What Comes After [HIATUS]
24 Capítulo 21
Notas iniciais
Peeta aperta as minhas mãos e se ajoelha; não sei se por vontade própria ou porque seu joelho falhou. Eu só tiro os olhos do monitor para constatar que ele está na mesma situação que eu: em prantos. Enquanto o som que ressoa por toda a sala é um "tuntum" ritmado, que nada mais é que o coração do nosso filho batendo. E bate firme, forte, saudável e bem mais rápido que o meu, mostrando o quão bem ele está.
— Quase não temos órgãos formados ainda. Os pulmões, fígado, intestino e rins estão se desenvolvendo, os olhos estão começando a tomar forma logo aqui... – doutor Art dá uma explicação rápida sobre o crescimento do nosso bebê, que já está com incríveis seis semanas. Depois, ele passa muito papel na minha barriga para tirar todo o gel da ultrassom. Mas eu fico deitada, chorando ainda, com Peeta ao meu lado da mesma forma.
Meu filho está bem. Ele está saudável. E vai continuar. Vou assimilando essa informação à medida que oscilo entre a agitação e a felicidade.
Estou tão inquieta que chego a tremer. Finalmente consigo me sentar e, ao o fazer, puxo Peeta para um abraço forte. Porque só ele pode compreender o que sinto nesse instante: um misto de amor e felicidade que mal cabe em mim, e que tive o prazer de sentir poucas vezes na vida. No entanto, não é como se em cada uma delas tivesse sido da mesma maneira. Pois nada jamais me preparou para a imensidão desse momento e nada se compara a isto. O pânico crescente pouco a pouco se afasta, conforme mantenho o rosto enterrado no peito de Peeta.
— Vou deixá-los a sós por um instante, e voltarei daqui a pouco para responder às suas perguntas. – Doutor Art sorri e se retira da sala. Assim que isso acontece, Peeta se espreme na cama comigo, me confortando e me dando toda a segurança que preciso a cada vez que penso em hesitar.
Ele sabe, melhor que eu, que as palavras fogem num momento único como esse e um abraço é todo o amparo que busco.
É um pouco assustador agora, de fato, no entanto nada no mundo vale tão a pena quanto essa fase extraordinária pela qual estamos passando. Mesmo que quase todas as noites eu levante assustada e suada, em meio aos pesadelos do meu filho sendo tirado de mim, ainda é uma sensação arrebatadora. E não existe nenhum calmante no mundo capaz de fazer tanto efeito quanto ver o amor transbordar pelos olhos de Peeta a cada vez que ele agacha para falar com a minha barriga.
São vários minutos em silêncio em que passamos agarrados, apreciando a redoma encantadora que criamos ao nosso redor, até que o doutor entre na sala novamente. E aí paremos de fungar e Peeta se levante, sem sair do meu lado.
— Entendo a mágica desse momento para vocês, então tentarei ser breve para poder liberá-los. – Meu marido assente, já que eu estou em choque, ainda aninhada a ele, que me aperta em seus braços com todo o afeto que tem. – Bem, agora é crucial ter uma boa alimentação. Fazer refeições balanceadas, ricas em nutrientes, para que a formação desse bebê ocorra perfeitamente.
— E com relação aos enjôos matinais e as náuseas? – Ele pergunta, limpando uma lágrima teimosa que insiste em rolar dos seus olhos.
— Antes de qualquer coisa, é bom saberem que são sintomas comuns nessas primeiras semanas. Com relação ao enjôo, basta comer biscoitos, do tipo água e sal, de preferência, ainda deitada e antes de escovar os dentes. E refeições ao longo do dia irão amenizar as náuseas. Eu recomendo alongamentos também, em casa mesmo, dez ou vinte minutos por dia pela manhã. Ou ioga. Ah, seria bom também agendar uma consulta com um dentista.
— Tudo bem, doutor, muito obrigado. – Peeta diz, estendendo a mão para que eu desça da cama. Eu agradeço também e deixamos o consultório, parando na recepção do hospital para marcarmos o dentista.
Se antes Peeta costumava ser a pessoa que mais se preocupava comigo no mundo inteiro, a coisa toda triplicou assim que ele soube da gravidez. O cuidado dobrou comigo e ainda há outra dose destinada ao nosso filho, a quem ele ainda insiste em chamar de torradinha, independente de quaisquer admoestações.
