Notas iniciais
Ei pessoal!!! Antes de vcs lerem o cap, gostaria de lembrar a vcs que a Jade se encontrou com Cobra horas depois da morte da mãe, por isso tamanho sofrimento hahahahaha O cap de hj tá meio tristinho ainda, mas acho q vcs vão gostar do momento Cobrade que eu preparei... Queria lembrar vcs de comentar, seja para dizer q estão cutindo, odiando, ou simplesmente dizer um Oi :) Boa leitura!

– Agora não, Ed! Até porque não aconteceu nada! — Jade parou de chorar e olhava séria para Edgard. Ele não tinha o direito de julgá-la. Pelo menos, não naquele momento.

– E o que você quer que eu pense ao ver você saindo, esta hora, do QG, seguida pelo Cobra, que por sinal está sem camisa?

– Ed, com todo respeito, você não tem que pensar nada. — O professor a olhou, surpreso pela resposta que ganhou. Por cima do ombro da garota, ele podia ver Cobra rindo da cara dele. Ia revidar, mas Jade foi mais rápida. — Agora eu vou para casa, tomar um banho... Mais tarde é o velório da minha mãe e eu preciso estar com uma cara aceitável.

– Eu te levo em casa. Aliás, eu estava lá até poucos minutos atrás, mas eu percebi que você não estava e vim te procurar aqui na Ribalta. Te encontrei antes.

– Ótimo, te fiz poupar alguns passos. — Virou-se para Cobra. — Depois a gente se fala, com mais calma... — O garoto concordou e a viu subir na moto do Edgard. Estava aliviado. Pelo menos agora ela sabia de toda a verdade.

***

Quando chegou em casa, Jade foi direto para o banho, deixando Ed e suas perguntas esperando na sala. Ela tinha a esperança de que todas as dúvidas que rondavam a sua cabeça entrassem pelo ralo junto com a água, mas obviamente isso não aconteceu. Arrumou-se e foi para a capela ao lado do cemitério pequeno ali perto, onde o corpo da sua mãe seria velado.

Se Jade pudesse descrever aquele dia em uma única palavra, certamente esta seria "inferno". Passou o tempo todo ao lado do caixão, com permanentes lágrimas nos olhos. Recebeu muitos cumprimentos, alguns de quem ela nem conhecia. Disseram muitos "ela está em um lugar melhor agora", "pelo menos ela descansou" e "tudo vai ficar bem". Não sabia porque, mas a dançarina achava que alguns não eram sinceros em suas palavras, pareciam estar apenas cumprindo um compromisso que os bons costumes obrigava. Na opinião dela, ao invés de falar clichês sem a mínima emoção, que ficassem em silêncio e ofertassem um abraço. Ela sentia falta disso. Ironicamente, o único do qual ela realmente esperava consolo, nem deu às caras o dia todo.

Durante o enterro não foi nada melhor. Depois que ela jogou a última rosa sobre o caixão já fechado, começaram a despejar a terra para tapar o buraco. Aos poucos, as pessoas foram se dissipando e restaram apenas Jade e Edgard. A garota precisava de um tempo para pensar, por isso pediu:

– Ed, você me dá um minutinho? Pode me esperar lá fora, na moto, eu já vou.

– Claro, querida. Te espero.

Depois que ele sumiu na sua visão, Jade sentou-se ao lado do túmulo, recostando suas costas nele. Parecendo uma maluca, começou a falar sozinha:

– É, mamãe... Você não sabe a confusão que você deixou a minha cabecinha... Você não podia me pedir uma coisa mais fácil, tipo... sei lá... adotar um cachorro de rua? Plantar mudas de árvores pela cidade? Tinha que pedir para eu me afastar do Cobra? — Involuntariamente levou a mão na nuca e arrancou alguns fios. Tentava de todas as maneiras tirar o foco da dor, mudá-la do peito para a cabeça. Seu coração estava apertado e ela procurava argumentos para se entregar de vez para o vagabundo. — Mas você também pediu que eu fosse feliz... E se o Cobra fizesse parte da minha felicidade?

– E faz? — Jade levou um susto ao ouvir a voz que ela tanto esperava escutar.

– Cobra? — Antes que ela se levantasse, ele se sentou ao seu lado.

