What do you like about me?

1 O que você gosta em mim?


Notas iniciais
E aí, nação drastoria, como estão lidando com esse mês maravilhoso? Porque eu, particularmente, estou amando! Venho aqui deixar a minha primeira contribuição. Espero que tenham uma boa leitura. ♥

— O que você gosta em mim?

Astoria foi pega de surpresa por aquela pergunta, que era tão simples, mas, ainda assim, tão direta. No entanto, a princípio, ela não esboçou qualquer reação, apenas continuou a misturar o seu chá, na mesma calmaria anterior. Quando terminou, ainda tranquila, virou-se para Draco, com um sorriso singelo em seus lábios. Fitou-o por alguns segundos, mas nada respondeu. Era como se apenas quisesse apreciar a belíssima paisagem a sua frente, que se resumia a nada mais, nada menos, do que Draco Malfoy.

O rapaz, por outro lado, comprimiu os lábios em uma expressão receosa. Talvez fosse cedo demais para fazer uma pergunta como aquela. E talvez ela não estivesse preparada para respondê-la. Estava arrependido, não devia ter dito absolutamente nada, mas às vezes a sua mente traiçoeira falava alto demais para que não pudesse escutá-la. Ele desviou o olhar para o canto, ajeitou a postura impecável na poltrona e bebericou um gole do seu chá. Era orgulhoso demais para se desculpar por aquela pergunta ou para sequer retomar o assunto, mas se Astoria fingisse não tê-lo ouvido, então ele fingiria não ter falado. E estaria tudo bem, eles poderiam seguir as suas vidas do jeito que estavam, porque, para ele, qualquer coisa seria melhor do que viver sem ela.

Astoria entrara na vida dele de uma forma repentina, mas não demorou a derrubar todos os seus muros e se transformar na única razão que ele possuía para acordar todos os dias. Lembrava-se bem daquele dia. Era uma noite fria, de inverno. A neve caía impiedosamente sobre a cidade, cobrindo-a por camadas brancas que criavam uma paisagem estupenda. No entanto, os flocos caíam com tanta voracidade, que tornaram-se o suficiente para impedir o trajeto ao longo das ruas. E foi assim que, em uma noite extraordinariamente fria, ele terminou preso em uma biblioteca de Londres, juntamente com a bibliotecária, que não percebera sua presença na loja.

Não havia o que fazer ou sequer para onde ir. Tentar andar na neve seria suicídio, permanecer na biblioteca seria apenas insuportável. Apesar de o seu lado melancólico lhe dizer para tentar, mesmo assim, ir embora, sua racionalidade implicava no exato oposto. Foram longos minutos de um silêncio consideravelmente agradável até de repente ouvir o som do salto alto contra o piso de madeira cada vez mais próximo.

Naquele momento, Draco suspirou impaciente, na vaga esperança de que aquele simples e cotidiano ato pudesse afastá-la, mas não funcionou. Imaginou as milhares de possibilidades de falas que poderiam sair daqueles lábios avermelhados: “Você não vai embora?”, “O que ainda faz aqui?”, “Espera, você não é o Draco Malfoy?” ou “Você é ridículo, assim como a sua família”. Aquelas palavras rondaram a sua mente, conforme tentava adivinhar o que realmente estava por vir. Estava acostumado com cada uma delas, mas, ainda assim, apesar de não demonstrar, palavras tão cruéis sempre o machucavam de alguma forma.

Entretanto, Draco Malfoy fora tomado por uma imensa surpresa quando a mulher finalmente decidiu se pronunciar.

— Qual é a sua cor favorita? — ela arqueou as sobrancelhas em uma curiosidade genuína.

Por alguns minutos, ele ficou estático, processando cada sílaba proferida. Quando percebeu que estava completamente perdido nos olhos negros alheios, moveu-se sobre a poltrona, buscando despertar a si mesmo de seus devaneios. A mulher, por outro lado, pareceu achar graça da situação, uma vez que um sorriso de canto brotou em seus lábios.

— Preto — ele respondeu, dando de ombros.

— Então eu estava certa — ela retrucou, com um sorriso divertido na face.

— Certa? — indagou, fingindo não estar interessado, embora estivesse muito curioso.

— Sim, deu para imaginar pela sua roupa. Não há uma única peça que não seja preta. Foi só uma dedução, mas, ainda assim, eu acertei — riu baixinho. — Mas tudo bem, seria um pecado se não fosse, já que fica tão bem com essa cor.

