What If... (And If)
44 Fase II: Capítulo 16 - A Escolha...
Notas iniciais
Fase II: Capítulo 16 – A Escolha...
POV Bella...
— Tudo bem Charlie que história é essa de esconder as coisas de mim? — Perguntei contendo minha raiva.
Ele havia mentido pra mim depois de tudo! Charlie fez uma careta de quem foi pego, mas aquilo não durou muito.
— Se estamos falando de esconder coisas aqui você tem muito mais culpa no cartório mocinha. Namorando/engravidando de um vampiro. Se transformando em uma vampira. Mais alguma coisa que eu não sei da sua vida? — Charlie falou erguendo uma sobrancelha.
Foi minha vez de fazer careta. Tinha muito mais coisas que ele não sabia. Ele tinha um ponto.
Um silêncio constrangedor se instalou entre nós.
— Tudo bem pai, mas eu não podia falar. Esse segredo não pode ser revelado a humanos a menos que eles morram ou se tornem vampiros. Edward correu um grande risco ao me deixar adivinhar. Só Deus sabe o que poderia ter acontecido de as “autoridades vampíricas” soubessem que eu sabia do segredo. — Cedi primeiro.
— Ok, eu entendo. E me desculpe por não ter contado da doença. Não queria prejudicar nosso tempo junto. — Disse ele em seguida.
— O quê o Damon e a Gabi te contaram? — Aquela pergunta rondava meu cérebro o tempo inteiro.
— Eles tiveram um tempo difícil em me convencer de que eram vampiros. E me falaram que você sabia de tudo que Nessie é uma hibrida e que se eu escolher me transformar em vampiro serei curado e vou poder ficar com vocês pra sempre.
— E o senhor já decidiu o que vai querer? Olha pai, ser vampiro é ótimo, mas tem suas desvantagens. — Eu não sabia o que estava falando.
— Eu sei de tudo o que preciso saber Bells. E já tomei minha decisão sim. Será que você poderia pedir o tal do Damon pra voltar?
Não entendi o porquê ele queria que Damon voltasse, mas não foi preciso chamá-lo. Logo meu amigo entrou no quarto. Óbvio que estavam todos esperando do lado de fora e escutando tudo.
— Me chamou Charlie?
— Como você soube?
— Super audição, esqueceu? — Perguntou Damon sorrindo.
— Ok. Mas isso é realmente uma chatice. Não se tem privacidade nesse lugar. — Reclamou meu pai fechando a cara.
— Privacidade é uma coisa inexistente numa casa cheia de vampiros Charlie. Mas por que me chamou? Tenho certeza de que não foi para reclamar sobre privacidade. — Disse meu amigo intrometido.
— Você está certo rapaz. Sua proposta ainda está de pé? A de me fazer esquecer de tudo.
Fazer esquecer? Não estava entendendo. Por que ele ia querer esquecer alguma coisa? A menos que... oh!
— Você não quer ser um vampiro então Charlie? Tem certeza? — Damon perguntou confirmando minha conclusão.
— Sim eu tenho certeza. — Ele respondeu para meu desespero.
— Mas pai! Por que você não quer? Por quê?
— Bells, eu não tenho nada haver com esse mundo sobrenatural. Jamais seria feliz se fizesse mal a alguém. E beber sangue e brilhar no sol está fora de cogitação. Esse não seria eu, você entende? Eu sou um policial de cidade pequena que gosta de pescar. Ser um vampiro não está em mim. Você entende? Mesmo com você e Renesmee perto te mim eu jamais poderia ser feliz de verdade. Meu tempo já chegou. Eu aceitei isso. Tudo o que eu quero é passar o máximo de tempo possível com minha filha e minha neta.
— Mas pai! — Tentei começar a argumentar, mas ele me cortou.
— Respeite minha decisão Bella. — Pediu parecendo cansado.
— Olha Charlie eu sei que só te dei duas opções, mas eu posso te dar uma terceira. — Falou Damon nos fazendo lembrar que ele ainda estava ali.
Olhamos pra ele esperando que continuasse para que entendêssemos do que se tratava essa terceira opção.
— Você não precisa esquecer de nada. Afinal de contas você vai morrer mais cedo ou mais tarde. Não é como se os Volture pudessem fazer alguma coisa contra você de qualquer jeito.
Eu amava meu amigo, mas às vezes ele sabia como ser insensível.
— Além disso você ainda pode mudar de ideia até a última hora. Já vi o veneno de vampiro fazer verdadeiros milagres durante uma transformação. — Disse ele olhando pra mim com certeza se lembrando do meu parto.
