Whats App Illusion - Primeira Temporada
4 You Cannot Die
Eu: Como adsim?
Yoonie: Não estou te vendo...
Eu: você ta aqui??
Yoonie: sim
Yoonie: e não estou te vendo
Yoonie: que brincadeira é essa?
Eu: ...
Yoonie: Jimin
Yoonie: fala a verdade, por favor, vim de casa até aqui por causa de vcê
Yoonie: achei que vcê estivesse aqui, mas não estava
Yoonie: me diz onde vcê realmente ta
Eu: eu to aqui
Eu: na sala da minha casa
Eu: não tp mentindo
Yoonie: não brinca comigo
Yoonie: por favor.
Yoonie: tua vida depende disso
Eu: mas eu to aqui
Yoonie: então por que não to te vendo?!
Eu: eu nau sie
Yoonie: como assim?
Yoonie: não pode ser...
Yoonie: onde vcê realmente está?
Yoonie: Jimin?
Yoonie: Jimin, por que vcê não responde??
Yoonie: JIMIN
Meus olhos começaram a se fechar. Só deu tempo de ouvir uma porta sendo aberta com brutalidade e assim que vi uma silhueta vindo na minha direção, apaguei a conversa de Yoongi dali e larguei o celular no bolso chaveado. Ouvi meu nome ser gritado por uma voz grave e após isso não vi mais nada além da escuridão.
—--
Acordo aos poucos, abrindo os olhos com muita dificuldade. De primeira enxergo um teto branco azulado. Pisco diversas vezes me acostumando com o brilho da luz presa logo acima de mim, pressiono os mesmos com força e por fim os abro, sentindo menos desconforto agora que os acostumei com a claridade do local. Solto um gemido baixo e sinto um peso sobre meu braço direito. Olho de lado para ver o que era.
Taehyung se encontrava agarrado ao meu braço direito, a cabeleira castanha fazendo certa cócega na minha pele com o balançar leve da respiração. O rosto um tanto inchado entregava que chorara um dia e noite seguidos sem parar, ou até mais. Um pouco mais atrás dele, em uma poltrona verde piscina, estava Jungkook. Com uma sacola grande cheia de lanches saudáveis dentro, como bolachas de água e sal, suco e bolacha Maria. Ele dormia com a cabeça de lado encostada na parede branca azulada logo atrás de si. A expressão era a de uma pessoa cansada e entristecida.
Franzo o cenho tentando entender como fui parar naquele quarto de hospital. Percebo que estou em uma cama do estabelecimento, um lençol um tanto grosso e da mesma cor que a poltrona de Jungkook me cobre até o peito. Tento mexer meu braço esquerdo para me espreguiçar por conta do incomodo nas costas em estar recostado no travesseiro macio, mas engulo um gemido alto ao sentir uma pontada no mesmo. Olho para o mesmo com cuidado. O mesmo está enfaixado por completo e pendido sobre a cama ao meu lado esquerdo. Pisco tentando lembrar o que aconteceu. Alguns flashes me atingem aos poucos sem tanta força, mas fazendo com que os momentos voltassem a minha memória.
Discuti com Yoongi; Yoongi morreu; alguns dias depois recebi respostas dele pelas mensagens do Whats App; decidi não falar mais com ele; no dia do seu aniversário eu estava mal; eu cravei uma gilete usada no meu braço esquerdo; respondi a ele; ele me provou ser ele mesmo com mídias atuais; perdi sangue; passei mal; Yoongi disse estar na sala, mas não me via; não entendi como isso poderia acontecer; me senti pior e não tive muito tempo para pensar nisso; ouvi a porta abrir; não senti mais nada depois de ouvir alguém gritar meu nome; acordei aqui, no hospital.
Sinto meu peito acelerar. Engulo em seco e olho para Taehyung agarrado ao meu braço. Fico trocando olhares entre ele e Jungkook várias vezes e pensando no que eu havia feito, que babaca. Eu os preocupei mais uma vez... Sinto uma coceira na garganta. Agora não, por favor. Tento segurar, mas a tosse acaba saindo. Acordando os dois, que antes dormiam, no mesmo instante. Engulo em seco.
Jungkook geme abaixando a cabeça, antes atirada para trás fazendo uma careta de dor e Taehyung abre os olhos dando um pequeno pulo de onde estava. Ele os fecha mais uma vez, mas então os abre arregalando-os, levantando a cabeça e olhando para mim com uma expressão indescritível de boca aberta. Eu até teria rido, se não fosse o abraço apertado que ele me deu, sufocando qualquer risada que quisesse sair dos meus lábios.
