What If

1 What if I would love you till the end?


Notas iniciais
Pessoal, isso tava engavetado há anos, porém não finalizado. Aí decidi tomar vergonha na cara e finalmente terminar essa songfic. Para quem quiser acompanhar a música ou não conhece, eis o link:

What If — Tokio Hotel

I am down for something

[Eu estou afim de algo]

Era mais uma daquelas noites que eu não sabia o que era isso: esse sentimento de vazio, de não saber exatamente aonde pertenço. Me sentia melancólica e não entendia o porquê daquele sentimento, não encontrava um sentido.

Me restringi a deixar aqueles pensamentos de lado e a continuar olhando pro teto, tentando não morrer de tédio no processo. Não sentia sono ou sequer vontade de ir dormir, o que era uma droga, pois eu adoraria conseguir descansar depois de mais uma semana corrida no trabalho.

Meu celular tocou. Adam. Olhei a hora no visor e pensei um pouco se ia atender ou não, decidi que ele não merecia ser ignorado, mesmo sendo tarde da noite.

— Ei, pequena beijoqueira! — sua voz parecia animada.

Revirei os olhos, mas por fim acabei sorrindo.

— Meu Deus, garoto, supera isso! — ele riu. — Eu te beijei uma vez e não sei se você sabe, mas mulheres também podem tomar a iniciativa, principalmente se o homem em questão é lento demais pra fazer isso.

— Ai! Essa doeu. — ele reclamou, mas dessa vez eu que ri.

— A verdade é cruel, meu amor. — debochei.

Por um momento a lembrança voltou a minha mente.

Nos conhecemos em um evento de premiação de empresas da cidade, eu estava sentada bem em frente a mesa que ele havia ficado e boa parte da noite nos pegamos olhando um para o outro. Adam tinha os cabelos pretos praticamente raspados, assim como a barba, os olhos também eram pretos. Para ser sincera, eu estava hipnotizada pelo contraste da pele branca com os cabelos e olhos pretos dele. Em dado momento, em mais um flagra por estar sendo observado, ele acabou sorrindo pra mim, percebi que um dos dentes superiores dele era um pouco menor que os outros, isso me fez sorrir de volta, porque dava a ele um ar encantador. Isso ou eu havia bebido muito vinho — o que não era de todo mentira.

Passou-se mais alguns minutos e eu já estava encerrando minha cota de álcool daquela noite, meu cérebro já estava leve e eu sentia um pouco de calor, sem falar na hora, estava tarde, então achei melhor me preparar pra voltar pra casa. Me despedi do pessoal de minha mesa e fui para o hall do hotel que estava acontecendo o evento para chamar um Uber. Assim que peguei o celular vi que tinha algumas notificações no visor, acabei me distraindo por alguns instantes enquanto visualizava-as. Quando menos esperava, escutei:

— Seu namorado sabe que você fica encarando outros homens daquele jeito? — levantei a cabeça e vi que era o rapaz que eu encarei a noite toda.

— Esse foi o seu jeito sutil de perguntar se eu tenho namorado? — questionei, achando engraçado.

— Foi. — ele deu de ombros.

— Você não é muito bom com interações sociais, é? — perguntei, um pouco curiosa.

— Na verdade eu não sou tão ruim, mas achei que não seria legal ser mais direto.

Refleti um pouco antes de responder. Ou tentei, porque estava me distraindo com aquele dente pequeno dele. Era muito fofo.

— Não, eu não tenho namorado. — respondi, voltando a olhar para os olhos dele. — Mas acho que você devia ter se apresentado ou perguntado meu nome antes, que a propósito é Ellie.

— Adam. — ele estendeu a mão, que eu apertei suavemente, rindo. — Você já está indo embora?

— Ainda vou chamar o Uber, mas vou agora sim. — nesse momento abri o aplicativo no celular, antes que acabasse me distraindo com o homem ao meu lado, que parecia a cada minuto mais atraente.

É, eu estava afetada pelo álcool.

