What Comes After [HIATUS]
5 Capítulo 4
Notas iniciais
Sinto sucintos afagos em meu cabelo. Os dedos correndo pelo meu rosto e logo depois contornando toda a minha face. São gestos carinhosos e que fazem meu corpo se arrepiar devido a maneira como são feitos. São os dedos grossos, leves, macios e com cheiro de baunilha que me causam certos arrepios. São os dedos de Peeta.
Não sei o que pensar a respeito, todavia sei que gosto dos calafrios no meu corpo e da demonstração de afeto que provém desta blandícia.
Começo a piscar, tentando abrir os olhos à medida que busco me acostumar com a claridade vinda das janelas que dormiram abertas, por causa do hábito de Peeta. Ainda estou com os braços ao redor do corpo dele a e ele ainda mantém seu braço esquerdo em torno de mim de modo protetor. Me remexo um pouco, atraindo a atenção da pessoa que está ao meu lado totalmente distraída com meu couro cabeludo.
– Te acordei? – pergunta, parando as carícias e olhando curiosamente para mim, com algum receio.
– Talvez – digo, a voz embargada pelo sono.
Não estou cansada, apenas preguiçosa. Tive, como esperado, uma ótima noite então está tudo tranquilo. Só tenho a sensação de querer ficar enrolada nas cobertas o resto do dia, por puro luxo.
– Desculpe – diz, me soltando para se ajeitar na cama, aparentemente querendo sentar-se.
Só que ele não volta a me abraçar quando termina de arrumar os travesseiros atrás de si e acomodar-se; isso me incomoda de alguma forma. O encaro durante um tempo, tentando esquecer o misto de confusões que são feitas em minha cabeça, até finalmente perguntar:
– Há quanto tempo está acordado? – Peeta passa a mão pelos cabelos, parecendo constrangido com a minha pergunta. Provavelmente acha que a fiz para saber durante quanto tempo ele vem estudando o meu descanso. Mal sabe ele que eu só quero descobrir se conseguiu dormir direito.
Que a minha angústia momentânea é ele não ter pregado os olhos a noite inteiro por ter ficado ali comigo. Procuro mascarar minhas reais intenções conforme espero sua resposta.
– Há algum tempo.
Dou-me por convencida momentaneamente.
Sorrio levemente ao observar o seu rosto. Os cabelos louros desgrenhados, os olhos azuis bem abertos, os lábios finos entreabertos. Ele também me fita, sentado, enquanto eu me mantenho deitada, cheia de letargia e nem um pouco afim de pensar em levantar.
É então que me arrasto para perto dele e coloco meu braço esquerdo sobre o seu corpo, começando a desenhar coisas abstratas em sua camisa de algodão. Peeta me analisa com cuidado antes de sorrir e mais uma vez passar o braço pelo meu corpo. Eu estou com a cabeça um pouco acima da linha de sua cintura, visto que a posição dele não permite que eu suba mais e ainda consiga me manter deitada.
Ficamos assim, calados, por uns minutos até eu perguntar o que não para de importunar a minha mente:
– Você parece estar acordado há bastante tempo. Não conseguiu dormir?
Ele suspira, risonho, e depois me olha com descrença.
– Não seja tola, Katniss. Eu dormi maravilhosamente bem. Não tinha como eu não dormir com você do meu lado.
Respiro fundo. Nunca sei como reagir diante de suas sentenças tão cheias de significados. Por mais que estas nunca me cobrem nada, eu me sinto culpada por não poder retribuir. Por não poder dar à ele o que merece. Por simplesmente não poder amá-lo. Por saber que nunca poderei conjugar esse maldito verbo no presente do indicativo.
Acho que Peeta percebe meu desconforto, porque logo muda de assunto.
– E você? Dormiu bem? – pergunta.
Penso que ele faz a pergunta só para garantir, posto que não houve nenhum pesadelo durante a noite e ele com toda certeza notou isso.
