What If... (And If)
42 Fase II: Capítulo 14 - Ocultando a verdade...
Notas iniciais
Fase II: Capítulo 14 – Ocultando a verdade...
No Hospital...
POV Universal…
Charlie olhou para a porta e viu seu médico entrando com uma cara não muito boa. Era por isso que ele não era fã de hospital. Bastava você entrar que as notícias ruins chegavam.
— Boa noite chefe Swan. Como o senhor está se sentindo? — Perguntou o médico de forma amigável tentando ir com calma antes de dar a notícia.
— Boa noite doutor. Eu estou bem. Se não se importa pode ir direto ao assunto. O que está acontecendo? Por que eu tive que fazer aquele tanto de exames? — Ele foi direto, aqueles rodeios só o irritavam.
— Bom, achamos uma anomalia no seu sangue e os exames foram apenas para nos ajudar a explicar essa anomalia.
— Por favor doutor. Direto ao ponto. O que eu tenho? — Charlie perguntou impaciente.
— O senhor está com um tumor no cérebro. E talvez tenha poucos dias de vida. Um mês no máximo. — O médico foi direto até de mais.
— Como é que é? — Perguntou Charlie assustado.
— Na verdade a anomalia no sangue não passou de uma anemia aguda. Achamos estranho o senhor não ter visto uma curva. Isso não é normal. Então, veio sua radiografia da cabeça e achamos uma massa estranha. Por isso te mandamos fazer a tomografia que nos mostrou melhor a situação. A área onde o tumor está é inoperável e como está comprimindo áreas importantes do seu cérebro isso pode levar à uma morte cerebral logo. Foi por causa da massa que o senhor não conseguiu ver a curva.
— Deixa eu ver se entendi. O senhor está falando que eu tenho um tumor no cérebro e que posso morrer a qualquer minuto. É isso?
— Sim. É exatamente isso. Quando sua filha vier eu vou...
— Não.
— Desculpe. Não o quê?
— Não conte para minha filha.
— Mas chefe Swan...
— Eu acabei de voltar pra vida dela. Não quero que meus últimos momentos com minha filha e neta sejam de sofrimento e cheio de despedidas.
O médico não sabia o que fazer. Então ficou calado e acenou com a cabeça.
— Só me diz uma coisa doutor. Esse tumor, ele vai afetar em mais alguma coisa? Quer dizer, eu vou poder agir normalmente o resto do tempo que me resta?
— Vai. O senhor provavelmente poderá ter perda de visão por alguns momentos que evoluirá para perda parcial e/ou total. Não é garantido. Mas momentos como o que aconteceu enquanto o senhor dirigia vão começar a ocorrer mais frequentemente. É provável que eles já venham acontecendo a algum tempo e o senhor não tenha notado. É o que eu acredito que tenha causado o acidente do senhor. Além disso o senhor pode ter convulsões a qualquer momento. Na verdade é muito estranho que isso já não tenha acontecido. O senhor já acordou no chão sem saber como havia se deitado?
— Não que eu me lembre. — Disse Charlie pensativo.
— Perda e lapsos de memória podem ser outro efeito do tumor de qualquer forma. Então mesmo que tenha acontecido é provável que o senhor não se lembre.
Charlie não estava escutando direito. Ficou pensando em quanto tempo perdeu com a filha e a neta por ser cabeça dura. Agora ele estava pagando por ter sido tão ruim com sua filha.
— Chefe Swan? — O médico chamou a atenção. — O senhor tem certeza de que não quer contar para seus parentes? Vai ser complicado esses 30 dias. E nós nem sabemos se o senhor terá todo esse tempo. Seria melhor os avisar para que eles possam se despedir apropriadamente
— Doc, eu cometi um erro terrível a alguns anos atrás com minha filha e ela acabou de me perdoar. Não posso jogar isso pra cima dela agora. Não agora que eu estou prestes a conhecer minha neta. Esse sofrimento deve ser somente meu.
O doutor queria contestá-lo, mas achou melhor dar um tempo para o paciente pensar sobre tudo que estava acontecendo. Ele acreditava que Charlie mudaria de opinião. Mas ele não conhecia o policial bigodudo direito. Não sabia que quando Charlie colocava uma coisa na cabeça ninguém tirava.
No dia seguinte...
Edward POV
Estávamos prestes a entrar no quarto de hospital onde Charlie estava. Eramos um grupo grande, mas era preciso toda essa gente. Nessie estava no colo de Gabrielli que era envolvida pela cintura por sua mais nova sombra, Damon. Eu não podia o culpar. Fiquei apenas 2 anos longe de Bella e não podia suportar ficar muito tempo separado dela agora. Não posso imaginar o quanto ele sofreu com a separação de 300 anos do amor de sua pós vida. Não era atoa que ele era do jeito que era. Instintivamente apertei Bella em meus braços.
Ela me olhou com temor e eu a beijei levemente nos lábios.
— Vamos logo com isso. Eu tenho mais coisas a fazer. — Damon falou impaciente. Ele queria voltar a ficar a sós com sua ruiva. Eu nunca pensei que poderia ter um casal pior que Emmett e Rosalie no começo de relacionamento, mas esses dois superavam de longe.