— Posso te dar uma carona pra casa, se quiser. — voltei a olhar pra ele e uma sobrancelha minha se ergueu.

— Eu nem te conheço, porque te deixaria me levar pra casa? — argumentei, quase na defensiva.

— Desculpa. — ele pareceu envergonhado. — Não tinha pensado por esse ponto de vista.

Suspirei, voltando minha atenção para o celular. Solicitei o Uber, tendo certeza que estava na hora de ir pra casa. Poucos minutos de espera.

— Tudo bem. — respondi pra Adam, que ainda parecia desconfortável. — Meu carro está chegando.

— Posso te acompanhar até ele?

Sua postura havia mudado de confiante pra insegura em poucos minutos e eu me senti meio idiota. Ele não havia feito por mal, afinal.

— Claro. — sorri, tentando mudar o clima tenso.

Fomos para o lado de fora do hotel e voltamos a nos olhar, como havia acontecido mais cedo. Isso fez ele rir e eu não consegui segurar minha língua.

— Esse teu dente menor é muito fofo. — comentei, em meu estado ébrio.

— O que? — ele pareceu confuso.

— Te dá um ar meio infantil, sei lá... — dei de ombros. — É fofo.

— Bem, você é a primeira pessoa que me diz isso. — sorriu, expondo mais ainda o tal dente fofo.

Meu celular vibrou e eu vi que o carro estava chegando. Dobrando a esquina.

— Acho que essa é minha deixa. — comentei, sem saber bem como me despedir.

— Sim. — ele respondeu, meio decepcionado.

E como que para confirmar, o carro finalmente parou na nossa frente. Cumprimentei o motorista e abri a porta para entrar, mas senti um impulso doido de voltar, por isso pedi um momento a ele.

— Você não me disse se tinha namorada. — falei, assim que me virei pra Adam.

— Você não perguntou. — ele argumentou e eu ergui as sobrancelhas, como se esperasse uma resposta. — Nenhuma namorada.

— Ótimo. — respondi, antes de segurar a nuca dele e o beijar.

De início ele pareceu bem surpreso, mas logo me correspondeu. A boca dele era macia e quente, as mãos, firmes em minha cintura. E eu gostaria de ter percebido mais coisas, contudo precisava ir embora, o motorista estava me esperando.

— Tchau. — foi tudo o que eu disse, me separando dele e entrando no carro.

— Como assim tchau?! — ele me olhava, chocado.

Eu sorri da janela e acenei, enquanto o motorista dava partida no carro.

— Foi um prazer, Adam...

— Mas e então, qual o motivo da ligação?

— Nada, só senti falta de ouvir tua voz doce. — ele disse, parecendo sincero.

Sorri novamente, me sentindo lisonjeada pelo elogio. E de repente senti vontade de ver ele.

— Vem me buscar. — pedi, já me levantando da cama, com a intenção de ir me arrumar. — Tô meio entediada e não queria ficar em casa.

— Pra onde tu queres ir?

— Não sei... Me surpreenda!

— Okay. Chego daqui a pouco.

Come pick me up in your car

[Venha me pegar em seu carro]

Don't let me down for nothing

[Não me decepcione por nada]

Tomei um banho rápido, vesti uma calça de moletom confortável, uma camiseta de alça e passei um batom nude, só pra não dizer que não usei maquiagem. Peguei meu celular, a carteira, pus tudo numa bolsa e fui esperar Adam na porta de casa. Ele realmente não demorou muito, como combinado. Entrei no carro, dei um rápido abraço nele, mas não rápido o suficiente pra não perceber que ele havia usado perfume. Amadeirado ainda por cima. Tive vontade de afundar meu nariz no pescoço dele, contudo me segurei. Eu não queria complicar as coisas entre a gente. Eu não estava afim de relacionamentos no momento e envolvimentos de uma noite só não era pra mim.

— Pronta pra uma noite de muitas loucuras? — ele perguntou, olhando para mim.

