When The Lightning Stopped Time
6 When the Lightning broke Time’s heart
Notas iniciais
Não importa o quanto Ultear Milkovich transmita para o mundo uma visão de si mesma como alguém que possui vastos conhecimentos sobre o universo masculino, a maga do tempo ainda assim não tinha a mínima ideia sobre como lidar com os homens.
Lógico, ela sabia que mini saias e pernas abertas ajudavam bastante nessa questão. De fato, a morena estava usando uma. Entretanto, Ultear, assim como qualquer outra garota na face da Terra, tinha dúvidas sobre qual figurino iria agradar seu namorado.
Ou quase namorado. Ou tanto faz. Ultear não sabia o que ela e Laxus eram exatamente. Tudo que a maga sabia era que seu coração acelerava todas as vezes que o encontrava e uma parte de si sempre ficava com ele quando se despediam.
Geralmente, Ultear preferia não ficar analisando muito sua relação. Ela tinha medo que, se analisasse demais, poderia encontrar sentimentos que ficariam melhores escondidos.
Ela não queria se afeiçoar muito a Laxus. Todavia, quanto mais tempo passava com o Dragon Slayer do Trovão, Ultear percebia cada vez mais que, dessa vez, ela poderia se afeiçoar.
De qualquer forma, nada disso tinha significância no momento. O que realmente importava, era o dilema de guarda roupa que a maga enfrentava.
Em termos gerais, o look dela estava pronto. Uma simples e curta saia preta com uma leve camisa clara de belo caimento. Profissional, mas, ainda assim, com uma mensagem clara: “me foda, Dreyar”.
No entanto, o macio cachecol em suas mãos implorava para participar da combinação. Ela deveria incluí-lo? Não ficaria girly e infantil demais?
Ultear suspirou.
**
Era impossível, e Laxus sabia disso, mas o Dragon Slayer do Trovão acreditava que, a cada olhar que lançava para a maga do tempo, Ultear ficava ainda mais atraente.
Agora, por exemplo, ela estava caminhando em direção à mesa que ele escolhera na pequena confeitaria de Magnólia. Ou melhor, desfilando.
Laxus tinha a impressão de que às vezes Ultear movimentava seu quadril com mais energia do que era realmente necessário. Não que ele estivesse reclamando, é claro. O movimento só o fazia deseja-la ainda mais.
O Dragon Slayer também não podia deixar de notar os três botões abertos da camisa dela, quase revelando os grandes seios da maga. Tudo que ele queria era terminar de abrir a peça de roupa.
Todavia, ele não podia. Primeiro porque estavam em uma confeitaria e, apesar de Laxus ter certeza de que os outros clientes poderiam aprender muito com o que ele desejava fazer com Ultear, ainda assim não seria apropriado. Também porque Laxus não a chamara aqui para isso.
-Você poderia pelo menos limpar a baba – Ultear disse em um tom indiferente, sentando-se na frente dele.
Nenhum “oi”, “olá” ou até mesmo um selinho de boas vindas como muitos casais faziam para se cumprimentar. Não. Eles eram diferentes.
Laxus quase sorriu. Ele até poderia estar comendo-a levemente com os olhos, mas tinha certeza de que sua face estava livre de qualquer emoção. Portanto, o comentário de Ultear só mostrava que a autoconfiança dela era quase tão grande quando a dele próprio.
Um sorriso discreto se formou nos lábios dela. Um sorriso que Laxus sabia que seria desmanchado em questão de minutos, ou, talvez, até mesmo segundos.
O Dragon Slayer não tinha a menor ideia de como fazer o que tinha que fazer. Talvez ele devesse tentar começar com uma conversa superficial sobre o tempo, como muitos faziam em momentos como este. Porém, enquanto olhava nos olhos negros da garota, ele se lembrou de que Ultear era exatamente como ele. E Laxus definitivamente odiava conversas sobre o clima.
-Acho melhor pararmos com isso – ele disse com sua voz profunda.
A previsão que ele fizera mais cedo estava certa. O sorriso de Ultear deixou o rosto dela mais rápido do que ele julgaria possível. Mesmo não sendo específico, a maga entendeu instantaneamente o que Laxus queria dizer. Lógico, ela era exatamente como ele.
