Werewolf

3 Capítulo 3


Notas iniciais
Queria agradecer por todos os comentários, leitores e favoritos. Vocês são ótimos.
Nos comentários duas observações foram constantemente repetidas, uma a respeito do tempo de atualização e outra sobre o tamanho dos capítulos. Sobre a primeira, infelizmente não há muito que eu possa fazer. Tudo que eu queria era ter tempo para apenas sentar e escrever, mas a vida não tem deixado, é muita coisa pra fazer. Sobre a segunda, como vocês vão ver esse capítulo já é bem maior, vou tentar continuar assim.
Divirtam-se!
Ps: pacote = alcatéia

Rachel


Rachel não teve tempo de gozar a liberdade, assim que seus pés bateram no solo ela se viu cercada. A morena soltou um bufo frustrado.


Sua exasperação aumentou quando precisou desviar-se de dardos tranquilizantes. Felizmente isso não durou muito tempo. Seus perseguidores não eram tão ágeis quanto ela e acabavam acertando os próprios companheiros. Rachel achou a situação toda um pouco patética, eles pareciam completamente perdidos.


Era bastante óbvio que o pacote havia recebido ordens de não machuca-la, já que não tentaram lhe infligir nenhum dano sério. Aqueles que assumiram a forma de lobo mantinham-se afastados, estavam ali apenas para observar e agir somente em último caso.


Rachel sentiu as coisas mudarem. Uma voz feminina tomava a liderança e disparava ordens, os homens imediatamente reagruparam. Agora sim eles pareciam a famosa frente unida de Russel Fabray. Rachel buscou a dona da voz e não demorou em encontrá-la, ela estava parada a alguns passos da porta dos fundos. Mas a visão do lobo foi mesmo capturada pela beleza loira ao lado dela. As duas eram muito parecidas, se não fosse pelos anos a mais que a que gritava ordens aparentava, poderiam facilmente ser confundidas por gêmeas. Ambas absolutamente lindas, porém a mais nova, Rachel reconheceu como a garota que salvou na estrada, tinha algo de especial. Os olhos se encontraram. A respiração de Rachel não apenas tornou-se rasa, ela deixou de existir.

Quinn


Quinn despertou. Sua mente voltava lentamente à consciência. Ela não tentou se mover, apenas continuou respirando, esperando até que todo o torpor do sono deixa-se seu corpo enquanto processava onde estava, e por que estava lá.


Ela contou mais algumas batidas de coração, então abriu os olhos. Rápido demais. A luz repentina fez suas retinas queimarem. Recomeçou o processo, dessa vez tomando o tempo necessário. Suas pálpebras moviam-se incertas para cima. A visão tornou-se turva, a iluminação do ambiente dificultava a ação. Seus olhos começaram a se habituar, quando ficou confortável tomou nota dos arredores e percebeu estar deitada em seu quarto. Ela estremeceu quando tentou se sentar. Seu ombro direito sentia-se restringido e dolorido, doía para se mover. Quinn ouviu o ranger da porta abrindo. Ela caiu novamente para a cama, respirando com dificuldade.


— O que você pensa que está fazendo? — veio em tom repreensivo. Pouco depois uma cadeira foi puxada e a pessoa sentou-se ao lado de sua cama.


Quinn levantou a vista e encontrou a irmã olhando para ela, em seu rosto uma mistura estranha de preocupação e alivio, os cabelos levemente bagunçados. Quinn teve de segurar o ímpeto de sorrir, apenas Frannie poderia manter essa imagem e ainda parecer pronta para gravar um comercial de shampoo.


— Frannie... o que aconteceu? Eu não...


E então tudo voltou.


Quinn se lembrava de ter saído para uma corrida. Ela pensou em subir até o quarto para pegar um agasalho, mas viu um de Frannie jogado no corrimão da escada e decidiu tomar emprestado. Em algum momento no meio de seus exercícios ela se sentiu sendo observada, não muito depois percebeu que estava sendo seguida. Quinn amaldiçoou-se por não ter levado o celular. Ela tentou fazer o caminho de volta, mas havia um lobo parado no meio da trilha. A loira virou-se para o lado oposto e acelerou. Ela encontrou um esconderijo onde poderia manter-se pelo menos até concluir a metamorfose. Tirou a roupa e começou o processo. Assim que acabou, percebeu que eles se aproximavam. Seu esconderijo não permaneceria incógnito por muito tempo. Ela notou que um deles se afastava do restante do grupo e aproveitou para atacá-lo. Quinn tentou ser o mais silenciosa possível, mas o vento mudou levando o cheiro de sangue para o lado em que os outros estavam. Ela correu na direção contraria. Ela já estava se movendo por algum tempo, Quinn achou que havia conseguido despista-los, quando do nada veio um tiro que a acertou em cheio. Imediatamente veio o cheiro de sangue e prata em suas narinas. A dor era excruciante, ela não aguentaria continuar na forma lupina, ela precisava mudar. Felizmente voltar a forma humana é mais rápido. Quinn só queria parar e descansar. Mas outro tiro veio pegando-a de raspão. Então ela continuou correndo, até que...


