Notas iniciais
Oi gente!! Comentem! =D Boa leitura!

– O que é isso? Você tá usando doping, Cobra?

– Eu posso explicar! — Começou o lutador.

– Ah, então me explique! Me explique como você consegue ser tão auto-destrutivo a ponto de querer acabar com a tua carreira! — Gritou Jade.

– Eu não vou acabar com nada! — Cobra também se alterou. — O cara que me ofereceu disse que esse tipo não é pego no exame anti-doping e...

– Ele te disse que doping não é pego no exame anti-doping? E você acreditou? E pior: tá querendo me fazer acreditar também? Sério, Cobra, quantos anos você tem?

– Você não entende... Se eu não ganhasse músculos, eu não ia lutar nesse próximo campeonato! — Cobra baixou um pouco a voz, com medo que a Karina ouvisse. Se ela descobrisse dos anabolizantes, aí sim, seria um belo problema.

– Pois que treinasse mais! Fizesse por merecer! Ou então não lutasse! A Karina, por exemplo, não vai lutar nesse maldito campeonato... Mas pelo menos ela terá outros pra lutar! Diferente de você, que tá cavando a própria cova! — Desabafou Jade. — Essa tua cegueira por vitórias tá acabando contigo, Cobra! Como você não se dá de conta disso?

– O cara que me deu os anabolizantes disse que usa há dois anos e nunca foi pego! — Argumentou o lutador.

– Porque ele queria te fazer acreditar nisso, aí você ia usar e ia ser pego no exame, acabando, assim, com a tua carreira e com a concorrência dele. Cobra, parece até que eu entendo mais de competitividade esportiva do que você! Ele quer te ver derrotado... Por você mesmo!

– Não é verdade! Ele é meu amigo! — Revidou Cobra, um pouco desacreditado nas suas palavras. Para falar a verdade, nunca mais tinha trocado uma palavra com Benjamim.

– Você realmente acredita nisso? Cobra, você acha que isso aqui vai te trazer alguma coisa boa? — O lutador ficou em silêncio. — Você vai ter que fazer uma escolha: ou essa porcaria que tá acabando contigo... Ou eu. E aí? Qual vai ser?

Cobra gelou. Não! Isso não pode tá acontecendo!. Ele sentiu o nó apertar na garganta. Jade repetiu, com uma lágrima correndo pelo seu rosto e com a voz embargada:

– Cobra, ou os anabolizantes, ou eu? Responde!

Ele não conseguiu dizer o que a bailarina queria. O lutador apenas a olhou, suplicante por perdão. Mas ela estava magoada demais para pensar nisso.

– Ótimo. — Ela deixou que mais lágrimas rolassem. — Você fez a sua escolha.

Então, ela seguiu para o quarto e começou a fazer sua mala. Cobra a seguiu, desesperado.

– Jade, por favor, tenta me entender! Esse é o meu sonho e eu tô tão perto de realizar... Por favor, não vai embora!

A dançarina não disse uma palavra. Apenas deixou que seu choro lavasse seu rosto. Ela estava se sentindo... pequena. Como se o sentimento do Cobra por ela fosse menor que a sua sede por vitórias. Ficou pior ainda quando se deu de conta, que se estivesse usando alguma coisa ilícita e Cobra pedisse para que ela parasse, jamais tocaria naquilo novamente. Agora, com os papéis trocados, viu perfeitamente que tinha sido uma bela idiota ao acreditar que poderia mudar o garoto. Cobra tinha suas prioridades e, pelo que podia ser visto, Jade não era uma delas.

– Você não precisa ir embora... — Tentou o lutador.

– Sinceramente? Eu preciso sim. Prefiro não ficar aqui, assistindo você se destruir. — Jade enxugou as lágrimas.

– Posso, pelo menos, saber pra onde você vai? — Perguntou Cobra, já destruído e com os olhos marejados.

– Eu não sei... Talvez pra casa de algum amigo. — Cobra não acreditou. — Pra algum lugar que levem os meus conselhos à sério.

– Isso só é uma desculpa, né? Você já queria ir correndo pros braços daquele bailarino! — Gritou Cobra, irritado.

