Notas iniciais
E finalmente, here i am. Entonces, nada de longas notas, pulem logo para esse capítulo fofíssimo e não recomendado para menores de 18 pelo motivo que vocês já sabem. :)

– Então eu quero fazer isso todos os domingos – Peeta diz, com um sorriso que quase vai até a sua orelha.

Para ser franca, não posso julgar. É uma ideia brilhante e eu mesma estou com sorriso larguíssimo no rosto.

– Pode contar com a minha ajuda. Além disso, eu quero estar lá para ver.

– Sério?

– Não poderia ser mais sério.

A ideia consiste, basicamente, em não cobrar pelos pães na padaria aos domingos. Ainda que todos estejam muito bem, tanto na prática quando na teoria, existem pessoas que não podem se dar a luxos como o de comer um simples pedaço de pão. O fato é que sempre vão haver essas pessoas, por mais que o sistema e as próprias pessoas façam um esforço para mudar, e eu, tampouco, posso tampar o sol com a peneira fingindo que a situação não está bem diante dos meus olhos.

Acontece que Peeta teve mais uma das suas ideias sensacionais e altruístas. Ele decidiu não cobrar pelos pães aos domingos até o meio-dia. Cada pessoa tem direito a dois pães de sua escolha. E eu, que só estou viva por conta de pães de passas e nozes queimados, não poderia estar mais sinceramente feliz com o projeto.

– Então, já que hoje você não vai à padaria, quais são as chances de ir à floresta comigo?

Peeta me olha com desdém.

– Você tá tirando uma comigo, docinho?

Dou de ombros, bebericando o líquido da minha caneca.

– Talvez sim, talvez não. O que você acha? – Pergunto sugestivamente.

Ele segura minha mão por cima da mesa e se inclina para mim.

– Eu tenho a impressão de que você está muito afim de ir para o meio da floresta comigo e me dar aqueles beijos que comentei na primeira arena.

Ergo as sobrancelhas, fingindo estar confusa.

– E eu já não dei?

– Depende do meu humor – eu sorrio, aproximando meu rosto do dele.

– Então, supondo que, num universo paralelo e muito distante, eu queira muito te levar para a floresta e fazer isso, tenho alguma chance de conseguir?

Sem hesitar ele responde:

– Se esse for o caso, eu já estou lá.

Solto uma risada.

– Enquanto eu tenho que pegar minhas botas para ir. – Rolo os olhos e lhe bico os lábios por dois segundos. – Não esqueça de levar os pães para o Haymitch.

– Antes – Peeta segura minha mão quando eu levanto, impedindo-me de dar mais passos em direção à porta – temos que fazer um esquema.

– Do que você está falando?

– Ah, você sabe. Eu fico com o arco, você tenta ser silenciosa e...

O olhar que lanço na sua direção está repleto de sarcasmo e o faz parar no meio da frase, com um sorrisinho maroto na boca. Era a vez dele de tirar uma comigo.

– O que eu coloquei no seu café?

– Talvez algum dos seus antigos compridos para loucura, sem querer.

– Com certeza tem a ver com a validade expirada há, tipo, 5 anos.

**

– Por que você quis que eu viesse, huh? – Peeta questiona, enquanto andamos floresta adentro. Ele ainda está insistindo nisso. Por outro lado, eu entendo sua suspeita, ele tem todos os motivos do mundo mesmo.

Mantenho uma flecha no arco, preparada para atirar em qualquer predador que apareça motivado pelos passos altos de Peeta e pela estação acolhedora. Verão, época favorita dos animais selvagens. E de uma Katniss que, não muito tempo atrás, só conseguia ser feliz na floresta.

Não falta muito para que cheguemos ao lago, e é lá que grande parte dos nossos problemas se encontra.

– Porque eu sou muito estúpida – digo, mais para mim do que para ele.

Meu tom rude foi tão automático que mal notei, porém no minuto que me dei conta me arrependi. Ainda mais porque Peeta pareceu nem se dar conta, já que se trata de uma das minhas típicas oscilações de humor.

– Ok, docinho, começa a fazer sentido.

A flecha automaticamente dispara em um cão selvagem, que, a julgar pelo olhar, não está tendo um dia bom.