— Idiota — o insulto interrompeu sua linha de pensamento.


— Uhm... o quê?


— Você. — Frannie parecia irritada — Eu não posso acreditar na sua estupidez... Sair por aí sozinha enfrentando lobos armados... Como você pode ser tão idiota? — Frannie parou um segundo buscando acalmar-se, mas percebeu algo que a irritou ainda mais, a irmã não lhe prestava atenção.


— Quinn? — chamou exasperada.


— Quinn?!


— QUINN! — o grito frustrado de Frannie evoluiu para acenos de mãos na frente do rosto da irmã.


— Frannie? — a loira enfim despertou — Por que você está agitando os braços no meu rosto como uma mulher louca?


Frannie a olhou, chocada. — Você está falando sério? Eu tenho tentado chamar sua atenção nos últimos cinco minutos.


— Tenho certeza que não foi tanto tempo.


— Será que estou atrapalhando algo importante? — a loira mais velha perguntou, sarcástica. — Porque eu posso voltar mais tarde.


Quinn discutia apenas com metade de sua atenção, ela continuava com aquela sensação de que estava esquecendo-se de algo importante.


— O Anjo! Frannie, onde está o meu anjo caído? — a loira sentou-se vertiginosamente rápido. Frannie estava de pé ao seu lado em um instante.


— Quinn, não se mova. — ordenou. Sua voz assumindo um tom autoritário inquestionável. Ela ajudou a irmã a voltar a deitar-se.


Quinn engoliu em seco, instintivamente fazendo o que lhe foi mandado. Por vezes é um saco que sua irmã mais velha seja um alfa tão dominante.


Elas ficaram em silêncio por algum tempo. Frannie assistia a irmã lutando contra a confusão que devia estar sua cabeça após passar por tantos eventos selvagens. Mas a própria Frannie buscava alguma compreensão do que estava acontecendo. A quem Quinn se referia como seu “Anjo Caído”? Será que além dos tiros a caçula havia sofrido algum dano que afetou seu cérebro? Porém ela parecia muito segura quando perguntou sobre o tal anjo.


Elas permaneceram assim, cada uma presa em seus próprios pensamentos até que um alvoroço foi ouvido vindo de fora. Quinn se levantou novamente.


— Você não vai até lá.


— O inferno se não. — a loira respondeu pondo-se de pé — Você pode vir junto ou me deixar ir sozinha, essas são suas opções.


Frannie suspirou derrotada. Ela tentou oferecer ajuda, mas Quinn a dispensou. Ela seguiu a irmã, resignada.


* * *


Quinn saiu pela porta dos fundos e sua atenção foi imediatamente presa no lobo negro cercado no meio do quintal. Os homens tentavam acertar o animal com dardos tranqüilizantes, mas ele era muito rápido em se desviar. Eles acabaram atingindo dois de seus companheiros, com isso perceberam que essa não era a melhor tática, ficaram confusos sobre o que fazer a seguir. Russel deu ordens diretas pra que não lhe causassem dano, ele queria a garota em condições para um interrogatório. Ele fora encontrar com os Alfas dos territórios vizinhos mais próximos, ver se eles tinham alguma informação e notificar o que aconteceu, ele não voltaria em algum tempo.


Havia lobos formando uma segunda linha de combate, caso o negro conseguisse passar pela primeira. Era melhor que eles não interferissem por agora ou as coisas poderiam sair de controle. Por isso eles só observavam.


Quinn ouviu Frannie lançar ordens, as quais foram prontamente obedecidas. O lobo negro buscou a pessoa de onde vinham os comandos e então, dolorosamente lento, seus olhos cruzaram com os de Quinn.


A loira parou onde estava. Ela simplesmente parou. Parou de respirar, parou de pensar, seu coração parou de bater. O tempo permaneceu estático enquanto ela ficava presa nos olhos chocolate. Até que, de repente, o inferno estourou.


Um dos homens tentou fazer o lobo negro recuar brandindo um chicote de cerdas de prata. No segundo golpe o animal prendeu o chicote no chão sob a pata direita e puxou o homem para si, depois o arremessou longe com um pancada de sua pata, ele caiu inconsciente. Quinn assistiu mordendo o lábio nervosamente.


O lobo pareceu se distrair por um segundo e os outros aproveitaram para jogar uma enorme rede de prata sobre ele. Vários homens segurando-a em pedaços de suas extremidades, as mãos protegidas por luvas. O lobo tentava se afastar da prata, mas não havia espaço pra onde ir. Quanto mais se sentia acuado, mais nervoso ficava e tentava lutar. Ganhava alguns centímetros e logo perdia. Há essa hora ele já devia estar vencido, mas continuava lutando.


