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2 Parte 2 - Sobre como Arya passou a odiar cartolas
Sobre monstros que surgem do nada
Por um momento nada mais fez sentido – como se já não fizesse desde o início – e senti o sangue congelar nas minhas veias. Pouco a pouco, uma criatura que só posso definir como meso humana, meso animal, começou a emergir do chão. E o que veio depois não demorou nem um minuto.
O homem de cartola tirou uma barra minúscula de dentro do sobretudo, que logo tomou a forma de um bastão de mais de um metro, com detalhes iluminados gravados e pulsantes, como se tivessem vida. Em movimentos sobre-humanos, ele saltou sobre a fera, que começou a correr na minha direção.
Não parecia ser difícil, os golpes do bastão não só doíam, como rasgavam a pele da criatura que aos poucos se aproximava. Eu decidi. Eu tinha que sair daquele lugar e principalmente daquela loucura. Aproveitei que o homem de cartola estava ocupado matando um monstro e comecei a correr. Dessa vez as minhas pernas doíam mais do que esperava.
Sobre como Arya passou a odiar cartolas
Senti minhas pernas virarem gelatina e simplesmente desabei. Não sabia se estava perto ou longe, se podia ou não morrer, mas não cobre de uma garota de 16 anos que acabou de ser perseguida.
Estava no meio da rua. Deitei no asfalto olhando na direção do sol e desejando que aquele sonho maluco acabasse. Em vez disso eu ganhei um belo ataque cardíaco quando um tipo de mão viscosa agarrou meu pescoço e me ergueu do chão.
Era uma daquelas criaturas, porém bem maior do que a outra. Sentia o ar escapar dos meus pulmões, e aos poucos eu me contorcia tentando respirar. Eu não posso morrer, não agora.
– Nuage foncé!
Do nada, o homem de cartola surgiu no ar, girando o bastão com uma velocidade incrível. Aos poucos uma nuvem negra cobriu toda minha visão e senti o ar fluindo no meu corpo aos poucos. Estava livre.
– Se abaixe! – Ouvi a voz abafada do homem gritando e obedeci na mesma hora.
Me encolhi, apertando o corpo contra os joelhos enquanto a nuvem negra se tornava mais densa a cada minuto. Os gritos da criatura eram estridentes. Apertei os olhos e comecei a me concentrar apenas no tempo.
Um. Dois. Três. Não posso deixar o desespero me tomar. Quatro. Cinco. Os gritos se tornaram mais altos. Seis. Sete. Oito. Nove. Dez. Silêncio total.
Senti uma leve brisa que balançava meus cabelos e pela primeira vez me sentia leve. Abri os olhos e olhei em volta. Nada. Nada de monstros, nada de homem de cartola e nem de nuvens negras. Só pessoas caminhando em mais um dia ocupado.
– Hey! Garota! – Os gritos de um taxista estressado me tiraram dos meus pensamentos.
Olhei para ele, é claro que ele iria gritar comigo, considerando que estava no meio de uma das ruas mais movimentadas de Gaterpillar. Senti uma mão me puxar para fora da rua e do meu transe ao mesmo tempo.
– Devia ter mais cuidado por onde anda! – Um sorriso conhecido se abriu para mim – Dizem que é perigoso... – Ele piscou.
Antes que pudesse responder, comecei a ser arrastada para algum lugar. Foi então que percebi o quanto odiava cartolas.
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