Notas iniciais
Oii, pessoas!! (Ainda há pessoas aí, certo?) Espero que aproveitem o capítulo e nos vemos nas notas finais!

De volta a sala de espera, Jade estava completamente atordoada. Chegou em silêncio, sentou-se em um dos sofás e apenas fechou os olhos para iniciar sua prece, depois de ouvir ao longe o médico dizer a Cobra que talvez a menina não passasse daquela noite.

***

A noite veio feroz. Uma tempestade se aproximou rapidamente do céu de Las Vegas e a chuva ornamentada de relâmpagos caia forte quando Cobra desabou no sofá, exausto, carregando consigo dois cafés. Jade permanecia ali, quieta, desde que saiu da visita da Alice.

Cobra suspirou antes de enlaçar a morena com um braço, aconchegando ela contra seu peito, e entregar a ela um dos cafés. Ela apenas se deixou ser levada, sem expressar muita força de vontade.

– Você tá tão quieta... – Ele tentou, sem sucesso. – Ah vamos, Jade! Ergue essa cabeça, não fica assim. Me dói tanto ver você desse jeito, minha dama... Me desmonta inteiro.

– Eu... – Jade começou, mas deteve-se ao encarar o rosto do lutador. Os olhos negros estavam tristes, as olheiras demonstravam o cansaço de quem não dormia direito a um bom tempo. Ele estava mais magro, não? A barba também estava um pouco maior. Jade chegou a conclusão que poucas vezes havia visto o seu vagabundo tão fraco. – Eu quero muito ficar bem, Cobra, mas... Eu não consigo.

A morena travou. Estava cansada de chorar. Acabou por aninhar-se novamente contra o corpo do Cobra, procurando a calma que só encontrava ali.

– Fica tranquila, Jade. – Aconselhou o lutador, tentando convencer também a si mesmo daquilo, enquanto fazia um cafuné na sua dama. – Vai acontecer o melhor pra ela.

– Você também tá tenso, né? A tua voz tá nervosa... – Disse ela, não podendo evitar de sorrir tristemente. – Quem diria que Ricardo Cobreloa se renderia aos encantos de uma criança, não é?

– É... – Ele também sorriu, nervoso. Antes de ter que abrir ainda mais seus sentimentos, tratou de mudar de assunto. – Olha, Jade! São mais de três horas e você ainda não dormiu nada. Deita aqui nesse sofá e tenta descansar um pouco, minha dama.

– Mas e se acontecer alguma coisa?

– Se acontecer alguma coisa eu te acordo, fica tranquila. – Afirmou ele, arrumando as almofadas confortavelmente.

– E você? – Perguntou ela, preocupada. – Não vai dormir? Você tá exausto também, vagabundo, eu tô vendo.

– Não se preocupa, Jade, eu tô legal. – Ele forçou um sorriso enquanto a noiva deitava no sofá. Antes de dar um beijinho na testa da morena, Cobra pediu: — Tenta descansar, tá?

Ela bem que tentou. Meia hora após pegar no sono, Jade se acordou assustada com a correria dentro da recepção. Toda a equipe médica corria apressada, trocando informações rapidamente sobre o quadro de uma paciente. Eram tantas frases cruzadas que Jade não conseguia acompanhar. Ver aqueles profissionais, tão bem treinados para conviver com situações entre a vida e a morte, beirando o nervosismo deixou a morena apavorada. Procurou pelo Cobra e foi encontra-lo no balcão da recepção, buscando respostas.

Jade perdeu todas as esperanças ao ver o quarto no qual a equipe entrava.

***

A morena só lembrava de tudo ficando preto. Foi acordar novamente quando estava em uma maca do pronto socorro.

– A sua pressão baixou rapidamente, senhorita. Como se sente agora? – Perguntou uma moça muito simpática, vestida de branco.

– Um pouco tonta, mas nada insuportável. Cadê o Cobra? – Perguntou ela, olhando ao redor. Aos poucos, os fatos começavam a se juntar em sua mente e ela sentia o coração apertar. – Cadê a Alice? CADÊ A ALICE?!

Nesse momento, Cobra entrou apressado na enfermaria, acompanhado do médico da Alice. O senhor parecia cansado, mas a expressão não adiantava nenhuma notícia.

– Você me deu um susto, garota! – Disse o lutador, ao chegar ao lado da maca da noiva. – Tava vindo pra cá quando encontrei o médico da Alice e já trouxe ele junto, pra nos atualizar. – Cobra despejava as informações tentando parecer calmo, mas a voz vacilava. – Jade, você precisa me prometer que vai ser forte, certo?

– Cobra, não tenho condições de prometer porcaria nenhuma... – Respondeu ela, com sinceridade. — E aí, doutor? O que houve com a Alice? O que foi toda aquela equipe entrando no quarto dela?

O médico demorou um certo tempo assimilando todas aquelas perguntas. Tempo esse que durou uma eternidade para o casal.

– Bom, vocês sabem... O quadro da Alice era um caso extremamente complicado e... – Começou ele, sendo interrompido por Jade.

– Ela... – Disse a morena, com lágrimas nos olhos e coração apertado. Isso não pode estar acontecendo!, pensava ela, enquanto segurava ainda mais firme na mão de Cobra. – Ela morreu?

Jade nem esperou a resposta e se entregou ao choro, nervosa demais para prosseguir com a conversa. Cobra tentou acalmá-la, ao mesmo tempo que apressava o médico:

– Então, doutor? O que houve?

– Eu gostaria de terminar. – Disse ele, sério. – O caso da Alice era extremamente complicado e essa noite a tuberculose acabou causando uma doença chamada de pericardite, que nada mais é do que a inflamação do pericárdio. Essa inflamação resultou em um ataque cardíaco, que por sua vez ocasionou na mobilização da nossa equipe médica em pró da vida da pequena Alice.