– Eu não acredito que tô ouvindo isso! — Jade se recuperou do susto e concluiu. — Ainda bem que eu não te devo mais satisfações! Eu sou livre pra fazer o que eu bem entender e espero que você se sinta assim também.

Então ela foi embora. Mas levou consigo um pedaço do lutador.

***

Enquanto isso, no quarto ao lado, Karina conversava animadamente com Pedro pelo computador. Eles ouviram alguns gritos e Pedro comentou:

– Esquentadinha, eu acho que o Cobra e a Jade tão brigando...

Relaxa! É sempre assim! Eles brigam vinte horas por dia, aí nas outras quatro ficam se agarrando! — Pedro riu da sinceridade da namorada. — É verdade! Nunca vi tanto fogo!

E você?

– Eu o que?

– Sente vontade que eu tivesse aí... Te agarrando vinte horas?

– Pedro! — Karina corou. — Se eu tivesse aí, juro que te dava uma voadora!

Bendita distância! — Eles riram. — Mas é verdade... Eu sinto sua falta.

– Eu também, Pê... Mas eu preciso dis...

Ouviram o barulho da porta batendo com força. Pedro deu um pulo do outro lado da tela.

Ka... Se eles já não tão se agarrando... Eu acho que deu ruim!

Pelo som, um vidro tinha se quebrado.

– Ai meu Deus, Pê! Eu acho que eu vou ali, antes que eles destruam o apartamento!

Vai lá, esquentadinha! Mas volta inteira, viu? Que as forças do univer... Esquentadinha?

Karina já estava longe. Quando chegou na sala, encontrou com o Cobra transtornado. Ele dava murros na parede tão descontroladamente que nem percebeu que a lutadora tinha chegado.

– Cobra! O que é isso? Para! O que aconteceu?!

Aos poucos, Cobra foi se acalmando. Ele estava todo suado e sua respiração estava ofegante. Se jogou no sofá e resumiu:

– Ela foi embora.

– O que? Quem?

– Quem, Karina? Por quem você acha que eu ficaria desse jeito?

– Jade. — A lutadora parou por alguns instantes, tentando entender. — Mas o que você fez, Cobra?

– Eu escolhi viver o meu sonho. — Cobra deixou de fora a parte dos anabolizantes.

– Mas a Jade sempre te apoiou... Não faz sentido! Ela só quer o teu bem, a tua felicidade... O que você fez, Cobra?

– Nada, caramba! Me deixa em paz! Volta pro teu namoro de contos de fadas e me deixa no meu pesadelo! Vai! — Karina se assustou com as palavras do rapaz e voltou para o quarto.

Cobra também foi para o seu e viu que Jade ainda deixara algumas peças para trás. Ele estava acabado. Ligou o computador para ver se relaxava e encontrou a homenagem que tinha feito e percebeu como gostava da bailarina. Nunca tinha sequer dado uma flor roubada para qualquer outra garota em sua vida e agora, para ela, tinha perdido horas e horas editando aquele vídeo. Viu que o seu ego estava terminando com tudo, mas ainda era vaidoso demais para admitir.

***

Jade não sabia para onde estava indo. Certamente, não era para a casa do John, como tinha insinuado, porque ele poderia entender como uma chance e então ele estaria errado.

Ela ainda era perdidamente apaixonada pelo Cobra. E Cobra ainda era perdidamente apaixonado pelas vitórias à qualquer custo.

Enquanto andava, olhou para cima e encontrou um dos outdoors do garoto.

Ricardo Snake Cobreloa.

A foto era do ensaio com a Carla. Jade lembrou-se daquele dia e do ciúmes que havia sentido. Sorriu ao lembrar do que Cobra tinha dito: "Eu tenho um certo fraco por bailarinas." Ela se sentiu amada como nunca.

Se pensasse por mais alguns minutos, o choro recomeçaria, então ela entrou em um hotel barato que encontrou pelo caminho. Quando já estava acomodada em seu quarto, ligou o computador para responder alguns e-mails do trabalho. Porém , encontrou um novo e-mail do Cobra, com o título de: "Feliz aniversário :("

O corpo do texto era o seguinte:

"Sei que não era bem isso que você queria no seu aniversário. Acredite, eu também não. Porém, ainda assim, é seu aniversário e eu te fiz essa homenagem. Espero que goste. Com amor, vagabundo."

