What Comes After [HIATUS]
16 Capítulo 13
Notas iniciais
– Levantes – diz Johanna pausadamente, como se estivesse lidando com crianças, e sem sequer cogitar abrir mão da sua presunção costumeira.
– Entendi perfeitamente o que disse, e você também entendeu que pedi por explicações – retruca Haymitch, claramente sem um pingo de paciência diante do assunto.
Eu estou imóvel, levemente pasma quando as peças do quebra cabeça começam a se encaixar.
A reunião nunca teve o objetivo de abordar um tema no qual faça do governo de Paylor uma "democracia mais democrática", como foi dito para gente. Eles precisam de nós para controlar uma possível Rebelião que se forma pouco a pouco. O que deixa nítido que todos os meus malditos esforços há anos atrás significaram menos que nada.
Contudo, isso já devia estar claro para mim.
– Simples. Estão surtando no 2. Muitos dos que viviam lá eram os protegidos da Capital, vocês sabem, e agora eles sentem falta do governo de Snow. Ou pelo menos dos luxos que tinham, já que Paylor cortou muitas coisas para mantê-los no mesmo patamar dos outros distritos. Por outro lado, no 8, por exemplo, existem pessoas a favor da Coin, por algum motivo que todos desconhecem. E são essas mesmas pessoas que não estão de acordo com os atuais impostos e alegam um grande monte de merda – diz, rolando os olhos e fazendo o maior pouco caso. – O que nos leva a uma única conclusão: estão todos longe do juízo perfeito e precisando de um bom choque de realidade. Com um pouco de água, se possível.
Eu abro a boca. Fecho-a. Não consigo falar.
Plutarch esteve certo, afinal. Nós caminhamos, todas as vezes, para a nossa auto destruição.
– Como você ficou sabendo? – indaga Peeta.
– Eu fiquei aqui sem nada pra fazer durante muito tempo – ela dá de ombros.
Agora quem está em choque sou eu. Em puro e mais completo choque. Se vier a acontecer outra guerra, se tentarem derrubar o Estado outra vez, tudo vai desandar e o banho de sangue será iminente. E eu duvido que haja qualquer pessoa no mundo que me faça ter um pingo de sanidade se uma revolução acontecer. Nem Peeta poderá me ajudar. Provavelmente acabarei como Annie. Se eu continuar viva.
– Mas não demos exatamente o que eles pediram? Não tem mais Jogos, não tem mais trabalho escravo, não tem ninguém morrendo de inanição. Nossas crianças estão vivendo bem e crescendo de uma forma que não pudemos! Isso não é o bastante? Eu perdi tudo para nada? Todos nós pagamos custos bem mais altos que gostaríamos a troco do que agora? – meus olhos estão repletos de lágrimas e à medida que as frases tomam forma, eu perco a minha.
Vi a morte passar por mim incontáveis vezes para nada. Desenvolvi um problema cardíaco e quase infartei para nada. Meus amigos e minha irmã morreram para nada.
Peeta me puxa para perto e eu agarro sua camisa com força. Quando eu acho que estou bem, quando eu acho que de alguma forma estou conseguindo seguir em frente, tudo me puxa de volta, numa montanha russa da qual parece que nunca poderei sair.
– Shhh, shhh, Katniss. Olha bem pra mim – Peeta pede, erguendo meu rosto molhado. – Você não pode pensar nisso agora, você acabou de sair de um coma e se meter nesse assunto é exatamente tudo o que você não pode fazer.
O olho, sem evitar o escárnio, e me enfureço:
– E como você quer que eu evite isso, considerando que minha irmã explodiu para que outras vivessem? Considerando que até hoje eu tenho marcas no meu corpo por ter sido o símbolo de uma Rebelião que já não significa mais coisa nenhuma?
– Se convocaram uma reunião é com o intuito de resolvermos isso e é o que vamos fazer. Seu esforço não foi em vão. O esforço de cada um de nós não foi – ele responde, inabalado com o meu tom grosseiro. Eu me sinto mal por ter me dirigido a ele desse modo.