Laxus achava melhor eles pararem. Pararem de se ver. Pararem com sua relação. Simplesmente pararem com tudo.
O rosto de Ultear estava mais sério do que nunca. Ela não piscava, não movimentava sequer um músculo. O único movimento visível era do peito dela, enquanto ela lutava para controlar sua respiração.
Era exatamente por isso que Laxus Dreyar odiava relacionamentos. Eventualmente eles acabavam. Em suas ultimas experiências, as ex-namoradas de Laxus fizeram um escândalo vergonhoso quando ele terminou com elas. Gritaram e choraram até seus pulmões não aguentarem mais.
Ultear não. Ainda não, pelo menos. Ela estava imóvel, encarando-o como se a qualquer instante Laxus fosse dizer que tudo era uma brincadeira de mau gosto.
E, acredite, ele queria dizer isso. A última coisa que o Dragon Slayer do Trovão queria era parar de enfiar seu pau nela, mas ele sabia que já não podiam mais ficar juntos.
Laxus começou a se perguntar se o olhar que Ultear estava lançando-o era o olhar que ela lançava a suas vítimas antes de mata-las. Era terrivelmente assustador, sem dúvida, mas também havia algo belo naquele olhar.
-Tanto faz – Ultear finalmente disse, sua voz fria. – Não é como se nós tivéssemos nada substancioso mesmo.
Então, ela se levantou e caminhou sem olhar para trás, deixando Laxus com sua garganta mais seca do que nunca.
**
É estranho como as coisas mudam.
Em um segundo, um acessório de roupa é seu maior inimigo e, no outro, você percebe que sua vida inteira é um problema. Ou pelo menos era assim que Ultear se sentia.
Ela não estava chorando. Ultear Milkovich não chorava em publico. Isso seria humilhante demais.
Para dizer a verdade, a maga nem tinha lágrimas para chorar. Tudo que ela queria era se punir infinitamente por ser tão burra a ponto de achar que tinha algo verdadeiro com Laxus. Por acreditar que era diferente das outras garotas com quem ele saía. Deuses, ele era Laxus Dreyar afinal.
Ultear sentou calmamente no bar da Fairy Tail. Era o único lugar que ela conhecia em Magnólia que a serviria um Martine a essa hora da manhã.
-Deseja alguma coisa? – Uma albina perguntou.
A garçonete tinha um sorriso meigo no rosto. Um sorriso extremamente meloso e enjoativo, que Ultear ficaria mais do que contente em arrancar do rosto dela com um soco perfeitamente direcionado. Entretanto, tudo que a maga do tempo fez foi sorrir um de seus famosos sorrisos implacáveis e pedir sua bebida.
Franzindo as sobrancelhas, ela suspirou. Como Ultear, a ex líder dos Sete Filhos do Purgatório, podia ter se permitido estar em uma situação dessas?
-O de sempre, Cana? – A garçonete sorriu para a garota que se sentava ao lado de Ultear.
Cana sorriu, assentindo.
Ultear estava tão perdida em seus próprios pensamentos que mal notara o olhar da recém chegada em sua direção, analisando-a dos pés à cabeça.
Não demorou muito para a albina voltar com o pedido.
-Obrigada, — Ultear pausou, tentando se lembrar do nome da garçonete. Ela já ouvira Jellal falar sobre ela. Annajane, talvez?
De qualquer maneira, Ultear não se importava. A garota sorriu e voltou a trabalhar, focada a atender o homem que acabara de chegar.
-Mirajene – Cana disse baixo. – Esse é o nome dela.
Por um segundo, Ultear duvidou se Cana estava realmente se dirigindo a ela, mas, quando olhou pelo canto do olho para a maga, teve certeza que sim.
-Oh, eu sei — Ultear mentiu.
-Sei – Cana disse, seu tom sarcástico.
Ultear não disse mais nada, apenas se concentrou em seu Martine. Se o mestre Hades pudesse vê-la nessa situação, Ultear tinha certeza de que ele ficaria decepcionado. Ultear Milkovich, a tão promissora líder dos Sete Filhos do Purgatório, e, provavelmente futura mestra da Grimoire Heart, derrotada em um bar de quinta.