Draco moveu os lábios, pensando em dizer alguma coisa, mas, inicialmente, não conseguiu. Apenas pegou-se pensando e repensando as palavras feito um tolo, enquanto nada, de fato, deixava os seus lábios.

Quando se deu conta do que disse, Astoria deu um pulo, um pouco envergonhada por não ter pensado um pouco melhor antes de falar. De repente, viu-se rindo completamente sem jeito, enquanto as bochechas adquiriam um tom ainda mais avermelhado, resultante do frio unido ao mais puro constrangimento.

— Eu não estou dando em cima de você — ela disse, ao mesmo tempo em que gesticulava desajeitadamente com as mãos. — Quero dizer, você realmente fica bem de preto, mas é que você me lembra do protagonista do livro que eu estou lendo. Não é um flerte e nem nada do tipo.

Draco deixou um suspiro escapar. Honestamente, ele não sabia dizer se estava aliviado ou desapontado. Uma parte dele estava aliviada, porque não teria que lidar com um flerte tão constrangedor. Afinal, ele era uma negação quando se tratava de qualquer espécie de relacionamento com outros humanos. Por outro lado, ele estava desapontado, porque sabia que, no fundo, havia uma pontinha de esperança que desejava que ela estivesse flertando com ele. Contudo, ele também sabia que era ridículo esperar que alguém se interessasse por ele, sem pensar no dinheiro da família ou sobrenome imponente. Alguém que pensasse única e exclusivamente em Draco, o garoto perdido que já gastara anos de sua vida tentando se encontrar.

— Desculpa, eu não quis te deixar constrangido, eu sou uma idiota — ainda sem jeito, ela passou as mãos pelos longos fios de cabelo negros.

— Não deixou — mais uma vez, deu de ombros.

— Já que estamos aqui... — a menina mordeu o lábio inferior, pensativa. — Por que não fazemos uma brincadeira?

Aquela menina era mesmo interessante. Instigante a ponto de fazer Draco querer embarcar naquela loucura, ainda que nem soubesse ao certo o que ela estava propondo. Mesmo assim, ele se manteve quieto, mas os olhos cinzentos penetrantes permaneciam fixos nos castanhos, como se a incentivasse a falar.

— Eu falo uma palavra, você fala exatamente o que vem na sua mente, sem nem pensar. Não pode demorar. Assim por diante. Perde quem não disser nada — ela explicou, animada.

— E o que o vencedor ganha? — O rapaz arqueou as sobrancelhas, desafiador.

— Um desejo concedido. Qualquer desejo — ela sorriu, como se já tivesse certeza de que seria a vencedora.

Um pequeno sorriso de desdém brotou nos lábios do homem. Draco Malfoy era um péssimo perdedor e exatamente por isso sabia que não ia perder. Não havia a mínima possibilidade disso.

— Ok, eu começo, hum... — uma expressão pensativa surgiu em sua face. — Livros.

— Mistério — rebateu rapidamente, sem nem mesmo pensar. Estava absolutamente determinado a vencer.

— Suspense — continuou.

— Terror.

— Noite.

— Preto.

— Você.

Naquele exato instante, Draco Malfoy, pela primeira vez na vida, pegou-se completamente sem palavras, enquanto fitava o sorriso vitorioso que, aos poucos, surgia nos lábios avermelhados. Ele tentou pensar em algo para dizer, mas sua mente parecia um grande vazio. Como se nenhuma palavra fosse o suficiente para expressar seja lá o que ele estivesse sentindo. O Malfoy nunca, em toda a sua vida, acreditou no amor, mas, certamente, aquela foi a primeira vez que experimentou algo que chegasse perto daquele sentimento. Não era como nos livros bobos de romance, não havia borboletas no estômago, apenas uma ansiedade insuportável acompanhada de um desespero que resultava em um silêncio absurdamente constrangedor. Era extremamente ridículo.

— Eu ganhei, confesso que foi mais rápido do que eu esperava — seus olhos pareciam brilhar por aquela simples conquista. — Não vai me perguntar qual é o meu desejo?

— Qual é? — Draco indagou nada satisfeito. Era realmente um péssimo perdedor, e a expressão carrancuda não escondia isso nem um pouco.

— Eu quero ver as estrelas no terraço — a feição dele demonstrava total dúvida.