Bem no meio da floresta, com árvores densas e de grande porte, gramado alto, arbustos grudados uns aos outros e quase sem espaço para caminhada, não é o lugar de um cão selvagem. Me pergunto o que diabos aconteceu nas regiões com vegetação mais esparsa, que é o lugar onde pertencem e onde deviam estar nesse calor de 26°C.

– Bela explicação. Você combinou com ele? – Peeta diz, provavelmente tentando fazer graça. Contudo, estou ocupada demais pensando no predador. E em quantos outros podem aparecer justamente hoje.

– Não era para estarem aqui – murmuro.

– Mas já que estão é bom levarmos. Greasy Sae vai adorar.

– Já estamos chegando ao lago, dá para carregar. Podemos deixá-lo numa espécie de cabana que tem lá.

Nos aproximamos no animal que, sem dúvidas, está morto. Minha flecha, num tiro certeiro, atingiu o focinho. Peeta o pega sem dificuldade alguma.

Minha cabeça já está dando nó, enumerando as possibilidades de algum problema vir a acontecer. Estou tendo que cuidar de nós dois, aguçar minha audição duas vezes mais — já que as passadas estão cada vez mais pesadas — e olhar para todos os lados ao mesmo tempo. Onde eu estava com a minha cabeça?

Depois de poucos minutos, avisto as margens do lago e sinto o cheiro de terra molhada, a vegetação úmida e o ar fresco. Revisto o lugar numa rápida olhada. Parece seguro. Esquilos, tordos e diversos animais de pequeno porte correm por entre o baixo gramado e garantem seu lugar nos galhos das árvores. Nada de predadores. O som dos animais e da água do lago, que move-se com o vento, me agrada mais do que posso dizer e eu chego a esquecer que há meio segundo atrás estava frenética.

É aconchegante. Como ir para casa após uma longa e cansativa viagem.

– É um ótimo lugar para virar presa de alguns animais – comento, em tom de brincadeira. O lugar e algumas lembranças antigas trazem um clima mais leve para mim mesma.

– Aposto que vai ser incrível apostar corrida com esses bichos que correm a 30 por hora.

Eu sorrio.

– Mas, veja, a coisa só vai ficar mais interessante sabendo que o prêmio final é a nossa vida.

– Bem, isso me é estranhamente familiar.

Faço uma careta no mesmo segundo, concordando, e caminho até a cabana de 4m². A porta se abre com facilidade. Acabo tossindo ao inalar a poeira que tomou a casa. A janela está completamente cinza e todo o espaço parece estar sofrendo com o grande acúmulo de poeira. Não reclamo, ponho o arco e a flecha num canto, junto a bolsa de couro que carrego comigo. É hora da minha antiga vassoura infantil ter serventia.

– Sua casinha de boneca em tamanho real, hein?!

Olho na direção da porta aberta e vejo Peeta parado ali, no batente, analisando atentamente o lugar. Ele não entrou, ainda está fora dos poucos metros quadrados disponíveis na casa, com um sorriso sacana em seu rosto. Percebo a ausência do cão em seus braços.

– Eu tinha ótima vida, se quer saber – digo, terminando de varrer e jogando toda a poeira para os pés de Peeta que ergue uma das sobrancelhas na minha direção.

– Sorte a sua eu não estar afim de tirar essas botas e jogar toda essa poeira aqui novamente – responde, indo para o gramado fora da casa e cerca o lago.

De casa, eu grito:

– Sorte a sua, meu bem! Porque quem iria limpar seria você!

Não chego a ouvir, mas sou perfeitamente capaz de ver seus ombros mexendo-se enquanto ele solta uma gargalhada. Eu o conheço melhor que a mim mesma.

Dentro da bolsa de couro que trouxe há comida, água, uma toalha e um manto que estendo sobre o chão e que quase ocupa todo o espaço vago. Sento-me no chão, próxima a pequena lareira apagada, quando Peeta entra com o cão selvagem e vem na minha direção.

– Toma aí o seu gatinho.

– Como se o Buttercup já não fosse o suficiente.

– O coitado já está quase entrando no leito de morte, Katniss.