-Normalmente só eu bebo a essa hora – Cana continuou, seu tom de voz mais leve dessa vez. – Quer fazer uma pequena competição de bebidas?
Por pouco Ultear não sorriu. Ela já ouvira falar nos talentos naturais de Cana Alberona em relação ao álcool.
-Não, obrigada – Ultear disse, seu dedo brincando com o pequeno guarda chuva cor de rosa que Mirajane colocara para enfeitar seu copo.
Bem, normalmente Ultear não bebia em nenhuma hora.
-Entendi – Cana disse, bebendo todo o conteúdo de seu copo. – Brigou com o namorado?
Ultear não respondeu, mas sentiu seu corpo enrijecer. Será que Cana sabia sobre ela e Laxus? Bem, o time dele certamente sabia.
-Se você quiser um relacionamento de verdade, — Cana continuou quando a maga do tempo não disse nada. – escolha alguém da nossa guilda. Garanto que não vai se arrepender.
Bem, aparentemente Cana não sabia sobre nada. Ela também não tinha a menor ideia sobre o quanto estava errada.
De qualquer maneira, Ultear decidiu continuar a conversa.
-É mesmo? – ela arqueou levemente a sobrancelha.
-É – Cana assentiu. – Deixe me ver – ela pausou por um instante, olhando ao redor – acho que o seu tipo é mais o Gajeel, porém acho que a Levy te mataria caso chegasse perto dele. Acredite ou não, a baixinha é forte.
Ultear riu. Ela conhecia Gajeel Redfox e, com toda certeza do mundo, ele não era o tipo dela.
-Também tem o Freed – Cana continuou, tão concentrada como se estivesse falando sobre a terceira guerra mundial.
-Ele não é gay? – Ultear fez questão de perguntar, lembrando-se da maneira como o mago a tratava quando ela estava perto de Laxus.
Cana sorriu.
-Talvez, ninguém sabe – ela disse, jogando o cabelo para trás. – Quero dizer, uns dizem que ele é apaixonado pela Mira e outros dizem que ele vive pelo Laxus... Mas ninguém sabe ao certo.
Ultear quase engasgou, mas tentou recuperar sua compostura.
-Laxus? – Ela perguntou inocentemente. – O Dragon Slayer do Trovão?
Ultear Milkovich era uma ótima atriz. Ela enganara Jellal, Gray, Meredy... Bem, ela não se orgulhava desses exemplos, mas eles só provavam o quanto a maga era uma boa atriz.
Cana assentiu.
-É, mas fique longe dele – Cana avisou. – Ele é um vagabundo descarado.
O primeiro instinto de Ultear era puxar todos os fios de cabelo da morena, mas a maga do tempo sabia que as palavras de Cana eram verdadeiras.
-Por quê? – Ela se forçou a perguntar.
Cana bufou, sua face sendo tomada pela repulsa.
-Ele vai te usar – Cana disse, sua boca contorcendo-se suavemente. – E depois te jogar fora. É isso que Laxus faz.
É isso que Laxus faz.
Ninguém sabia disso melhor do que Ultear. Laxus já a jogara fora. Mas, é claro, ela nunca admitiria isso.
Espera. Cana disse –
-Ele fez isso com você? – Ultear perguntou, sua voz extremamente acusadora.
Cana se agachou para pegar um barril que estava próximo aos seus pés. Ultear pôde sentir o cheiro do líquido que Cana bebia lentamente antes de responder.
-Ele me usou – Cana finalmente disse. – E a pior parte foi que eu acreditei nele.
A maga do tempo sentiu o sangue correr mais rápido por suas veias. Ultear estava irritada, muito irritada. Ela semicerrou os olhos e fechou seus punhos.
-Mas isso foi há muito tempo – Cana concluiu, bebendo de seu barril. – E eu não fui a única. Mirajane, Lisanna e milhares de outras garotas também. É um milagre alguém ainda cair no joguinho dele.
Ultear não sabia o que a irritava mais. Saber que Cana, Mirajane, Lisanna (seja lá quem ela fosse) e milhares de outras garotas já tocaram Laxus ou saber que o Dragon Slayer fizera a mesma coisa com ela.
-Tenho que ir – Ultear resmungou, jogando algumas notas no balcão.