— HYUNG! – ele deu um berro na minha orelha.
Olho para o lugar onde Jungkook estava e o mesmo estava mais ou menos com a mesma expressão, apenas um pouco mais suavizada. Dou um sorrisinho fraco para ele e o mesmo retribui da mesma forma. Taehyung começou a chorar na minha orelha.
— Ai, meu Deus! Você acordou! Você acordou! Ai, meu Deus... Obrigado, meu Deus! – ele me apertou mais ainda.
— Amor, por favor, não faz isso. – Jungkook largou a sacola na poltrona e veio na nossa direção, provavelmente ao ver a minha cara de vítima quase morta ao ser esmagado daquele jeito. Ele pulou a cadeira de ferro que antes Taehyung ocupava e o segurou por trás puxando para longe de mim. – Pode acabar machucando ele.
— Ele já está machucado! – Taehyung reclamou.
Jungkook riu.
— Por isso mesmo. – respondeu dando um beijo na bochecha do mesmo. Ele então se virou para mim. – Como está, Jimin?
— Bem, eu acho.
— Que bom... – Jeon ia dizer alguma coisa até ser cortado por Taehyung que apontou na minha cara furioso. Só não avançou para cima de mim por que o marido o segurou.
— Bem o cacete do nosso pai!
— Taehyung! Olha o respeito com o Appa! – reclamei.
— Você quer que eu tenha respeito? E você? Que tentou se matar! O que acha que ele sentiu lá em cima ao ver isso?!
— Eu não tentei me matar... – sussurro segurando uma lágrima.
— Ah, é? Então o que eu vi, você jogado no chão da sala com uma gilete ensangüentada na mão e um corte enorme pelo braço esquerdo era uma mentira?! – abaixei a cabeça tal como ele baixou o tom de voz. – Você disse que não ia mais fazer isso! Eu confiei em você! Afinal quem de nós é o mais velho, você ou eu?
— E-eu... – murmuro. – Me desculpa. Eu devia ter sido mais responsável, não pensei em você e nem nos meninos... – a lágrima que antes eu segurava escorreu para fora.
Se eu insistisse que não fiz com intenção alguma, apenas no meu inconsciente, poderia ser pior. Eu jamais poderia ficar sozinho outra vez, nem ao menos para ir ao banheiro... ele poderia ficar do lado de fora da porta, ou no Box, batendo na madeira ou no vidro e perguntando se já havia terminado o que fui fazer. Acredite, conheço meu irmão.
— Tae, acho que você já está exagerando. – Jungkook sussurrou para Taehyung.
O mesmo suspirou e logo após senti seus braços me rodearem em um abraço, seguido pelo de Jeon em volta de nós dois. Funguei e comecei a chorar mais ainda. Os abracei de volta. Taehyung depositou um beijo na minha testa.
— Eu me preocupo com você, Jimin, nós nos preocupamos. Você sabe disso. – chorei mais ainda.
Sempre tive a idéia que Taehyung devia ser meu irmão mais velho e não mais novo. Acho que nascemos ao contrário. Ele sempre fora o mais cuidadoso. Sempre zelando por mim e preocupado com minhas ações impensadas. Agora, eu. Ah, eu sempre fui um moleque indefeso. Um moleque que provocava briga com os meninos mais velhos no fundamental e depois saía correndo, quem tinha que me defender era ele. Um menino inconseqüente que dizia muitas vezes o que pensava no ato, sem imaginar o estrago ou a conseqüência que as palavras trariam. Assim como fazia as coisas sem pensar nas conseqüências. Sempre mais dependente e chorão. Como disse antes, o "cargo" de pilar da família foi por erro do destino consignado a mim e não a ele. Mas ele abusava desse cargo mesmo não o tendo nas mãos. Mesmo não sendo o mais velho, ele cuidava de mim como se eu fosse uma criança.
— Me desculpa. – murmuro me sentindo uma criança que fez arte e sente culpa pelo que fez. – Eu não vou fazer de novo...
— Eu sei que não. Por que a partir de agora, eu vou cuidar de você. – ele respondeu firme, mas soltando algumas lágrimas como eu, não tantas, mals algumas. – Sabe o que quero dizer com isso. Infelizmente vou ter que te levar pra nossa casa.
Suspirei. Eu já devia saber que isso iria acontecer.
— Tudo bem... – murmuro.