– Pode crer. Até porque eu não sou obrigada a aturar essa gente querendo o Snow. Que vão todos para o inferno ser governados por ele lá, porque eu estou longe de aceitar isso e se for preciso matar cada um na encolha, podem contar comigo – diz Johanna e Haymitch sorri para ela.
– Com esse espírito a gente aquieta Panem inteira.
**
– Um banho seria bom.
Está de madrugada e eu continuo angustiada desde que todos deixaram o quarto, com exceção de Peeta, é claro. Ele parece estar sofrendo de insônia essa noite, talvez por minha causa ou por conta dos problemas que parecem nunca desaparecer por completo. Estou abraçada a ele, agarrada ao seu corpo, tentando a todo custo tirar as imagens da guerra da minha cabeça. Ainda assim, eu sei que terei pesadelos essa noite. Muitos deles.
– Eu também acho. Você não toma banho há dias – ele diz, e faço uma careta, erguendo meu braço e tentando sentir um cheiro desagradável.
– Isso é sério? – pergunto, um tanto desacreditada.
– Sim. Tudo que fizeram foi passar um pano molhado em você, já que era um pouco impossível levá-la para longe de todos os aparelhos.
Levanto num piscar de olhos. De repente, eu posso sentir meu corpo sujo e isso me incomoda.
– Vou preparar a água – diz Peeta, levantando-se também e seguindo para o banheiro, sem que eu possa impedi-lo.
Ando pelo cômodo — que tem uns bons metros quadrados — conforme prendo o meu cabelo. As paredes brancas têm decalques em dourado que formam figuras abstratas agradáveis à visão. As cortinas têm o mesmo tom pastel do piso amadeirado, e os móveis caros entram em contraste com o quarto por possuírem uma cor mais escura. Próxima a uma escrivaninha, está a minha mala, praticamente intacta. Abro-a, pego uma camisola longa azul, meu robe e a roupa íntima. Quando chego ao banheiro, a banheira já está pela metade e há um cheiro de pinho e almíscar no ar que se espalha através do chuveiro altamente tecnológico.
Ponho minha roupa num gancho e me aproximo da água, consequentemente, de Peeta. Com os aromas agradáveis no ar, quase me sinto no 12; na floresta. E, assim, com o perfume de casa e a sensação de estar lá, não é tão difícil lidar com essa avalanche de coisas que estão prestes a acontecer.
– Estou pensando.
– No que, exatamente?
– Em ficar aqui – ele responde. – Você não pode se esforçar.
Eu sorrio para Peeta, quase rindo da sua cara de paisagem que cobre o quê de malícia.
– Se você ficar aqui, eu vou me esforçar – esclareço e então ele sorri, passando seu braço pela minha cintura, puxando-me para perto.
– Eu prometo que não.
Ergo as sobrancelhas, duvidando, mesmo assim, estou longe de reclamar.
Ele toca meu rosto com a mão livre e beija minha face, cheio de carinho. Corre seu dedo pela minha boca e antes de beijá-la, seus lábios tocam suavemente meu queixo. Enfim, nossas bocas estão unidas, num beijo que começa tão lento e vagaroso que quase parece que nunca fizemos isso antes.
Quando o fôlego falta, minha testa toca a sua enquanto passo minha mão pelos fios macios de sua nuca.
– Desculpa. Por mais cedo.
No meio de toda a confusão, somente agora tive a oportunidade de tirar um pouco do peso da minha consciência.
– Você não precisava nem pedir – ele diz, sorrindo para mim e fazendo carinho com o seu polegar em minha bochecha.
Fecho meus olhos, tentando apreciar mais do seu toque do qual estive longe durante tanto tempo. Se eu estivesse consciente disso, sem dúvida alguma teria sido bem pior para mim. No silêncio que se apossa do lavabo, sinto falta do ruído causado pela água do chuveiro contra a banheira cheia.
– Fica – eu digo, virando meu rosto e depositando um beijo leve em seu dedo.
– Sempre.
Com esforço, eu me afasto, tirando a blusa de lã que visto. Não olho para Peeta, pois sei perfeitamente que ele me observa enquanto minhas roupas caem no chão. Entro na banheira, nua, e me sento, deixando a água quente cobrir meu corpo e permito-me relaxar enfim. Puxo as pernas para junto do meu corpo e apoio minha cabeça no joelho, vendo como a calça que Peeta usa toma o mesmo rumo das peças que ainda pouco eu vestia. No momento em que ele entra na banheira, vem para o meu lado com uma esponja em mãos.