**
-Eu atendo — Bixlow disse, lentamente se levantando do sofá para atender a porta.
Laxus assentiu de onde estava.
Sentado na frente de um enorme saco de dinheiro, a recompensa da última missão do time Raijinshuu, ele dividia as notas em quatro pilhas iguais.
-Seu vagabundo descarado! – Ultear repetiu as palavras que a garota do bar dissera.
Laxus ergueu as sobrancelhas quando escutou a voz que tanto conhecia.
-Acho que é para mim – ele murmurou, com algumas notas de cinquenta na mão.
-Laxus está na sala – Bixlow disse, indicando o cômodo com o polegar.
Ultear grunhiu e passou apressadamente pelo mago. Ela marchou até poucos centímetros de Laxus, que parecia concentrado demais no que estava fazendo.
-Bixlow, — o Dragon Slayer disse pacientemente – vá à casa do Freed. Depois eu encontro vocês lá.
-Mas, a Evergreen –
-Vai passear, Bixlow – Ultear o interrompeu rispidamente.
O mago arregalou os olhos por baixo de suas vestimentas, mas não conseguiu evitar jogar sua língua para fora enquanto caminhava apressadamente para a porta.
Laxus encarou Ultear quando ouviu a porta da frente bater com força. Mesmo vestindo as mesmas roupas de mais cedo, ela parecia diferente. Ele não sabia exatamente o que era, mas ela estava diferente.
-Você é um ignorante estúpido – Ultear disse, sua voz consideravelmente mais controlada. – Um canalha.
Laxus sabia o que as pessoas falavam dele pelas suas costas. Porém ouvir as palavras dela doía.
-Você não vai dizer nada? – Ultear disse, seus braços cruzados contra seus seios.
O Dragon Slayer do Trovão mal conseguia respirar. Milhares de respostas à pergunta dela passaram por sua mente, mas nenhuma palavra saiu de sua boca.
-Você não é quem eu pensei que fosse – Ultear disse, prestes a se virar e ir embora.
Involuntariamente, as mãos de Laxus se fecharam com força.
-Pensei que nós não tínhamos nada substancioso – ele disse amargamente, ecoando as palavras que a maga usara mais cedo.
Ultear não tinha a mínima ideia do quanto essas palavras o machucaram. Quando Laxus decidiu terminar o relacionamento deles, ele certamente esperava mais do que essas sete palavras estúpidas.
Ela mordeu seu lábio inferior com força, e, pela primeira vez, Laxus pôde ver lágrimas nos olhos da garota.
-Eu te odeio – ela disse antes de começar a se afastar.
As simples palavras tocaram Laxus como um verdadeiro soco na boca do estômago. Ele sabia que Ultear só as dissera da boca para fora, mas isso não fazia com que a dor fosse amenizada.
Ultear sabia que não deveria ter se encontrado com Laxus de novo. Não era da natureza dela se rebaixar a algo do tipo. Mas, desde a conversa que teve com Cana, ela precisava olhá-lo nos olhos. Saber que não fora simplesmente usada.
Entretanto, tudo que a maga do tempo descobriu foi que ela era uma idiota por ter a audácia de acreditar que fosse diferente das outras.
Ela estava perto da porta quando seus passos foram interrompidos. A mão de Laxus segurava seu braço firmemente, impedindo-a de se mover.
-Laxus, — ela disse de vagar, a raiva banhando sua voz. – me solte agora.
-Ultear, escute –
-Laxus, — Ultear disse novamente – me solte.
O mago a soltou e Ultear não hesitou em continuar sua rota para a saída.
-Eu não vou me sentir culpado por isso – ele disse, olhando-a intensamente.
A mão de Ultear estava na maçaneta. Tudo que ela precisava fazer era girá-la e sair andando.
-Como você pode dizer isso? – Ela não pôde evitar retrucar. – Isso é tudo culpa sua.
Ultear suspirou. Ela não iria chorar. A maga se virou e deu dois passos na direção dele, deixando-os perigosamente perto.
-Talvez seja isso que falte em você – ela continuou. – Culpa.
-Você acha que eu queria terminar com você? – Laxus disse, olhando-a de cima.
-O que está tentando dizer? – Ultear perguntou entredentes. – Que a culpa foi minha?