Sorri para ele. Damon estava tentando ganhar tempo. Provavelmente meu pai poderia mudar de opinião depois que a doença ficasse pior ou depois de passar muito tempo com Renesmee. Ainda havia esperança.
Agradeci meu amigo apenas com um movimento de lábios sem emitir sons. Eu tinha que pensar em como fazer meu pai mudar de ideia. Mas como?
— Isso não vai acontecer. Eu já tomei minha decisão e sinceramente não estou nem um pouco a vontade em saber que vou estar cercado de vampiros o resto do tempo que me resta.
— Pai pense um pouco mais sobre isso. É de sua vida que estamos falando aqui.
— Exatamente. É a minha vida e eu escolho. Não quero ser um vampiro e não quero nem saber que eles existem e que minha filha e genro são um. Não quero nem pensar no que Renesmee é.
— Charlie não seja cabeça dura. — Pediu Damon com mais intimidade do que deveria.
— Já chega! Tomei minha decisão. Agora se não é pedir demais apague minha memória.
— Você quer realmente viver uma mentira até morrer? — Damon falou exaltado erguendo as sobrancelhas. — Porque é isso que você vai ter se eu apagar sua memória. E sabe o que mais você não vai ter? Não vai poder ouvir sua neta dizer que te ama.
— Não seja ridículo rapaz, Nessie é só um bebê ela não vai falar antes que eu morra. Muito menos um eu te amo.
Entendi o que Damon estava tentando fazer e me juntei a ele.
— Pai, a Nessie que você viu aqui hoje não é exatamente a real.
— Como assim não é a real? Eu a vi e a peguei no colo. Ela é real.
— Não pai, você viu um bebê, mas Renesmee já tem a aparência de uma criança de 6 anos, e tem a mentalidade de uma criança de 9 anos. Ela é diferente das crianças normais. Ela cresce muito mais rápido que o normal. Minha gravidez durou um pouco mais de 3 meses, quase quatro.
— O quê? Como assim? — Perguntou ele agitado.
— Calma pai. Ela vai ficar bem. Quando fizer 7 anos de idade vai parar de crescer. Ela terá a aparência de uma jovem de 18, 19 anos. O crescimento é mais devagar a medida que ela vai crescendo.
— Mas como eu vi minha neta daquele jeito? — Ele perguntou sem entender nada.
— Foi minha culpa. — Disse Gabrielli entrando no quarto sem ser chamada.
Esse povo realmente não respeitava privacidade. Eu sabia que Edward não entraria, não depois da bronca que eu dei nele no carro por achar que eu deveria decidir sobre a vida de meu pai. Bom, agora eu estava pagando por deixar ele escolher. Mas a vida é dele a final.
— Eu tenho mais poderes do que um vampiro normal. Um desses poderes é criar ilusões, camuflagens. Foi assim que eu fiz você ver Nessie como um bebê. Eu camuflei a verdadeira. — Continuou a ruiva francesa.
— Isso não acaba nunca? Será sempre assim? Esse tanto de mentiras? Não gosto de mentiras, nunca gostei. E vocês realmente acham que vão me convencer a escolher um estilo de vida onde eu tenha que mentir pra sempre? — Charlie falou exaltado e uma veia saltava em sua testa.
Aquilo realmente não deveria ser bom pra ele. Era muita emoção, muito complicado. Talvez fosse realmente melhor que ele esquecesse. Mas eu não estava pronta pra perder meu pai novamente. E agora definitivamente. Tinha que haver uma maneira. Tinha que haver.
— Eu já disse mil vezes. Já tomei minha decisão. Damon, apague minha memória. Não quero saber de nada disso.
Meu amigo respirou fundo e me lançou um olhar de desculpas. Eu sabia que ele não imaginará que meu pai fosse recusar sua oferta. Eu precisava pensar rápido. Mas nada vinha a minha mente. Então Edward entrou. Eu sei que havia brigado com ele, mas precisava tanto dele ali comigo e agora que não me importei e fui até ele e sendo abraçada como resposta.
— Charlie, tudo bem, nós respeitamos sua decisão. Mas acho que você está perdendo mesmo por não conhecer nossa filha como ela realmente é. Por que não fazemos assim, Damon apaga sua memória, mas faz com que você acredite que passou mais tempo afastado das garotas. Assim você poderá ver nossa filha do jeito que ela é, pelo menos a parte humana, e não perderá tanto assim. — Edward falou e eu o amei mais por isso.
Se tudo o que eu poderia ter de meu pai era isso, então que seja com ele tendo Renesmee de verdade.
Meu pai ainda ponderou sobre o assunto, mas dava pra ver que ele queria conhecer a neta real e não a ilusão que havia conhecido mais cedo.
