Whatever
1 Capítulo Único: Tanto faz
Notas iniciais
Whatever
Ela definitivamente não queria estar ali. Aquela festa barulhenta, cheia de bebidas — que com certeza não deviam estar ali, já que eram de menor —, cheia de adolescentes bêbados que vomitavam no tapete ou se pegavam em algum lugar em público. Tudo ali era extremamente desconfortável.
Lucy Heartfilia não pertencia a esse lugar. Simples assim.
Como tinha ido parar ali mesmo? Ah! Cana! É mesmo. Ela disse que seria legal e não era novidade nenhuma, que a morena tinha mentido. Provavelmente tinha a arrastado até ali, porque queria beber de graça e ter uma desculpa para aparecer.
Suspirou fundo e procurou um lugar para se esconder daquela música alta e irritante. Não poderia ir embora, porque infelizmente, Cana era sua carona e jamais iria daquela distância a pé para casa. Grande porcaria.
Assim que chegou no pé da escada — com muita dificuldade por sinal, já que passar por uma pilha de adolescentes dançantes e bêbados, não é nada fácil — e estava pronta para subir, uma mão a segurou pelo braço e começou a puxá-la entre os jovens. Não demorou a perceber que era Cana e ela murmurou algo como:
“Vamos brincar de sete minutos no paraíso.”
Sem escapatória, deixou-se ser levada pela amiga até um cômodo, que estava muito mais calmo que a casa inteira. Ali, estavam quatro adolescentes, todos muitos atraentes. Um rapaz de cabelos negros, meio emo com olhos rubros, que não expressou nada quando a viu. Uma garota de cabelos longos, vermelhos e trançados que a olhava de uma forma assustadora — e na verdade, tinha a mera impressão que já tinha a visto em algum lugar. Uma garota com cabelos prateados e curtos, que parecia a mais amigável de todas as pessoas ali e um rapaz loiro, com olhos azuis escuros e um sorriso sarcástico estampado no rosto.
— Essa é a Lucy! — Cana apresentou-a, empurrando-a de leve para dentro do cômodo.
A loira levantou a mão para dar um “olá”, mas desistiu ao se sentir intimidada pelo olhar do rapaz loiro sobre si.
“Mais que diabos! Por que ele está me olhando dessa forma?”
— Prazer, Lucy, eu sou o Sting — o loiro tomou a palavra, apresentando-se devidamente e continuou, apresentando aos outros: — Esse é o Rogue, Flare e Yukino.
— Olá! — murmurou em um fio de voz, soltando um riso nervoso.
— Senta logo, Lucy! — a Alberona disse, fazendo-a sentar em um puff roxo e fazendo o mesmo em seguida. — Vamos começar!
— Vamos ser apenas práticos e fazer igual ao jogo da garrafa — Rogue disse com sua voz indiferente, parecendo entediado. Na verdade, nem parecia querer estar ali.
— Certo! Eu vou girar! — Dessa vez foi Flare, que pegou a garrafa de cerveja vazia ao seu lado e colocou em cima da pequena mesa de centro. — Vamos lá.
A loira queria apenas sair correndo. Como tinha se metido ali? Só queria ir embora, não queria participar daquele jogo infantil e estúpido. Amaldiçoaria Cana pela eternidade. Engoliu em seco, quando observou que a garrafa começou a perder velocidade e estava quase parando em si.
“Em mim não, em mim não.”
Mas para seu desespero, parou exatamente nela e na situação que mais temia. Teria que ficar presa com o tal de Sting. Passou a língua nos lábios para umedecê-los. Já podia sentir seu estômago revirar de nervosismo. Não teve coragem de erguer os olhos para encará-lo.
— É, loira. Parece que seremos nós dois. Por sete minutos.
— Boa sorte, Lucy! Sortuda você! — Cana murmurou, dando um tapa de leve em suas costas para tentar incentivá-la.