– Como há muito tempo não dormia – garanto, entretida brincando com o tecido de sua blusa. – Por que não levantou? – pergunto. Essa é outra questão que estava me fazendo mergulhar em curiosidade, já que ele sempre levanta cedo para fazer pães frescos e manter todos abastecidos.
– Porque não queria deixar você acordar sozinha.
Coro, atingindo tonalidades até então desconhecidas do vermelho. É fato comprovado que ele jamais me deixaria numa situação como esta ou em qualquer situação. E é fato também que eu provavelmente entraria em pânico se não o visse ali pela manhã e Peeta sabe disso até melhor que eu. E ele ficou ali, por mim.
Eu sou estúpida demais mesmo.
Evito pensar nisso para não acabar na cama o dia inteiro, me depreciando. Se eu ficar quieta demais, abro espaços para os meus demônios. É só ficar sem nada para pensar ou fazer que a imagem de pessoas queridas vem. Pessoas queridas que foram mortas. Quando meus pensamentos vão para essa direção, a depressão vem com tanta simplicidade que chega a ser imbecil.
É impressionante o modo como tudo sempre volta. Por mais que eu lute dia após dia estoicamente, que eu levante da cama e tente reagir, tudo sempre vem à mente. Nada nunca vai embora completamente.
Estou com a cabeça firmemente apoiada no ombro de Peeta, ansiando pelo momento no qual esquecerei a tortura que vi nos olhos de Rue ao ser atingida pela lança de Marvel, quando escuto sua voz depois do silêncio arrebatador que se instala entre nós.
– Seu cabelo fica melhor desarrumado – afirma, pegando uma mecha grossa, repleta de fios. Eu torço o nariz, não podendo acreditar no que ele diz. – Ele fica mais parecido com você, nesse estilo todo rebelde e até meio desleixado. Fica lindo. Tão bonito solto ao acordar quanto as suas tranças perfeitamente trabalhadas.
Eu não sei como ele ainda consegue fazer isso. Fazer elogios de forma tão natural, como se fossem a coisa mais simples do mundo. Como se não fossem mais uma bomba jogada para mim, exatamente como ele fazia quando era entrevistado por Caesar um dia antes dos Jogos. Para mim e para toda Panem, sua fala é e sempre foi algo vultoso e quando ele insiste em comentários como esse, a vermelhidão em minhas bochechas tornam-se inevitáveis. E a dorzinha pungente que lateja em meu coração também.
Não sei se é porque não me sinto capaz de compensá-lo por me fazer tão bem ou se é porque eu considero suas palavras falsas.
– E você fica ainda melhor corada – fecho os olhos, afundando a cabeça em seu peito, não querendo mais olhar para a sua cara. Essas coisas irão me envergonhar o resto da vida, principalmente quando vindas dele.
Nunca soube exatamente o por quê. Porém em todos os momentos da minha vida nos quais Peeta me fez elogios ou declarou seu amor por mim, eu corei ou me senti mal. Agora eu já não me sinto tão ruim pois é bem provável que ele não me ame mais, porém com a questão do corar não há nada que eu possa fazer.
– Sua visão não é das melhores – digo, por fim. Ele ri.
– Você não faz ideia do efeito que causa.
Parece que Peeta nunca irá parar realmente com esses elogios, por mais que eu discorde veemente do que diz.
Ele sorri para mim, olhando nos meus olhos. Eu me recordo perfeitamente de quando ele disse aquila frase pela primeira vez, ainda na época que eu desconfiava de suas intenções; quando eu achava que ele estava disposto a me matar na primeira oportunidade que tivesse, sendo que agora eu confio minha vida à ele. Confio meu sono e minhas noites mansas também. Eu apenas confio, de uma maneira que nunca fui capaz de confiar e acreditar em ninguém.
– Peeta, fique quieto – peço, suplicando pelo seu silêncio. Eu não suporto escutar mais nenhum elogio que eu julgo falso.
