What If... (And If)
52 Fase III - Capítulo 5 - Surpresas...
Notas iniciais
Fase III — Capítulo 5 — Surpresas...
POV Jacob…
Aquilo foi uma das coisas mais estranhas que eu já vi na vida o que aconteceu naquela quinta a tarde. Com certeza nunca tinha acontecido antes e eu achava provável que nunca mais fosse se repetir. Quer dizer, o imprinting funciona unilateralmente porque é coisa de lobo. Nunca havia tido uma loba antes de Leah e ela não havia sofrido o imprinting com ninguém ainda, então achávamos que talvez não fosse rolar. Se bem que era pra esse negócio ser meio raro também, o problema é que cinco pessoas do bando já haviam passado por isso, você meio que acaba esperando o próximo. Só que April era diferente de Leah. E talvez fosse essa a resposta de tudo.
O fato é que pela primeira vez na história um imprinting aconteceu dos dois lados. E meu povo a coisa foi sinistra.
Antes que eu percebesse Seth e April estavam se beijando. Ou seria melhor dizer se agarrando? E de repente as roupas sumiram. Achei melhor não ficar pra ver o que certamente aconteceria. Sai correndo para o meio da floresta e por lá fiquei por um bom tempo.
Três horas depois Seth apareceu com um sorriso de orelha a orelha.
–Desculpe por isso cara. Mas a coisa foi mais forte que a gente. — Disse ele sem jeito, mas a felicidade dele era nítida.
–Tudo bem cara. Mas vocês não acham que foi rápido de mais? — Perguntei enquanto me levantava.
–Com certeza. depois que a coisa toda acabou a gente ficou bem sem graça. Quer dizer, ela nem sabia quem eu era e eu só tinha uma noção de que ela deveria ser a tal da April.
Eu tive que rir da loucura que era aquilo.
–A gente acha que foi tão intenso porque foram dois imprintings.
–E como foi?
–Cara, não vou te contar essas coisas! — Seth falou indignado.
Rolei meus olhos.
–Tô falando do imprinting idiota. — Falei dando um tapa na nuca dele.
–A tá. Bem, foi como se todas as cordas que me prendiam em mim se prendessem nela e a mesma coisa aconteceu com ela. Foi meio como se nossas almas se entrelaçassem e nós, de repente, não tínhamos mais força para ficar separados. Nós eramos uma única alma e precisávamos nos tornar um corpo.
–Nossa cara, que coisa profunda.
–Você não faz ideia. A gente não consegue ficar longe também sabe? Ela está escondida aqui perto.
–Eu percebi. — Falei rindo
–Então Jake a gente estava conversando…
Seth não chegou a terminar o que estava falando, pois ouvimos um osso se quebrar. Foi então que percebi que já era noite e a lua cheia estava aparecendo no céu.
–O que foi isso? — Seth perguntou assustado.
–April estava se transformando em lobisomem e não estava dentro da jaula. — Susurei.
–Eu preciso ir até ela. — Ele disse dando um passo a frente.
–Você está louco? Deixa que eu resolvo isso. — O impedi de continuar andando.
–Você não entende Jacob. Ela precisa de mim.
–Você é quem não entende. Ela é perigosa cara.
–Eu preciso estar com ela agora. — Seth falou se desvencilhando de mim e saindo correndo.
–Merda. — Reclamei antes de ir atrás dele.
April não estava muito distante dali. E quando chegamos ela estava no final de sua transformação. Diferente da que passávamos a transformação para lobisomem era extremamente dolorosa. Ela sentia todos os ossos quebrando e sua pele rasgando. Não era atoa que eles perdiam o sentido da razão.
Seth estava parado a poucos metros dela quando a transformação acabou. A lobisomem tinha a mesma pelagem alaranjada, semelhante a de uma raposa, que April tinha quando estava em forma de lobo. Na verdade ela era praticamente a mesma, porem um pouco menor. Assim que percebeu que não estava sozinha seus pelos se eriçaram. Mal sinal. E para piorar Seth tentou se aproximar.
–April, sou eu. — Ele falou calmamente.
A loba rosnou baixo.
–Seth não se aproxime mais. — Falei baixo, mas ela me ouviu da mesma forma e então atacou.
Para minha surpresa ela se colocou entre mim e Seth rosnando ferozmente. Ela, aparentemente, estava protegendo ele de mim! Isso era uma novidade.
–Calma April. Jacob é amigo. Lembra? — Disse ele atrás dela.
E então ele fez uma coisa que eu jamais aconselharia. Ele tocou a cabeça dela fazendo uma carícia. E para meu espanto ela se acalmou e sentou sobre as patas traseiras. Seth me olhou e sorriu.