– E quem é que está reclamando?

– Não aja como se não fosse sentir falta dele.

– Mas eu não vou mesmo. Você é o único afeiçoado a ele.

Peeta balança a cabeça, colocando o cão o mais distante possível de onde estendi o manto, que é perto da porta.

Ele se senta ao meu lado, enquanto eu tiro minha jaqueta e as botas, buscando mais conforto. No seu bolso, ele pega um bloco de papel e uma caneta preta, preparando-se para começar a rabiscar. É só disso que ele precisa para fazer um desenho fantástico.

– Quer entrar? – pergunto, aponto para a porta. Mais especificamente para o lago.

– Talvez depois – ele sorri, beijando minha bochecha. Eu levanto, tiro a calça e a regata. Peeta parece estar surpreso quando eu o faço. Ele sabe tanto quanto eu que não sou nem um pouco fã da exposição do meu corpo. E que houve uma época que nem mesmo para ele eu me expunha assim: com tamanha normalidade e sem nenhum rubor.

– Você me olha como se nunca tivesse me visto desse jeito – digo, observando-o, à medida que dobro as roupas e as ponho no chão.

– Parece que você só fica mais linda – ele responde, sorrindo como quem dá "bom dia". Não como um dos seus elogios tão sinceros, que soam tão mentirosos aos meus olhos. Não porque não acredito nele, e sim porque não consigo aceitar que sou essa mulher que ele vê.

Então uma memória antiga me vem a mente, fazendo-me sorrir e dizer, quase bobamente.

– Ah, não. Nada disso. Esse é o seu olhar de "nunca vi mulher nua" – retruco, com o olhar firme. Peeta me olha quase rindo, mas aparentemente confuso. – Não faça essa cara. Eu me lembro de quando você olhou para a Johanna despida no elevador depois, é claro, de ter se disposto a abrir o zíper daquela roupa.

Eu não tinha ideia de que tinha guardado esta lembrança, porém, com o meu menor esforço, rememoro a roupa. E depois a revolta de Johanna com relação à estilista. A insinuação a respeito da Capital toda querer deitar-se com Peeta. E então toda a vestimenta dela no chão. O rosto de Haymitch e Peeta. O meu próprio rosto.

Bem, certamente não é uma das minhas melhores memórias. Aliás, muitas delas não são.

– Oh, sim. Bons tempos.

Ergo uma sobrancelha.

– Você é inacreditável!

– Não aja como se sentisse ciúmes. Não aja como se precisasse sentir. Se eu te amasse mais, se eu te achasse mais incrível, provavelmente não sobraria amor e admiração para o resto do mundo.

Sinto minha bochecha arder. De repente todo meu sangue está localizado nas maçãs do meu rosto. E a culpa é exclusivamente dele; que me deixa abobalhada e sem reação. Que me tira as palavras e me deixa sem saber falar.

No fundo, eu sei que isso não irá embora nunca. Que é automático para ele, como a sua própria respiração. E ao ficar calada, enquanto Peeta me encara tão docilmente, relembro de outra coisa.

"Você pode viver cem vidas e ainda assim não merecer esse garoto."

E mesmo telessequestrado, confuso e com um ódio esporádico de mim, sei que essa é uma das poucas verdades que já conheci.

– Continue parada por mais uns minutos, você está me dando uma ideia – ele diz, ao mesmo tempo que eu continuo plantada, ainda digerindo sua declaração. Subitamente, perdi todo controle que poderia ter sobre o meu corpo. Em compensação, recupero a fala.

– Se quer me desenhar, pode fazer enquanto estou no lago. Aposto que será bem melhor.

– Desde que você tirou a roupa, toda essa história de lago me parece espetacular. Fique à vontade – ele estende a mão para a porta. Eu rio.

Depois, com um sorriso, eu digo:

– Você deveria se apressar.

Não sei ao certo por quê, mas Peeta fica. Saio da casa, com a toalha em mãos, estalando minhas costas e o pescoço. Nos meus pés sinto o orvalho da madrugada e tenho a sensação de liberdade. Esqueço todos os meus problemas, todo o meu passado e então é como se minha vida tivesse acabado de começar. Estou feliz. No único lugar onde poderia ser feliz em todo o mundo.

