When It Rains - SasuSaku
1 Capítulo 1: Capítulo Único
Ela nem mesmo percebeu o quão escuro o céu estava. Caminhava sem pressa com algumas sacolas em ambas em mãos. Havia passado no supermercado a pedido de seus pais que planejavam fazer um almoço para a família naquele final de semana. Ela se lembrava de a mãe dizer para ser rápida, pois logo iria chover. No entanto, a Haruno decidiu não dar atenção ao céu. Enquanto fazia o caminho de volta, seus pensamentos voaram para um certo moreno de orbes escuros e cabelo da mesma cor. Desde que Uchiha Sasuke decidira partir de Konoha para perseguir seu desejo de vingança, era como se a vida tivesse ganhado tons de cinza e preto. Ao parar um pouco para descansar as mãos do peso das sacolas, reparou em volta. Ao ver o banco de concreto, seus olhos esmeraldinos marejaram.
O Uchiha a havia deixado inconsciente ali.
Ela seguiu os seus instintos naquela fatídica noite. Era como se pudesse ler a mente do Uchiha e ter ciência de seus passos. Naquela noite, tentou impedi-lo de partir. Usou todos os argumentos de que poderia dispor: poderia fazê-lo feliz e, ao menos, tentar curar todas as feridas que ainda estavam abertas. Principalmente as feridas em sua alma incrustada pelo ódio e pela sede incansável de vingança. Em respostas as suas tentativas, ele a agradeceu. Sasuke estava com o corpo tão próximo às suas costas que podia sentir o hálito dele tocar seu ouvido. A voz grossa do Uchiha eriçou os pelos de sua nuca, lhe fazendo sentir uma corrente elétrica por todo o corpo. Sua respiração estava pesada e sua atitude foi esperar pelo próximo movimento de Sasuke.
Ele a golpeou, deixando o corpo inerte da Haruno sobre o banco. Não demorou para correr por Konoha a notícia que Sasuke havia partido. Quando sentiu algo molhar seu ombro, a Haruno voltou ao presente. Olhou para cima. Os primeiros pingos anunciavam a tempestade. Pegou as sacolas que havia deixado no chão de qualquer jeito, andando a passos rápidos para a casa dos pais. Ela precisava se proteger da chuva, afinal, a última coisa que queria era ficar doente. Quando pegou a chave no bolso dos shorts, observou que sua corrida não a havia poupado de estar ensopada. Após abrir a porta, chamou pela mãe.
— Mãe! Poderia pegar uma toalha para mim?! – gritou ainda na soleira da porta, deixando as sacolas no tapete de entrada da casa.
— Só um minuto, querida! – ouviu a mãe em reposta.
Os passos da Haruno mais velha fizeram o caminho até o armário onde estavam guardadas as toalhas e roupas de cama. Após pegar uma toalha, encaminhou-se para a sala. Levou as mãos à boca, preocupada com Sakura. A chuva não havia mesmo poupado ninguém. Jogou a toalha para Sakura, que a pegou no ar. Começou a se secar, enquanto a mãe pegava as sacolas no chão.
— Vá um banho, filha. – pediu. – Antes que pegue um resfriado.
Sakura assentiu.
— Só irei me secar mais um pouco.
Um pouco mais aliviada, a mãe da Sakura deu às costas a filha, indo até a cozinha com as compras nas mãos. Sakura secou a face com delicadeza, passando em seguida para os braços, pernas e cabelo. Antes de entrar em casa, retirou as sandálias. Após se certificar que a porta estava trancada, foi até o banheiro. Após fechar a porta, retirou as roupas molhadas e a lingerie, deixando-as em cima da tampa do vaso sanitário. Virou o registro do chuveiro e esperou por alguns minutos até a água estar quente. Feito isso, entrou devagar no box, fechando as portas. Deixou que a água quente percorresse cada centímetro de sua pele. Já não era mais uma menina. Devagar ela aprendeu a reconhecer as mudanças pelas quais seu corpo estava passando. Os seios haviam aumentado, a barriga, as pernas e bunda estavam mais definidos devido aos treinos. Não se sentia mais uma estranha e aceitava o novo corpo como seu.
Enquanto lavava os fios róseos, um pensamento lhe ocorreu. Ele me acharia bonita? Ele iria querer voltar no tempo? Havia tantas dúvidas e poucas respostas, afinal Sasuke não estava mais fisicamente a seu alcance. Mesmo com essa barreira os separando, Sakura o sentia perto de si. Seu coração não o esqueceu, apesar de tantos anos. Era como se ainda pudesse decifrar os orbes negros do Uchiha. Escutou uma batida forte na porta do banheiro, a retirando de seus devaneios. O pai pedia que Sakura acabasse logo o banho, já vinte minutos que ela estava debaixo do chuveiro. Atendendo ao pedido do pai, Sakura terminou logo seu banho, fechando registro. Foi quando se lembrou que nem ao menos tinha pegado uma toalha para si. Agradeceu mentalmente quando viu sua toalha no porta-toalhas. Abriu o box de uma vez, o vento frio atingindo seu corpo ainda quente. Imediatamente, cobriu-se com a toalha.
~*~
Devidamente vestida e com a toalha envolvendo os fios róseos, Sakura voltou ao banheiro para que pudesse levar as roupas molhadas para a secar. Uma vez que as roupas e a toalha estavam estendidas, Sakura voltou a seu quarto. Aproximou-se da janela ainda fechava, vendo os grossos pingos da chuva baterem contra o vidro.