— Tudo bem. Eu aceito isso. Mas é só essa mentira que aceitarei. Agora ande rápido com isso meu jovem.
Damon acenou e se aproximou de meu pai. Olhando fixamente nos olhos castanhos dele começou a falar:
— Charlie, você vai se esquecer de tudo o que ouviu e viu desde que eu e Gabrielli entramos nesse quarto pela primeira vez. Estamos aqui para nos despedir e Nessie está la fora. Você ficou separado de sua filha e neta por 7 anos. E agora apouco você viu essa menina sair daqui.
Como se esperasse sua deixa Gabrielli fez se materializar uma cópia exata de minha filha ao seu lado.
— Essa foi a Nessie que você conheceu, não um bebê. Ela se sentou na sua cama bem ao seu lado, te chamou de vovô Charlie, disse que te amava e pra você ficar melhor logo. Você não se fará perguntas sobre o ano em que estamos e sempre que alguém disser que estamos em 2004, você automaticamente corrigira isso em sua mente por 2009. Qualquer coisa estranha que você veja envolvendo os Cullen's, eu, sua filha, neta minha mulher aqui, meu primo Rodrigo e a esposa dele, Amanda, você presumirá que é alguma alucinação causada por sua doença.
— Não. — Falei rapidamente fazendo com que todos me olhasse, menos meu pai. — Não seria melhor fazer ele esquecer da doença também? Assim ele viveria o tempo que resta sem saber que são seus últimos dias.
— Bella, ele pediu e foi bem claro. Só uma mentira. — Edward falou com pesar.
Funguei querendo chorar de verdade e não essa porcaria de choro de vampiro. Mas nada se podia fazer.
Damon voltou a olhar nos olhos de meu pai e continuou:
— Não escute o que sua filha acabou de falar. Repetindo. Você não sabe nada sobre vampiros existirem de verdade. Não se lembrará dessa conversa que tivemos, apenas que conheceu sua neta Renesmee, uma garotinha de 6 anos. Qualquer coisa estranha que vir acontecendo será causa de sua doença.
E então Damon se afastou. A imagem de minha filha criada pela ruiva desapareceu. Meu pai piscou duas vezes e então olhou para nós.
— Foi muito bom passar um tempo com vocês. Não esqueçam de trazer Nessie pra me visitar mais vezes. Aquela garotinha é demais. Vocês fizeram um ótimo trabalho criando ela. Sinto muito ter demorado tanto tempo para entender suas escolhas filha.
— Eu é quem sinto muito pai.
Nos despedimos de meu pai e fomos embora. Eu não parava de chorar. Mal tinha tido meu pai de volta e já ia perdê-lo. A vida era tão injusta. Mas agora tudo o que me restava era aproveitar o tempo que teríamos com ele. Eu precisava aproveitar o máximo de tempo possível e só tinha uma pessoa que eu confiava para organizar perfeitamente essa despedida de 25 dias. Alice.
oOo
Meu pai teve alta do hospital no dia seguinte. Levamos ele para a casa dos Cullen's, sobre alguns protestos, mas ele cedeu quando percebeu que teria mais tempo com a gente.
Como esperado de Alice ela já tinha tudo planejado no momento em que cheguei em casa no dia anterior. Comemoramos todos os aniversários perdidos meus e de minha filha,e tiramos fotos suficiente para encher 5 álbuns de fotografia. Aquilo não foi só por Charlie, mas para todos os Cullen também. Especialmente Edward.
Alice adiantou meu casamento com Edward e organizou tudo em tempo recorde para que eu pudesse entrar com meu pai. Foi um casamento lindo, Renesmee entrou com as alianças, mas só com os que sabiam do segredo e Charlie.
Recriamos e fizemos festas de Natal, Tanksgiven e Halloween também. Sue, Billy e outros Quileutes estavam presentes sempre. Completando a família. E mais álbuns foram feitos.
Saímos para pescar, fizemos piqueniques, assistimos futebol na TV gigante da sala, Charlie brincou e conheceu de verdade minha filha. Apesar de toda a alegria que essas atividades e o reencontro causaram, tudo tinha uma ponta de tristeza e despedida. O fantasma da doença e dos poucos dias que teríamos estava sempre lá.
Mas a coisa mais difícil foi dizer e convencer Renesmee que nada poderia salvar seu avô. Ela ficou arrasada. Chorou por dias. Pensei seriamente em pedir a ajuda de Damon para apagar a memória dela, mas ela precisava aprender. Ela viveria longos anos e perderia mais pessoas. Além disso eu não poderia tirar as últimas lembranças, as únicas lembranças, que ela tinha do avô. Foi um momento difícil para todos nós. Jasper ajudou muito nisso. Ele fez com que ela não sofresse tanto e se conformasse. Mas era difícil. Eu mesma estava tendo um tempo difícil em me conformar. Mas ela é uma criança e logo aceitou.
