When Darkness Forgiven Me - FABERRY
10 You'll Be In My Heart
Notas iniciais
Agradeço a todos que leram e me acompanharam até aqui, espero que tenham gostado de ler tanto quanto gostei de escrever.
VÃO BUSCAR SEUS LENCINHOS!!
Depois de três anos, eu e Rachel ainda estamos juntas e mais firmes do que nunca. Ainda sonho com o dia que ela dirá que me ama pela primeira vez, mas meio que aceitei o fato de que nunca vai acontecer. Não é que não me importo mais, mas estou simplesmente acostumada. Um dia ela chegou em casa da faculdade e começou a falar sobre como uma dia ela queria ter uma filha comigo. Ela disse que achava que eu seria uma ótima mãe e que seríamos uma linda família só de garotas, porque garotos fazem muita bagunça. E se ela gosta de mim o suficiente para estar morando comigo por quase dois anos, para pensar em ter uma família comigo, acho que amor de verdade talvez não seja tão necessário.
Assim que nos formamos na escola, compramos um apartamento juntas e viemos para cá. Na primeira noite, inauguramos nossa nova cama da melhor forma possível, e isso é algo que nunca vou esquecer. Hoje, já não tenho mais cabelos cor de rosa, e voltei usar vestidos e sapatilhas. Rachel trocou as saias curtas por saias um pouco menos curtas e as meias três quartos por meias-calças.
Como estudo drama na universidade de Yale (que fica à poucas horas de Nova York, raramente tenho que cantar, mas essa é uma ocasião especial. Vou audicionar para o musical de outono de Yale. Estou, agora, escolhendo a música perfeita para minha audição numa das maiores lojas de música de Nova York, pela qual Rachel me carrega para todo lugar dizendo sempre a mesma coisa “Você tem que cantar essa aqui!”, mas acaba que “essa aqui” nunca é boa o suficiente.
Depois de duas horas ela decide que devemos analisar as opções que vimos hoje em casa, e amanhã voltamos para escolher a música perfeita. Saimos da loja e o céu já está escuro e chuviscando. Rachel não para de falar sobre como vou ser perfeita (em suas palavras) e atravessa a rua sem ver que um carro vinha à toda velocidade.
- Rachel! – Berro e a buzina do carro soa.
Meu coração acelera como nunca antes. O que acontece se Rachel for atropelada. Ouço seu grito. Não é um grito de dor, apenas de medo, susto. Tento entender o que está acontecendo, mas está tudo preto.
.:|:.
Não sei onde estou. Não ouço ou vejo nada. O cheiro de desinfetantes invade meu sistema. Estou com frio. E praticamente nua. Começo a ouvir som de máquinas. Todas as sensações são familiares, mas meu cérebro não consegue coloca-las juntas de uma forma que façam sentido. Num hospital. Estou num quarto de Hospital. Começo então a ouvir vozes. Todas conhecidas, mas ainda assim não são as vozes que quero ouvir. Rachel. Quero ouvir a voz da Rachel.
As vozes ficam mais altas e consigo identifica-las. São da minha mãe e dos pais da Rachel. Me esforço para abrir os olhos, mas meu cérebro não envia os comandos. Ouço por mais um tempo. Eles estão falando baixo e liberando pequenos soluços entre as frases. Algo ruim aconteceu. Rachel!
- Rachel. – Falo com toda minha força, que por não ser muita, acaba saindo bem baixo. – Rachel. – Repito um pouco mais alto e todas as outras vozes param. Os soluços aumentam.
O que será que aconteceu com Rachel? E o que aconteceu comigo? Não me lembro de nada além de escolher uma música para minha audição na loja. Não me lembro de ter saído de lá. Calma. Lembro sim. O céu estava escuro e a chuva bem fraca. Rachel não parava de falar sobre como ia arrasar na minha audição. Depois... Depois... Rachel! Rachel foi atropelada! Ah, meu Deus! Será que ela está bem? E se ela foi atropelada... Por que eu estou no hospital? Será que desmaiei?
- Rachel. – Falo novamente.
- Mamãe tá aqui, Quinney.
- Quero a Rachel. – Falo com toda a raiva que tem dentro de mim, mas estou tão fraca que as palavras saem mais como uma súplica. Finalmente, com muito esforço, abro os olhos. – Cadê a Rachel?
- Querida... Nós sentimos muito! – Disse LeRoy aos prantos.-
- Ela foi atropelada? Ela está bem? – Pergunto e ele faz que não com a cabeça. – Ela não está bem?
- Ela não foi atropelada... – Corrigiu Hiram.
- Eu não entendo... — Confessei. – Então ela está bem?
- Mas você... Você desmaiou... – Ele continua sem responder minha pergunta.
- Isso eu percebi! Eu quero saber o que aconteceu com ela! Ao meu respeito eu já sei! – Gritei irritada com lágrimas escorrendo pelo meu rosto. Nesse segundo as máquinas começaram a apitar mais rápido.
- Shhh... Quinney, você tem que ficar calma... — Disse minha mãe.
- Só me contem o que aconteceu, por favor. Me contem onde ela está... – Eu implorei no meio de soluços desesperados.
- Tudo bem... – Disse Hiram, que era o mais controlado, apesar de mostrar em seus olhos pura tristeza. – Eu conto... O carro que ia atropelar Rachel, conseguiu frear a tempo. Mas você desmaiou. Ela logo chamou a ambulância, e quando você chegou aqui, os médicos falaram que você teve uma arritmia muito séria e que precisaria de um transplante urgente. Porém não havia nenhum doador compatível, mas Rachel... Rachel era compatível...
- Não. Ela não-por favor, diz que não foi ela que doou o coração, por favor!- Eu disse caindo em um choro tão profundo que os soluços saiam do fundo do meu pulmão quase me impedindo de respirar.
- Quinn...
- Como podem ter deixado ela fazer isso? Ela é a filha de vocês! Ela é tudo de mais perfeito que um dia vocês poderiam ter em suas vidas! Por que deixaram? – Gritei desesperada e as máquinas voltaram a apitar mais rápido.
- Quinn! Nós não deixamos! – Disse LeRoy, parecendo ofendido.
- Não deixaram? Então não foi ela que-
- Sim. Quando falamos pra ela que não iriamos deixar ela fazer uma loucura dessas... Ela saiu correndo e sumiu. Duas horas depois a encontram debaixo de um viaduto. Morta. – Hiram tinha seu rosto coberto em lágrimas. – Ela tirou sua própria vida para salvar a sua... Ela te amava muito. E... isso – ele me entregou um papel – estava no bolso dela. Creio que é pra você.
Pego o papel nas mãos e o desdobro. De dentro dele cai uma pequena corrente dourada. A pulseira. A pulseira que dei para ela três anos atrás. Enquanto ainda éramos duas adolescentes no ensino médio morando numa cidade insignificante. Olho novamente para o papel. É uma carta. Mal consigo ler através das lágrimas, mas me esforço.
"Querida Quinn,
Um dia me disseste que você sabe que ama alguém quando daria sua própria vida para salvar a do amado. E você não tem ideia de quantas vezes quis dizer “eu te amo”, mas fiquei com medo de que quando a hora chegasse, fosse muito covarde para cumprir minha promessa. Hoje percebi que nós duas estávamos erradas. Você sabe que ama uma pessoa quando não consegue imaginar sua vida sem ela, e por isso, daria sua vida para salvar a dela, pois de nada essa valeria se sua amada não estivesse ao seu lado. E por esse motivo não há coragem ou covardia. Você faz porque há de ser feito. Você faz não por coragem, mas por amor. Sabemos que aprendemos algo novo, quando reconhecemos que erramos. Eu errei Quinn. Eu deveria ter te falado o quanto te amo desde a primeira vez que tive vontade. Agora é tarde. Mas não importa. “Antes tarde do que nunca”, eles dizem. Então aqui vamos nós: eu te amo. Eu te amo e sempre te amarei com todo meu coração. Desse modo, você sabe que vou te amar até seu último suspiro. Sei que será difícil viver sem mim no começo. Mas não desista, Quinn. Você ainda tem tanto pela frente. Você ainda vai se formar em Yale, e um dia será uma atriz famosíssima. E aí, você vai saber que estou inteira e completamente orgulhosa de você, mesmo que não consigas me ver. Por favor, Quinn, lembre-se de que sempre vale a pena viver mais um pouco. Imagina se você tivesse morrido aquele dia na praia? Nós nunca teríamos nos conhecido, namorado, feito amor. Quinn, você ainda tem um longo caminho de sonhos pela frente. Não desista. Siga em frente e lembre-se sempre que em todos os momentos, estarei com você, em seu coração.
Com amor,
Rachel."
Depois de ler e reler a carta algumas vezes ainda não consigo falar nada. As lágrimas que escorrem pelo meu rosto estão diminuindo gradualmente, mas não por que estou mais feliz, ou porque aceitei o fato de que o amor de minha vida, meu tudo, já não é mais. Mas sim, porque não restam mais lágrimas dentro de mim. Olho, então, para a pulseira. “Eu te amo”. Essas malditas palavras que sempre me fizeram falta, hoje me perseguem como uma praga. De repente não quero mais ser amada. Não espero isso de mais ninguém. Só quero que meu amor esteja ao meu lado.
Fale com o autor