–Eu disse que ela precisava de mim.
–Como você fez isso? — Perguntei ainda tentando entender o que havia acabado de acontecer.
–Nós somos um Jake. — Foi a explicação dele.
Pisquei algumas vezes tentando associar tudo o que havia acontecido. Seth e April havia sofrido um imprinting um com o outro e se pegaram de verdade assim que se viram. Ela virou lobisomem e ele conseguiu, literalmente, domar a fera. Seth e eu parecemos chegar a mesma conclusão ao mesmo tempo.
–Você já pode ir ficar junto da Nessie.
Sorri com aquele pensamento.
POV Nessie...
–Bom, prazer em te conhecer. Meu nome é Renesmee, mas pode me chamar de Nessie.
–Eu sou Zenday. E não preciso de caridade das novas conquistas do Bart.
A forma como ela falou comigo me irritou. Se ela não queria conversa o problema era dela.
–Você quem sabe. — Falei antes de dar meia volta e sair do quarto.
Fiquei parada no corredor por um momento e resolvi que eu tinha que me divertir. Tinha sido por isso que eu tinha vindo a essa festa.
Desci e logo encontrei Bart perto dos amigos rindo. Me aproximei e puxei ele pela mão.
–Agora vamos dançar. — Falei no ouvido dele.
Ele não era lá essas coisas de dançarino, mas quem se importava? Me joguei na dança enquanto Bart me mantinha perto dele o tempo inteiro.
–Você com certeza é a garota mais linda que eu conheço. — Ele falou no meu ouvido.
Sorri em agradecimento e falei:
–Você também não é de se jogar fora.
Não queria mentir. Pra mim o cara mais bonito de todos era Jake. E disso eu jamais teria dúvida. Alem do mais minha família tinha mais gente bonita por metro quadrado que os Estados Unidos inteiro. Pensar em Jake estragou um pouco minha animação.
–Bart, você pode pegar alguma coisa pra eu beber?
–Claro gata. — Disse ele soltando minha cintura.
–Nada alcoólico, por favor. — Gritei pra ele que já se afastava.
Não sei quanto tempo ele demorou, apenas curti a música e dancei livremente.
–Seus movimentos são incríveis. — Falou Bart me entregando a bebida.
–Obrigada. — Falei sem graça aceitando o copo.
Foi então que me lembrei que não estava prestando atenção no que fazia. E se eu tivesse feito alguma coisa inumana? Queria que meu pai estivesse aqui, assim eu saberia o que todos pensavam e viram. Mas ele não estava então eu tinha que me virar. Bebi um gole da bebida e percebi que tinha um pouco de álcool. Aquilo me fez perder um pouca da confiança que Bart andava ganhando. Preferi não falar nada e apenas não beber tudo. Assim que eu tivesse a oportunidade jogaria fora aquilo.
Nós voltamos a dançar, mas não por muito tempo. Luke nos chamou para ir para a “área VIP” da festa e nós acabamos o seguindo até o porão da casa. Era um lugar muito bem arrumado, com sofás, lareira, um bar e uma mesa de bilhar.
Os garotos foram jogar e eu fui sentar com Jully nos sofás. Achei que talvez aquela fosse a hora de descobrir um pouco mais de Bart e da Zenday. Porque ali tinha que ter alguma coisa.
–Jully, por que a irmã do Luke não foi convidada pra festa?
–De onde você conhece ela? — Jully me perguntou um tanto estranha.
–Eu fui no banheiro mais cedo e acabei entrando sem querer no quarto dela. Ela me disse que era irmã dele, mas que não tinha sido convidada. Achei estranho. — Preferi responder para ver se ela se animava em me contar.
–Bom, o Luke não gosta muito que a irmã dele se misture com a gente. É só isso. Ele é meio que super protetor. — Ela disse dando de ombros e depois bebendo um pouco.
Aquela história não parecia inteiramente verdade. Tinha que ter mais alguma coisa. Mas como Jully não me falou achei que ela devia estar escondendo alguma coisa e não entraria mais em detalhes. Eu teria que descobrir isso por mim mesma.
–Mas por que o interesse nela? — Jully me perguntou como quem não quer nada.
–Por nada, só achei estranho mesmo e ela foi meio grossa comigo, sabe?
Aquilo pareceu animar um pouco a loira.
–Não se preocupe, ela é assim com todo mundo. Não gosta de ninguém e trata mal todo mundo. Às vezes acho que o Luke está é protegendo todo mundo dela e não ao contrário. — Ela terminou rindo do que falou.
–Entendi. — Falei acenando com a cabeça.
Aquilo me deixou ainda mais desconfiada, mas preferi mudar de assunto. Olhei os meninos jogando, Bart parecia estar ganhando.
–Posso te fazer mais uma pergunta? — Falei sem tirar os olhos de Bart.
– Dependendo do que for… — Jully respondeu relutante.
–É sobre o Bart… Eu queria saber um pouco mais sobre ele, entende? — Falei baixinho olhando pra ela dessa vez.
Jully sorriu, se virou para mim e se acomodou melhor no sofá. Ela devia estar esperando por isso.
–O que você quer saber? — Perguntou animada.
–Ele tem namorada?
Ela riu.
–Não. Ele não tem, mas acho que ele anda procurando uma. — Disse rindo e completou. — Não seja boba, você sabe que ele está na sua. Se você quer também cai de boca.
–Pra falar a verdade eu não sei direito. Nunca namorei ninguém. Meu...hum, irmão? é meio super protetor também, sabe? — Falei me enrolando e acabei trocando o grau de parentesco que eu deveria ter com meu pai.
–Então isso quer dizer que você é virgem?! — Jully pareceu realmente chocada.
–Sou. Não vejo o porque isso seria um problema. — Falei sincera.
–Você quem sabe…
–Quer saber, acho que eu estou cansada. Vou pra casa. — Falei me levantando.
Não estava gostando muito daquela conversa e eu já estava ficando meio de saco cheio. Assim que levantei Bart olhou pra mim.
–Você quer alguma coisa gata? — Perguntou solícito.
–Não obrigada. Na verdade eu estou indo embora.
Ele trocou um olhar com Jully e então voltou a me olhar.
–Tem certeza?
–Tenho sim. Eu prometi pra minha irmã que chegaria cedo em casa.
–Bom, então eu te levo. — Bart se ofereceu.
–Não precisa, eu vou com os meus tios.
–Tios?
–Oh! Acho que estou ficando doida. — Ri forçadamente. Não acredito que tinha cometido aquele erro. — Eu quis dizer meus cunhados.
–Eles já foram Nessie. Os vi saindo pouco tempo depois que vocês chegaram. — Disse Fred.
Aquilo não fazia parte do plano. Mas eu já havia cometido um erro hoje e não queria deixar eles desconfiados. Achei melhor aceitar a oferta de Bart. Ele pegou as chaves do carro no bolso e subimos de volta para a festa. Quando saíamos da casa em direção a onde ele tinha estacionado o carro pude ver a luz do quarto de Zenday acesa. Ela estava na janela, e se não fosse minha super visão não teria visto que ela não parecia nada contente com o que via. Isso só me deixou mais desconfiada. E eu ia tirar isso tudo a limpo.
No caminho para minha casa Bart e eu quase não conversamos, seu celular se conectou automaticamente com o som do carro e as músicas começaram a tocar. Nã achei ruim, pra falar a verdade fiquei aliviada. Não queria conversar com ele. Não queria nada com ele. Eu queria o Jake. Meu Jake. Estava morrendo de saudades e toda aquela história de festa só me fez sentir pior.
Quando chegamos na porta da minha casa eu tirei o cinto e estava pronta para me despedir, mas Bart saiu do carro e deu a volta para abrir a porta pra mim. Aquilo fez com que ele ganhasse alguns pontos comigo e me fez pensar que talvez ele não tivesse batizado minha bebida. Eu já tinha visto filmes, sabia que as pessoas batizavam o ponche nessas festas. Talvez ele não tivesse culpa. Resolvi dar outra chance pra ele. Não era como se eu e o Jake tivéssemos alguma coisa. Ele provavelmente nem me via desse jeito.
–Obrigada Bart. — Falei assim que ele estendeu a mão para me ajudar a sair do carro.
–De nada gata. Você merece isso e muito mais.
Ficamos parados e calados por exatos 2 segundos e então ele veio em minha direção para me beijar. Eu tinha velocidade e tempo suficientes para me desviar. Eu não sabia se seria prudente e não sabia se realmente queria desviar. Parte de mim achava que talvez depois que ele me beijasse eu pudesse começar a conseguir esquecer o Jake.
Então os lábios dele tocaram os meus ao mesmo tempo que ele envolvia minha cintura com seus braços juntando nossos corpos. Não parecia certo, tinha alguma coisa faltando que eu não sabia o que era. Então ele me pediu passagem com a língua. Acabei deixando pra ver se era aquilo que faltava. Não era. Mas me deixei levar mesmo assim.
Quando nos afastamos ele sorriu pra mim. Sorriso erado. Não era o que eu queria ver. Então ele me deu um selinho e se despediu. Não prestei atenção nele, pois percebi que não estávamos sozinhos ali.
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