What should i do?
8 Capítulo 8
Notas iniciais
Eren’ POV
O barulho do despertador me atingiu feito um tapa. Rapidamente, senti uma forte dor no estomago e na cabeça. Não queria levantar de jeito nenhum. Ontem, passei o dia inteiro estudando física com Levi e hoje não conseguia nem levantar.
Tentei lembrar-me de qual seria minha primeira aula, afundei meu rosto em meu travesseiro ao lembrar que era português. Era uma das poucas matérias que eu ia relativamente bem. Também era a favorita de Mikasa, nunca vou entender o porquê. Apesar de fácil, era muito cansativa.
Comecei a fechar os olhos novamente à medida que o sono retornava, não pude deixar de sentir um leve sentimento de culpa. Havia prometido a Armin que não mataria mais nenhuma aula. Procurei deixar isso de lado, e me cobri por completo. Meu despertador já estava jogado em um canto qualquer do quarto, graças a Deus, em selênico.
Finalmente estava em paz comigo mesmo, já começando a cochilar novamente, quando sem avisos, a porta se abriu bruscamente, me fazendo quase infartar de susto.
– Eren!! Acorda! — O infeliz veio em minha direção e puxou todas as minhas cobertas. Tinha que ser o Connie.
– O que foi? – Falei um pouco mais alto do que planejava.
– Você esta atrasado para a aula da Petra. – Ele me disse com um sorriso de orelha a orelha. Suspirei enquanto me levantava da cama, agora toda desarrumada. Todos os rapazes adoravam as aulas de português, quer dizer, não a matéria, mas a professora. Uma moça de cabelos curtos e ruivos, delicada e muito carinhosa.
– Ahm...-Comecei, me preparando para deitar novamente – Vai você, não estou muito no clima para aula de português às 7:10 da manhã.
– Vamos lá... — Ele continuou, puxando novamente minhas cobertas para baixo – Não vou deixar você perder a melhor aula da semana, graças a uma simples preguiça – Sabendo que não conseguiria dormir novamente, me levantei da cama. Eu teria que ir à bendita aula da “belíssima” Petra.
Na realidade, nunca achei nada de especial nela. Claro, era uma moça bonita, mas não compreendia como todos adoravam aquela mulher. Na primeira vez que ela entrou em sala, foi uma das únicas vezes que a turma se calou por completo, todos estavam vidrados nela. Pelo menos quase todos.
– Ok...-Disse sinalizando com a cabeça que era para ele sair do meu quarto. – Já estou indo, só vou me vestir. – O sorriso do careca ficou ainda maior, se é que isso era possível. Ele se dirigiu até porta, e finalizou:
– Só não demore muito. Porque estamos atrasados. – Embora realmente estivéssemos ele não parecia se importar muito. Se não me engano, suas notas eram muito parecidas com as minhas, se não piores.
Apenas concordei com a cabeça e comecei a me trocar. Coloquei apenas uma camiseta qualquer e um jeans velho e já estava saindo do quarto. Foi quando reparei em um livro de física jogado próximo a porta.
Peguei o livro, me perguntando se por um acaso, eu teria pegado acidentalmente de Levi, enquanto saia do laboratório. Precisaria devolver o mais rápido possível. Coloquei o mesmo na mala e sai correndo para minha primeira aula do dia.
Chegando à sala, alguns professores estavam reunidos, em frente ao quadro negro. Hanji, Erwin e Levi. Engoli seco, imaginando qual seria o motivo para essa inesperada reunião.
Fui logo sentar-me para evitar chamar ainda mais a atenção de todos. Chegar atrasado, sempre era motivo para comentários e brincadeiras desnecessárias. Mal sentei e Sasha já se inclinou em minha direção, puxando assunto:
– Ainda bem que você chegou a tempo. Quase que perdeu a aula extra que seria dada hoje. – Aula extra? Pelo menos não teríamos a aula entediante de Petra.