— Você vai congelar lá em cima — ele respondeu, sem compreender muito bem qual era o papel que iria desempenhar.

— E eu quero que você venha comigo — explicou, um pouco tímida. — Eu estou entediada aqui dentro e tenho certeza que não vamos sair tão cedo. Não precisamos ficar muito tempo. A propósito, meu nome é Astoria, como você se chama?

— Draco. Draco Malfoy.

Foi naquele dia que Astoria, mesmo sem a menor intenção, roubou um pedacinho do coração de Draco.

Ele despertou de seus devaneios ao sentir o toque da mão suave de Astoria sobre a sua pele, deslizando ao longo de sua maçã do rosto em uma carícia suave e acolhedora. Astoria Greengrass, para ele, representava tudo. Amor, companheirismo, amizade, lar. Seria fácil para ele responder a pergunta que havia feito. “O que você gosta em mim?” Se ela houvesse perguntado isso, ele responderia sem nem sequer precisar pensar duas vezes. Não havia inseguranças da parte dele acerca do que sentia por ela. Astoria era a luz na escuridão, a primeira pessoa a ver o bem nele, as estrelas em um céu noturno. Certamente, ele não a merecia, mas era egoísta o suficiente para agradecer por tê-la na sua vida.

— Eu gosto de como você acorda cedo sem precisar de um despertador. Do aroma do café forte que você prepara toda manhã. Gosto de quando se senta na sua poltrona e fica por horas lendo um livro, eu fico escondida apenas espiando seu semblante sereno e tranquilo, porque você parece verdadeiramente feliz — ela sorriu em meio àquelas palavras. — Gosto do jeito que você olha para mim, gosto da sua personalidade difícil, de te desvendar cada dia mais, como um livro de mistério. Eu gosto do seu sorriso sarcástico, de como seus olhos dizem mais do que qualquer palavra e do fato de você tomar chá comigo todos os dias à tarde simplesmente porque eu gosto. Também gosto do seu mau humor quando está com sono, de quando veste preto e quando perde para mim nas brincadeiras e fica emburrado feito uma criança. Gosto dos seus sorrisos, especialmente quando são para mim. Gosto de como me entende sem que eu precise dizer uma única palavra. Mas o que eu mais gosto é de quando me abraça, como se estivesse carregando todo o seu mundo em suas mãos. Eu poderia passar meses listando coisas que eu gosto em você, Draco Malfoy, mas às vezes eu acho que você nunca vai acreditar nas minhas palavras, então escute com atenção — os olhos castanhos fixaram-se nos dele, enquanto um sorriso singelo surgia em seus lábios. — Eu te amo, cada um dos seus defeitos e cada uma das suas qualidades. Eu te amo porque você é assim, imperfeito, mas eu te amo ainda mais por me deixar conhecer cada uma dessas imperfeições.

— Astoria, eu...

— Está tudo bem — ela proferiu, antes mesmo que ele pudesse terminar a frase. — Eu só preciso que você acredite que eu te amo, o resto nós podemos construir um pouquinho a cada dia e, tijolo por tijolo, construiremos uma casa.

Ele sorriu, aliviado por aquela resposta. Aliviado por Astoria ser tão compreensiva e amável. Naquele exato momento ele soube que poderia passar todo o resto de sua vida ao lado dela e, assim, teria uma vida repleta de momentos felizes, porque, para ele, ela era sinônimo de felicidade. Astoria era tudo o que ele precisava. Aproveitando-se da distração dela, ele se levantou da poltrona e roubou um beijo rápido, selando os lábios contra os dela.

Quando se afastaram, ela riu baixinho, um pouco constrangida por ter sido pega de surpresa. Draco, por sua vez, repousou a xícara de chá na mesinha ao lado da poltrona e tornou a se aproximar de Astoria. Com um dos braços envolveu o corpo dela, aproximando-a cada vez mais para perto de si, até que estivesse completamente envolvida por um abraço. Segurando-a com total firmeza, como se não pudesse deixá-la escapar, ele deixou que seus lábios chegassem perto do ouvido da mulher e, em seguida, deixou que algumas palavras escapassem como um sussurro.

— Você é o meu mundo.

Notas finais
Fizeram uma boa leitura? Espero que sim. De qualquer forma, estou ansiosa para saber o que acharam. Até a próxima!
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!