What Comes After [HIATUS]
31 Capít... Opa, dá uma olhadinha nas notas!
Notas iniciais
Aster agarra a barba de Haymitch e meu instinto materno quase me faz correr para tirar a mãozinha dela dali – pois tudo que me vem à mente são imagens dele afogado em poças de sangue e/ou vômito, o que certamente não é ideal para o precário sistema imunológico da minha filha –, mas me obrigo a ficar no mesmo lugar, porque o Haymitch que está ali, o vovô Mitch, é uma pessoa diferente daquela de 10 anos antes. Ou um ano antes. Ok, alguns meses antes.
Uma vida repleta de intempéries me diz que as coisas vão dar errado em algum ponto – muito mais vezes do que gostaríamos –, mas os últimos anos me ensinaram que somos bem mais fortes que os nossos demônios. E a maneira como ele a segura no colo, está sempre disposto a entrar numa arena pela segurança dela, sorri para ela — como eu nunca o vi sorrir para ninguém antes – deixa muito claro que alguma coisa mudou. Que ele a ama; provavelmente muito mais do que a mim e a Peeta. Haymitch vai voltar para ela. Para a gente. Porque ele também é a nossa família. 26 anos de tributos aniquilados e amigos mortos não vão mudar isso.
Quando estou prestes a voltar para o meu livro, Peeta sai do escritório, o rosto tão iluminado quanto uma noite estrelada.
— Parece que a nevasca começa hoje.
Eu ergo as sobrancelhas, achando duvidoso o seu entusiasmo.
— E por que você está animado com isso? Vamos ficar trancados aqui por alguns dias e a padaria vai perder o movimento quase todo.
— Ah, amor, é inverno! O primeiro da torradinha. Vamos cozinhar biscoitos, tomar chocolate quente em frente à lareira, nos enrolar no cobertor, talvez fazer um boneco de neve. – Eu acho inacreditável o jeito como ele torna tudo bom. Tudo. Nada é empecilho para Peeta. E eu não posso deixar de lembrar como ele planejou esta noite há quase 20 anos, quando estávamos na nossa primeira arena e ele previu “longas noites de inverno ao redor da lareira, rememorando antigas histórias dos Jogos Vorazes”. Embora, é claro, não há garantias do que eu não jogaria nele se ele trouxesse à tona os Jogos agora.
Com um sorriso, ele dá um beijo na bochecha de Aster, quem ainda brinca com a barba do avô, e vem até mim. Ele segura a minha mão e me faz dar uma volta, me puxando para os seus braços antes que eu possa pensar no que ele está fazendo.
— O que há com você? – Eu pergunto, rindo quando Peeta me abraça pelos quadris e enche meu rosto de beijos. – Viu um passarinho verde?
Ele sorri, doce e gentil, e acaricia meu rosto com o polegar.
— Não, eu apenas me lembrei de outros invernos, lembrei dessa que parece ter sido outra vida. E quando eu ponho em perspectiva, quando eu olho para o que construímos aqui, eu acho que eu tenho que estar exalando felicidade. Eu talvez tenha que agradecer todos os dias pelo que nós temos. – Ele olha agora para trás, para um Haymitch sentado no nosso sofá com uma bebê de cabelos negros, pele cor de oliva e olhos azuis, quem solta gargalhadas melódicas a cada um quarto de segundo, para a lareira acesa iluminando a sala de estar junto com os inúmeros abajures nos cantos, para o aconchego desta casa, deste momento, desta família singular.
E aí ele não precisa dizer mais nada. Porque eu entendo. Eu compreendo o peso da vida de antes. Sei que tudo o que ele vê pairando sobre as nossas cabeças é algo tão bom que não pode ser nomeado. É quase mágico.
— Por onde a gente começa, então?! Biscoitos ou chocolate quente? – Questiono, despreocupada com o jantar.
— Que tal os dois?
— Parece perfeito para mim.
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