— Não fique bravo por causa disso, é só por um tempo. – Jeon explicou. – Acredite, eu ficaria do seu lado, mas dessa vez o caso já está muito avançado. Foram mais de cinco vezes, Jimin...
— Tudo bem. Tudo bem. Talvez eu fique melhor com vocês perto de mim. Só não quero incomodá-los. – explico, me forçando a aceitar a idéia de ir parar na casa deles.
— Você vai nos deixar bem mais tranqüilos se estiver lá. – Taehyung suspirou e se ergueu do abraço me lançando um sorriso e logo depois olhou para o outro ao meu lado. – Fica com ele enquanto falo com o doutor?
Jungkook assentiu e ele se aproximou dando um selinho nele e dando as costas, saindo pela porta do quarto.
—--
Depois de conversar um pouco com Jungkook e ele falar que entendia minha dor. Que ele também perdeu uma pessoa importante para ele, afinal Yoongi era o seu melhor amigo desde a escolinha de jardim. E que ele estaria ali para o que eu precisasse enquanto estivesse em sua casa, que eu podia confiar nele. Taehyung adentrou o quarto com o médico. O senhor de idade me analisou de cima a baixo, me examinou com poucos aparelhos e instrumentos utilizados por um clínico geral e disse a Taehyung que eu podia ter alta. Mas alguém deveria me observar. Ou seja "Kim Park Jimin agora deve ficar em observação de algum adulto responsável da família", era isso o que se lia no papel entregue ao meu irmão mais novo. Taehyung assinou o papel como meu responsável de observação e após isso fui liberado. Tinha alguns remédios para tomar, mas todos para a dor do braço. Não podia tirar aquela faixa de hospital dali de forma alguma, nem para tomar banho até que duas semanas se passassem e o corte houvesse cicatrizado o suficiente. Eu deveria ser mantido fora do alcance de qualquer objeto cortante, comprimidos (inclusive os que eu fosse tomar. Alguém teria que me dar e esconder depois), ou qualquer outro objeto que pudesse ser usado como arma para suicídio; além de ser observado 24 horas por dia por alguém, no caso meu irmão ou seu marido.
Saímos do hospital. Fomos até minha casa. Peguei o básico das minhas roupas, e em um momento em que o casal saiu para conversar algo na rua, estava mexendo nas mesmas, quando senti algo cair de uma carteira do bolso de um casaco meu. Franzi o cenho e me abaixei para pegar o que era. Mas ao ver o pequeno objeto, peguei-o na mão com os olhos arregalados.
Ninguém havia pego o shipp de Yoongi da minha gaveta. Pois ele estava ali. Na minha mão. Consigo lembrar que quando cheguei do enterro naquele dia, pus nessa carteira marrom para por na gaveta do armário, mas não cheguei a por, pois me pus a chorar na sala e acabei guardando-a no bolso do casaco e indo dormir direto. Sendo assim, por isso não consegui achar o shipp na gaveta.
Sento na beira da cama e procuro o celular, que Taehyung havia guardado na minha mochila, e tirado da sua ao chegar comigo em casa. Digito a senha e assim que abro já cai direto nas mensagens novas do mesmo. Abro e engulo em seco.
—-ontem--
Yoonie: Jimin por favor
Yoonie: eu quero crer que vcê ta bem e eu estou pensando besteiras
Yoonie: responde pra mim...
Yoonie: JIMIN
Yoonie: não faz isso
Yoonie: eu queria tanto estar te vendo
Yoonie: vcê diz estar na sala
Yoonie: mas eu não te vi
Yoonie: vcê foi pro hospital?
Yoonie: já liguei para todos
Yoonie: nenhum tem seu nome registrado
Yoonie: por favor me diz que esta bem
Yoonie: e se por um acaso aconteceu algo .. eu não sei o q fazer
—-hoje—
Yoonie: Jimin?
Yoonie: me diz que vcê só dormiu
Yoonie: me diz que vcê ta vivo...
Yoonie: você não pode ter morrido...
Yoonie: Jimin por favor...
Yoonie: Jimin
Yoonie: Kook
Yoonie: Taehyung
Yoonie: alguém
Yoonie: por favor me dê noticias do meu namorado...
Yoonie: por favor me digam que ele ta bem..
As mensagens mais uma vez estavam ali...
Ou seja, há só duas explicações para o que estava acontecendo... ou o outro lado existe e é bem diferente do que imaginamos que seja, ou... estou ficando louco...
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