– Eu posso gostar disso – olho para o seu rosto que se converte num sorriso doce.
– Esse é o objetivo.
Sua mão direita acaricia meu braço em meio ao oceano com cheiro de almíscar formado a nossa volta. Já a esquerda tem uma esponja repleta de sabão que toca com extrema delicadeza o meu pescoço desnudo. Logo meu colo está cheio de espuma e meus seios provavelmente estariam se não fosse pelo meu corpo imerso. Peeta percorre cada centímetro do meu corpo com a bucha, tirando toda a sujeira que esteve ali com uma suavidade inimaginável. Quando chega aos meus pés, ele pede para eu me virar.
Sem hesitar, eu o faço, me apoiando nas extremidades da banheira, deixando minhas costas à mostra e à mercê dos seus toques e afagos. Cada parte da minha espinha fica coberta de sabão minutos depois, e quando a mão atrevida de Peeta abarca meu seio conforme a outra ainda faz seu trabalho, eu praticamente ronrono. Em meio a toda confusão que está se formando nos distritos, consigo encontrar essa paz de alguma forma. E só nos braços dele.
Peeta enxágua minhas costas, ou pelo menos a parte na qual tem algum resquício do sabonete líquido. Depois toda a sua atenção se volta para os meus seios, enquanto ele os toca, apertando meus mamilos rígidos e fazendo-me fechar os olhos outra vez. Me volto para trás, à procura de seus lábios e uma das minhas mãos acaricia seu rosto, aproveitando o momento para trazê-lo o mais perto que posso.
Meu corpo fica tão quente quanto a temperatura da água. Seus dedos transitam sem pudor pelas minhas pernas e, sem que eu perceba, estão em minha feminilidade. Ele suga o gemido que sai pelos meus lábios contra a minha vontade. O carinho que é feito ali ininterruptamente me deixa trêmula e faz com que eu jogue minha cabeça para trás para apoiá-la em seu pescoço. Lamentos sôfregos escapam pela minha boca à medida que eu peço para ele acelerar o processo. Sinto minha intimidade apertar-se quando ele finalmente o faz e, em cerca de um segundo, parece que estou no paraíso.
Com todos esses anos na nossa bagagem, Peeta conhece meu corpo tão bem — ou até melhor — que eu e é capaz de memorizar o que cada um dos seus carinhos causam em mim.
O beijo outra vez, após me recuperar, e continuo no meio de suas pernas, sem qualquer pretensão de sair.
– Eu tenho a impressão de que você quer escutar o doutor – digo, roçando nosso lábios inchados.
– E eu vou – ele sorri para mim.
– Então você nem devia ter entrado aqui se era isso que queria – respondo, já planejando mil e uma maneiras de não dar ouvidos a ele e conseguir o que quero.
Peeta segura meu quadril delicadamente e me tira de onde estou para que ele possa levantar. Quase não acredito quando o vejo pegar uma toalha e trazer uma para mim.
Eu só odeio quando ele faz isso. Quando age dessa maneira; me pondo como prioridade numa coisa que foi feita para nós dois. E, pra ser honesta, estou ardendo em raiva por ele me deixar tão necessitada dele e, como se já não fosse o bastante, fazer com que eu me contente com o que recebi.
Eu já devia saber desde o primeiro segundo o motivo dele ter entrado dentro desse banheiro; me persuadir a não exigir mais nada por conta do resguardo que ele quer seguir ao pé da letra.
– Você ouviu bem. Resguardo – ele diz, me dando nos nervos. Aceito a toalha e seco meu corpo, ainda urgente pelos seus toques.
– Isso é, de longe, a coisa mais injusta que você já fez.
– Você jura que quer discutir sobre esse assunto?
– Juro.
Pego meu robe e o visto, ignorando a camisola que está no gancho ao lado.
– Há um tempo atrás isso era impossível.
Olho para Peeta, com a feição mais séria que tenho.
– Isso vai ter volta – asseguro.
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