu chorosa. Apressadamente ela saiu da sala de jantar. Eu queria muito ir atrás dela. Por que eu tinha que ser tão covarde?

– Saia da nossa casa agora mesmo! — Will se levantou com raiva.

– Sua filha que deveria sair, não sei como vocês aturam esse tipo de comportamento! — Lopez . Ter esse sobrenome nunca pareceu tão ruim.

– Santana, fale alguma coisa! — minha amiga pediu,já que eu mantive silêncio desde o começo do jantar.

– Falar o que? — balbuciei. Eu sou tão idiota!

– Não vai dizer que você concorda com ele?! — William parecia querer me matar apenas por essa possibilidade.

– Claro que não! — respondi rapidamente.

– Não? — meu pai indagou me encarando. Os três me encaravam fixamente,na verdade.

– N-não. — eu queria muito sair correndo. Precisava respirar, saber como minha pequena estava, beijá-la e dizer que pode contar comigo.

– Como uma filha minha pode concordar com um modo de viver tão repugnante? — ele questionou entredentes. Era notável o nojo que ele sentia por homossexuais. Doía tanto ser algo que causava repulsa no meu próprio pai. — RESPONDE! — gritou.

– PORQUE EU VIVO DESSA MANEIRA, PAI! — gritei de volta. Não aguentava mais segurar aquilo dentro de mim. A Mandy estava certa, aquilo me mataria aos poucos.

O ambiente ficou quieto por um instante. Os três tinham os olhos arregalados. Abaixei o olhar, sentindo as lágrimas descerem.

– Você...?

– Eu sou lésbica, pai. — afirmei. Depois de alguns segundos olhei em seus olhos. Eu podia perceber a raiva em seu olhar. Acho que se ele pudesse, me espancaria até a morte.

– Eu não acredito nisso. — meu pai levou as mãos à cabeça. Ele puxava seus cabelos com tanto força,que eu achava possível arrancá-los pela raiz. — Você morreu para mim, Santana. — declarou e eu desejava ser surda,para não ter ouvido aquelas palavras. — Sua mãe e eu faremos o possível para nos desligarmos de você de todas as maneiras existentes. — avisou. — Não espere ser convidada para o casamento de Martin, pois nós só convidaremos pessoas conhecidas. — meu peito apertava a cada afirmação. Ele colocaria toda minha família contra mim!

– Pai, eu...

– NÃO ME CHAME ASSIM! — ele gritou e por um momento eu achei que tivesse visto uma lágrimas descer de seu olho esquerdo,mas Jorge Lopez era um homem frio demais. — Fique com esses dois ai, , talvez eles acabem terminando de estragar você. — praticamente cuspiu as palavras,olhando com ódio explícito para nós três.

O vi pegando suas coisas em silêncio. Apesar de querer muito que um dia ele se arrependa,eu sabia que isso não iria acontecer. Frieza e crueldade sempre fizeram parte da vida dele, desde criança eu percebi isso,mas nunca com tanta clareza.

Ele deu uma última olhada para mim e cuspiu no chão. Senti como se o cuspe tivesse acertado meu rosto em cheio. Olhei para a porta e vi o homem que era meu pai há poucos minutos deixar a casa.

Comecei a chorar alto, queria acabar com aquela sensação de ter sido humilhada,desprezada,esquecida por uma pessoa que deveria me amar,respeitar e cuidar acima de tudo.

Shelby e Will se aproximaram de mim, me abraçando. Minha amiga murmurou um ''Vai ficar tudo bem!'' no meu ouvido,beijando o topo da minha cabeça logo em seguida.

Ficamos daquele jeito por alguns minutos, até eu lembrar que Rachel também deveria estar muito mal,precisando de mim.

– Eu preciso achá-la. — murmurei tentando secar meu rosto.

– Achar quem? — Will indagou.

– A Rachel. — respondi um pouco desnorteada.

– Tudo bem, falamos com ela depois. — Shelby tentou me acalmar.

– Não, precisa ser eu, ela tem que saber que eu me assumi. — afirmei e eu sabia que estava falando demais,mas não podia segurar mais nada dentro de mim.

– Espera, ela sabia? — William questionou confuso.

– Sim. — sussurrei.

– Como? — foi a vez de Shelby perguntar.

– Eu estou apaixonada pela a filha de vocês e tenho quase certeza que ela está por mim também. — declarei e eles se entreolharam e sorriram. Acho que deduziram que algo já rolou entre nós,no entanto,eles não faziam ideia da metade.

– Vai ser difícil a gente achá-la agora. — o marido da minha amiga comentou. — Quando ela decide sumir, só a encontramos quando ela quer! — lembrou.

– E você não tem condições de ir para lugar nenhum agora. — a mãe da pequena me puxou para a sala. Nos sentamos no sofá. Eu estava muito preocupada com a Rachel, afinal,ela também saiu transtornada.

– Fique tranquila, ela vai ficar bem. — Will disse acho que adivinhando meus pensamentos.

– Eu quero saber de toda essa história,acho que você me deve isso! — Suspirei pesadamente. Ela tinha razão. E talvez eles pudessem me ajudar! Eu machuquei a pequena e precisaria de toda ajuda possível para me redimir. Bem, o fato de eu ter assumido tudo para meu pai poderia me dar alguns créditos. Confesso que ainda não sei se fiz a escolha certa, eu iria perder tanta coisa. Mas pelo menos minha liberdade de ser quem eu quiser está garantida.

Notas finais
Ficamos um pouco decepcionados. Não recebemos os comentários de vários de vocês! Só iremos postar sexta-feira se recebermos coments, hein? A fic tá caminhando pro final. Beijuuuuus