What If... (And If)
23 Capítulo 21 - Medo e Sofrimento...
Capítulo 21 — Medo e Sofrimento...
POV Amanda
Antes que eu chegasse a uma conclusão Elena apareceu na porta do quarto.
– Amanda, você quer que eu te leve pra casa? – Ela perguntou amigavelmente.
A princípio fiquei relutante. Ela era uma deles, mesmo não sendo uma vampira, segundo o que o Roh me disse, ela sabia de tudo e ainda sim estava do lado deles. Mas era o único jeito de sair dali, já que meu carro estava no fundo do rio e sabe lá Deus como eu cheguei aqui.
– Tudo bem, eu vou com você. – Falei indo até ela passando o mais distante possível de Roh.
Caminhamos em silêncio por todo o logo corredor. Era tanta coisa passando na minha cabeça que eu tinha certeza de que ela poderia explodir a qualquer momento. Enquanto descia a escada fiquei com medo de encontrar algum deles lá embaixo. Será que eles podiam escutar mais que o normal? Será que escutaram nossa conversa? Não sabia como reagiria se os visse ali na sala.
Procurei por alguma movimentação ou barulho na sala enquanto descia olhando para todos os lados, mas tudo que eu ouvia eram nossos passos ao andar. Nem sinal de vampiro em lugar algum. Isso era bom ou ruim? Um arrepio passou por minha espinha e eu já não tinha certeza de nada.
– Eles não vão aparecer. Não querem te assustar mais do que você já está assustada. – Elena falou com a voz calma e tranquila, mas mesmo assim eu não pude evitar de pular de susto quase caindo da escada. – Desculpe por isso. – Ela acrescentou sem jeito.
– Ok. – Foi a única coisa que saiu da minha boca.
Precisava ir embora logo, agora esse lugar estava me assustando mais do que qualquer coisa.
Elena tomou a frente e eu a segui relutante. Será que aquilo era uma armadilha? Quem me garante que ela é humana mesmo? Todo mundo me parecia bem normal de certa forma. E o Jake? Ele era um lobo. Quer dizer, um lobisomem. Olhei de rabo de olho para a floresta. Será que haviam lobisomens ali também? Será que haviam mais? Será que eles comiam pessoas? Ok agora eu estou ficando paranoica. Mas também não tinham como ser diferente eu estava cercada por criaturas mitológicas! Criaturas de filme de terror! E até aquele dia eu gostava de todos. O que isso queria dizer sobre mim? Mas eu não sabia de nada. E isso não é o tipo de coisa que você imagina ou desconfia.
Elena entrou em um carro preto, não vi qual era, isso não importava agora. Entrei também e ela deu partida no carro. Ainda perdida em pensamentos eu olhava pela janela. Então uma coisa me veio a mente. Eu não sabia de nada, mas Elena sabia. Como ela podia concordar com tudo aquilo? Como ela pode ficar tão calma sendo a única humana no meio deles? Sabendo que eles poderiam matá-la em um piscar de olhos! Como ela podia estar tão tranquila? Como podia namorar um vampiro?
Olhei despistadamente para ela ainda fazendo mil perguntas mudas à mim mesma.
– Como você ficou sabendo que eles eram isso? – A pergunta saiu de minha boca antes que eu pudesse impedir, mas a curiosidade estava me comendo viva ali.
Ela me olhou rapidamente e voltou a olhar pra estrada antes de me responder.
– Eu fiz uma pesquisa depois de escutar uma história meio maluca sobre o Stefan. Fui aos arquivos de jornal da cidade e pesquisei. Minha cidade é cheia de história sobre vampiros. Coisas que meus pais acreditavam assim como muitos outros do conselho da cidade. Achei a foto confirmando a história maluca. Era uma foto dele a mais de 50 anos atrás e ele estava exatamente como hoje. Só precisei juntar um com um pra entender.
– OH MEU DEUS!!!
– Minha reação foi muito parecida com a sua a princípio. Eu entendo perfeitamente o que está passando na sua cabeça. Mas eles não são maus. Você tem que acreditar nisso.
– Mas como? Eles são vampiros! Como vampiros podem ser bons? Eles se alimentam de sangue de gente inocente!
– Eles são diferentes. Não bebem sangue humano a muitos anos. Alguns deles nunca provaram. Como o Roh te disse eles se alimentam de sangue de animais. Pense assim, em vez de carne animal eles se alimentam da sangue. Não é assim tão diferente de nós. Eles fazem isso justamente por não querer matar gente inocente. Você entende?
