What changed your mind
2 Too far to see
Notas iniciais
Acordou do pesadelo e encarou o teto escuro. Era a quarta noite seguida em que sonhava com árvores, sangue e solidão, mas a primeira em que não mais gritou, o que considerava um grande avanço. Durante as duas primeiras semanas, mal dormira; pesadelos eram algum tipo de evolução.
Beth Greene fora levada por um completo estranho em uma noite em que tudo parecia estar melhorando. Encontrara abrigo, comida e, definitivamente, a prova de que ainda existiam pessoas boas. O que vira naquela casa funerária era raro, mas a deixara feliz perceber que alguns vivos lembravam-se, assim como ela, de que os errantes antes eram pessoas. Além de tudo isso, ela havia conseguido criar um lar; não físico, mas ali estava. O lar era a companhia de um dos homens mais brutos que já conhecera, contudo, os dias ao seu lado mostraram que a brutalidade era apenas um tipo de superfície.
Tudo fora perdido.
Horas após seu sequestro, conseguiu fugir do homem que a levou. Correu por um dia inteiro. Encontrou o caminho da casa funerária e para lá retornou, deparando-se com um lugar completamente tomado por errantes, incontáveis deles, e nenhum sinal de Daryl Dixon. Localizou sua mochila, abandonada no exato lugar onde a largou, e a pôs no ombro. Usando as dicas de Daryl para reconhecer rastros no solo, tentou entender o que havia acontecido: ele havia escapado? Estaria procurando por ela? Esperou, escondida, durante algumas horas, e ele não apareceu. Seguiu seu caminho pela primeira trilha que encontrou.
Três dias e uma dúzia de errantes mortos depois, um grupo de três pessoas a encontrou. Não conhecia nenhuma delas, mas não havia escolha. Estava prestes a entrar em delírio devido à solidão e julgou que, se estivesse com outras pessoas, seria mais fácil encontrar Daryl novamente, ou, quem sabe, alguém de seu velho grupo, embora a esperança fosse mínima. Os três que a encontraram a levaram para o que parecia ser um velho hospital, mas ainda não haviam a ajudado a encontrar seus amigos, como prometeram. Isso a deixava infeliz.
Durante sua terceira semana naquele lugar estranho, na quarta noite de pesadelos, Beth chorava silenciosamente. Já havia sido alertada sobre despertar com gritos; incomodara a alguns. Tinha que se controlar. E era isso que faria.
Mesmo que aquele lugar estivesse cheio de pessoas, sentia-se completamente só. Mas não fraca. Seu momento de vacilar estava nas noites, nos pesadelos, mas somente neles. Ela seria forte no restante do tempo. Não havia outra opção.
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