– Doutor, vai direto ao ponto, pelo amor de Deus! – Reclamou Cobra, sem paciência. – O que aconteceu??

– Nós tivemos um trabalho muito difícil, meus caros. O quadro era completamente desfavorável e até agora não sei dizer o que aconteceu ao certo, tamanha era meu nervosismo. Afinal, era uma vida. A vida de uma criança com um futuro inteiro pela frente. – Ele pausou, buscando se lembrar de algo. – Mas enfim, acabou.

– Acabou? – Refletiu Jade, aos prantos. – Acabou o que?

– O sofrimento. – Ele os olhou. – Nossos procedimentos desencadearam em um processo cirúrgico para a retirada do líquido do pericárdio. Felizmente, foram um sucesso e a nossa pequena está salva. Com a inflamação controlada, certamente os antibióticos atuarão com maior eficácia. – Ele sorriu, sincero. – Dentro da medicina tudo pode mudar a qualquer instante, mas posso lhes afirmar que o esperado daqui pra frente é promissor.

Jade ergueu a cabeça, incrédula. Olhou para o Cobra e percebeu que ele estava do mesmo jeito. Com a voz falha, ela quis ter certeza:

– Ela... Ela tá viva?

– Viva, com uma frequência cardíaca boa para quem acabou de sair do bloco cirúrgico, respiração aceitável. Uma paciente em progresso de cura. – Ele afirmou, satisfeito.

– E a gente pode ir ver ela, doutor? – Indagou Cobra, radiante.

– No momento, não. Por motivos simples: ela ainda está anestesiada e descansando, precisamos evitar possíveis infecções com o contado com outras pessoas, além do fato da moça aí ainda estar se recuperando de um desmaio, certo?

Os três sorriram, extasiados. Tão logo o médico saiu da enfermaria e Jade já foi levantando da cama e agradecendo as mulheres de jaleco.

– Moças, eu já estou muito bem! Obrigada pelo cuidado e pela preocupação de vocês, mas agora eu tô tão feliz que a minha vontade é de sair dançando por esse hospital!

– Ah Jade, não faz isso comigo, não! – Interferiu Cobra, em português para que as enfermeiras ao redor não entendessem. – Se você dançar aqui vai me deixar em uma situação difícil! – Concluiu ele, com um sorriso malicioso no rosto.

Jade gargalhou, pegando na mão do noivo e saindo em direção a recepção. Chegando lá, sentaram-se no sofá, encostando a cabeça encosto e olhando para o teto, radiantes.

– Eu não sei nem o que dizer. – Concluiu Jade, com o sorriso enorme estampando o rosto. – Isso é incrível!

– Eu não sei o que dizer, mas sei o que a gente tem que fazer... – Disse o lutador, deixando o mistério no ar. Abriu a boca e fechou sem dizer nada, deixando Jade ainda mais curiosa.

– Fala logo, Cobra! Quer me matar de ansiedade?

– Nós temos que dar início ao processo de adoção, não é?

Jade deu um pulo do sofá, sem acreditar no que tinha ouvido. Cobra a seguiu, certo da decisão de que tinha tomado.

– Deixa... – A morena levou a mão a cabeça, confusa. – Cobra, você quer adotar a Alice?

– Minha dama, tudo isso que aconteceu me deu uma certeza: eu sou o pai da Alice. – Ele afirmou. – O que eu sinto por vocês é tão puro e tão grande que eu nem sei explicar. É com vocês que eu quero seguir a minha vida, mesmo que ela seja apenas quatorze ou quinze anos mais nova que eu, mesmo que eu não passe de um garoto. Eu quero aprender com vocês, minha dama.

Jade correu e abraçou forte o noivo, sem saber como agir. Era perfeito! Sua vida, depois de muito tempo, parecia estar entrando nos trilhos novamente.

– Obrigada, vagabundo... – Ela disse, se afastando do abraço e olhando nos olhos do Cobra. – Obrigada por me fazer a mulher mais feliz desse mundo!

– Jade Gardel, é você mesmo? – Ele riu.

– Saiba que o insensível entre nós sempre foi você, Ricardo Cobreloa! – Ela revidou, rindo também. – E bem dizem que o amor deixa a gente meio bobo, né?

– Com certeza, minha dama... – Ele concordou. – Mas eu sou o bobo mais feliz do mundo!

Eles riram e resolveram sair para dar uma volta pelo jardim do hospital, onde poderiam conversar mais a vontade.

– A gente vai construir uma família... – Relembrou Jade. – Isso não é incrível?

– Você é incrível. O bem que você me faz é incrível. Isso me faz pensar que a nossa família vai ser incrível também. — Ele disse, baixinho. – Com certeza vai ter muitos defeitos, mas vai ser incrível.

Sem motivo algum que a razão entenda, aquelas palavras fizeram o coração da morena se incendiar de tal alegria que ela esqueceu que estavam em público e puxou o noivo para um beijo apaixonado. Beijo esse que marcava o novo início de suas vidas.

Notas finais
Pessoal, inicialmente queria pedir desculpas. Sério mesmo. Mas tenho uma justificativa: eu não sabia o que escrever. Chegou um determinado ponto na história que eu fiquei extremamente confusa e insegura, mas foram os reviews de vocês que me deram uma luz. Por isso, muito obrigada a cada um de vocês que reserva um minutinho depois da leitura para me deixar um recadinho! VOCÊS, LEITORES, SÃO T-U-D-O NESSA FIC! É por vocês que ela ainda existe. Estou roxa de saudade de conversar com vocês, então comentem, por favooor! Beijinhoooos!