-Não sou eu que ando dormindo com caras de cabelo azul – Laxus disse brutamente.
Ultear arfou.
De repente, ela já não se sentia tão confiante e esperta.
-Erza me contou tudo – ele disse –, então nem pense em negar.
Ultear sentiu algo em seu estômago se revirar.
Laxus sabia sobre o que aconteceu com Jellal.
-Eu... – ela procurou algo para dizer, mas sua mente estava vazia. – Erza?
Dessa vez, foi Laxus quem suspirou. Por que infernos ele foi contar isso a ela? O plano era terminar e ponto.
-Ele contou a ela – Laxus disse impaciente. – Da mesma forma como você deveria ter me contado. Mas, aparentemente, nós não temos nada substancioso.
-Pare de dizer isso – Ultear implorou.
O olhar de Laxus não mostrava nenhum pingo de compaixão pela confusão de sentimentos que se passava na mente de Ultear.
-Foi por isso que você terminou comigo? – ela disse em uma voz que não reconheceu como sua.
Laxus assentiu, o que só fez as lágrimas de Ultear aumentarem em seus olhos até finalmente transbordarem.
O Dragon Slayer do Trovão congelou. Ele odiava ver mulheres chorando. O único choro que Laxus estava acostumado a lidar era o de Freed, o que definitivamente não iria ajudar nesta situação.
Espera, Laxus estava fazendo com que ela se sentisse culpada por tudo? Quem ele pensa que é para jogar isso contra ela?
-Por acaso, você já parou para pensar no por que eu passei a noite com Jellal? – Ultear praticamente gritou entre soluços. – Eu estava aqui, Laxus. Eu estava aqui!
A expressão decidida do loiro foi rapidamente substituída pela mais pura confusão.
-Sobre o que você está falando, Ultear? – Laxus perguntou, sentindo sua paciência se esgotando.
Ultear teve que respirar fundo algumas vezes para poder se controlar. Ela não levaria a culpa sozinha. Não mesmo.
-Eu estava aqui – ela disse, sua voz estrangulada – te esperando. Mas, quando você apareceu, não estava sozinho. Eu ouvi a vadiazinha!
O entendimento pareceu dominar a expressão de Laxus pela primeira vez. A garganta dele estava extremamente seca e seus pensamentos corriam a mil por hora.
-Quando foi isso? – Ele perguntou, seu tom de voz ligeiramente mais suave.
-Não sei – ela respondeu, desviando o olhar. – Logo depois da briga que tivemos.
Laxus assentiu. O que mais o incomodava era o fato de Ultear estar falando a verdade. Afinal, mesmo não a conhecendo há muito tempo, Laxus podia dizer quando ela estava blefando ou não. Talvez o ganhador do jogo “de quem é a culpa” que eles estavam jogando há quase meia hora fosse ela. Talvez a culpa fosse dele em primeiro lugar.
De qualquer forma, nada justificava o que Ultear fez. E ela sabia disso.
-Esqueci meus scarpins aqui – Ultear disse, como se estivesse mostrando a evidencia de um crime. – Na verdade, eu os usei para quebrar a janela.
Laxus ergueu as sobrancelhas, mas resolveu não perguntar nada sobre a janela.
-Que porra é um scarpin? – Ele perguntou.
Ultear suspirou. Homens definitivamente deveriam começar a ler revistas de moda.
-Meus sapatos – ela esclareceu. – Você deve ter os encontrado no chão.
Laxus ergueu as sobrancelhas, recordando-se dos misteriosos sapatos jogados que encontrou na sala há algumas semanas.
-Os pretos? – Ele disse, e, por mais incrível que pareça, sua voz soava estranhamente curiosa. Como se nem mesmo ele, Laxus Dreyar, pudesse acreditar na situação bizarra que estava envolvido. – Eu vou pegá-los.
-Você os guardou? – ela perguntou surpresa.
No momento em que Ultear percebera que estava sem seus sapatos, ela realmente acreditou que nunca mais os veria. Todavia, quando Laxus voltou com os scarpins novinhos da maga, ela sorriu.
-Obrigada – ela disse.
-Espera – Laxus hesitou, ainda com os sapatos pretos na mão. – Você não os esqueceu de proposito, não é?