Queria pedir a Bella que colocasse seu escudo sobre os dois novamente, mas precisávamos estar sincronizados naquela hora.
Bella não respondeu a provocação de Damon, apenas abriu a posta e nós entramos. Os pensamentos de Charlie estavam cada vez mais difíceis de se ler então tudo o que eu pude me concentrar era no que ele via. E ele viu Nessie como um bebê de 1 ano e 3 meses no colo da ruiva. Era por isso que ela estava ali. Para maquiar a aparência de nossa filha. Bella havia mostrado algumas fotos de nossa filha para ela, então o resultado era o mesmo das lembranças de Bella.
Havíamos explicado tudo para Renesmee e ela entendeu perfeitamente que não poderia falar com seu avô porque ele não sabia que ela era especial e nem poderia saber.
— Pai, esses são uns amigos nossos, Gabrielli e Damon. Eles são hum...parte da família. Damon é primo de Rodrigo Salvatore. Um amigo que me ajudou durante...bem, o tempo que nós ficamos longe. — Bella falou sem jeito. Não queria trazer nada de ruim pra situação.
Charlie ficou sem jeito também. Mas deu um aceno de cabeça para os dois.
— E essa, Charlie, é Renesmee, nossa filha. — Falei pegando minha princesa dos braços da ruiva.
Gabrielli tinha me avisado que podia estender seu poder, então não teria problema em pegar e passar a criança para qualquer um naquele quarto.
Os olhos de Charlie se apertaram a medida que ele sorria e rugas apareceram por seu rosto quando ele observou Renesmee.
— Ela é linda! A mistura exata de vocês. Posso pegá-la?
— Claro que pode pai. — Bella falou cheia de emoção na voz.
Eu sabia que era difícil pra ela voltar a mentir pro pai. Mas não havia outro jeito. Tentei sondar os pensamentos de Charlie mais uma fez, mas não conseguia aprofundar muito. Eu sempre achei a mente dele mais difícil de se ler. Mas parecia que tinha piorado a situação. Era quase como se ele estivesse desenvolvendo a capacidade de Bella em fechar sua mente.
Tudo o que eu conseguia ver era o que ele via. Nem uma pontinha do que ele pensava. Estranho. Muito estranho mesmo.
Passei Renesmee para os braços de Charlie e ele a pegou sem jeito, talvez por falta de prática, ou por causa do braço quebrado.
— Meu Deus ela pesa muito mais do que parece! — Exclamou Charlie assim que a segurou.
Opa! Todos pensamos. Exceto minha filha. “Ele tá me chamando de gorda papai?”
Havíamos esquecido esse pequeno detalhe. Por mais que Renesmee parecesse com uma criança de colo, ela ainda pesava como uma criança de 5 anos. Como todos que a seguravam tinha muita força seu peso nunca foi um problema pra nós. Mas Charlie percebeu, obviamente.
Antes que isso se tornasse um problema Damon falou olhando no fundo dos olhos de meu sogro:
— Não. Ela é leve como uma pluma.
Charlie entortou a cabeça e olhou para a neta.
— Sim. Leve como uma pluma. Ela tem comido direito Bells? — Charlie disse hipnotizado pelo Salvatore.
Simples assim. Esse dom era realmente uma ótima coisa.
— Ela come bem pai. Não se preocupe. Agora, porque não me dá ela aqui. O senhor não pode se esforçar muito. — Bella tentou pegar a filha, mas seu pai a apertou mais.
— Não. Por favor. Me deixe ficar um pouco mais com ela? Demorei tempo de mais pra poder pegá-la no colo. Ela é uma criança adorável.
Olhei para Gabrielli e vi que ela fez Renesmee ficar mais leve nos braços do chefe de polícia. Assim ele não precisaria se esforçar para continuar segurando a neta.
— Sim ela é a criança mais adorável da terra. — Disse Gabrielli sorrindo.
— Uma verdadeira princesa. — Acrescentou Damon piscando para Nessie e recebendo um sorriso em resposta.
— Ela tem o dom de conquistar qualquer um rapidamente. — Acrescentei também sorrindo.
Então uma coisa estranha aconteceu. Charlie não enxergou por alguns segundos. Nada que um humano pudesse reparar, mas eu reparei perfeitamente. Observando a cena por seu ponto de vista pude notar que durante dois segundos e meio inteiros ele não enxergou nada.
Antes que meu pensamento pudesse avançar mais naquilo o médico entrou no quarto.
— Oh! Vejo que está com visitas chefe Swan. Que linda garotinha, é sua neta? — Falou o médico em tom animado, mas seus pensamentos eram completamente diferente. “Uma família tão bonita. É uma pena o que está acontecendo.”
Aquilo me chamou a atenção e prestei mais atenção no médico.
— Sim. Essa é Renesmee minha neta. E essa é Bella minha filha. — Disse Charlie acenando para elas.
— Muito prazer. Sou Doutor Arthur Jackson.
— Muito prazer doutor. Sou Edward Cullen, noivo de Bella e esses são nossos amigos, Gabrielli e Damon. — Me adiantei apertando a mão do homem.