Meu pé direito testa a água. Está levemente gélida, mas não é nada assustador. Muito pelo contrário; é revigorante.

Retiro as duas últimas peças que estão no meu corpo e as coloco juntas sobre a toalha. Quando mergulho, é um alívio. Tanto que fico submersa durante todo o tempo que disponho. Levanto a minha cabeça quando sou obrigada e, a cerca de três metros e meio de mim, está Peeta, com um sorriso no rosto. Demorou mais que eu esperava, mas lá está ele.

Peeta se sentou na beirada do lago, com o bloco e o lápis. Seu olhar cravado em mim e, em seguida, no bloco. Está claro: ele está me desenhando. O mais provável é que esteja reproduzindo o que vê agora; uma mulher com todo o corpo submerso na água, só com o rosto e cabelos molhados à mostra.

Sorrio, para que logo depois eu mergulhe. Sei que ele não precisa estar me olhando para reproduzir o que está na sua cabeça.

Sem quaisquer preocupações, passo uns bons minutos ali, recuperando o tempo que estive longe. Perco a noção da hora, e quando busco Peeta com os olhos, vejo cada tecido que outrora cobria seu corpo indo para o chão. Observo atentamente cada gesto dele até o momento em que ele entra na água.

Sei que ele não pode nadar, e que vir até mim pode ser um tanto perigoso. Ele pode mergulhar, se quiser, contudo nada radical ou mesmo que fuja da linha "simples". Sua prótese não permite, porém, ainda assim, ele parece não se importar nem um pouco ao diminuir o espaço entre nós. Nado até ele com um sorrisinho nos lábios.

A água cobre um pouco mais que meu umbigo quando nos encontramos. Peeta não hesita antes em me envolver com os braços fortes.

– Acho que agora sei o motivo que a levou a me convidar até aqui.

Aproximo nossos narizes, apreciando o seu hálito fresco de pasta de dente, e o calor do seu corpo em contraste a temperatura fria da água. Toco seu queixo com a minha boca.

– Se você quer dizer isso, – começo, usando meu indicador para apontar para mim e depois para ele – então lamento dizer que nem passou pela minha cabeça. Mas, sinceramente, não é uma ideia ruim.

Com um sorriso, ele passa a acariciar, quase imperceptivelmente, meu quadril. Sua boca percorre uma trilha de beijos que começa bem no meio das minhas sobrancelhas, passa pelo meu nariz, bochechas, até que chegue a minha boca. Peeta tem esse costume; acredito que a razão para seja simplesmente deixar-me a ponto de bala; ansiando pelos seus lábios junto aos meus.

Minha boca entre aberta chama por ele, que responde em milésimos de segundos e rouba qualquer resquício de razão que existe em mim. Escorrego os dedos pelos seus cabelos por pura necessidade.

Desgrudo nossos lábios para olhá-lo nos olhos e porque preciso de ar. Peeta tem cílios longos e levemente castanhos; olhos azuis magnéticos e que, nesse momento, parecem nublar-se em desejo. Noto seu olhar furtivo que desce pelo meu colo até que a água impeça qualquer visão mais extensa. Então, embrenho minha mão pelos fios de sua nuca outra vez, puxando-o para mim como se eu dependesse disso.

Seus beijos, como sempre, me tornam mais suscetível aos seus carinhos; deixando-me mais desejosa, como uma trilha nada cansativa que eu estou infinitamente disposta a percorrer. Tenho a impressão de que nem se quisesse poderia ficar exausta dos seus toques.

– Você é inacreditavelmente linda – sussurra, tão suavemente quanto o afago que faz em minhas omoplatas.

– É um péssimo momento para mentir desse jeito.

– Queria que você pudesse ver metade do que vejo. Talvez assim entendesse porque te amo tão desesperadamente.

– Pare com isso. Eu nunca sei como reagir – e, sabendo que meu claro pedido para ele calar a boca não vai funcionar, grudo seu corpo ao meu.

Numa reação quase desesperada, passa a beijar meu maxilar. Depois meu pescoço. E é uma questão de segundos até que meu ventre aperte em desejo, e assim, minhas coxas também se apertem uma contra a outra.