E Jade abriu o anexo. A primeira coisa que apareceu foi um "Bianca" em letras garrafais na tela. Segundos depois, um vídeo com um depoimento da garota sobre a Jade:

"Sabe, a Jade nunca foi santa. Principalmente comigo. Essa garota me infernizou durante muito tempo. Criava intriga, sabotava, provocava ciúmes... Mas ainda assim, Jade, eu preciso te agradecer. Se não fosse por você, eu não teria tanta certeza de que eu fiz a escolha certa ao ficar com o Duca. Se não fosse todas as vezes que você fez com que ele sentisse ciúmes de mim, fazendo com que a gente brigasse e consequentemente, fizesse as pazes, eu sinceramente não sei se estaria com o amor da minha vida agora. Espero que você seja feliz. Tá cuidando da minha maninha, né? Um beijo!"

Aquele depoimento ficaria na história. Quem diria que algum dia, a Bianca falaria aquilo da maior rival?

Alguns segundos depois, "Lírio"surgiu na tela.

"E aí, gata? Queria que você soubesse que o banco do carona no meu carro ainda tá te esperando, tá? — Ele tirou a camisa. Tava demorando, pensou Jade, sorrindo. — Não foi muito poético, mas esse foi o recado do Lírio Lorenzzo, com dois "z". Um beijo, gata!

Era a vez da "Joaquina". Ela estava vestida de preto e forçava um choro, dramática.

"Jade, você não tem noção do que virou a minha vida desde que você partiu! A Ribalta não é a mesma sem seus comentários ácidos, as aulas de dança ficaram um saco maior ainda, porque você não tá lá pra corrigir a professora quando ela erra. Eu dia-a-dia perdeu a cor, perdeu o brilho... Eu não sei como te deixei sair da minha vida! Jade, eu te amo!"

A bailarina percebeu o quanto estava com saudade daquela maluca. A Joaquina era uma boa pessoa, mas não era compreendida pela maioria das pessoas. Jade não duvidava que a sua vida realmente tivesse se transformado naquilo. Era a vez da "Dandara" surgir na tela.

"Oi, minha querida! Eu acompanhei de perto toda a sua saga em busca do reconhecimento e sei o quanto você se esforçou para chegar onde está agora. E é por isso que eu te desejo toda a felicidade do mundo, uma carreira brilhante e uma vida em paz ao lado do Cobra. Você pode ter um gênio difícil, mas é uma pessoa especial e merece muito ser feliz. Saudades! Um beijo, querida!"

Jade sorriu. Era bom se sentir especial. Antes que pudesse pensar mais alguma coisa, "Edgard" apareceu na tela do computador.

"Honey! Eu sinto tanta a sua falta! Sabe Jade, quando você me pediu para viajar com o Cobra, a minha primeira reação foi negar, lembra? Isso era só porque eu queria te proteger. Você é uma filha pra mim e eu tinha prometido pra a Lu que cuidaria de você. Mas agora, vendo como você está bem... Vejo que acertei. Você irradia luz, minha pequena. E eu tenho certeza, que onde quer que a Lucrécia esteja, ela está tão orgulhosa quanto eu estou. Eu te amo, Jade. E quero que sinto falta de puxar a sua orelha. Milhões de beijos, querida!"

– Também sinto sua falta, Ed! — Jade deixou que uma lágrima descesse sobre a sua bochecha. Você se esforçou, Cobra!

O depoimento da vez era o da Karina.

"Jade, eu sempre ouvi o pior de você. Diziam que você era invejosa, má, sem escrúpulos. Nunca me disseram que você seria capaz de ceder a sua casa pra uma menina traída e sem rumo. Nunca me disseram que você seria capaz de consolar essa mesma menina quando ela se sentisse sozinha. Nunca disseram que você era capaz de ter uma amizade verdadeira. Mas então, você cedeu sua casa e consolou a menina. Por alguma razão que eu desconheço, você prefere que as pessoas tenham medo de você. Porém, pra tua total tristeza, eu não tenho. Porque a tal menina sou eu e eu já tive a oportunidade de te conhecer de verdade. Seria legal se mais pessoas te conhecessem como eu conheço. Peço desculpas pelo que eu fiz e espero que você me perdoe. A sua amizade é importante pra mim. Espero que você entenda. Um abraço!"