– É. Eu pensei em vir mais cedo, mas eu achei que o Edgard podia querer cavar uma cova para mim também... Então eu resolvi esperar. — Jade sorriu da piada sem graça do garoto. — E aí, eu faço parte da tua felicidade?

– Faz. — Cobra ficou feliz, mas ela não tinha terminado. — Mas tá tudo muito confuso, Cobra. Você sabe qual foi a penúltima coisa que a minha mãe me pediu? — Cobra negou. — Foi que eu cortasse minhas relações com você. E sabe qual foi a última? — Cobra negou novamente. — Que eu pensasse com carinho sobre o que ela me disse.

– Ah, então é por isso... É que a Lucrécia conheceu só o meu lado ruim. Tô precisando falar com ela.

– Você sabe muito bem que isso é impossível.

– Por que? Você não tava falando com ela quando eu cheguei aqui? Agora é a minha vez.

Jade riu do que estava prestes a acontecer. Definitivamente, nunca tinha se imaginado numa situação daquelas. Observou quando Cobra encostou sua cabeça no túmulo, erguendo o olhar para o céu.

– E aí, Lucrécia? Tô aqui porque eu preciso ter um papo contigo. Papo sério. — Olhou para Jade e viu que ela estava se divertindo. Concentrado, ele continuou: — Olha, vou ser bem sincero, eu não queria gostar da tua filha. Não mesmo. Ah, sabe como é, muita incomodação, muita gente contra. Mas não deu certo. — Olhou novamente para a garota e percebeu que ela não sorria mais, apenas ouvia a tudo atentamente.

Ficou alguns segundos em silêncio. Parecia que ele ainda sentia medo da Lucrécia. Ainda assim, ele continuou:

– Meus sentimentos não estavam nem aí para o que eu queria. Decidiram que eu ia me apegar a ela e ponto final. Confesso: você e todo mundo tinham motivos para me querer bem longe da Jade. Eu era mesmo um marginal. Mas eu mudei... por ela. Eu ajudei a colocar o pessoal da Khan, aquela academia que só tinha bandido, sabe? Na cadeia. Agora eu tô na Academia do Gael. — Dessa nem Jade sabia.

– Sério? Que ótimo, Cobra! Por que não me contou antes?

– Ah é, me esqueci. Agora deixa eu continuar a minha conversa aqui, porque ela tá muito produtiva. — Jade riu e ele deu continuidade no diálogo. — Mas acontece que você tá perturbando a cabecinha da minha dama. Custava muito dar uma benção aí de cima mesmo? — Esperou alguns segundo. Nada aconteceu, mesmo assim, ele retrucou como se tivesse recebido uma resposta negativa. — Eu entendo... Mas olha para mim. Eu poderia ficar com a garota que eu quisesse, porque você sabe... eu sou irresistível! — Jade gargalhou da falta de modéstia do rapaz. — Mas eu tô aqui, num cemitério, encostado em um túmulo, falando com alguém que provavelmente nunca vai me responder, só pra tentar arrancar um sorriso da tua filha.

Ele se virou para Jade. Acariciou o rosto da bailarina antes de confessar:

– E eu tô fazendo tudo isso, Jade, porque eu... eu tô apaixonado por você.

Jade gelou. Era a primeira vez que ele lhe dizia isso. Seu coração acelerou e ela sentiu a pele ruborizar. Claramente ele esperava uma resposta, porém a garota não conseguia falar. Levou as mão no rosto do rapaz, passando-as pela sua barba. Cobra fechou os olhos, na tentativa de apreciar cada segundo daquele toque da melhor maneira. Quando menos esperava, foi surpreendido por um beijo.

Ele não sabia muito bem o que pensar, só sabia que estava gostando. Terminaram o beijo e o lutador ficou olhando para ela. Após alguns intermináveis segundo, tomou coragem e arriscou:

– E é por estar assim que eu queria te perguntar se... Tipo... Você quer... namorar comigo?

***

– É isso mesmo, Mestre! Tá confirmado! — Esperou algum tempo e reafirmou: — Tenho certeza! Eu acabei de ver os dois se beijando. — Ele parecia estar recebendo instruções, pois balançava a cabeça para cima e para baixo. — Pode deixar comigo! — Dizendo isso, Thawik desligou o celular e falou para si: — Esse dois vão me pagar! Ninguém me faz de bobo assim e sai ileso!

Notas finais
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