– Eu te amo. – Ele murmura entre um selinho e outro. Sorrio quase imperceptivelmente, acariciando sua bochecha com a minha boca e escorregando meus dedos pelo seu rosto tão bonito.

– Vem aqui – chamo, delicada, e, com extremo pesar, nos separo e lamento durante todo o percurso até que, enfim, saiamos do alcance da água.

Já com a grama tocando meus pés e nenhum real impedimento, me agarro a Peeta outra vez. Não me importo com a nudez e nem com a minha negligência com relação aos animais que estão rodando por aí. Apenas o beijo, tentando me libertar dessa necessidade assustadora que cresce mais e mais.

Piso em uma, duas, acho que quatro pedrinhas porque ainda estou beijando Peeta de olhos fechados. Por pouco não corto meu pé. Não sei o que está acontecendo comigo, só quero me libertar. Contudo, instintivamente, quando estou na porta da "casa", examino atentíssima a extensão de grama e da floresta que está ao alcance dos meus olhos. Ainda sou uma caçadora; ainda tenho o meu instinto de autopreservação.

Ao entrarmos, eu tropeço nas patas do cão selvagem e só não dou com as costas no chão porque Peeta inverte as posições. Não há nenhuma exclamação de dor, apenas o susto do baque. Nós rimos juntos, enquanto eu paro de pôr meu peso sobre ele para olhar seu rosto.

– Você tá legal?

– Acho que posso ficar melhor – responde, com um sorriso travesso na boca. Eu gargalho antes de me ajeitar sobre seu corpo. E beijá-lo, como se isso fosse diminuir minha ânsia.

Nos separamos em busca de ar e eu me permito olhar, outra vez, o corpo nu do homem que está na minha frente. Céus, estou desesperada por ele. Vejo-o sorrir de lado ao me ver olhá-lo desse modo, e então passar a descer sua mão pelo meu corpo com carinho e até certo desespero.

Ele me puxa para si, aproximando o rosto do meu, roçando nossos lábios um no outro sem me beijar. Sinto o cheiro adocicado dele e ouço sua respiração descompassada. Então, quando deposito meu corpo úmido totalmente sobre o dele, o sinto contra mim e a necessidade torna-se maior num piscar de olhos.

Peeta vira meu corpo com cuidado e seus lábios passam a tocar o vão entre os meus seios, como ele tem o costume de fazer. Sua língua passa a me acariciar lentamente, suavemente. Sua mão desce, caminhando pela minha barriga, meu ventre e enfim minha feminilidade. Enquanto sua língua acaricia o meu seio esquerdo, sua mão me toca intimamente. O prazer que sinto torna-se quase indescritível, ao passo que passo a me derreter em seus braços.

Depois de algum tempo, alguns anos de prática e várias horas sem levantar da cama, Peeta descobriu e me mostrou os pontos mais sensíveis do meu corpo. Me mostrou que com o menor e mais simples toque vindo dele, eu posso me desfalecer no mais puro e completo prazer.

Solto um gemido sôfrego. Minha mão passa por toda a extensão das suas costas e, quando ele passa a friccionar seus dedos em mim com um pouco mais de intensidade, eu cravo minhas unhas em seu quadril, desejosa e ofegante.

Já chegando ao meu limite, seguro sua dureza contra mim. Peeta então move o seu foco dos meus seios para o meu rosto, contorcido em deleite.

– Te quero – eu murmuro, com um sorriso. Ele se levanta, ficando com o rosto rente ao meu.

Mais uma vez ele diz:

– Te amo.

E eu sou incapaz de ter um pingo de dúvida quanto a isso.

Peeta segura meu quadril com delicadeza e inverte as posições outra vez. Ao me ajeitar sobre o seu corpo, tendo muito cuidado com relação a sua prótese, acaricio seus cabelos úmidos e digo:

– Te amo.

Ainda que você mereça bem mais que isso, continuo a sentença para mim mesma.

Ele sorri para mim e se inclina para me beijar. Seus braços fortes me envolvem, ao passo que eu seguro-o novamente em minhas mãos e agora movo-o para dentro de mim, sabendo que ele é o único que pode me ter dessa forma. Sabendo que ele é o único capaz de trazer sensações inimagináveis para mim.