Ah, lutadora! Você não existe! — Exclamou Jade, sorrindo. Por alguns instantes, ela esqueceu que estava na fossa.

Então, o momento que a garota tanto temia chegou. A palavra "Vagabundo" surgiu diante seus olhos e o coração da bailarina apertou. Ele parecia nervoso, mesmo assim, começou seu discurso.

"Oi, minha dama! Queria que você soubesse que... Quando você tá comigo, é sempre a melhor parte do meu dia. E quando você não tá do meu lado, eu penso em você. Acho que é isso que acontece quando a gente gosta de alguém. E eu queria que você soubesse também que eu sou capaz de sentir o seu perfume assim que eu entro pelo porta do apartamento. E quando você sorri... É como se eu ficasse hipnotizado. A cada lágrima que desce o seu rosto, é como descesse também um pouco de mim, principalmente quando eu sei que o motivo sou eu. Se eu conheço bem nós dois, neste momento nós já saímos para jantar e também já dançamos um pouco. Sim, você conseguiu me fazer dançar de novo, garota! E agora, você tá com a cabeça sobre o meu peito e nós estamos na nossa cama, assistindo a esse vídeo no notebook. Provavelmente, você já deve ter derramado uma ou duas lágrimas, molhando a minha camiseta. E eu certamente estou com uma vontade incontrolável de te beijar, como sempre acontece quando você tá comigo. Então, pra finalizar, eu queria que você soubesse que eu pretendo te desejar muitas outras vezes "Feliz aniversário!", porque isso significaria que eu vou estar contigo por muitos anos ainda. E é isso que eu quero. Antes que a tal vontade de te beijar me enlouqueça, eu vou encerrar essa sequencia de depoimentos. Espero que você tenha gostado. Um beijo, que provavelmente já estou te dando..."

Jade chorava descontrolavelmente. Seu peito doía como se tivessem tirado uma parte do mesmo. Eu não entendo! Quer passar anos ao meu lado e me troca por meia dúzia de comprimidos!

Passou pela sua cabeça a ideia de que talvez ela estivesse errada, mas essa ideia logo foi embora e Jade desligou o computador. Precisava dar um jeito de se acalmar e dormir. Sabia que o amanhã ia ser longo. Mas não tinha ideia do quanto.

***

Já estava no fim do ensaio quando Jade recebeu uma mensagem:

"De: Karina

Para: Jade

Jade, eu preciso falar com você. Onde eu te encontro?"

A bailarina ficou com medo que fosse o Cobra usando o celular da Karina, mas mesmo assim mandou a mensagem de volta com o endereço do hotel e o horário que estaria em casa. Assim foi feito.

Na hora marcada, Karina surgiu na porta do seu quarto com uma mochila na mão. Jade automaticamente puxou a lutadora para um abraço.

– Nossa, Jade! Eu não sabia que a tua saudade tava tão grande! — Brincou Karina.

– Nem imagina o quanto! — Sorriu Jade. — Mas o que houve?

– Eu tô aqui pra entregar o resto das tuas roupas... Mas eu realmente não queria te entregar. Volta pro apartamento, vai! O Cobra precisa de você!

– E eu lá tenho cara de babá de marginal? — Jade perguntou, séria.

– Não fala assim! Você sabe que ele não é nenhum marginal. E é sério. Sem você ele fica completamente perdido. Por ex...

O celular da bailarina tocou. Número desconhecido. Resolveu não atender e pediu que a Karina continuasse.

– Por exemplo, hoje ele não foi treinar. Eu tenho até med... — O celular tocou de novo.

– Me dá um minuto. — Pediu Jade, já irritada.

Na medida que ela conversava com a pessoa do outro lado da linha, seu rosto ia perdendo a cor. Seus olhos lagrimejavam quando ela voltou a falar com a Karina.

– Você precisa vir comigo... O Cobra... Ele sofreu um acidente.

Notas finais
Tô meio sem tempo de revisar agora, então desculpem os erros... Comentem!!