What If... (And If)
91 Fase IV - Capítulo 7 - Procurando problemas...
Fase IV — Capítulo 7 — Procurando problemas…
POV Gabrielli…
Fomos transportadas para o meio de uma floresta e novamente tive aquela sensação de dejavu. Talvez isso seja uma espécie de efeito colateral de ser transportada para uma dimensão paralela. Ou talvez eu tenha passado de verdade por ali alguma vez no passado. Quando você tem 412 anos as coisas ficam meio misturadas na nossa cabeça. Ainda mais porque passei a maior parte da minha vida viajando. No entanto, passei muito mais tempo no mar e nunca vim muito para os Estados Unidos… ok… talvez seja mesmo um efeito colateral. Mas alguma coisa dizia dentro de mim que era mais do que um simples dejavu. Fui tirada de meus pensamentos quando Bonnie falou:
— Tem alguma coisa errada nessas passagens de dimensões. — ela disse enquanto olhava em volta.
— Você também está achando isso?
— Era pra gente aparecer no mesmo lugar que estávamos antes. Não acho que o Grill já existia em 1904, mas a cidade de Mistic Falls existia e definitivamente não era uma floresta. — ela disse seguindo uma linha diferente da minha. — Tem como você voar e descobrir onde estamos exatamente?
Apenas acenei com a cabeça antes de levantar voo. A floresta que nos cercava estava a poucos quilômetros de distância da cidade. Então seguindo a lógica da diferença de distância que fomos transportadas as duas vezes a gente aparecia mais ou menos 5 quilômetros à oeste do local de partida. Pelo menos foi o que aconteceu nas duas vezes. Me pergunto se a soma continuaria na volta, ou se voltaríamos para o mesmo local de partida se estivessemos no mesmo local de chegada.
Quando desci e contei sobre nossa localização e expliquei minha teoria Bonnie apenas concordou antes de voltar ao modo ação. Agora que estávamos na dimensão correta precisávamos ir até Nova Escócia no Canadá. Peguei Bonnie no colo e comecei a voar o mais rápido possível para o norte. Numa tentativa de deixar a bruxa mais confortável, providenciei uma espécie de redoma de ar em volta de nós duas. Dessa forma o vento acelerado, a temperatura e objetos voadores aleatórios de fora não poderiam afetá-la.
Não foi fácil pra mim. Eu estava usando 3 poderes ao mesmo tempo enquanto carregava uma humana. Eu tinha que tomar muito cuidado, não apenas porque Bonnie era nossa amiga, mas também se alguma coisa acontecesse com ela eu estaria presa ali para sempre. O máximo de tempo que eu conseguia usar os 3 poderes atualmente era de 4 horas. Nossa viagem levaria pelo menos 5 horas de voo. E não era como se uma parada de 15 minutos fosse o suficiente para que eu recuperasse as forças para voltar a voar usando todos esses poderes. Por isso nosso plano era voar por 2h e meia, parar para descansar por umas 3h e então voltar a viagem. E foi exatamente isso que fizemos.
Oito horas depois de chegarmos na segunda dimensão nós estávamos com a cura nas mãos. Era apenas um vidrinho velho de uns 100 mL de um líquido vinho. Tanto esforço para ter apenas isso. Mas a cura era a chave para o feitiço e a poção criados por Bonnie. Então valia sim todo esse esforço.
Dormimos na ilha onde a cura foi escondida e fizemos a viagem de volta no dia seguinte. Voltamos para o mesmo lugar onde tínhamos aparecido quando chegamos e ali mesmo Bonnie lançou o feitiço para voltarmos para o mundo prisão de Kai. E demos de cara com ele assim que pisamos na nova dimensão.
Ele estava esperando pela gente numa das mesas do Grill. Eu estava cansada demais. Tinha usado meus poderes no limite por dois dias direto e ele estava pronto para começar uma briga.
Eu não estava com saco para brigar. Por isso o joguei pelo ar até a parede mais próxima, em seguida abri o chão, o joguei lá dentro e logo depois fechei o buraco.