Hoje era o último dia. Meu aniversário. Eu não queria mais festas. Já havíamos tido festas demais. Além disso Charlie não enxergava mais. Durante os 25 dias ele piorou consideravelmente. Teve convulsões, lapsos de memória, perda parcial da visão e dois dias atrás ele perdeu completamente a visão. Não havia o que comemorar.
A tenção era horrível. O clima era horrível. Charlie estava horrível, eu estava além do horrível. Tudo era horrível. Pensei em tentar argumentar novamente com meu pai, mas ele estava tão fraco. Tinha medo de que ele morresse no meio da discussão. Eu ia morrer se isso acontecesse.
Charlie estava deitado em sua cama, na casa onde viveu a maior parte do tempo. No quarto estávamos eu, Edward, Billy e Sue. Renesmee estava lá em baixo com os outros, com Jacob.
— Nessie... — Disse meu pai de forma quase inaudível para um humano. Ele pigarreou e voltou a falar. — Chamem ela. Quero me despedir.
Não demorou muito e Jacob entrava com ela no colo.
— Pronto Charlie. Estamos aqui. — Disse Jake se aproximando.
— Vovô? — Chamou minha filha chorosa.
— Chega mais perto querida. — Pediu ele.
Ela desceu do colo de Jacob e foi até seu avó. Aquilo estava me matando também. Eu chorava como podia, o tempo inteiro. Lentamente ela se sentou ao lado de meu pai e ele segurou sua mão.
— Seja uma boa menina sempre e não deixe outros garotos se aproximarem de você enquanto não tiver 30 anos. — Ele se voltou para cima, sem olhar para nada em específico, afinal não enxergava, e disse: — Jacob deixo isso em suas mãos. Proteja minha neta melhor do que protegeu Bella.
Não pude acreditar no que havia ouvido. Então algo ainda mais surpreendente saiu dos lábios de meu pai.
— E Bella, seja feliz com Edward. Mesmo não concordando com a escolha de vida de vocês não posso desejar mal a você nunca. Mesmo sendo uma vampira.
Todos nos olhamos chocados. Mas Jacob foi quem falou primeiro.
— Talvez a doença tenha quebrado a hipnose do Damon. — Disse dando de ombros.
— A quanto tempo você sabe pai? — Não pude deixar de perguntar.
— Desde que comecei a perder a visão. Algumas coisas foram voltando a mim aos poucos. Uma pena. Mas foi bom. Posso me despedir adequadamente. Eu amo vocês. E fico feliz que você e Nessie estejam com pessoas tão boas que amam tanto vocês. E Edward.
— Sim?
— Se você deixar minhas garotas mais uma vez eu volto dos mortos e além de vampiros e híbridos vocês terão de lidar com um fantasma rabugento. — Ameaçou ele.
Edward não riu. Ninguém riu, a não ser Jacob.
— Por mais que eu queira que você fique na vida delas Charlie, não vou deixá-las nunca mais. Cometi um erro no passado, mas nunca mais o cometerei novamente. — Respondeu ele mais sério do que nunca.
— Acho bom mesmo. Acho bom mesmo... — Sua voz morreu, mas ele ainda respirava. Devia estar cansado de tanto falar.
Ficamos em silêncio. Eu segurava uma mão e Nessie segurava a outra mão de Charlie quando ele voltou a falar.
— Billy... quanto ficou o jogo de ontem? — Perguntou com a voz mais áspera que antes.
— A gente ganhou. Você perdeu um jogo e tanto. — A voz de Billy era animada, mas em seu rosto uma lágrima escorria. Nunca tinha visto o pai de Jake chorar. Aquilo mexeu ainda mais comigo
— Me conte o jogo então. — Pediu meu pai.
— Deixa que eu conto Charlie. — Pediu Jacob vendo que seu pai não ia aguentar.
— Vá em frente garoto.
E foi isso que Jacob fez. Ele contou cada parte emocionante do jogo.
Quando acabou meu pai falou:
— Um jogo e tanto realmente.
E então meu pai parou de respirar e seu coração parou de bater. Eu e minha filha o abraçamos e choramos. Vi que Edward abraçou nossa filha e a consolou. Jake fez o mesmo por mim assim como Billy fez com Sue.
No lado de fora da casa lobos uivaram tristes. Não mais tristes do que eu.
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