What The Fuck?
1 LOL
Notas iniciais
Há muito estava perdida nas lembranças, o sol deixava de brilhar laranja no oeste e dava lugar a escuridão de um céu sem estrelas. Outra lágrima cortou minha face ao passar mais uma página do antigo álbum de fotos, no canto havia um sorriso que há tempos não presenciava. O choro mesclava saudade e arrependimento, sabia que nunca a teria de volta. Não voltaria a ver o brilho intenso daqueles olhos a centímetros do meu rosto.
Limpei o rosto rapidamente quando ouvi passos no corredor, toda a minha dor era óbvia demais para que pudesse ser escondida, mas insistia em mantê-la apenas para mim, minhas lágrimas eram guardadas a sete chaves, mesmo que o rosto avermelhado permanecesse à mostra.
– Demetria? – Dianna abriu a porta vagarosamente. – Está acordada?
– Sim, mamãe, pode entrar.
– Meu bem, tem visita pra você, posso mandar subir? – Sentou-se na cama me envolvendo em um abraço delicado; ela sabia o motivo de minhas lágrimas, era minha opção não discutir novamente sobre o assunto.
– Preciso lavar o rosto antes – Soltei-me vagarosamente do abraço – Quem é?
– Melhor que você mesma veja – Sorriu – Você vai ficar feliz em vê-la, vou pedir que suba.
=
– Espero que não esteja te incomodando. – A voz rouca atravessou o cômodo me fazendo virar de frente para ela imediatamente. – Precisava de alguém. – Permaneci apática. – Me perdoe por aparecer assim, não sabia a quem recorrer e você prometeu estar sempre de braços abertos para mim... – A frase tornou-se um sussurro. – Por favor, diga alguma coisa.
– Está tudo bem. – A voz saiu mais alta do que esperava. – Do que precisa? — Uma aproximação lenta ocorria no intervalo silencioso entre as duas frases, estava próxima o suficiente pra me abraçar e o fez.
– Preciso de um ombro amigo. – Choramingou as palavras. – Você é a única que tenho.
– Não é o que dizem por aí. – Retruquei.
– Você sabe que o que dizem não é verdade. – Afastou-se – Por favor, não me julgue, não estaria aqui se não precisasse de você.
– Você ainda não me disse o que está acontecendo. – Cruzei os braços sobre o peito.
– Justin e eu terminamos. – Fiquei em silêncio, tentava controlar a raiva que senti naquele momento.
– Não sou a pessoa certa pra conversar sobre isso.
– Você não entende, eu...
– Escuta, Selena! – Gritei – Eu não quero saber sobre o quanto você se sente mal e o quanto gosta dele, eu não me impor...
– Terminei por sua causa. – Manteve o tom firme.
– Minha? – Mexi os lábios sem produzir som algum.
– Cansei de esperar que você tomasse uma atitude, Demetria. – Sentou-se na cama apoiando os cotovelos nos joelhos segurando a cabeça baixa. – Você vive de indiretas e lamúrias, por que não me procura e implora meu amor de volta?
– Percebe o quão patético isso soa? – Sentei ao seu lado ouvindo-a chorar. – Eu faria tudo pra ver você feliz, se não fosse comigo que fosse com ele. Só queria que você soubesse que ainda te amo.
– É só isso? – Encarou-me.
– O que você espera que eu faça?
– Você quer que eu implore pra que você me beije agora e peça pra ser sua pra sempre?
– Melodrama. – Cantarolei.
– Não aprendeu da primeira vez, não é mesmo?
– Me desculpa, Selena. – Segurei sua mão. – Você quer ser minha novamente?
– Desculpe, mas não será tão fácil assim.
– Você não acabou de me implorar por isso? – Segurei seu rosto e me atrevi a roubar um beijo da garota de olhos castanhos. – Bem, não exatamente nessa ordem, mas... – Recebi um tapa no rosto seguido por um selinho.
– Essa é sua nova chance, não finja que nada aconteceu dessa vez. Se você me quer prove isso, você sabe que quero você.
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