Ultear franziu as sobrancelhas.
-Por que eu esqueceria meus sapatos de proposito?
Laxus deu de ombros.
-Para ter um momento Bela Adormecida, talvez – ele se justificou.
A maga do tempo riu.
-É Cinderela, Laxus – ela disse, mordendo o lábio inferior. – Mas, não, eu não me esqueci de proposito.
Laxus assentiu.
-Bom – ele disse suavemente.
Quando o Dragon Slayer esticou o braço para entregar os pequenos sapatos em sua mão, Ultear não se moveu. A maga simplesmente ficou parada, olhando intensamente nos profundos olhos dele.
-Laxus – ela disse suavemente.
-Sim? – Ele respondeu prontamente, sentindo o calor irradiar dela.
-Eu não me importaria em ter um momento Cinderela – ela disse, piscando algumas vezes.
Laxus encarou-a, perguntando-se se ela estava brincando ou não.
-O que isso quer dizer? – ele se viu forçado a perguntar.
Ultear suspirou.
-Calce os sapatos em mim! – Ela ordenou.
Ele ergueu as sobrancelhas, claramente divertido com tom de voz que ela usou.
-Você já está usando sapatos – ele observou.
A maga revirou os olhos.
-Então os tire e coloque os outros – ela disse, no mesmo tom autoritário que usara antes.
Laxus olhou para Ultear, visivelmente cogitando a possibilidade de ela estar louca.
Ultear suspirou, cansada.
-Quer saber? – Ela disse, a exaustão tomando conta de sua voz. – Deixe para lá. Só me dê os scarpins.
Laxus segurou os sapatos mais firmemente quando Ultear tentou pegá-los. Ele não tinha certeza de que material eles eram feitos, mas pareciam ásperos contra sua pele.
-Laxus, – Ultear disse impaciente – meus sapatos.
O Dragon Slayer deu um passo na direção dela, fazendo-a recuar dois.
-Não vai dizer “por favor”? – ele disse, dando outro passo na direção dela.
O quê? Ele – Laxus realmente estava fazendo isso com ela?
-Laxus! – Ultear disse exasperada. – Meus sapatos!
-Se você pedir com jeitinho eu os entrego – ele disse indiferente.
Por um segundo, Ultear considerou a ideia de tentar arrancá-los de Laxus à força, mas ela sabia por experiência própria que isso nunca terminava bem.
-Por favor – ela disse, seu tom de voz coberto pela irritação.
Ele sorriu.
-Nem foi tão difícil assim – ele ridicularizou.
Ultear queria estapeá-lo até não poder mais.
-Ok, – ela disse mal humorada. – Agora, me dê os sapatos.
-Sente – ele disse movendo sua cabeça em direção ao sofá.
-O quê? – Ela perguntou, confusa. – Laxus, eu já pedi “por favor”, agora me entregue os sapatos!
-Ultear, sente-se no sofá – Laxus disse, lutando para não perder a paciência. – Eu vou te dar seu momento Bela Adormecida.
-Cinderela – ela corrigiu novamente, mas não protestou mais.
A maga do tempo se sentou, sentindo as pernas um pouco bambas. Por mais que não tenha dito nada a respeito, o Dragon Slayer notou quando a saia dela subiu significativamente, de modo que ele era capaz de ver a calcinha que ela usava.
Não era uma visão nova a Laxus, é claro, mas isso não fazia com que ele a apreciasse menos.
Ultear mal pôde acreditar quando Laxus se ajoelhou em sua frente e calmamente tirou o sapato que ela calçava.
-Laxus, — ela murmurou enquanto o mago encaixava o pequeno scarpin em seu pé esquerdo. – Você não precisava –
-Eu sei – ele disse, sem a olhar diretamente.
Laxus estava focado em tirar o outro sapato. A pele dela parecia fria contra a mão dele, e incrivelmente mais pálida.
Ela também parecia macia, tão macia que Laxus poderia passar suas mãos pelo corpo inteiro dela e não se cansar.
-Laxus, — Ultear o chamou, e, desta vez, ele olhou nos olhos escuros dela. – Se você não quer que eu saia com outras pessoas, tudo que tem que fazer é dizer.