– Mais como eles conseguem? E como conseguem sair durante o dia...? – Eram perguntas de mais e a cada resposta eu ficava mais confusa.
– Tente esquecer de tudo o que você sabe sobre vampiros por um instante. Nem tudo o que se falam nos livros e filmes é verdadeiro. Existe um motivo para eles morarem aqui. O tempo está sempre nublado. Veja, a questão ao é sair durante o dia e sim se há ou não sol. Mas acho que você só vai entender se ele mostrar o que acontece depois. E quanto a como eles conseguem seguir essa “dieta”, bom, são décadas de prática. Alguns até séculos de prática. Quanto mais tempo na nova dieta mais fácil fica.
– O que...o que eles têm de diferente?
–Como assim? De poderes extras?
– Poderes EXTRAS?!!
– Opa! Acho que o Roh não chegou nessa parte, né?
– Não... E eu não estou entendendo nada....
– Olha, sei que é muita coisa então não acho que você precise saber disso agora. Deixa isso pra perguntar pro Roh depois. Primeiro você tem que aceitar os fatos. E esses são que o Roh e a família dele são vampiros, que têm como amigos alguns lobisomens. Mas isso não muda o fato de que ele te amo e de que você ama a ele. Não deixe que uma coisa que não é culpa ou escolha dele afete o que vocês dois sentem um pelo outro. Alias o fato dele ser vampiro só aumenta o amor dele por você. Ele nunca vai te trocar por ninguém porque ele só pode amar uma pessoa e essa é você. E você também é importante para mim e para os outros.
– Tudo está acontecendo tão rápido. Eu não sei...não sei o que fazer. O que pensar.
– Eu entendo, por isso que não vou falar mais nada sobre isso. Mas por favor pense nisso. Se você não puder aceitar o que ele é e não o quiser na sua vida ele vai mesmo desaparecer e respeitar sua decisão. E nunca mais você vai poder ver ele. É isso que você quer? Você está pronta e se acha capaz de voltar a sua vida normal sem a presença de Roh na sua vida? Você realmente quer isso?
Fiquei sem fala só de pensar na possibilidade. Elena tinha razão, mas primeiro eu precisava organizar meus pensamentos.
O carro parou e eu percebi que estava na porta do prédio onde morava. Abri a porta do carro, mas antes de sair ela falou novamente.
– Pense nisso Amanda. Pense com carinho. Ele está sofrendo. Ele te ama demais. Quando tiver uma resposta ligue pra ele.
Fiz que sim com a cabeça e saí do carro. Ela acenou pra mim e partiu.
Fiquei parada ali por um tempo e olhei a minha volta me sentindo observada. Corri para a porta do prédio.
Entrei em meu apartamento com os batimentos cardíacos acelerados. Fui direto para meu quarto e deitei na cama, onde coincidentemente, Roh já esteve comigo milhares de vezes. A cada vez que eu pensava mais parecia que minha cabeça ia explodir. Tentava formar uma linha de raciocínio, mas não estava funcionando. Então apenas fechei os olhos e esperei passar. Tentar esvaziar a cabeça.
Então meu telefone tocou. Amaldiçoei os céus e puxei o travesseiro por cima da cabeça tentando abafar o som. O telefone continuou tocando e então finalmente a secretária eletrônica atendeu. Enquanto escutava minha voz gravada pedir para a pessoa deixar o recado tive medo de que fosse o Rodrigo. Mas meus temores se provaram infundáveis quando ouvi a voz de meu irmão.
– Amanda, cadê você? Tenho boas notícias. Você é titia!!! Haley nasceu!!! – Meu irmão falava animado no telefone. – E ela quer saber quando vai conhecer a titia. Me liga falando. – E a ligação acabou.
Fiquei na cama olhando para o telefone na mesinha da sala.
Eu não devia fazer isso. Isso não era certo. Eu precisava dar uma resposta pra ele. Você precisa é sair dessa loucura. Precisa pensar mais. Você tem lembranças de mais aqui. Disse pra mim mesma.
Num pulo me levantei da cama e fui até meu armário. Hora de fazer as malas.
POV Roh…
Ver Amanda saindo da casa com Elena ainda morrendo de medo de mim doeu de mais. E se ela me pedisse para não procurá-la mais? Eu não suportaria isso. Eu iria morrer lentamente. Escutei uma rápida movimentação no andar de baixo e soube que todos tinha voltado ao seus lugares. E então alguém falou comigo. Não tinha reparado que tinha fechado meus olhos até aquele momento.