– Sabe, você devia parar de se menosprezar tanto. Você tem os seus defeitos, é claro, mas também tem qualidades. Muitas qualidades, até. Sua coragem é o que mais me impressiona, assim como sua garra – diz e eu me choco com sua declaração. Nunca imaginei que ele pudesse me admirar de algum modo. Sei que ele aprova muito em mim, mas admirar já é uma história totalmente oposta... mal consigo acreditar.
Peeta continua, após sua pequena pausa:
– Quando eu joguei aquele pão para você, no dia seguinte você já tinha voltado à viver. Você pegava as raízes que podia e eu lembro de tê-la visto colhendo aquele dente-de-leão. Eu me lembro de todas as vezes que a observei... Eu via você indo para floresta e levando comida para casa. A escola inteira te admirava e respeitava por isso. Katniss, era impressionante! Você lutava pela sua família. Você lutou por uma causa e lutou nos jogos, salvou as nossas vidas. Você é boa demais, não sei por que não enxerga isso. Não sei por que insiste em desistir de si mesma.
Estou estupefata. Nunca olhei as coisas com os olhos dele. Sempre acreditei que fazia o que devia fazer, nunca me achando dona de uma coragem sobre-humana ou força de vontade esplendorosa. Mas depois das palavras de Peeta, algo bem pequeno se acende dentro de mim. Uma pequena fagulha. E de repente já não me sinto tão ruim.
De repente, não é como se a vida pareça sinônimo de um péssimo negócio. De repente, estou me sentindo melhor.
Mordo o lábio, sorrindo. Estou feliz, não posso negar. Me sinto bem, não a lesma morta sem charme e sem valor. Foi dada uma tremenda guinada em minha autoestima.
– Acho que devemos levantar – digo, apertando meu braço em torno do seu corpo com força e aconchegando minha cabeça. Minhas palavras não condizem com o que sinto; não quero levantar.
– Podíamos dar uma passeada pelo distrito e dar continuidade ao livro mais tarde. O ar livre vai fazer bem à você – ele diz, mexendo nos fios na minha nuca.
– É, e aí passamos na Hazelle.
– Quer ir à floresta? – pergunta, olhando para mim. Eu ergo a cabeça, olhando para ele ao responder.
– Eu ia ontem e como acabamos de fazer os planos para hoje, acho que deixarei para amanhã – murmuro.
– Beleza, preparei a mesa do café.
– Pela hora, Greasy Sae já está alguns passos à sua frente.
Ele rola os olhos e pula da cama, me motivando, ainda que meio morosa, a fazer o mesmo.
**
Após terminarmos o café, vamos até a casa de Haymitch e Peeta põe um pão recém assado, feito especialmente para ele, sobre a mesa. Haymitch está dormindo, mas não parece estar num estado totalmente degradante — que é o normal dele. É uma grande melhora em contraste aos dias anteriores.
Caminhamos lentamente para fora da Vila, e eu estou mais uma vez incomodada. Não entendo por que sinto essa estranha vontade de ter Peeta e sua mão por perto. Não entendo por que quero seus carinhos e muito menos por que o quero perto de mim.
Eu não posso querer.
– Olhe, um tordo! – Ele aponta animadamente o pássaro que está descansando numa árvore ao nosso lado direito, bem na direção que nos leva à floresta.
Olho o tordo, pensando nos milhares significados que pode dispor e no quão parecido comigo ele pode ser. Ambos fomos algo do qual a Capital teve ódio. Ambos não devíamos estar vivos. O encaro, querendo ler seus minúsculos olhos, quase me perguntando o que será que ele pensa.
Ele me encara de volta. Vou até a árvore, sem tirar os olhos dele em momento algum. Vejo Peeta dar alguns passos em minha direção, mas parar um tanto quanto distante.
Eu, como uma criança, sorrio para o pássaro que me olha curioso. Lembro da primeira vez que avistei um. Do jeito como meu pai cantou e me fez ficar admirada pelo modo como os tordos repetiram cada detalhe da melodia da música. Lembro da voz suave, do sorriso ao caçar, do estada que as botas estavam quando ele chegava em casa à tarde... meu pai nunca mereceu o destino que teve e ele não teve destino pior.