Ele não respondeu. Afinal, o que ele diria? Inconscientemente, os dedos do mago começaram a explorar a perna dela, descendo e subindo; às vezes, atingindo arriscadamente a coxa dela.
-Mas, eu também teria o direito de pedir que você não saísse com mais ninguém – ela continuou, sentindo sua pele desejar ardentemente o toque dele.
Agora, não só os dedos de Laxus a exploravam, mas também sua palma, e ocasionalmente seu pulso. Seu toque era mais intenso e urgente, fazendo um arrepio percorrer a espinha de Ultear.
-Mas nada disso importa, não é? – ela disse, tentando esconder sua luxúria. – Já que nós terminamos.
Um dos famosos sorrisos de escárnio de Laxus atingiu o rosto dele. Ultear Milkovich sabia ser bem irritante quando queria.
Desta vez, a mão dele não hesitou em continuar o trajeto enquanto subia. Ele continuou, contornando o joelho e passando delicadamente pela coxa, até finalmente atingir a barra da saia.
Laxus pausou, buscando por confirmação no rosto da maga. Quando Ultear não protestou, ele subiu, colocando seu corpo sobre o dela no pequeno sofá.
Quase como se estivesse obedecendo a uma ordem de seu instinto, Ultear passou seu braço ao redor do pescoço dele, trazendo-o para perto. Laxus colou seus lábios na parte de baixo do pescoço dela, beijando-a sedutoramente.
Era quase excêntrica a maneira como Laxus se excitava tão facilmente quando estava com ela. Movendo sua cabeça suavemente, ele ficou mais do que contente em sentir a fragrância do perfume que sempre sentia na maga.
Levando os lábios aos dela, Laxus a beijou lentamente, recebendo um pequeno, porém profundo, suspiro em troca. A mão dele levemente brincava com o tecido da formosa saia da maga, ocasionalmente pressionando seus dedos contra a intimidade dela.
-Laxus, – ela disse docemente, para a surpresa dele, assim que se separaram. – Não quebre meu coração de novo.
Ele se afastou minimamente dela, para poder olhá-la melhor. Laxus pôde ver os lábios avermelhados de Ultear discretamente separados, enquanto ela tentava recuperar seu fôlego. Os olhos dela, apesar de dominados pelo desejo, estavam cobertos por algo que Laxus raramente observava nela: vulnerabilidade.
O que mais o assustava era a sinceridade por trás da voz de Ultear. A garota cujas emoções eram trancadas em seu peito estava admitindo uma fraqueza. Laxus não sabia lidar com esse lado da maga do tempo. Pelo menos, ainda não.
-Por acaso, Ultear Milkovich está admitindo que tem um coração? – Ele provocou, enquanto rapidamente desabotoava a camisa da maga.
Ultear revirou os olhos. Qualquer traço de fragilidade abandonando o rosto dela.
-Cala a boca – ela resmungou, antes de levar a boca até o robusto pescoço do mago.
Notas finais
Para dizer a verdade, eu estava com o capítulo pronto na minha mente, porém, quando comecei a escrever, tudo mudou o.O
Obrigada a todos vocês que comentaram! Os reviews me deixam extremamente contentes.
Agora, eu preciso de ajuda para continuar a história. Primeiro, eu gostaria de saber qual capítulo vocês mais gostaram (só para eu poder ter uma ideia melhor de como escrever). E eu também preciso muito da opinião de vocês em uma questão: Vocês acham que o Laxus e a Ultear estabilizariam a relação deles, ou eles continuariam com esses encontros sem compromissos? Por favor, respondam! O futuro da fic depende disso!
Bom, acho que é isso. Talvez, agora que minhas aulas voltaram, eu acabe postando menos, mas prometo que não vou abandonar a fic! *-*
Ah, e para quem gosta de Graytear, eu escrevi um one shot que seria mais como um spin off dessa fic, já que tem algumas referencias ao Laxus. O nome é Following You Home, se vocês quiserem conferir. ^^
Beijos;
Wine ;*
PS -- não se preocupem... A Ultear vai deixar bem claro para a Erza parar de fofocar historinhas para o namorado (ou quase namorado) dela. Só não sei se é uma boa ideia comprar briga com a Erza Scarlet...
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