— Foda-se essa merda. — falei irritada e em seguida olhei pra Bonnie — Bora voltar pra casa isso aqui já deu o que tinha que dar.
POV Damon…
Imediatamente procuramos nos concentrar no cheiro sobrenatural que pairava por todo o local. Assim que encontrei o cheiro certo o segui e Roh veio logo atrás de mim. Não corremos por muito tempo. Em menos de 10 minutos encontramos os lobisomens responsáveis pela carnificina na vila de Miguel. E quando digo lobisomens, não era o do tipo de Jacob, mas o do tipo de Klaus e Tyler (tirando a parte de serem híbridos).
Eram cinco e nós estávamos em óbvia desvantagem. Uma senhora de cabelos brancos, certamente a mãe de Miguel, estava ajoelhada no chão chorando e rezando em espanhol. Ela foi a única que não levantou o olhar quando aparecemos na clareira onde estavam.
— Quem são vocês? — perguntei em espanhol.
— Quem são vocês?! — perguntou o mais alto deles.
— Eu perguntei primeiro.
— E eu tenho mais homens que você. Além de só precisar de uma mordida pra matar os dois. — retrucou o outro.
— Tudo bem, sua lógica me parece fazer sentido. Somos apenas vampiros tirando férias. E vocês? Por que estão com essa senhora humana amarrada?
— O filho dela mexeu com as pessoas erradas e depois sumiu. — respondeu o mais baixo.
— Cala a boca Fernando. — o que certamente era o líder deles voltou a falar.
— Vocês querem ajuda para encontrá-lo? — ofereci vendo que seria mais fácil me juntar à eles na busca do que enfrentá-los agora. Depois a gente via o que faria. Até porque aparentemente eles não tinham noção do que Miguel tinha potencial.
— E porque vocês nos ajudariam? — o líder perguntou desconfiado.
— Sinceramente? Estamos entediados. Mas se vocês não quiserem tudo bem. — então me virei para Roh e falei — Talvez seja o caso de voltarmos para o litoral como você tinha sugerido. Entrar numa jacuzzi no nosso iate e beber whisky parece mais interessante a cada minuto.
No final das contas eles acabaram aceitando a ajuda para caçar Miguel. Mas nossos grupos foram divididos. Roh foi por um lado junto com Jesus e Filipe. Eu fui para outro com Fernando e o líder deles, Tito. A mãe de Miguel, que agora sabíamos se chamar Dona Luciana, ficou com José Carlos.
Aproveitei esse momento à sós com Fernando e Tito para descobrir porque estavam procurando por Miguel. E para minha surpresa nada daquilo tinha relações sobrenaturais. Eram problemas completamente mundanos. O bando de Tito era o responsável pelo cartel de drogas da região e, depois que a última base deles pegou fogo eles acabaram indo parar na vila de Miguel. E ele não gostou nada disso. Tentou impedir que eles formassem base lá e depois, ainda por cima, tentou vencer na base da jogatina. Ele não tinha noção de que estava lidando com lobisomens e a coisa toda saiu do controle. Miguel colocou fogo no armazém com as drogas e fugiu. Então eles decidiram retalhar a população e deu no que deu.
Nenhum deles sabia como Miguel havia desaparecido, mas depois de tudo o que ele fez matá-lo era questão de honra. Assim que soube o que tinha acontecido entendi que teríamos que matar o bando. Eu estava prestes à dar início ao ataque quando Fernando sentiu o cheiro de Miguel.
Me virei para Tito, olhei nos olhos dele e ordenei:
— Mate Fernando.
Fernando não teve tempo de reagir. Em questão de segundos estava morto no chão com a cabeça arrancada do corpo pelo machete de Tito. Antes e esse percebesse o que tinha feito eu mesmo arranquei sua cabeça.
Não muito longe dali pude escutar o corpo dos dois lobisomens que estavam com Roh. E então corri até onde Miguel estava. Roh que cuidasse de Dona Lucinda.
Encontrei Miguel atrás de uma cachoeira a menos de 800 metros de onde os corpos de Tito e Fernando estavam. Tão logo me viu correu para me abraçar num claro sinal de alívio.
— Dá próxima vez que tentar bancar o herói lembre-se de proteger os inocentes primeiro. — falei irritado.
Infelizmente quando voltamos para onde tínhamos deixado Dona Lucinda encontramos apenas o corpo dela. José Carlos não estava em lugar algum. Miguel chorou pela mãe e pela vila inteira. Chorou durante todo o caminho de volta para a capital. Ele ainda chorava quando o deixamos no seu novo esconderijo.
POV Gabrielli...
2 meses depois
Depois que Bonnie e eu voltamos das dimensões prisões e Damon e Roh encontraram e salvaram Miguel eu fiz minha parte em ser uma boa esposa. Fiz Damon passar um pouco de tempo com o irmão. Por conseguinte eu e Elena tivemos que passar um tempo juntas também. Não vou mentir e dizer que ficamos melhores amigas. Não ficamos. Uma tolerava a outra para que os irmãos pudessem passar um tempo juntos.
Nesse meio tempo Bonnie trabalhava na poção e no feitiço. Não foi fácil. Fizemos dois testes que falharam. A cura foi diluída com o sangue de Elena e Stefan que, aparentemente, eram a chave para isso. (Eles não tomaram a cura, ela foi misturada em bolsas de sangue de cada um) Dessa forma seria possível oferecer a meia-cura para mais vampiros. Essa foi uma descoberta que eu e Bonnie fizemos quando analisamos o único grimório que ela não teve acesso antes. Ele era o mais antigo que eu tinha e estava tão bem guardado e escondido que nem Damon sabia de sua existência.
Graças à isso descobrimos que poderíamos oferecer a chance de se tornar um meio vampiro para os rapazes também, e é claro Alice. A diferença era que a poção deles teria que ser feita com o sangue de um meio vampiro não grávido. No final das contas, mesmo podendo usar o sangue dos híbridos brasileiros, todos chegaram à um consenso de que os rapazes poderiam esperar Nessie ter os trigêmeos para serem transformados. Principalmente porque, ao que tudo indicava, o sangue de uma meio vampira seria menos problemático pois permitiria que eles não tivessem veneno. O que, por sua vez, permitiria que eles se alimentassem de humanos sem que acontecesse uma transformação indesejada. Não que eles fossem passar a se alimentar de humanos novamente. Mas a possibilidade de não condenar ninguém àquela vida parecia melhor do que qualquer coisa.
E agora, a hora que eu tinha esperado por tanto tempo estava chegando. Naquela noite, em que aconteceria um eclipse lunar, eu ia fazer o teste final. Nós tínhamos certeza de que agora ele funcionaria e, obviamente, eu me voluntariei para ser a cobaia.
Damon estava ao meu lado, segurando minha mão enquanto Bonnie injetava numa sanguessuga meu veneno. O anelídeo se contorceu como se estivesse queimando, mas sua dor durou pouco tempo pois a bruxa o esmagou com a base de um punhal e o misturou com os de mais ingredientes que faltavam. Aquilo certamente era nojento, mas eu estava mais do que disposta a ingerir.
Enquanto ela misturava tudo Bonnie recitava o feitiço e jogava o conteúdo do caldeirão pequeno que continha o sangue com a cura, o sangue de Nessie, verbena e folhas de visco que havia sido preparado a exatas 24 horas atrás à mistura mais recente que continha a sanguessuga esmagada. Enquanto misturava e recitava o feitiço a cor da poção mudou de vermelho sangue para prateado e então para dourado até parecer ouro líquido. Bonnie, então, me ofereceu o recipiente que continha a poção de ouro líquido e eu a segurei.
Os versos do feitiço começaram a ser falados cada vez mais alto e o fogo das velas que nos cercava se intensificou. E no momento em que a lua ficou completamente oculta pelo eclipse eu bebi o ouro líquido. E tão logo Bonnie terminou de recitar o último verso senti meu corpo pesar, meus olhos se fecharam e ouvi Damon gritar meu nome. Sua voz estava distante e foi a última coisa que ouvi antes de apagar.
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