Ainda em silêncio, levantou do puff e andou na direção do closet escuro. Tudo que pensava, era que queria acabar com aquela palhaçada logo e ir para casa. Tinha esperanças que Sting não fosse tão pervertido como aparentava. Sete minutos com um pervertido não era para qualquer uma.
Quando entrou no lugar, percebeu que estava completamente vazio, provavelmente tinha sido preparado para aquela brincadeira. Sentou no chão com as pernas cruzadas e fechou os olhos para tentar se acalmar.
“Respira, respira. Vai dar tudo certo.”
— Não precisa ficar tão tensa, eu não vou te estuprar — zombou e fechou a porta do lugar, deixando-os praticamente na escuridão. Salvo pelas finas linhas de luz que escapavam pelas frestas do cômodo.
— Certo.
— Você vai se importar se eu te beijar? — perguntou, tentando parecer casual, mas ela sabia que aquilo tudo só se tratava de uma fachada, porque conseguia notar o tom sarcástico em sua voz.
— Essa brincadeira não implica da garota sofrer as consequências impostas pelo garoto sem nenhuma queixa? — pontuou, o que a fez parecer uma verdadeira nerd. Orgulhou-se de si mesma por não ter gaguejado. — Então... Tanto faz.
— Hum... Tanto faz?
— Sim.
Sting se aproximou dela, até devagar para quem estava super empolgado com a ideia de beijá-la. Percebeu que mesmo que a loira tivesse tentado manter o tom firme e indiferente, o seu corpo tremia levemente, denunciando seu nervosismo.
— Farei você mudar essas palavras para: Mais uma vez.
— Tanto faz — voltou a murmurar, tomando a consciência que tais palavras, machucavam o ego tããão masculino do rapaz.
— Sério, loira. Você está brincando com o cara errado.
— Tanto faz.
Ele soltou um grunhido irritado pela petulância da garota antes de avançar sobre ela, voraz. Lucy soltou um grito de surpresa, para depois soltar um riso descontraído, que inicialmente surpreendeu o rapaz, mas que logo o fez sorrir junto com ela. Aproveitou o momento e a beijou de leve nos lábios, pegando-a totalmente desprevenida.
Quando Sting se afastou, a Heartfilia soltou um barulho de surpresa e esperou que ele zombasse da sua reação, mas tudo que fez, foi soltar uma espécie de ronronado próximo ao seu ouvido, para depois sussurrar de mansinho:
— E agora?
Um arrepio percorreu toda sua espinha, admitia vergonhosamente, que aquela voz rouca tinha a excitado.
Jesus!
Com todas as suas forças e falta de vergonha na cara, um sorriso matreiro e ao mesmo tempo sapeca, soltou:
— Quantos minutos ainda restam?
— Quatro.
— Então... — Fez suspense, parando por alguns segundos antes de finalmente responder: — Tanto faz.
— Eu te beijarei até que você mude de resposta.
— Tanto faz!
Beijou-a uma vez, duas, três e só depois de quatro minutos inteiros, Sting Eucliffe finalmente notou, que aquele desdenhoso “tanto faz”, na verdade era um grande e prazeroso “sim”.
— Você é uma mulher maléfica, loira.
— Talvez.
— Todas as suas respostas são esquivas dessa forma?
— Provavelmente.
Ele grunhiu novamente, segurando-a pela nuca, mas não verdadeiramente irritado. Lucy Heartfilia o divertia como nenhuma outra garota o tinha feito e isso o atraía.
— Mas sabe de uma coisa?
— O que? — perguntou curiosa, os lábios a centímetros dos dele, a ponto de sentir o hálito fresco e quente.
— Tanto faz. — E a beijou mais uma vez, apenas para mostrar, que uma hora ou outra a faria mudar de ideia.
E bem no fundo, Lucy sabia que aquela brincadeira estúpida, não tanto fazia como tentara convencer a si mesma, mas ninguém precisava descobrir, certo?
Afinal...
Tanto faz.
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