– Não se preocupe tanto. Ela não quer ficar longe de você. Ela só precisa pensar um pouco. Está muito confusa. – Edward disse da porta. – Dê o tempo que ela precisa, sei que é difícil. Horas nunca parecerão tão longas, mas ela vai voltar pra você. Acredite.
– Que eu saiba futuro é com a Alice e não com você. – Falei sem humor algum. A séculos não me sentia assim tão esgotado emocionalmente.
– Não fique assim Roh. Todo mundo sabe que ela te ama. Está na cara. – Foi a vez de Bella falar. Não tinha percebido que ela estava aqui.
– Mas se isso não for o suficiente? – A pergunta queimava em minha cabeça.
Bella me abraçou e disse no meu ouvido:
– O amor é suficiente. Acredite.
Meneei a cabeça e eles me deixaram sozinho. Era isso que eu queria. Me arrastei até a cama e deitei. Se ela não me quisesse eu poderia ficar vigiando sua vida de longe. Não seria o suficiente mais bastaria. Talvez. Talvez um dia ela me quisesse de volta e eu voltaria de imediato. E quando ela morresse eu me juntaria a ela onde quer que fosse. Era um bom plano. Eu só precisava de alguém que me matasse. Talvez se eu pulasse em uma fogueira já bastasse. Não precisaria de ninguém para isso. Bella já tinha sua família de volta, não precisava mais de mim. E meus primos não sentiriam tanta saudade assim.
– Não acho que isso seja verdade. – Edward falou.
Maldito vampiro leitor de mentes.
– Vou relevar isso. – Ele disse parecendo se divertir. – Eu já pensei nisso sabia? Nessa mesma solução. Alice previu e não deixou acontecer. Tenho certeza de que Bella também não deixaria. Ela realmente te vê como irmão.
– Isso não é da sua conta Cullen. – Aquela coisa de ler mentes estava me dando nos nervos agora. – O que você quer? Me deixa aqui sozinho.
– Só vim falar que Alice acabou de ter uma visão sobre Amanda. – Ele disse um tanto receoso. Aquilo me assustou e me levantei no pulo.
– Ela não me quer mais?
– Sobre isso ela ainda não se decidiu, mas ela está indo para a Inglaterra.
– O QUÊ?!
– Não sei ao certo o porquê, mas Alice a vê com uma bebê no colo em Londres.
– Um bebê?! – Minha voz saiu quase inaudível.
– Não é dela porque a visão é daqui a dois dias.
– Quando ela parte? Você sabe?
– Não sei, mas deve ser logo. — Ele disse com pena.
– Eu preciso...eu preciso...- respirei fundo e falei de uma vez. – Preciso vê-la.
– Ela te pediu um tempo. Respeite isso. – Edward falou.
– Mas ela está indo embora! Eu preciso impedir isso. – Eu já entrava em desespero.
– Dê o tempo dela. Se você aparecer agora pode ser pior. Alice está tendo outra visão agora. – Falou aéreo.
Esperei para saber mais sobre o que ela via.
– Se você for lá ela vai surtar e vocês vão brigar feio. É provável que ela não volte mais. – Ele falou pesaroso.
– Mas eu preciso vê-la antes que ela vá. Ela não vai me ver. Eu só preciso vê-la. – Falei derrotado.
– Eu vou com você. Mas você não vai poder falar com ela. Entendido? – Bella falou aparecendo na porta do quarto.
– Bella... – Edward chamou sua atenção.
– Eu devo isso a ele. – Ela falou simplesmente.
Não esperei por mais nada, saí correndo da casa já saltando floresta a fora. Bella logo me seguia. Não diminui minha velocidade. Em pouco tempo eu estava no beco na frente do prédio de Amanda. Vi ela saindo com uma mala na mão. Sua expressão era a de quem fugia. E era isso que ela estava fazendo. Fugindo de mim. Senti Bella me abraçando numa tentativa de me consolar.
– Ela vai voltar. Confie nisso. Se até Edward voltou tenho certeza de que ela volta.
Não prestei muita atenção. Todo o plano que tinha feito no quarto voltou a minha mente. Se eu não ficasse por perto deles não teria como Edward ou Alice me impedirem.
Fale com o autor