Aquela chuva não parecia que iria parar tão cedo. Por um momento, imaginou como Sasuke estaria. Ele está em local seguro se protegendo da chuva? Sabia ser inútil fazer tais perguntas, já que não teria respostas. Tinha consciência de que era idiotice continuar se preocupando com o Uchiha. Se ele tomara a decisão de partir, que arcasse com as consequências de seu ato. Contudo, Sakura não conseguia ver as coisas dessa forma. Sabia que o amor por Sasuke tinha algo a ver isso, mas não obtinha êxito em esquecê-lo. Seu coração ainda ansiava pelo dia em que o veria novamente. Por muitas vezes, imaginou esse reencontro. Suas pernas falhariam, assim como sua voz? Talvez a resposta fosse sim. Era engraçado como Sasuke a perseguia como uma sombra. Ela o via em seus sonhos de maneira bem real. Era quase como se pudesse sentir o gosto dos lábios dele nos seus ou suas mãos descobrindo cada pedacinho de seu corpo.
Sakura sentia as bochechas esquentarem – e não apenas essa parte. Seu corpo inteiro se esquentava. Em seus sonhos, ela se recordava de suspirar entre os beijos ou de gemer baixinho enquanto Sasuke beijava e explorava seu corpo. Havia urgência, um desejo reprimido como um animal enjaulado sendo finalmente liberto. Só que havia uma certa dose de carinho e cuidado. O oposto do que a Haruno queria de Sasuke. Ela queria senti-lo por completo, sem máscaras ou reservas. Ela não queria Sasuke a torturasse devagar com seus toques, a saudade que tinha do Uchiha chegava a doer. Era simplesmente insano. E Sakura adorava cada instante, jamais querendo acordar. No entanto, os dias pareciam ter pressa e faziam a Haruno voltar ao mundo real.
~*~
Espero que esteja bem, Sakura.
Era esse o desejo do Uchiha antes de dormir. Ele ainda recordava o dia em que havia deixado Konoha. E além seu de irmão de alma, ele havia abandonado uma das poucas pessoas que o amavam de verdade. Sakura parecia ter uma bola de cristal, pois na noite em que decidiu partir, a Haruno veio estragar seus planos. Precisava admitir – nem que fosse para si mesmo – que as promessas da Haruno o haviam tentado a ficar. Ela poderia acabar com escuridão que o consumia por completo. Trazer felicidade para uma vida tão solitária. Todavia a sua felicidade não poderia substituir sua paz. Ele jamais poderia ser feliz se não acabasse com Uchiha Itachi, seu irmão. Itachi havia matado não apenas sua família, mas todo clã Uchiha. O irmão mais velho lhe deixou a deriva naquele mundo ainda cheio de perigos para uma criança. Ele não poderia perdoar isso. Simplesmente estava além da sua capacidade.
Mas ele sentia falta da Haruno.
Sentia falta dos planos que deixou de fazer, das memórias que não pode construir.
Julgava-se um idiota por ter perdido tantas oportunidades, mas ele precisava cumprir sua promessa. Fazer valer o seu propósito de toda uma vida. Ele esperava que Sakura não o tivesse esquecido, pois ele ainda a tinha suas memórias. Como o dia em que Sakura fez o pode para os proteger quando Orochimaru o mordeu, lhe dando o selo. Daquele dia em diante, ele não tinha mais a sua frente a garotinha que chorava e se descabelava quando algo acontecia com ele. Aquela experiência havia mudado a ambos. Ele tinha o poder que precisava em suas mãos e Sakura havia amadurecido. Ele podia dizer que se orgulhou da Haruno naqueles breves instantes. Observou que seus companheiros se remexiam em suas camas improvisadas. De todos eles, rezou para que Karin não acordasse.
A ruiva era simplesmente irritante. Algo que Sasuke não conseguia suportar. Lembrava a Sasuke uma Sakura de anos atrás, quando iniciaram seus treinos. Ele se lembrava que Sakura – mesmo que pré-adolescente – costumava ser bonita. Imaginou como a Haruno estaria agora. Ainda estaria com o cabelo róseo curto? Ou havia deixado crescer um pouco? Ele se lembrava que na época Sakura mantinha o cabelo grande pois soube que ele gostava. Na realidade, isso não era algo em que Sasuke realmente reparasse. Ele não havia aberto seu coração para o amor, portanto, cabelos grandes ou curtos não o interessavam. O que interessava era apenas treinar e se tornar mais forte. Outra dúvida o atingiu. Eles se veriam novamente? O que falaria quando estivessem frente a frente? Sasuke se viu ansioso ante a essa possibilidade.
Ele não sabia ao certo o que sentia por Sakura, mas sabia que não era apenas saudade. Era algo bem maior do que isso. Poderia ser amor, talvez. O que ele queria era poder voltar no tempo e ser salvo por ela. Não sabia se ainda teriam tempo de compartilhar uma história juntos, mas começaria a criar a história deles por meio de sua imaginação. A chuva ainda não havia cessado e a noite já havia caído. Ele e seu grupo haviam conseguido se proteger em uma caverna, de forma que não acabariam encharcados. — Acho que amo você, Haruno Sakura. Ele conseguia dizer isso baixo, para que seu segredo não fosse ouvido por mais ninguém. Algo dentro de si o instigava a acreditar que, de certa forma, Sakura havia conseguido salvar uma parte de sua alma. No entanto, uma parte jamais seria suficiente.
Ele queria ser salvo por completo. Enquanto esse dia não chegasse, ele e a carregaria em seus olhos. Sabia que não poderia esquecer a Haruno. Ela veio como um anjo para tirá-lo de toda uma vida de privações e sofrimentos. Ele ainda faria valer a pena toda a dor que causou a ela. Ainda seria dela, como sempre deveria ter sido.
“And oh, oh, how could you do it?
Oh I, I never saw it coming
Oh, oh, I need an ending
So why can't you stay just long enough to explain?”
Paramone – When It Rains
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