Gememos juntos, embebidos de prazer. Me deito sobre Peeta, beijando seu pescoço, enquanto movimento meu quadril repetidas vezes. Toda a região das minha costas é envolvida pelos seus braços, à medida que meus seios entram em contato com o seu tórax molhado cada vez que volto a me sentar sobre ele.

Ergo meu corpo, com dificuldade em respirar, sabendo que falta muito pouco. Tanto para mim quanto para ele. Se estive com frio quando saí do lago com ele, agora é como se estivesse no inferno. Estou ardendo.

Com seus olhos azuis carinhosos e luxuriosos cravados em mim, Peeta segura minha cintura, dando-me auxílio. Olho para o seu corpo ensopado de suor e da água do lago, perdendo o controle.

– Vem comigo, amor – sussurra.

Fecho meus olhos. Isso é tudo que eu preciso. A sua voz somada a toda essa situação incrivelmente prazerosa. Me movimento só mais uma vez e atinjo o ápice, em perfeita sincronia com ele.

Sinto os espasmos por todos os cantos. No meu sexo, nas pernas, nos braços, até mesmo no rosto. Fico com olhos fechados mais tempo do que posso contar enquanto a sensação avassaladora me consome. Depois, caio sobre o seu corpo outra vez, sem força pra nada.

Quando encontro minha voz, eu digo, com o rosto no colo dele e olhando para cima, a procura do seu rosto:

– Acho que foi o mais intenso de todos.

Ele ri e eu o acompanho.

– Eu estou começando a achar que sou muito bom nisso – comenta, fazendo carinho nos meus cabelos molhados.

– Você certamente é – garanto e nós dois rimos de novo.

Saio de cima dele e vou para o seu lado, me agarrando a ele. Ele estica seu braço e me oferece como travesseiro, mas acabo optando pelo seu peito que sobe e desce no ritmo natural. Ficamos os dois nus, ouvindo a respiração um do outro, como se o mundo tivesse parado para nós dois.

Não há Jogos, não há guerra, não há mortes. Somos só nós dois. E todas as outras pessoas do mundo, há quilômetros de distância da nossa bolha.

De repente, me sinto feliz, num paraíso próprio o qual estive poucas vezes. A única divergência agora é que não me sinto culpada por me permitir sentir isso.

– No que você está pensando? – pergunto, curiosa, quebrando o silêncio gostoso que se instalou entre nós.

– Na gente – diz, simplesmente, baixando o rosto para olhar para mim.

– Você acha estranho tudo estar tão calmo? Seguindo uma maré quase branda desse jeito?

– Acho que merecemos isso. Veja, faz três anos desde os rumores de rebeliões que enfim foram contidos. Você tem estado melhor e até o meu telessequestro tem dado um tempo. Tenho lembrado de algumas coisas e o Haymitch disse que estou mais próximo do que eu era.... Isso significa um recomeço.

– Mas... eu não sei. Não te preocupa a ideia de tudo desmoronar? De uma hora para outra?

– Se isso acontecer, nós temos um ao outro – ele beija a minha testa.

– Às vezes eu acho que só deu certo porque, em algum momento, nós nos tornamos amigos. Eu não sei direito, mas eu confiei e confio desesperadamente em você.

– Sei o que quer dizer. É como agora. Nós contamos tudo um para o outro e quase podemos saber o que estamos pensando. Então as piadas são fáceis, o silêncio não é constrangedor...

Eu sorrio. É exatamente isso. O que apenas comprova o que acabei de dizer. Passo a fazer desenhos abstratos em seu peito, aproveitando esse momento tão calmo e prazeroso.

– Quando você me chamou para vir, achei que estivesse louca.

– Eu seria louca se estivesse o chamado para caçar. Não há dúvidas. Mas, eu não sei, eu só quis te mostrar esse lugar. Tem um significado muito especial para mim. Quis que você soubesse. É quase uma parte de mim.

Peeta afaga meus cabelos, olhando atenciosamente nos meus olhos enquanto eu falo.

– Quer me contar o porquê?