Era possível ouvir o chiado da pele queimando, o cheiro de carne e pelo queimados era nauseante. Com uma parte de sua mente, Quinn podia ouvir os gritos e ordens, altos, muito altos. Mais tarde ela pensaria no que fez a seguir, agora seu anjo negro precisava dela. Ela se concentrou nele, e antes que qualquer um pudesse reagir, a loira estava no chão, deitada do outro lado da rede que prendia o animal.


Quando perceberam o que estava acontecendo, a tensão no ar tornou-se cortante. Todos assistiam a interação da caçula Fabray com o enorme lobo negro. Eles sabiam que deviam fazer alguma coisa, se a garota se machucasse toda a alcateia sofreria a ira de Russel. Mas ninguém conseguia se mover. Eles assistiram de longe, duas criaturas de espécies opostas tentando conectar-se. Havia algo fascinante sobre elas. Ver as duas interagindo era como observa uma mistura improvável. Enorme, forte e negro em contraste com a loira pequena e esguia. Eles viram com espanto como o lobo aos poucos se acalmava. Quinn sussurrava palavras doces para o animal. Em alguns minutos a prata e o efeito pacificador da loira foram suficientes para fazer o animal dar lugar a uma morena pequena completamente nua, manchas de sangue cobriam seu corpo em vários pontos.


A atmosfera de magia foi quebrada quando o primeiro homem-lobo se aproximou das duas. Os outros vieram em seguida, levantando a morena do chão, passando correntes de prata pesadas em suas mãos. Ela parecia exausta.


Quinn tentou mover-se e parar tudo, mas ela também estava cansada. A loira se levantou e cambaleou tropeçando para trás, mas antes que qualquer dano real pudesse ser feito havia braços envolvendo-a seguramente. Quinn não precisava olhar para saber que era Frannie.


— Eu preciso...


— Descansar. —interrompeu a irmã.


— Frannie, não. — Quinn assistiu como eles tratavam a morena pequena. Dizer que a loira não estava entendendo nada seria um eufemismo. Eles deviam estar lhe dedicando uma parada por ter salvado a filha do Alfa, em vez disso a prendiam e machucavam — O que está acontecendo? Por que eles estão acorrentando o meu anjo?


— Obviamente estamos diante de um grande mal entendido. Assim que você estiver mais forte nós resolveremos tudo. — Frannie assegurou.


Quinn queria protestar, mas ela se sentia tão exausta. Ela deixou a irmã leva-la para o calor de seu quarto.



Rachel


Olhos chocolates brilhantes chocavam-se nos mais belos castanho-esverdeados. Sua atenção presa em cada detalhe, os cabelos loiros levemente desgrenhados, a tez branca, os lábios carnudos e vermelhos, o ombro direito protegido por uma faixa. A loira brilhava com uma suavidade que provocou uma dor no peito de Rachel. Aqueles olhos tão familiares e ainda assim uma pessoa tão diferente.


O lobo deu um ínfimo passo em direção a beleza loira. Seu coração batia descontroladamente em sua caixa torácica. Mas, de repente, um chicote estalou no ar. Ela parou como se tivesse sido congelada. Seus olhos se estreitaram procurando a origem do som. Quando o chicote veio uma segunda vez ela o prendeu sob sua pata, o contato doía, mas não tanto quanto ter seu momento quebrado, e com certeza não tanto quanto seu próximo movimento doeria no infeliz que decidiu incomoda-la. Ela puxou o chicote e com um golpe mandou-o para o chão, nocauteado.


A garota desencadeou algo em Rachel. Curiosidade. Uma sensação de querer chegar mais perto. Saber mais. Ela se distraiu assistindo a beleza loira morder o lábio inferior, apreensiva. E depois tudo ficou confuso. Ela sentiu dor, tanta dor, por toda parte. Ela tentou achar uma fuga, mas não havia nenhuma. Em todo lugar a dor a encontrava. Ela lutou por uma saída. Uma parte dela queria apenas desistir e se render, mas ela não seria digna de seus ancestrais se fizesse isso, então ela continuou se debatendo. Até que tudo ficou diferente de novo. Por trás da nevoa de confusão, ela ouviu uma voz doce, suave. Ela deixou-se guiar por essa voz em busca de libertação. Seus movimentos ainda se sentiam restringidos, mas não tinha problema, ela não queria mais se mover de onde estava. E então seus olhos se conectaram de novo. E Rachel soube que enfim ela estava em casa, não havia mais motivos para lutar. Ela se deixou voltar à forma humana.

Notas finais
Galera, escrevi esse capítulo quando estava um pouquinho alta, por isso se estiver confuso peço desculpas. Eu até dei uma corrigida quando já estava totalmente sóbria, mas a essência dele foi feita na base do etílico rsrsrsr... Se alguma parte estiver realmente incompreensível, digam nos comentários e vou reescrever, blz?