Westeros Enterprises S/A
1 Red Dress
Notas iniciais
ROBB STARK
Robb estava irritado.
Era esse o efeito que as estúpidas festas corporativas da Westeros S/A costumavam ter no rapaz. Como se não bastasse toda a pressão de seu pai, Ned, para que o ruivo de 25 anos seguisse seus passos, o jovem ainda precisava passar horas em pé, ouvindo toda aquela conversa armamentista absurda, vestido como um pinguim.
Ao menos o whiskey caro valia à pena.
Pelo canto do olho, conseguia ver suas irmãs, Sansa e Arya, serpenteando pelo salão como as damas que haviam aprendido a ser. Seu primo, Jon, estava perto de seu melhor amigo, Gendry Baratheon. Ambos estavam por ali, sendo forçados a fazerem o mesmo que Robb: Manter as aparências.
Robb não conseguia deixar de pensar em como Jon e Gendry eram melhores nisso do que ele.
Apertando mãos e forçando sorrisos ao lado de sua mãe, Catelyn, pelo o que parecia uma eternidade, enquanto ouvia comentários sobre como seus cabelos de fogo pareciam com os dela, o rapaz pensava apenas em uma coisa: Sair dali e ir ao encontro de tudo que mais gostava no mundo.
Mulheres.
Costumava ter várias a sua volta, como o herdeiro rico e influente que era. Mas o dinheiro não era o único de seus atrativos. Seu porte físico atlético, típico dos homens da família Stark, e seu rosto delineado e harmônico, típico dos Tully, lhe rendiam grandes conquistas, mesmo quando elas nem sonhavam em conhecer sua conta bancária.
— Robb, querido. — Sua mãe se fez ouvir, apesar do barulho incessante. — Seu pai quer que você conheça alguém importante.
Revirou os olhos antes mesmo de saber do que se tratava. Em seu bolso, como se adivinhasse o pior momento, o aparelho celular vibrou e, mesmo sem olhar, ele teve certeza que Talisa, sua namorada, lhe cobrava presença. Ela teria que esperar.
Não demorou a encontrar seu pai no meio da multidão. Com um copo de whiskey semelhante ao seu pendendo na mão, Ned Stark tinha uma estrutura imponente e intimidadora para qualquer um. De longe, pode ver a figura atarracada de Mace Tyrell e, junto a eles, Robert Baratheon, com todo o seu tamanho.
Teve a impressão de que os senhores conversavam com mais alguém, mas Robert, corpulento como era, encobria a figura, que Robb apostava ser Aerys Targaryen, o sócio que estava fora de vista. Não poderia estar mais enganado.
Se arrastou até o local, pedindo a todos os deuses que conhecia que, por favor, não lhe colocasse em outra conversa entediante com seu pai e os sócios da Westeros sobre sucessão empresarial. Por favor. Por favor.
Foi atendido em seus pedidos. Em partes.
A medida em que a distância encurtava, Robb conseguia ver um leve tecido vermelho, que se revelou em um vestido longo, tipo sereia. As curvas de quem o vestia deixariam até mesmo o mais conquistador dos homens impressionado.
— Ah, aqui está ele! — Seu pai exclamou ao vê-lo, mas Robb não correspondeu aos olhares atentos dos senhores em sua volta.
A loira estonteante em sua frente roubava a cena e toda a sua atenção. Tinha os cabelos soltos em ondas, adornando o colo bronzeado. Seus lábios, pintados na mesma cor do vestido, eram carnudos e sensualmente contornados. O cheiro vindo dela era inebriante, mas, a parte mais bonita de seu corpo perfeito, eram os olhos. Tão azuis que chegavam a ser cinzentos, os olhos daquela mulher — uma das mais bonitas que Robb já havia conhecido — lhe eram estranhamente familiares. Como se os conhecessem a anos.
Aqueles olhos pararam nos de Robb no primeiro instante e, por um curto período, o jovem esqueceu como se respirava. Sentiu uma pontada característica entre as coxas e soube que precisaria de um banho gelado em breve.
Após um breve pigarro de Mace Tyrell, o que indicava que tinha passado tempo demais encarando e sendo encarado pela loira, a voz de Ned Stark voltou a ser ouvida.
— Robb, não sei se você lembra, mas essa é Margaery Tyrell. Filha mais nova de Mace. Vocês costumavam brincar quando eram mais novos.
Ao ouvir as palavras de seu pai, Robb não conseguiu evitar que seu queixo caísse.
Margaery Tyrell e Robb Stark foram melhores amigos até os 13 anos de idade, quando, após a morte da mãe da garota, Mace resolveu que seria conveniente colocar sua única filha em uma escola interna regida por freiras.
Aquilo foi suficiente para que Robb nunca mais ouvisse falar de Margaery. Seu nome sequer era mencionado nos jantares patrocinados pela Westeros e seu irmão, Loras, parecia ter tão pouca informação sobre a irmã quanto Robb.
Por conta disso e da solidão que a partida de Margaery causaram, Robb se aproximou de Gendry e Jon e se envolveu em novas aventuras, diferentes daquelas que teve com a garota. Se tornara um homem, e, as vezes, enquanto crescia, se perguntava se tudo não passara de uma alucinação de criança.
Agora, as memórias lhe voltavam mais vivas do que nunca. Era por isso que os olhos eram tão familiares.
— Maggie?— O antigo apelido pelo qual costumava chamar a garota lhe escapou pelos lábios e ela abriu um sorriso que o atingiu como um soco.
— Oi, Robbie. — Ela respondeu, arrancando risadas de Robert Baratheon.
— Margaery está de volta. — Robert se intrometeu. — Concluiu a faculdade e agora irá trabalhar conosco, na Westeros.
— Ah, mesmo? — Robb sentiu uma pontada de decepção. Se a garota iria trabalhar na Westeros, deveria então ser tão ruim quanto aqueles que a haviam fundado.
Tentou olhar novamente para Margaery e fazer seus olhares se cruzarem, mas a moça parecia constrangida, encarando os pés. Talvez, se conseguisse olhar para ela, pudesse entender o que ela havia se tornado e porque estaria disposta a trabalhar em uma empresa tão cruel quanto a que seus pais tinham construído.
— Talvez Margaery possa te estimular a entrar na Westeros… — Ned começou a falar o discurso ensaiado que Robb já havia ouvido milhares de vezes, quando o celular do rapaz voltou a vibrar em seu bolso.
Dessa vez, ele não ignorou o aparelho e pediu licença para atender, sem se preocupar em cortar o pai.
Se afastou de Margaery com a cabeça e os pensamentos turvos e com seu perfume impregnado nas narinas.
Naquela noite, sonhou com os olhos dela e com o vestido vermelho que usava.
Fale com o autor