– Esperei que perguntasse – sorri. – Meu pai achou no tempo em que caçava. Na época que eu vinha com ele, nós pegávamos as raízes de katniss que crescem no lago, acendíamos a lareira e, após pescarmos alguns peixes, comíamos aqui.

Fechei os olhos, quase podendo sentir o cheiro do peixe cozinhando.

– Aprendi a nadar aqui. Eu lembro de passar umas boas horas fazendo daqui a minha casa de bonecas, como você disse. E eu tenho a impressão de que essa é a melhor e mais vívida lembrança que tenho dele. Gosto de mantê-la viva.

Vejo o sorriso de Peeta e acabo sorrindo também, tentando não me importar com a dorzinha pungente que incomoda meu peito. Ficamos em silêncio e, depois, toda a dor parece ir embora.

**

– Você não está fazendo isso!

– Por que eu não faria, querida?

Aqui está Peeta, nu, em frente a uma árvore gigantesca, com uma faca em mãos, insistindo em eternizar nossos nomes nela. A ideia surgiu repentinamente. Estávamos deitados, tínhamos acendido a lareira, comido queijo quente, algumas frutas. Eu disse que viria pegar as nossas roupas que estavam pelo gramado que cerca o lago, e, num salto, ele estava aqui fora — antes mesmo de mim, que enrolei o manto no corpo e o segui.

Permaneço um tanto desacreditada. É tão bobo e, porque negar, fofo. Tão distante do que eu fui há anos atrás. Essas doses altas de romantismo que fazem tudo parecer estranhamente maravilhoso.

– Aqui está! – Peeta diz, um pouco alto.

Eu sorrio e abraço, estendendo meu manto para que ele venha para o meu lado.

– Daria uma ótima estampa de camiseta – digo, olhando o feito.

Um coração tremido. Dentro dele os dizeres: "Katniss + Peeta".

– Com certeza teria sido uma febre na Turnê da Vitória – ele sorri.

Peeta continua admirando seu trabalho conforme eu vou para o leito do lago, a fim de recolher nossas roupas que estão dobradas intactas.

Peeta vem até mim, ao ver, com galhos de 2/3 centímetros em mãos.

– O que é isso?

– Já, já você vai ver – ele responder, um tanto misterioso.

Voltamos para dentro abraçados, enquanto as horas seguem lá fora. Estou arrumando as coisas, pondo minhas roupas, quando Peeta toca carinhosamente meu braço, fazendo com que eu me vire e deixando que minha blusa fique vestida só pela metade. Abro a boca para perguntar o que raios ele está fazendo no instante em que começa a se ajoelhar. Ele levanta a mão direita, meu olhar a segue.

Um anel simples, sem luxo algum, feito de galhos de alguma das árvores desse imensa floresta. Qualquer criança poderia ter feito, enrolado o galho e amarrado com um pedaço de folha. Mas saber que Peeta o fez do jeito mais simples que poderia, deixando para trás qualquer luxo desnecessário, que por tantas vezes fez parte do nosso passado, me deixa fascinada.

Nunca pensei em me casar, ter filhos. Aliás, sempre abominei tudo isso. Porém vivemos juntos. Estamos juntos há anos e isso aconteceria. Seria tão inevitável quando o frio no inverno e as flores que dariam o ar da graça na Campina durante a primavera. É claro que hora ou outra vai chegar o momento em que terei que dizer a ele que estou longe de querer crianças, e até lá lidaremos com tudo juntos, exatamente como vamos fazendo há anos. Mas isso, o que ele está prestes a me pedir...

Eu sei que não sou capaz de negar.

– Você quer casar comigo? – Seus olhos parecem receosos, em dúvida e eu diria que preocupados. Não como da primeira vez.

– Pela segunda vez, a minha resposta é sim.

Porque, que a verdade seja dita, o garoto do pão é a única pessoa no mundo da qual eu poderia aceitar esse pedido. Todas e quaisquer vezes nas quais fosse feito.

Notas finais
Agradeço a todos vocês que apesar da minha demora incalculável mantiveram-se aqui. Não sei como dizer obrigada por isso. Obrigada também pelos comentários, vocês são os melhores!