– Aula extra? – Perguntei curioso. Não haviam avisado nada na coordenação sobre isso.
– Sim! – Ymir entrou na conversa, apoiando levemente o queixo sobre meu ombro. Não faço a menor idéia de onde ela surgiu. – Acho que vai ser um trabalho em grupo, ou algo do gênero. Para tentar subir nota daqueles que estão apenas com vermelha. Não é, Eren?
Fiquei um tanto quanto constrangido pela indireta, mas optei por ignorar. Ymir tinha necessidade de deixar qualquer um que não seja Christa desconfortável. Além de que sua maneira, super protetora, a moça não deixa de me assustar um pouco.
Nunca me esqueço da única vez que Reiner tentou chamar a pequena loira para sair. O loiro já se encontrava inseguro e para piorar, a “guardiã” da menina, conseguiu intimidá-lo ainda mais, fazendo o mesmo parecer um completo idiota.
– Muito bem pessoal! – Uma voz alta e animada, interrompeu a conversa de todos na sala. – A partir de hoje, realizaremos pequenos trabalhos extracurriculares para ajudá-los há melhorar um pouco suas notas, em alguma matéria que estejam mal.
– No seu caso Connie, todas. – Disse Jean, cutucando o careca que parecia rir da sua deplorável situação.
– Eu, e os professores Erwin e Levi, estamos encarregados de ajudá-los com tais trabalhos. A turma será dividida em três grupos. Cada grupo ficara sobre orientação de um professor. Além de amanhã realizar uma pequena viajem para determinada região do estado, onde irá fazer uma mini pesquisa sobre o local.
Enquanto Hanji explicava a atividade, não consegui parar de encarar Levi que se encontrava a me encarar de volta, mas como sempre, com seu olhar indiferente. Eu estava com vergonha de mim mesmo, principalmente por me “animar” e pensar tanto nele. Não sei o que diabos eu estava pensando para fazer uma coisa daquelas. Bom, o que importa é que nunca mais ira acontecer.
– Certo. — Voltei minha atenção para Hanji novamente, tinha perdido toda a sua explicação, e o inicio da definição dos grupos. – Os alunos; Armin, Mikasa, Eren, Connie, Annie, Sasha, Ymir, Jean , Christa e Reiner ,vão para o interior e estão sobre supervisão do professor Levi.
Não pude deixar de sentir certa raiva e agonia. Porque justamente com ele? Já não é o suficiente eu já ter aulas particulares com esse pequeno ser, agora teria que fazer uma viajem com ele?
– A viajem de vocês será por três dias. – Ela terminou com um sorriso ainda maior em sua face.
– Droga. – murmurei, chamando a atenção de Sasha que me encarou curiosa.
– Não se preocupe Eren – começou sorridente – Ele provavelmente é o pior orientador, mas pelo menos poderemos viajar e ficar em um hotel repleto de refeições deliciosas. – A tentativa dela de me confortar acabou se tornando mais um de seus delírios por comida. Não sei como Connie agüenta.
Após aquela aula, que parecia eterna, finalmente acabar, todos pareciam muito animados em relação a viajem. Todos menos eu. No intervalo, o assunto não era outro.
– Será que termos piscina, no hotel onde ficaremos? – Connie perguntou animado.
– Eu não sei, mas não estamos indo lá por diversão, então, não acho que poderemos...- Armin foi interrompido por Jean, que o abraçou rapidamente afirmando:
– Calma, eu sei, eu sei... Estamos lá para estudar e fazer a mini pesquisa, mas não seja tão pessimista, Armin. Vamos nos divertir também. – O loiro ficou rapidamente quieto, e corado como um tomate. Eu realmente não sei como ele consegue ser amigo desse cavalo.
Enquanto eles discutiam a possibilidade de usar a suposta piscina do hotel, lembrei que precisava entregar o livro de física para Levi. Levantei-me da mesa, me despedindo de todos e fui em direção ao gabinete do menor.