Com uma lágrima nos olhos, começo a cantar. Em memória dele. Em memória da minha irmãzinha.
Bem no funda da campina, embaixo do salgueiro
Um leito de grama, um macio e verde travesseiro
Deite a cabeça e feche esses olhos cansados
E quando eles se abrirem, o sol já estará alto nos prados.
Aquela que antes era uma lágrima, agora já são várias. Um turbilhão de sentimentos percorre o meu corpo, mas ao ouvir o único tordo que ali está começar a repetir a melodia da canção, sei que meu choro é de emoção.
A voz do meu pai parece murmurar a canção comigo quando eu canto a segunda estrofe, chorosa.
Aqui é seguro, aqui é um abrigo
Aqui as margaridas lhe protegem de todo perigo
Aqui seus sonhos são doces e amanhã serão lei
Aqui é o local onde eu sempre lhe amarei.
Eu, já aos prantos, dou um último sorriso para o pássaro antes de sair correndo para me refugiar no único local onde pude ser feliz. O choro não é mais de emoção, é de puro lamento. A minha visão constantemente é tampada pelas lágrimas que escorrem do meu olho, mas mesmo assim continuo; tropeçando em meus próprios pés a cada passo que tenho a ousadia de dar.
Eu cantei aquela música para Prim durante quase todos os dias de sua vida, porém não pude cumprir as palavras que saiam da minha boca dia após dia. "Aqui as margaridas lhe protegem de todo perigo". Bem, é uma mentira afinal de contas. Ela está morta, não está? Quem a protegeu de um bombardeio? Das chamas que usufruiram do seu corpo jovem e sadio? A droga das margaridas?
Soluço de dor. "Aqui seus sonhos são doces e amanhã serão lei". Outra mentira. Onde estavam os sonhos doces? Eles podiam tornar-se lei? A felicidade por si só podia se tornar lei? Eu não me recuso a acreditar numa resposta afirmativa.
Passo pela cerca que nunca mais fora ligada. Me esguio por ela e enfim, piso na grama. Sinto o cheiro das árvores, a brisa morna que parte do centro da floresta. Vejo as plantas que crescem aqui e acolá.
Corro adiante, mas não muito. Logo me sinto incapaz de andar sem meter a cara no chão, então me jogo no verde, procurando o abraço do meu pai. Deito, sem dar importância a mais nada, com o rosto para baixo como se eu dependesse totalmente disso. Abraço o nada e sinto a terra invadir os meus dedos pelas minhas mãos, à medida que a aperto.
A imagem da pequena Rue vem à minha mente. Eu também cantei aquela música para ela. E onde ela está agora? Choro mais e mais. Rue. Minha pequena aliad a, minha tão adorável amiga.
O choro, desde o fim da Rebelião, é algo do qual eu parei de abster.
Estou me afundando em meu próprio berreiro com mais frequência, ouvindo a letra de cada parte da canção ir e vir. Choro porque ainda consigo ouvir meu pai, ainda consigo sentir a dor de Rue e ainda consigo sentir o calor das chamas de Prim.
Eu fui a garota em chamas. Mas no final, minha irmã quem acabou se tornando, pois eu tomei o lugar dela. Ela, mesmo que não quisesse, o tomou de volta.
A vida realmente tende a ser irônica e sórdida.
– KATNISS! KATNISS! – É Peeta. É ele quem grita meu nome à plenos pulmões.
Levanto a cabeça, ainda aos prantos. Consigo ver perfeitamente ele empurrar a cerca e se abaixar por ela, correndo pela floresta até mim. Seu rosto está extremamente corado e ele está começando a suar devido à corrida.
– Eu sinto muito, você não tem noção do quanto. – Ele senta ao meu lado e puxa a minha cabeça para o seu colo. Eu o abraço com força, pois ele me entende; ele sabe o que é perder uma família.
