Welcome, Fred II

1 Capítulo único


Notas iniciais
Feliz aniversário, Gred e Feorge! Sinto muito pelo presente ser um só e nem ser tão feliz assim. Amo vocês e a intenção é a que conta, né? Ah, e bem-vindo, Fred Weasley II ♥

Fred Weasley tinha o costume de vigiar os vivos. Era doloroso e Lily Potter havia recomendado não o fazer, então ele tentava, realmente tentava, mas falhava na maioria das vezes. Haviam datas, por exemplo, que isso era impossível de sequer ser cogitado, como no dia do casamento de seus irmãos.

Ou em todo primeiro de abril.

Fred não conseguia pensar em passar seu aniversário longe de George, o que era mais do que podia se dizer do começo em que Fred se recusava a deixar George sozinho em praticamente todo e qualquer dia. Agora ele ao menos tentava deixar para as datas importantes. Os primeiros aniversários foram muito mais dolorosos do que agora, ele tinha que confessar. Faziam sete anos de sua morte e desde então George se recusava a comemorar. Nos primeiros anos antes de Angelina, George não via nem sequer a família. Apenas se isolava dentro da própria mente e Fred sentia que poderia morrer – se, é claro, já não estivesse morto. Era uma pena que George nunca tenha conseguido senti-lo ali, mas Fred nunca o havia deixado sozinho. Nunca mesmo. Havia visto a loja que fora seu sonho fechada por um longo ano até a família finalmente intervir, havia visto quando George pintara o cabelo porque sentiu ser doloroso demais ver o reflexo do irmão em todas as coisas ou quando mandou retirar todos os espelhos, Fred havia presenciado tudo. E havia desejado que George o sentisse ali de alguma forma todas as vezes.

Após um tempo George melhorou. Quando reabriu a loja e pôde pensar em outra coisa que não na própria dor. O problema sempre esteve no aniversário dos dois, no entanto. Era como se aquele fosse o dia dele. O único dia em que ninguém poderia reclamar de sua tristeza ou luto, porque ninguém sabia como era perder a outra metade que dava sentido àquela data, mesmo que ela também fosse sua.

Mas depois de Angelina tudo mudou. Fred nunca se sentira tão grato por uma pessoa existir antes quanto se sentia por Angelina Johnson-Weasley. George ainda se recusava a ter comemorações, o que Fred odiava porque George sempre havia sido uma pessoa de aniversários muito mais do que ele mesmo, mas o irmão também não já não ficava mais trancado em casa, totalmente sozinho evitando que as pessoas sequer o parabenizassem.

Tudo estava prestes a mudar e foi por isso que especialmente naquele ano, Fred não se sentiu triste ou chateado por não estar fisicamente presente – nem sequer sentiu aquela sensação ruim no estômago que era rápida, mas comum, sempre que via George envelhecer mais e mais e se dava conta de que os dois já não eram tão parecidos assim, não quando Fred havia congelado para sempre em seus vinte anos.

Não, não naquele dia.

Por que naquele dia o filho de George estava nascendo e aquilo sim era tudo que importava.

Fred se divertiu, sentado, enquanto ouvia Angelina reclamar de um incômodo muito chato na barriga que não tinha explicação, mas não deveria ser nada porque o bebê só nasceria na próxima semana. Talvez fosse um super poder que você adquiria na pós vida: saber quando um bebê vai nascer. Por isso Fred não ficou nem um pouco surpreso quando a bolsa de Angelina estourou um pouco mais tarde naquele dia, fazendo George correr de um lado para o outro como se a mulher já não tivesse uma mala pronta há semanas no canto do quarto.

Angelina entrou no quarto enquanto George mandava uma coruja apressada par'A Toca avisando o que estava prestes a acontecer naquela tarde.

Fred ficou na sala de espera mesmo após George entrar no quarto. Estava ali para acompanhar o nascimento do sobrinho, é claro, mas ver o nascimento parecia um pouco demais.

Uma enfermeira olhou torto quando sua família começou a chegar, lotando o corredor de espera do quarto onde o casal estava. Ginny retribuiu o olhar na mesma hora, o que fez Fred rir e se aproximar. Ginny já era naturalmente brava, mas a Ginny Grávida? Fred quase conseguia agradecer por não estar por perto.

— Será que ela já entrou em trabalho de parto? – perguntou Hermione.

— Espero que sim. Onde já se viu fazer isso na hora do almoço? Estou morrendo de fome – suspirou Rony.

— Meu Deus, Ronald, é o seu sobrinho que está nascendo— resmungou Fred passando entre a família. – Espero que alguém conte sobre seu comentário e você não seja o padrinho.

— Odiei essa coisa de surpresa – comentou Ginny, acariciando a própria barriga. – Queria saber se vai ser uma menina ou menino para comprar presentes! Eu descobri sobre James Sirius no segundo mês...