Chegando lá, encontrei o físico limpando sua sala. Será possível que os poucos minutos que ele tem de folga ele não pode aproveitar como uma pessoa normal? Pelo jeito a limpeza era como um hobbie para ele. Ou era uma doentia obsessão.
– Ahn..Professor. –Bati na porta, esperando pela permissão para entrar na sala.
– O que foi Jaeger? – Disse, voltando-se para mim, provavelmente aborrecido por sua diversão ter sido interrompida. – Não tem nada melhor para fazer?
Engoli seco, ele sempre arranjava uma maneira de me deixar constrangido ou me sentindo um completo idiota.
– Na realidade, eu vim devolver seu livro, devo ter pegado ontem por engano. Sinto muito. – estendi o livro, para que ele o pegasse, mas o mesmo só permaneceu sério.
– Eu o deixei no seu quarto para você, esta precisando de nota garoto. – Ele se voltou para a limpeza de sua sala, como se eu já tivesse deixado o local.
Engoli seco por um minuto, Levi havia visitado meu quarto? Quando? Minha consciência dizia para eu não perguntar quando ele havia feito isso. Eu simplesmente ignorei a mesma.
– Quando o senhor deixou isso no meu quarto? — Perguntei ainda sentido que poderia me arrepender de ter perguntado.
Rivaille calmamente voltou-se a sua mesa e pegou um maço de papéis, repleto de informações. Após segundos silenciosos e constrangedores, o menor respondeu minha pergunta.
– Ora, ontem após a sua aula. – Foi em direção a porta, com a papelada em mãos. O silêncio predominou na sala novamente. Eu estava prestes a agradecer a atitude do menor e sair, quando ele parou em frente à saída e disse antes de partir:
– Ah, sim –voltou seus olhos cinzentos e inexpressivos para mim – A próxima vez que for se masturbar,tranque a porta do quarto.
Enquanto eu permanecia quieto, tentando processar as ultimas palavras ditas pelo físico, ele saiu sem nem olhar para trás. Realmente, eu não deveria ter perguntado.
Armin e eu fazíamos as malas, para a esperada viajem. Eu não conseguia tirar as palavra de Levi da minha cabeça. Agora que eu realmente não sei como vou olhar na cara de nosso orientador durante a viagem.
– Eren, você parece distraído. Aconteceu alguma coisa? — Ele me encarou com ternura e não pude deixar de sorrir. O loiro era sempre um ótimo amigo e me conhecia bem.
– Esta tudo bem — Ele ergueu uma sobrancelha, deixando bem claro que não acreditava em uma simples palavra dita. Ok, talvez me conhecesse bem de mais. – Só estou, meio estressado com a viajem.
– Não se preocupe com isso – Começou a sessão de terapia, ele adorava me consolar. Normalmente, Armin sempre conseguia me confortar. Contudo, contar o que Levi me disse hoje não me parece uma idéia inteligente. – Vai ser divertido, estaremos com nossos amigos, pelo menos.
– É, tirando o Jean – Armin bufou e riu discretamente – Ele é legal, Eren. Você só não se permite conhecê-lo melhor.
Foi a minha vez de rir, não acredito que ele havia dito isso. Fazia um tempo que o garoto tentava me convencer que Jean era legal e uma boa pessoa. Ele não iria me convencer. Essa obsessão do loiro pelo cavalo me deixava um pouco irritado, para dizer a verdade.
Assim que terminamos de fazer as malas, fomos logo dormir. Deveríamos descansar para a viagem. Confesso que não estava cansado, mas não tive opção, fui deitar no mesmo momento que Armin.
Eu não conseguia dormir. Aquele momento foi tão embaraçoso, que simplesmente não saia de minha cabeça. A indiferença do menor e a sessão de aperto no peito continuavam em mim. Amanhã, seria um dia insuportável.
Fale com o autor