Estou deitada fazendo seu corpo de travesseiro enquanto ele tenta minimizar o meu choro e confortar meu coração. Mas sei que nada no mundo pode alterar as direções pelas quais meus pensamentos correm.
É tão doloroso que eu gostaria de não sentir.
Peeta mexe periodicamente em meus cabelos e nunca para por completo. Ele enrola os meus fios em seus dedos e faz cachos. Ele brinca com a minha bochecha. Ele faz de tudo e eu deixo, embora eu tenha ciência de que a dor continuará a martelar no meu peito.
Quando os carinhos que estão começando a me acalmar param, parece que estou prestes a ser jogada de um precipício. Quero abrir a minha boa para protestar, no entanto olho para Peeta e vejo o modo com ele encara a vastidão da floresta à nossa frente. Rapidamente, depois de meros segundos, seus olhos buscam algo. Identifico o meu ponto de encontro com Gale quando os olhos de Peeta pairam sobre este.
Vai acontecer, penso.
– Peeta... – sussurro. Ele nem ao menos se move. Suas pupilas estão dilatadas e ele mais inerte que nunca. Eu estou o perdendo também. Ele está indo. – Peeta! – berro. – Peeta, não! – Sua respiração está acelerada, suas mãos começam a tomar vida, e seu corpo está efusivo. Sei o que vem a seguir.
– Sai daqui, Katniss! Sai agora! – grita, chegando para trás e levando suas mãos à cabeça. Eu me levanto num pulo ao ter seu corpo tirado de baixo de mim, mas nem mesmo penso em dar ouvidos ao que ele diz.
Eu já perdi tanta coisa, tanta gente. E agora Peeta...
Ele só tinha voltado para mim hoje, por que ele estava indo de novo?
Um ódio imensurável de Snow tomou conta de mim. Se ele não estivesse morto, eu o mataria. É culpa dele Peeta estar assim. Aliás, é tudo culpa dele!
– Vem comigo, Peeta. Eu não posso ir sem você. – Volto a chorar instantaneamente. Noto como seus músculos estão rígidos, mesmo que a distância. Peeta está com as mãos nos cabelos loiros e eu sei que me restam poucos segundos até que ele perca completamente a consciência e o veneno das teleguiadas vença o garoto com o pão.
– Vai embora agora. Eu estou perdendo. Anda, vai! Eu não quero dormir hoje à noite pensando em como tentei te matar! – grita, e meu choro torna-se ainda mais compulsivo.
– Eu não posso sem você! – repito, aos berros.
A ideia de perdê-lo me atinge pela milésima vez em anos. E o que eu senti pela primeira com respeito à isso volta. É justamente o que sinto agora. Eu não quero perder o garoto com o pão. Como eu não quis na 74° edição dos Jogos Vorazes, como eu não quis na 75°, como eu não quis quando ele estava na Capital, como eu não quis durante todas as minhas noites sozinha no distrito 13 antes de saber se ele estava vivo ou não.
Eu apenas não quero perdê-lo. Não quero deixá-lo correr para longe de mim.
– V-você consegue – digo, entre soluços. Mal consigo falar. Peeta, à essa altura, está a dois metros de mim, correndo de mim enquanto pode. Eu continuo em pé, estática, pensando numa solução para aquilo. Mas não há. Snow foi um ás no quesito "destruir Katniss Everdeen".
– Merda, Katniss! Para com essa teimosia e corre! Corre! Eu... – ele para, de súbito. E eu sei que se eu não fizer o que ele tá pedindo agora, o Peeta, aquele que é uma mutação da Capital e obra de Snow, virá até mim querendo a carne do meu pescoço. E no atual estágio que me encontro, eu morreria com uma facilidade quase medíocre.
Devido ao meu eterno e singular instinto de sobrevivência, vou embora. Corro para a cerca e pulo. Deixando Peeta, o garoto com o pão, para trás. Mais uma vez.
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