— Isso não te impediu de comprar o uniforme das Holyhead Harpies de qualquer maneira – retrucou Harry ao lado dela.

— Harpies?! – exclamou Rony. – Até parece que George vai colocar isso no filho!

— Ele só está dizendo isso porque comprou uma roupa de bebê do time que ele torce – Hermione revirou os olhos.

— George ia preferir doar a criança antes de colocá-la vestida em uma roupa dos Chudley Cannons – comentou Fred, aproximando-se dos pais. Ficar perto dos dois era sempre agoniante para o ruivo que queria mais do que tudo acalmar o coração de eterno luto da mãe, mas ao mesmo tempo também conseguia ser incrivelmente reconfortante para ele apenas vê-la.

Sua mãe aconchegou-se em seu pai quando se sentaram nas cadeiras acolchoadas encostadas na parede, deixando de lado a discussão dos filhos sobre o sexo do bebê.

— Achei que levaria mais uma semana... – disse ela, meio cansada.

— Deve significar uma coisa boa – disse Arthur Weasley, acariciando os cabelos ruivos da esposa. – No aniversário deles. Deve significar uma coisa boa, querida...

Fred tentou sorrir, deixando os dois e seguindo pelo corredor, logo atravessando a parede que ele sabia ser o quarto de Angelina e George. Estava com os olhos fechados, queria garantir que não veria sangue ou qualquer coisa pior – não estava preparado psicologicamente para isso, só tinha vinte anos! Mas o que veio foi muito diferente disso.

— É um menino – murmurou George, seus olhos brilhavam e ele parecia segurar a coisa mais importante do mundo, com mais cuidado do que Fred jamais pensou tê-lo visto ter em toda a vida dos dois juntos.

Angelina chorava e aquele parecia um momento íntimo demais dos dois para que Fred espiasse, então voltou à sala de espera, pensando que o super poder podia dizer quando o bebê nasceria, mas não acertava muito bem o sexo. Fred jurava que seria uma menina.

Ele esperou, junto dos outros, assistindo suas conversas aleatórias e observando a barriga pontuda de Ginny. Sabia que logo mais teria mais um motivo para vir até eles. Um motivo verdadeiro dessa vez, que não faria Lily Potter o olhar de forma acusatória, pois também estaria fazendo a mesma coisa que ele.

Também reparou que a barriga de Fleur começava a crescer e que Bill parecia um pouco mais pensativo que o normal, mal ouvindo as conversas de Charlie sobre alguma espécie nova de dragão que haviam descoberto onde trabalhava. Era mais ou menos como a expressão de Percy no canto do hospital naquele momento, o que fez Fred se sentir ligeiramente mal. Se conhecesse bem os dois e sabia que conhecia, eles eram os únicos dos irmãos a atravessar a excitação do nascimento de um bebê para perceber que ele estava nascendo no dia da mentira.

Assistiu quando George apareceu no corredor dizendo que era um menino e quando Rony riu satisfeito, despertando Percy dos próprios pensamentos e o mandando pagar 5 galeões por ter ganhado a aposta que haviam feito. Fred sorriu aliviado com a risada sincera do irmão mais velho ao pagar.

Percy era, assim como George, um dos que Fred acompanhava muito mais de perto do que os outros. Não porque gostava mais dele, mas porque viu como sua morte havia o afetado de maneira diferente.

E então, quando George pediu dez minutos para que Arthur e Molly Weasley entrassem para conhecer o neto, Fred o seguiu.

O quarto onde Angelina estava era diferente agora, não era mais a sala de cirurgia e sim um quarto consideravelmente grande com paredes em um reconfortante azul-claro com uma grande janela no canto que iluminava todo o local e pequenos quadros com ursinhos desenhados perto da porta. Alguns raios solares banhavam Angelina timidamente enquanto ela descansava na cama, revelando que mesmo nitidamente cansada e esgotada, ela ainda parecia muito bonita. Fred tinha certeza que metade disso era devido ao largo sorriso que a mulher tinha no rosto cada vez que mirava o pequeno bebê no seu colo.

— Eu disse que seria um menino – disse.

— Eu não disse que não seria um menino – retrucou George. – Eu só preferi me abster.

— Para alguém que já teve um negócio de apostas, você anda se abstendo muito – retrucou ela e Fred riu. – Que nome daremos a ele?

— Thomas! – exclamou Fred na mesma hora indo até a cadeira do irmão e falando em seu ouvido, como se ele pudesse escutar. – Benjamin! Anthony! Não... Ernest! Por favor, Georgie, imagine um Ernest na família! Imagine só todos aqueles suéteres enfileirados formando frases, cara, podemos fazer isso! Ernest, Ernes–

— Fred – disse ele de repente fazendo o irmão congelar no lugar. