What If... (And If)
46 Fase III - Capítulo 1: Eu cresci!
Notas iniciais

Fase III – Capítulo 1 — Eu cresci!
POV Nessie...
Nós estávamos nos mudando de novo. Dessa vez pra Washington DC. Eu estava animada, pois finalmente iria poder entrar na escola, conhecer gente nova e quem sabe tirar um certo amigo da família da cabeça.
Nesses quatro anos que vivemos no Canadá muita coisa mudou. Além do meu crescimento coisas aconteceram comigo. Eu meio que me apaixonei pelo Jake. Eu tentava a todo custo não deixar que ninguém descobrisse. Mamãe mantinha o escudo mental dela sobre mim sempre que estávamos juntas e eu já tinha criado algumas técnicas pra não pensar sobre o assunto quando não estivesse com ela por perto. Eu juro que tentei acabar com esse sentimento, mas a coisa complica quando ele é o único cara solteiro no meu circulo de convívio. E ele ainda complica mais as coisas porque faz tudo o que eu quero. É lindo de morrer. E tão gostoso! Como não me apaixonar?
Mesmo sem ver o Jake com muita frequência, pois ele sempre tinha alguma coisa pra cuidar na reserva, o sentimento estava lá. E com a nossa mudança agora, provavelmente vamos nos ver ainda menos. Minha esperança é conhecer alguém legal por quem eu me apaixone e o tire de vez da minha cabeça. Porque ele só me vê como criança mesmo. Ele nunca vai me ver como mulher. Além do mais eu acho que minha família acharia muito estranho se eu começasse a namorar o Jake. Ele sempre foi amigo da família é mais velho, quase a idade da minha mãe. Sem falar que meu pai já ficava irritado toda vez que o Tio Damon falava sobre meus futuros namorados. Se meu pai já achava ruim um namorado normal imagina um que era muito mais velho que eu e que ajudou a trocar as minhas fraudas. Oh Deus! Não gosto nem de me lembrar disso.
O fato era que agora nós estávamos em Washington, DC, e Jake tinha ficado em Forks. Ele não foi o único a não se mudar com a gente, tia Gabi e tio Damon se casaram ano passado e saíram em lua-de-mel. Segundo tia Gabi eles não voltam antes de dois anos de casados, pois querem recuperar o tempo perdido. Tio Damon disse que dois anos não eram o bastante e meu pai mandou ele não terminar a frase. Como se eu não soubesse do que eles estavam falando.
Outra mudança que aconteceria era na questão escolar. Eu não queria ir pra escola com meus pais. Então eles, juntamente com tio Roh, tia Mandy, tio Emm e tia Rosie, vão pra faculdade. Sendo assim, só tia Allie e tio Jazz que estudarão comigo. Eles não queriam me deixar sozinha lá. Eu sei que tenho só 7 anos, mas poxa... minha mentalidade é de uma pessoa de 17 anos, eles não podem me tratar como criança pra sempre. E nisso até o Jake era igual. As únicas que me tratavam como uma garota de 17 anos eram a tia Allie e a tia Gabi. E elas me defendiam quando eu precisava. Mas agora meu time de defesa tinha sido reduzido à metade. Ou seja, só uma pessoa! Maravilha!
Como a maioria iria pra faculdade eles acharam melhor cada um ter sua casa. Tio Emmett e tia Rosalie arranjaram uma mansão toda chique, quase tão chique quanto a do vô Carl e da vó Esme. Eu ia morar com mamãe e papai, mas no papel eu era irmã mais nova da mamãe. Tio Roh e tia Mandy também teriam uma casa só pra eles de novo. Mas a tia Allie e o tio Jazz ainda morariam com vovô e com a vovó. Dessa vez não deu pra todas as casas serem na mesma rua. Mas não eram longe de forma alguma. Como sempre, eu tinha um quarto em cada casa.
Pra facilitar nossa vida não mexemos nos graus de parentesco que usamos na última cidade. Eu ainda era irmã da minha mãe e do tio Roh, que era primo do tio Damon, que era casado com tia Gabi, que era irmã mais velha do meu pai. Vovô Carl e vovó Esme tinham adotado tio Emm, tia Alice, tia Rosie, tio Jazz e tia Mandy. Tia Amanda casou com o Roh e pra todos os efeitos era minha cunhada. A coisa era uma confusão só. Mas a gente já tinha se acostumado. O importante era que ainda éramos uma grande família cheia de agregados e parentes tortos.
E eu estou aqui no meu quarto esperando dar a hora de acordar pra levantar. Estou muito ansiosa pro meu primeiro dia de aula. Mal consegui dormir essa noite e já estava quase na hora de levantar. Escutei meus pais se movimentando no andar inferior e resolvi me levantar também.
Fui ao banheiro e resolvi tomar um banho pra relaxar. Lavei meus cabelos demoradamente e só parei de enrolar debaixo d’água quando minha mãe bateu na porta do banheiro.
— Nessie querida, se você não sair logo daí vai se atrasar.
— Já estou saindo mãe. – Falei enquanto desligava a água do chuveiro.
Sequei meu cabelo com o secador, passei um creme hidratante pelo corpo, me enrolei na toalha e saí do banheiro parando dentro do meu closet. Abri todas as portas e olhei para todas as minhas roupas pensando no que usar. Estávamos no final do verão então optei por um shortinho preto jeans e uma camisa de botões e mangas compridas que iam do branco ao azul escuro seguindo um padrão dégradé. Coloquei um conjuntinho de lingerie branca e em seguida coloquei a roupa escolhida. Calcei um tênis de cano alto azul claro e fechei quase todas as portas deixando abertas apenas as dos acessórios e da maquiagem. Não fiz nada muito chamativo, apenas passei um lápis preto nos olhos e um batom coral nos lábios. Coloquei um cordão e um anel de ouro e um chapéu estilo Fedora básico na cabeça. Peguei uma bolsa estilo carteiro de couro marrom/alaranjado e enfiei meu material lá dentro. E antes de sair do quarto peguei meu óculos escuro e meu celular que estavam sobre a cômoda, que ficava na frente da minha cama, e desci correndo pra tomar café da manhã.
Encontrei meus pais sentados à mesa que havia na cozinha conversando. Eles estavam vestidos de forma bem básica, mas estavam lindos como sempre. Sobre a mesa estava preparado meu café da manhã. Tinha coisa de mais pra apenas uma pessoa.
— Bom dia! – Falei animada.
— Bom dia filha. Pelo visto está animada mesmo para o primeiro dia de aula. – Disse minha mãe.
— Mais do que animada. – Falei ao me sentar e começar a comer.
— Só quero ver quanto tempo essa animação vai continuar. – Disse meu pai rindo.
— Provavelmente só vai durar até o segundo horário. – Disse minha mãe rindo também.
Decidi ignorar o divertimento deles com a minha cara. Eu não estava animada só por que era meu primeiro dia de aula no ensino médio. Estava animada com a possibilidade de arrumar amigos novos da “minha idade”. Principalmente do sexo oposto que me fizessem esquecer dele.
Uma buzinada me tirou dos pensamentos. Tia Alice e tio Jazz tinham chegado pra me levar. Eu ainda não tinha um carro...
— Tchau mãe, tchau pai. Boa aula pra vocês. – Falei sobre meu ombro enquanto corria para fora de casa.
— Boa aula pra você também filha. – Respondeu minha mãe.
— Ainda não me conformo com essa história de não poder levar minha filha pro primeiro dia de aula. – Ouvi meu pai reclamando lá dentro e minha mãe rindo.
Entrei no carro e sentei no banco traseiro do Mercedes preto que tio Jazz dirigia.
— Bom dia Nessie. Falo com você depois que atender o celular.
— Hãm?! – Não tinha entendido direito até que meu celular tocou.
Tia Alice às vezes me assustava. Olhei a tela do celular e vi o nome do Jake. Meu coração acelerou só por ver o nome dele ali. Tentei me controlar, mas era impossível. Resolvi atender.
— Oi Jake. – Falei rouca e então pigarreei para melhorar a voz.
— Bom dia Nessie. Só liguei pra te desejar boa aula. — Ele parecia estranho.
— Ah! Obrigada. – Respondi sem jeito.
Desde que eu percebi que estava apaixonada por ele eu não sabia como agir perto dele. E mesmo por telefone as coisas eram estranhas.
— Está ansiosa?— Ele me perguntou com a voz rouca. Ai aquela voz...
— Sim. Vai ser legal poder sair com gente da minha idade pra variar.
— Eu imagino. Bem... boa aula pra você. E cuidado.
— Cuidado com o quê? Com meus poderes? Eu sei fingir muito bem meus poderes. Você sabe disso.
— Não estava falando sobre eles. Você é melhor que a Bella nesse ponto. Eu estava falando sobre...sobre...
— Sobre o que Jake?
— Sobre nada Ness. Apenas tenha cuidado. Boa aula.
— Jake...— Escutei a voz de outra garota falando com ele antes dele desligar.
Não precisei pensar muito pra saber quem era. Era ela. A namorada dele. O ciúme me corroeu, mas antes que a coisa ficasse pior uma onda de paz me cercou e eu me lembrei que estava no carro com o tio Jazz. Vergonha. Mesmo que ele e tia Alice já soubessem era vergonhoso saber que ele sabia de tudo o que eu sentia.
— Nessie, querida, não precisa ter vergonha dos seus sentimentos. Eles são muito compreensíveis.
— Nessie, você sabe que ela não é namorada dele. – Minha tia falou se virando pra mim.
— Não é o que parece. Ela está sempre com ele. E ele deixou de ir me ver várias vezes por causa dela. Ele prefere ficar com ela do que comigo. Eles estão morando juntos no meio da floresta! – Falei a última frase com raiva e transbordando de ciúmes.
— Você sabe que não é assim. – Disse tia Alice revirando os olhos. Eu não vi, mas sabia que era isso que elas estava fazendo.
— Eu não sei de nada. – Respondi emburrada, cruzando os braços e virando o rosto pra janela.
Pude sentir tio Jasper tentando me tranquilizar e deixei já que não queria que a primeira impressão que eu causasse no colégio fosse de uma vaca louca de ciúmes.
Meus tios me ignoraram pelo resto do trajeto e quando estacionamos no colégio eu já estava mais calma. Eu sabia que April não era namorada do Jake. Mas aquela história deles morando juntos no meio da floresta pra ele ajudar a ela a se controlar sem machucar ninguém não me descia de jeito nenhum. Eu estava tão nervosa em falar com ele que nem tinha pensado no fuso horário. Eram 3 horas de diferença entre o estado de Washington e a cidade de Washington. O que ele estava fazendo acordado às 4 e meia da madrugada? Não só ele, mas ela também! A raiva e o ciúmes voltaram a borbulhar em meu sangue. Mudar para o outro lado do país não me parecia uma ideia tão boa novamente. Chega de pensar naquela vaca com o meu lobo. Agora é hora de causar uma boa impressão e arrumar um boy magia.
Abri a porta do carro, sai e me virei enquanto fechava a porta. Segui Alice até a secretaria onde pegamos nossos horários. Eu e ela estaríamos na mesma série, segundo ano, juniors. Enquanto tio Jazz estaria no terceiro ano, seniors. Eu tinha três aulas com ela, mas a primeira não era uma delas. Isso era uma coisa boa. Estava cansada daquele olhar “você não sabe de nada” que ela vinha me lançando.
— Te vejo na aula de história. Tchau ti...Alice. – Quase chamei ela de tia. Eu tenho que me lembrar disso. Aqui ela é só uma amiga. Ela é a irmã adotiva da minha cunhada. Eita coisa complicada.
— Até logo Nessie. – Ela disse indo com Jasper para a sala. Ele com certeza iria acompanhá-la até sua sala.
Resolvi segui pra minha sala também. Ela não era muito distante dali, segundo a secretária. Fui andando enquanto olhava para o meu horário e sem prestar atenção pra onde ia. De repente dei de cara com uma parede. Ótimo. Primeiro dia de aula e eu sou a garota que deu de cara com a parede. Mas quando olhei pra cima vi que não tinha batido numa parede, e sim num cara enorme, loiro, musculoso, de olhos azuis profundos e que no momento tinha um sorriso preguiçoso nascendo no rosto. Resumo: ele era lindo!
— Oh! Me desculpe. Eu não estava olhando pra onde ia.
— Não tem problema nenhum. Uma garota bonita como você pode esbarrar em mim quando quiser. Eu só espero não ter te machucado.
Aquilo me fez rir. Era mais fácil eu ter machucado ele.
— Não, eu estou inteira.
— Deixe que me apresente. Sou Bart O’Brian. Seja bem vinda ao Colégio Croosland...
— Reneesme Cullen. Mas pode me chamar de Nessie.
— Muito prazer Nessie. Posso te acompanhar até sua sala?
— Claro.
Ele parece um cara legal. Quem sabe não me apaixono por ele? Achar um boy magia. Confere. Essa foi fácil.
POV Jacob…
Eu não tinha dormido. Hoje era o primeiro dia de aula dela. Logo ela estaria cercada de caras da idade dela que não tinham se apaixonado por sua mãe antes dela nascer, que não tinham que viver a 4.723 quilômetros e 42 metros de distancia. Sim eu pesquisei. Ou que tinham que domar uma hibrida de lobo com lobisomem de verdade. Cara minha vida era uma droga. Nem com um imprinting eu consigo a garota.
Eu estava pronto pra deixar a reserva quando April apareceu. Bem, na verdade eu estava indo pro Canadá correndo quando senti o cheiro dela. Nós nos encontramos e ela me atacou. Foi difícil dominá-la, mas quando falei com ela enquanto ainda éramos lobos ela parou surpresa. Nunca tinha encontrado com ninguém que pudesse falar com ela na forma de lobo. Ela era um caso muito especial de desgarramento da tribo. Seus avós deixaram a tribo há muitos anos e ela tinha o gene da mutação. Quando encontrou com um vampiro iniciou-se o processo de transformação.
Ela me contou a história dela naquele dia. Mas a parte mais impressionante não era o fato dela ser tão afastada geneticamente, mas o fato de que ela também era de uma descendência de lobisomens de verdade. Daqueles que se transformam pela lua cheia e tudo, e agora ela se transformava em lobo sem querer toda noite de lua cheia. Ela ativou a esse gene depois de ter matado uma pessoa sem querer enquanto estava na forma de lobo, o do meu tipo. O pior era que ela perdia por completo o controle quando estava na forma de lobisomem. E isso era perigoso pra qualquer um que ficasse por perto. E como ela só confiava em mim tive que ficar pra ajudar.
Agora como você explica pra garota que ama que vai morar com outra mulher, mas que não tem nada de romântico nisso e sem declarar seu amor eterno para ela? Exato! Não dá! É impossível! Eu sabia que Nessie não sentia nada por mim ainda. Mas seria complicado falar sobre isso depois.
Decidi ligar pra ela. Nós éramos amigos ainda, mesmo que ela tenha se afastado um pouco de mim desde que April apareceu. Eu estava louco de saudades e morrendo de ciúmes de qualquer garoto que pudesse ficar no mesmo lugar que ela. Ela devia estar indo pra aula agora, então eu sabia que não iria atrapalhar.
Ela demorou a atender e minha aflição apenas aumentou.
— Oi Jake.— Ela falou com a voz rouca me causando arrepios pelo corpo. Se controla cara.
— Bom dia Nessie. Só liguei pra te desejar boa aula. – Tentei soar normal, me segurando para pedir que ela não fosse pra escola nenhuma enquanto eu não estivesse junto dela.
— Ah! Obrigada. – Ela falou meio distante.
Era sempre assim agora. E aquilo sempre me machucava muito. Tentei controlar minha tristeza e continuei a falar.
— Está ansiosa?
— Sim. Vai ser legal poder sair com gente da minha idade pra variar.
Meu maior medo era o que ela achava legal. Aquilo estava me matando aos poucos. Eu tinha que dar um jeito de afastar os caras dela. Mas no momento tudo o que eu sentia era dor. Uma dor crescente no meu peito que me impedia de pensar em qualquer tipo de plano.
— Eu imagino. Bem... boa aula pra você. E cuidado. – O aviso simplesmente escapou de meus lábios.
— Cuidado com o quê? Com meus poderes? Eu sei fingir muito bem meus poderes. Você sabe disso.
Ok, agora ela estava com raiva. Perfeito. Pensei irônico. O que eu respondia? Se eu falasse pra ela tomar cuidado com os outros caras ela ia querer saber o porquê disso. E isso eu ainda não diria. Era muito cedo.
— Não estava falando sobre eles. Você é melhor que a Bella nesse ponto. Eu estava falando sobre...sobre... – Pensa, pensa!
April entrou no meu quarto e eu soube que não teria uma resposta descente. E pela cara dela alguma coisa tinha acontecido e eu precisava desligar.
— Sobre o que Jake?
— Sobre nada Ness. Apenas tenha cuidado. Boa aula. – Falei rapidamente pronto para desligar o celular.
— Jake, tem gente vindo pra cá. – April falou preocupada.
— Você sabe quem é? Reconheceu o cheiro?
— Sim. É a Leah.
Revirei os olhos, elas não se deram muito bem desde o primeiro momento. Era de se esperar que as duas lobas do grupo se dessem bem, mas isso não aconteceu. O que Leah estava fazendo aqui a essa hora?
— Eu resolvo isso logo. Já volto. – Falei já saindo da cabana e indo para entre as árvores.
No final das contas ela só queria conversar um pouco depois de ter terminado sua ronda e me avisar que Seth estava pra voltar. Ele estava terminando a faculdade e ia voltar pra casa como o mais novo biólogo da reserva. Sue daria uma festa de boas vindas e queria que eu fosse. Disse que eu iria sim. Ela deixou bem claro que apenas eu havia sido convidado.
Quando voltei para a cabana April estava preparando nosso café da manhã.
— Você ligou pra ela, não foi?
A pergunta, que era mais uma afirmação, me pegou desprevenido.
— Como você sabe?
— Sua cara de dor e desespero quando eu entrei. E agora esse seu olhar jururu.
— As aulas dela começaram hoje e eu estou com um mau pressentimento.
— Não seja bobo Jake. Tenho certeza de que ela já te ama.
— Você nunca viu a Nessie.
— Mas já ouvi algumas conversas de vocês.
— Bem que eu queria que isso fosse verdade.
Não estava a fim de ouvir palavras de conforto vazias. Ela não sabia de nada. Não sabia como Nessie era antes. Dei meia volta e fui correr pra esfriar a cabeça.
Fale com o autor