What's Your Number?
1 What's Your Number? - PARTE 1
Notas iniciais
I
A judia abriu as pálpebras com certa dificuldade devido à claridade que atravessava a janela e insistia em bater diretamente sobre seu rosto. Levantou-se sorrateiramente da cama tentando não acordar a garota que dormia ao seu lado e caminhou até o banheiro. Depois de se olhar no espelho, escovou os longos fios negros de seus cabelos, passou um pouco de rímel para realçar os cílios e lavou a boca com enxaguante bucal sem álcool sabor cereja. Sorriu para seu reflexo e voltou até o quarto a passos lentos. Deitou-se novamente e se cobriu, fechou os olhos e fingiu ainda dormir.
Não demorou muito para que a morena sentisse a ruiva despertar e se preparar para levantar. A baixinha esperou que a outra se mexesse um pouco mais para depois abrir os olhos lentamente e dar um falso bocejo antes de encarar a mulher sorrindo.
— Como você pode ser tão linda de manhã? — A ruiva perguntou perplexa com um sorriso galanteador no rosto.
— Eu sou? — Perguntou a morena com uma falsa modéstia retribuindo o sorriso. Nada melhor do que ter o ego elevado às sete e meia da manhã, ela concluiu.
— Já estou indo, gata. — Rachel observou a mulher juntar seus pertences depois de trocar de roupa e caminhar em direção a porta enquanto ela estava na cozinha.
— Espera, fiz um pouco de ovos com bacon pra você. — A baixinha entrou no capo de visão da ruiva segurando uma frigideira para comprovar o que dizia. Mesmo que aquilo fosse contra seus princípios vegan, Rachel sabia que agradaria sua companheira.
A ruiva deu meia volta, largando a bolsa e o casaco no chão da sala antes de sentar a mesa. Afinal, ninguém em perfeito juízo recusaria um café da manhã reforçado como aquele. A morena, que usava apenas uma camiseta larga da faculdade e calcinha, serviu o prato para a mulher antes de sentar em seu colo e depositar um beijo casto nos lábios avermelhados da outra.
— Então, eu estive pensando... Talvez, você gostaria de ir ao casamento da minha irmã?! Eu já me certifiquei de que o cardápio será bastante variado, apesar de eu achar isso uma atrocidade com os pobres animaizinhos, Santana não segue a dieta da nossa família. — Rachel despejou tudo sobre a outra sem uma pausa para respirar como lhe era de costume.
A mulher levantou os olhos de seu café da manhã para encarar a baixinha enquanto engolia com certa dificuldade o resto da comida. — Seus pais estarão lá?
— Se meus pais vão estar no casamento da minha irmã?! É, eu acho que podemos contar com isso. — A morena bem que tentou não soar sarcástica, mas não pôde evitar.
— É só que, sei lá, isso me parece meio sério Rach. — Resmungou a ruiva, tomando o resto do café e se levantando.
— Oh! — Foi tudo que Rachel conseguiu exclamar surpresa em resposta antes de acompanhar a mulher até a porta. — É que pareceu bastante sério pra mim ontem à noite enquanto você me comia por trás.
— Rachel, você sabe que eu não sou o tipo de mulher para se ter um relacionamento sério, não sabe? Mas sempre que você precisar de uma transa casual, é só me ligar e eu estarei aqui em um piscar de olhos por você, baby.
— Obrigado Kath, de verdade, isso é realmente muito prestativo da sua parte. — A baixinha cruzou os braços com um irônico sorriso brincando em seus lábios.
— É, pois é. Então, a gente se vê. — A ruiva se despediu com um selinho piscando sedutoramente antes de descer as escadas apressada.
— Só se for nos meus pesadelos, vadia. — A morena resmungou baixinho revirando os olhos.
No mesmo instante a porta do apartamento em frente se abriu, revelando uma loira monumental vestida apenas com um robe vermelho de seda. As duas se encararam por um momento.
— Bom dia, vizinha. — A loira cumprimentou com um sorriso antes de se abaixar e pegar o jornal. Rachel engoliu em seco ao visualizar a curva do seio desnudo da outra.
“Quinn, volta logo pra cama!” Uma voz irritante ecoou de dentro do apartamento fazendo um sorrisinho cafajeste surgir no rosto da loira.
— Bom dia, vizinha. — Rachel respondeu a contra gosto e com muito menos entusiasmo, mais por educação do que por vontade. A loira sorriu mais uma vez antes de entrar e Rachel fez o mesmo, batendo a porta em seguida.
[...]
A morena desceu na estação de costume enquanto falava com Santana ao telefone e desviava das pessoas pelo caminho. Um grande copo de café estava preso em sua mão direita enquanto a esquerda se encarregava de segurar o aparelho celular e a bolsa. “Ela é uma vadia, eu te disse isso no dia em que você nos apresentou.”
— Eu não sei onde estava com a cabeça quando aceitei dormir com alguém que acha que o aquecimento global é culpa das chaminés, e olha que foi por mais de dois meses.
“Pra ser sincera, eu sempre soube do segredinho sujo dela.”
— Que segredinho S? — Quis saber a morena mais nova curiosa.
“Ah, por favor. Você era quem estava trepando com ela, vai me dizer que nunca desconfiou do cheiro forte de coloração? Aquela ruiva é tão loira quanto nós somos metade latinas e metade judias.” Rachel não conseguiu não gargalhar diante do comentário sem nexo da irmã. “Além do mais, eu não confio em alguém que gosta do estilo cachorrinho.”
— Por que? Tem gente que aprecia muito essa posição, sabia?
“Não Rachel, até os cachorros não vêem a hora de acabar.”
A morena suspirou um sorriso triste. — Com quantas idiotas eu vou precisar sair até encontrar a pessoa certa?
“Com várias. Mas não se preocupe, sempre estarei por perto para acertar alguns chutes bem dados nos traseiros dessas vadias.”
— Eu sei S, é por isso que eu te amo.
“Eu também te amo nanica, mas preciso desligar agora e alimentar o Sr. Coelho da Páscoa ou ele vai destruir meus tímpanos com esses miados agudos e extremamente perturbadores... Isso até me faz lembrar você no High School, enfim, nos vemos na sexta?”
— Claro, a menos que eu me mate até lá. — A baixinha desligou o telefone após se despedir da irmã, guardando o aparelho dentro da bolsa. Encarou a fachada do prédio de contabilidade no qual trabalhava e respirou fundo antes de caminhar para mais um dia infernal.
[...]
— E então? — Questionou a morena ao depositar suas coisas na mesa, encarando os colegas de trabalho que fofocavam como sempre.
— Parece que ela não ganha uma boa noite de sexo há anos. — Comentou perversamente o moreno baixinho com trejeitos femininos olhando em direção à sala da chefia.
— Que maldade, Hummel. — Rachel rebateu rindo.
— Eu bem que poderia dar um jeito nela. — Gabou-se o moreno alto e forte que atendia pelo nome de Noah Puckerman e tinha fama de pegador.
— Ninguém aqui duvida da capacidade do Pucksaurus. — A judia respondeu revirando os olhos, fazendo todos gargalharem.
— Berry. — A conversa foi interrompida pelo grito de Cassandra July. — Venha até aqui, por favor.
Rachel caminhou até a sala da mulher e sentou-se na poltrona de frente para a mesa da loira imponente que terminava de falar ao telefone.
— E então? — A morena repetiu a pergunta que fez aos demais logo que chegou depois de alguns segundos em silêncio onde elas apenas se encararam.
— Rachel, serei bem direta com você. Estamos tendo problemas com as finanças e precisaremos fazer alguns cortes emergenciais.
— E isso quer dizer que? — A baixinha tinha uma leve ideia do que estava por vim, mas não custava nada perguntar.
— Sinto muito, muito mesmo Rachel, mas você está demitida.
— Certo. — Ela respirou fundo e processou a informação por poucos segundos. — Eu e quem mais?
A loira remexeu em alguns papeis distraidamente antes de encarar a morena de forma culpada e responder. — No momento, só você.
[...]
Rachel entrou no vagão do metrô pedindo desculpas pelo esbarrão que havia dado no senhor à sua esquerda, tudo por culpa da enorme caixa de papelão com seus pertences que bloqueava boa parte de sua visão. Por sorte, um lugar vazio milagrosamente aguardava por ela. Descontente com o rumo que sua vida estava tomando a baixinha bufou antes de pegar uma revista qualquer de dentro da caixa e começar a foliá-la.
Era uma daquelas revistas femininas repletas de testes e matérias sobre os mais diversos assuntos, que no final das contas não serviam para nada. Rachel ignorou as matérias que falavam sobre dietas malucas, relacionamentos sérios e como se comportar no ambiente de trabalho. Não era como se ela fosse precisar de ajuda em nenhum dos três tópicos.
Estava prestes a jogar a revista de volta na caixa quando algo lhe chamou atenção. Um artigo intitulado “Qual é o seu número?” que falava sobre a média nacional de amantes que as mulheres têm durante a vida.
— Dez e meio? — Rachel percebeu que sua fala havia saído mais alta do que ela planejava quando todos os olhares se fixaram nela. — Isso é...
— Um número bastante alto, você não acha? — Comentou uma velinha enxerida que bisbilhotava o conteúdo da revista por cima de seus ombros. Rachel corou envergonhada, se seus cálculos estivessem certos ela já havia passado daquela média há algum, muito, tempo.
Depois de ler toda a matéria, a baixinha pescou sua pequena agenda e uma caneta de dentro da caixa e começou a revirar em sua memória os nomes de todas as garotas com quem já havia se relacionado.
Assim que chegou em casa largou tudo, exceto a agenda e a caneta, na mesinha de centro e foi correndo tomar um banho de banheira para relaxar.
— Como era mesmo o nome daquela loira? — Murmurou a morena sozinha enquanto despejava os sais de banho na água quente e forçava sua mente a recordar o passado. — Kitty... Williams? Não... Walter? Não... Wilde? Sim! Kitty Wilde. — Ela praticamente gritou depois de um tempo dentro da banheira, arrancando os fones de ouvido com um sorriso de mil watts para adicionar mais um nome à lista que parecia estar muito longe de ser finalizada.
Notas finais
OBS: Salve os unicórnios comentando e seja abençoada com sua mágica gay! -meignorem.
Beijinhos de luz e até o próximo! :)
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