— Dr. Jackson, qual é o estado de meu pai? — Bella perguntou aflita.
— Eu estou bem Bells. — Resmungou o homem trocando um olhar estranho com o doutor logo em seguida.
— Sim Bella. Seu pai está bem. Ele só precisa se recuperar das fraturas, mas logo estará perfeitamente bem. — Mentiu o médico. Pude ver que não fui o único quem percebeu a mentira. Gabrielli era um detector de mentiras ambulante. Outro dom que tinha. Então ela logo soube da mentira.
Mas ao contrário de mim, ela não sabia qual era a mentira. Eu havia lido perfeitamente os pensamentos do médico. Charlie tinha um tumor grave e maligno que o mataria a qualquer minuto e não queria contar para ninguém. Exigindo sigilo do médico e sua equipe.
Olhei para Charlie e em seguida para Bella que não tirou os olhos de seu pai. Se ela soubesse disso ia ficar arrasada. Eu devia contar, ou a deixaria aproveitar o pai sem saber quanto tempo ainda tinha com ele?
Sem conseguir tomar uma decisão resolvi deixar aquilo para depois. Precisava saber quanto tempo exatamente Charlie tinha. Eu precisava falar com Alice o mais rápido possível.
Meu telefone tocou no segundo que pensei em minha irmã e eu já sabia que era ela. Gabrielli me olhou alarmada. Mas antes que ela falasse qualquer coisa pedi licença e deixei o quarto. Escutei a ruiva falar que precisava fazer uma ligação e logo vi que era seguido pelo novo casal. Não os esperei. Assim que vi o corredor vazio, fui até a janela mais próxima e pulei por ela correndo para a floresta próxima.
Atendi o celular no seu quarto toque.
— O que você viu Alice? — Perguntei assim que atendi.
— Como sabe que eu vi alguma coisa?— Ela perguntou confusa por meu raciocínio rápido.
— Charlie. Ele tem um tumor. Foi sobre isso que viu?
— Sim. Tive uma visão dele morrendo logo depois da festa de aniversário da Bella. Ele simplesmente desmaia e morre. Foi horrível. Como ela está?
— Bella não sabe. Charlie pediu segredo ao médico. Isso quer dizer que temos só 25 dias. É pouquíssimo tempo.
— Oh meu Deus, isso vai ser horrível. Você tem que contar pra ela.
— Como? Não sei se posso fazer isso.
— Edward ela vai sofrer muito mais se você não contar. E nós podemos resolver isso agora. Ele não precisa morrer!
— Como você pode falar isso? Não podemos transformar Charlie sem que ele saiba no que está se metendo. E isso é uma decisão que a Bella tem que tomar sozinha.
— Então conte pra ela, ora!
— Eu vou falar. Assim que Nessie não estiver perto.
— Tudo bem então. — Disse ela desligando.
Olhei em volta achando estranho que Gabrielli e Damon não tivessem aparecido. Mas dei meia volta e voltei para o hospital. Encontrei os dois se beijando no corredor e voltei para o quarto de Charlie tentando apagar as imagens na cabeça daqueles dois.
Bella tinha Renesmee, que dormia, no colo agora e se despedia de seu pai prometendo voltar logo. Me desculpei pela demora e me despedi de Charlie também. Pelo que pude notar ele ainda via Renesmee como um bebê. Então Gabrielli não tinha se descuidado de suas tarefas.
Quando voltamos para o corredor os dois já haviam parado de se agarrar.
— Bella, Edward. Acho que nossos serviços aqui já acabaram, certo? — Perguntou a ruiva ansiosa.
— Sim. Claro. Obrigada pela ajuda. — Disse Bella aos dois.
— Sempre que precisar é só chamar. — Respondeu a ruiva.
— Tchau. — Disse Damon puxando a mulher para pular a mesma janela que eu tinha usado antes.
oOo
Assim que me vi sozinho com Bella dentro do carro, enquanto voltávamos pra casa, comecei a falar.
— Bella eu preciso de contar uma coisa muito importante.
POV Damon...
— E depois que ele desligou o celular eu corri de volta pra cá. — Terminei de contar para minha ruiva o que eu havia escutado da conversa de Edward e Alice na floresta.
— Nós temos que fazer alguma coisa pra ajudar. — Ela falou.
— E nós vamos. Vamos transformar Charlie.- Falei decidido. Eu adoro a Bella, mas odeio essa lenga lenga.
— Espera ai Damon. Isso não cabe a nós decidir. — Interveio Gabrielli.
— Pois eu vou te contar o que vai acontecer. Edward vai falar pra Bella, que vai surtar e ficar completamente dividida se deve ou não transformar seu pai. Eles vão ficar nisso por dias e dias e não vão chegar a uma conclusão a tempo.
— Mas Alice disse que ele tinha 25 dias.
— Quem garante que serão isso tudo? Ela não é tão pontual assim. Essas coisas podem piorar. Quem sabe quanto tempo Charlie ainda tem? Bella vai me agradecer depois. Acredite. Nós vamos transformar Charlie hoje mesmo. Antes que alguém nos impeça. É por isso que não saímos de perto do hospital.
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