— Se você está pensando em ir para uma rave, serei obrigada a descer aqui mesmo. — brinquei.

— Ah... — ele fingiu tristeza, depois deu partida no carro. — Fome?

— Começando a ficar.

— Primeira parada: comida.

Era tarde, então não tinha muitas opções de lugares abertos, de modo que acabamos comendo numa pizzaria que fechava mais tarde nas sextas.

Adam era quem mais incitava a conversa, perguntando o que eu gostava de fazer, quais lugares conheci, quais livros li... Enfim. Ele queria me conhecer mais profundamente e aquela era a primeira vez que saíamos juntos sozinhos. Depois que nos conhecemos acabamos saindo algumas vezes, mas sempre com outras pessoas, não sei porque, contudo acabava acontecendo assim, o que eu até achava melhor, me ajudava a não me deixar levar pela tensão sexual que nos rondava.

I wanna know who you are

[Eu quero saber quem você é]

And if you down for something

[E se você está afim de algo]

I want a piece of your heart

[Eu quero um pedaço de seu coração]

Quando ele perguntou com quantos caras eu namorei e se eu já tinha me apaixonado alguma vez, eu soube, — na verdade eu tive certeza, pois já suspeitava — Adam gostava de mim. E não era só isso, tinha aquele olhar de fascínio também, para o meu ego era uma carícia, mas o meu coração acelerava, um acelerar de medo dos sentimentos dele, não de correspondência destes.

Respondi normalmente, fingindo não ter pegado essa informação no ar. Eu não estava afim de discutir sentimentos naquele momento, então decidi deixar para lá e continuar tendo uma conversa legal com ele.

Terminamos de comer e ele comentou que ia me levar para um lugar legal, apenas assenti e sorri, concordando. No carro, ele ligou o som e me pediu pra escolher algo para ouvirmos. Coloquei um cover de Eric Nam, Maniac. Assim que ouvi a voz dele soar em meus ouvidos, junto com a melodia da guitarra e da bateria, me senti energizada, comecei a cantar e balançar os ombros. Adam me olhou e riu.

— Você canta muito mal. — disse, aumentando mais o som. — Para de estragar a música!

Cantei mais alto e ele gargalhou. Repeti a música mais umas quatro vezes antes do carro estacionar. Assim que sai do veiculo e vi a paisagem, fiquei encantada. Ouvi Adam se aproximar de mim.

— Você nunca veio aqui? — ele perguntou, percebendo meu espanto.

Neguei, ainda absorvendo o que via. Estávamos em uma colina fora da cidade, de modo que dava para ver as luzes da cidade e acima, das estrelas.

— É incrível... — resmunguei.

Ele sorriu, o sorriso que mostrava seu dente menor.

Come let's just not do anything

[Vem, vamos fazer nada]

Give me a piece of the stars

[Me dê um pedaço das estrelas]

Me surpreendendo mais, ele abriu a porta de trás do carro e pegou um cobertor. Estendeu no chão, se sentou e me ofereceu a mão, peguei-a e me sentei ao seu lado. Ficamos em silêncio por um bom tempo, apenas aproveitando à vista. Em dado momento me dei conta de como o silêncio, com Adam, era confortável. A companhia dele era aconchegante.

— Obrigada por me trazer aqui. — falei, abraçando meus joelhos, numa tentativa de me manter aquecida do vento frio.

— Por nada. — senti seu olhar e eu soube que ele estava sorrindo. — Vem pra cá. — chamou, afastando as pernas.

Olhei para ele por um tempo, tentando ler sua feição e descobrir o que ele queria com aquela atitude. Porém não obtive muito sucesso.

— Você está com frio e eu não vou te dar meu casaco. — deu de ombros.

Suspirei, me levantando.

Ele podia de fato só estar sendo gentil. Ou não. A verdade é que isso era irrelevante. Não era nada demais. Ele só iria me aquecer do frio.

Me sentei no meio de suas pernas e me deixei encostar em seu peito. Ele puxou seu casaco e cobriu meus ombros, depois abraçou minha cintura.