Quando contamos a Haymitch, ele somente derrubou a garrafa de cachaça que bebia, o que, devo admitir, me alegrou desesperadamente. Contudo, desde então, vem soltando diversas piadinhas toscas. Apesar de toda essa casca e a quantidade exagerada de bebida, são inúmeras as vezes em que ele se mostra preocupado ou leva miniaturas de bichinhos de pelúcia para a minha casa. A grande questão, afinal, é que esse bebê rapidamente se mostrou o recomeço de todos nós.
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— Vamos, amor, cante para ele.
— Posso fazer xixi primeiro? – Pergunto, um tanto irônica, sentada no vaso sanitário e olhando para o meu marido que praticamente dá pulinhos na porta do banheiro.
— Pode, é claro. Quer que eu morne um pouco de leite para você?
Ele sabe perfeitamente como tive uma noite mal-dormida e cansativa. E como me apaixonei pelo leite morno com mel que ele faz.
— Sim, por favor. E pode trazer um daqueles biscoitos de gengibre?
Ele assente e sorri para mim antes de ir.
Quando enfim saio do banheiro depois de ter tomado banho, Peeta está entrando no quarto com uma bandeja. Ainda são 8h da manhã e ele já deveria estar na padaria, mas ultimamente tudo que tem feito é diminuir a própria carga horária para ficar comigo. As pessoas não perguntam, sequer desconfiam. Decidimos manter tudo em segredo até que eu seja obrigada a contar por conta da barriga. Só minha mãe sabe. Isso porque ela ligou dizendo que queria fazer uma visita nas suas férias e eu não queria surpreendê-la.
Eu não quero contar porque estou tentando manter a minha independência. Mas é realmente difícil quando as duas — das três únicas — pessoas que sabem são, também, as que mais se preocupam comigo. Isso porque ainda estou na 9° semana da gravidez. Tenho medo de que, no futuro, nem Peeta nem Haymitch deixem que eu mastigue sozinha.
E é justamente por tentar aproveitar meus momentos de solidão que eu fujo para a floresta todos os dias após as aulas de ioga, que acontecem num centro especializado do Distrito e têm início daqui a uma hora. Exatamente quando Peeta segue para a padaria.
Volto a me sentar na cama e meu marido logo me aconchega nos seus braços.
— Pretendo pintar o quarto do torradinha. Fazer alguns desenhos de animais, algumas nuvens no teto. Nada cor-de-rosa ou azul. Talvez amarelo, branco ou verde água – eu sorrio ao me aconchegar no seu peito e pegar um biscoito.
— Vai ficar espetacular.
Peeta passa a mão no meu cabelo e leva a sua xícara de café a boca. Quando a coloca novamente sobre a bandeja, se esgueira do meu corpo e fica com a cabeça na altura da minha barriga que mal aparece. Falar com o nosso filho se tornou o hobbie favorito dele de uma hora para outra. Ainda mais quando doutor Art lhe contou que desde a nona semana o bebê estava propício a escutar.
Ajeito os travesseiros nas minhas costas, enquanto ele faz carinho na minha barriga e sorri, todo bobo. Pego meu copo de leite e passo a observá-lo.
— Oi, torradinha. Como você está? – Peeta se cala por um segundo, quase esperando por uma resposta. – Você tem dado um trabalhão. A mamãe vive enjoada agora, apesar dela não parecer se importar muito, mesmo com todo o cansaço. Eu começarei a pintar seu quarto esta semana, e darei o meu melhor para que seja a coisa mais bonita que você já viu, ainda que você não tenha muito para comparar. Espero que goste. Eu te amo.
Eu, já levemente alterada pelos hormônios da gravidez, estou emocionada. É tão lindo ver como ele o ama e como já carrega o mundo por esse bebê. Qualquer problema que possamos vir a enfrentar no futuro é fichinha do lado desse sentimento tão puro.
Peeta sorri para mim e beija minha bochecha. Eu deixo o copo de leite ao meu lado e ponho as mãos sobre a minha barriga.
Fecho os olhos, querendo senti-lo ou receber qualquer reação. Mas obviamente nada acontece. Eu, então, começo a cantar a Canção do Vale. Olho de relance para o homem ao meu lado, e vejo seus olhos cravados em mim com toda a ternura tão comum. Quando finalizo a música, movo minha mão para o pescoço dele e o puxo para um beijo.
De início, não passa de um beijo calmo em que nossos lábios basicamente só se tocam. Mas eu abro minha boca pedindo por mais. E ele retribui. Sua mão vem para a minha cintura enquanto afagos são feitos com seu polegar. Eu brinco com seus cabelos.
Em meio a toda a ansiedade, estresses, náuseas e enjôos, foram pouquíssimas as vezes em que eu e Peeta pudemos ter momentos como esse. Todas as noites nós apenas nos abraçamos e esperamos pelos meus pesadelos, que acabam vindo hora ou outra. Contudo, somente agora vejo como senti falta de beijos mais duradouros e intensos.
Toco o rosto dele e o vejo abrir um sorriso quando nos separamos. Isso me faz ir para frente outra vez e beijar sua bochecha, logo depois toda a sua face. Peeta aperta suavemente meu quadril, fazendo com que eu o beije outra vez. Ao desfazermos o contato com selinhos, meu corpo quase automaticamente sai de seu lugar na cama e eu vou parar no colo de Peeta. Só para ele segurar meu quadril e me parar, antes que eu faça qualquer outra coisa.
O encaro, sem entender.
— O que foi?
— O torradinha.
Seguro suas mãos e volto a sentar no seu colo, sentindo-o retesar-se sob mim.
— Ele está no meu útero, Peeta. Você não chegaria lá nem se quisesse muito.
Um resquício de sorriso aparece no seu rosto com o que digo. Em contrapartida, eu sorrio com o meu comentário quase ofensivo.
— Mas com toda certeza existem contra-indicações, amor. A gente precisa falar com o doutor Art.
Encosto minha testa na dele. Não posso questionar isso. Mesmo assim, não saio do lugar e Peeta me abraça, me trazendo mais para perto. Sua cabeça fica entre os meus seios enquanto ficamos quietos, apreciando o afago enquanto somente o som das nossas respirações pode ser ouvido. Segundos depois, a mão esquerda dele ergue a minha camisola, deixando minhas pernas descobertas e minha roupa íntima à mostra.
O tecido fino que cobre minha feminilidade é afastado e eu fecho os olhos no exato segundo em que seus dedos me tocam intimamente.
— Peeta, eu não quero isso. Eu quero você. – Digo, ainda que eu não me afaste. Chega a ser vergonhosa a minha fraqueza com relação a ele nesse sentido. Ou em qualquer outro.
— Você só precisa relaxar, meu amor. Têm sido semanas cansativas. – Ele umedece os lábios antes de arrastá-los suavemente pelo meu pescoço e, assim, começar todo um caminho de beijos molhados pela região, à medida que o carinho no centro no meu corpo vai aumentando de intensidade gradativamente. Busco sua boca em algum momento, contudo não tenho ideia do motivo que me leva a o fazer, já que sou incapaz de mexer meus lábios por conta dos gemidos sôfregos que emito.
Não sei dizer quanto tempo ficamos ali, mas bastam alguns minutos para que eu jogue minha cabeça para trás, aperte com força os ombros dele e passe a me mover junto com a sua mão. Depois disso, atingir o ápice é ridiculamente fácil.
— Eu quero dormir – murmuro, segundos depois, ainda respirando com dificuldade. Peeta me aperta contra ele outra vez e sorri.
— Por que não faz isso quando chegar da aula? É apenas uma hora. – Ele replica com toda a calma do mundo, dando início, com sua língua, a vários afagos que começam na minha orelha e terminam em minha clavícula.
— Estou com tanta preguiça. Sequer quero levantar. E você não está facilitando para mim.
Peeta ri.
— Vamos nos arrumar de uma vez, huh? – Um último beijo é depositado no canto dos meus lábios antes que eu arranje forças para sair do colo dele e permita que ele levante-se.
— Haymitch disse que eu deveria partir para chantagem emocional em momentos assim.
Me inclino na cama de forma que eu possa ver sua reação pela porta aberta do banheiro.
— Você não faria isso! – Ele me olha com descrença enquanto lava suas mãos. Eu sorrio.
— Eu estou carregando seu filho! Eu vivo com náuseas, enjôos, cansaço, e meu melhor amigo tem sido o banh...
Peeta caminha até mim gargalhando enquanto se joga na cama outra vez e cobre meu rosto de beijos, fazendo-me calar a boca e rir. Ele está sobre mim, sem pôr qualquer peso, quando acusa:
— Você é uma estrategista sem escrúpulos, senhora Mellark!
— Porque não é você, senhor Mellark, quem acorda no meio da madrugada setenta vezes para fazer xixi!
Ele beija meu rosto, ainda rindo.
— Você fica, mas eu vou chamar o Haymitch. E você sabe como ele tá em crise por conta da falta de cachaça.
Cerro os olhos.
— Seu chantagista!
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