No second chance in this galaxy

[Sem segunda chance nessa galáxia]

It could be you, it could be me

[Poderia ser você, poderia ser eu]

Seu perfume me atingiu com força, assim como a percepção de seus braços firmes em volta de mim. Eu era pequena, já Adam, era alto. Naquele momento, nosso encaixe pareceu perfeito. Meu coração acelerou quando me dei conta de meus pensamentos.

— Melhor? — ele perguntou, parecendo preocupado.

Apenas assenti, com medo que minha voz tremesse.

— Sabe, a última vez que vim aqui foi com a minha ex, quando namorávamos. Depois disso, só conseguia associar esse lugar aquele dia... — ele juntou mais as nossas pernas e eu pus meus braços em cima dos dele. — Não sei porque, mas hoje quis vir aqui. — virei a cabeça para olhar seus olhos, Adam também olhava para os meus. Nossos rostos estavam tão próximos que eu podia sentir sua respiração. — Com você.

Meu coração voltou a acelerar. Seus olhos eram tão negros e tão profundos... Eu queria mergulhar neles, naquela intensidade quase insuportável. Percebi, naquele instante, que na verdade eu tinha medo dos meus sentimentos e não dos sentimentos de Adam. Ele estava ali, corajoso e honesto, seguindo seu coração. Isso encheu o meu de ternura. E de coragem. A coragem de Adam.

— O quanto você me quer? — perguntei e instantaneamente seu olhar intenso desceu pros meus lábios.

— Eu não saberia dizer. — seus olhos se voltaram novamente para os meus e sua respiração ficou mais pesada.

Não foi muito, mas sua reação me excitou. Me virei dentro de nosso abraço e coloquei minhas pernas em cima das dele. Adam voltou a pôr seus braços em volta de mim, meu corpo pulsou de desejo.

— Me mostra. — pedi, envolvendo seu pescoço.

So let us be

[Então sejamos nós]

You and I

[Você e eu]

Ele me apertou no seu corpo, seus lábios alcançaram os meus. Arrepiada, me dei conta que nosso primeiro beijo havia sido contido comparado a esse. Provavelmente porque nenhum de nós ainda tinha sentimentos um pelo outro, ou talvez porque o peguei de surpresa naquela ocasião. Não sei. Também não é como se isso fosse importante.

Adam me beijava com desejo, mordia os meus lábios, depois os sugava e voltava a enroscar sua língua na minha. Uma de suas mãos se embrenhou nos meus cabelos e acariciou de leve a minha nuca. Eu gemi em sua boca, mas ele não parou. Minha respiração já estava acelerando quando senti seu aperto soltar um pouco. Pouco tempo depois, seus lábios abandonaram os meus, não antes de me dar pequenos beijinhos. Nossos olhares se encontraram novamente. Não sei o que ele viu nos meus, mas nos seus, eu vi que aquilo seria apenas o início.

What if I would love you till the end?

[E se eu te amasse até o fim?]

You would never be alone again

[Você nunca mais estaria sozinha]

— Me leva pra casa. — sussurrei, num tom rouco.

Ele entendeu meu pedido e assentiu. Se levantou comigo no colo e voltou a me beijar. Seu gosto me deixava mais excitada e eu temia que não fosse aguentar chegar em casa, mas ele me soltou, cedo demais, perto da porta do carro. Em segundos, ele pegou o cobertor, entramos no carro e seguimos rumo a cidade.

Get you back in the car

[Voltamos para o carro]

We're getting lost in some new place

[Estamos nos perdendo em algum lugar novo]

Eu não sei o que resolveríamos amanhã, mas àquela noite, eu só queria uma coisa: pertencer a um lugar, ou melhor, a um alguém. Pertencer a Adam. E se meus instintos não estivessem errados, ele também iria me pertencer.

Notas finais
Para quem quer visualizar o dente fofo, é só pesquisar Mingyu do Seventeen no google ♥
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!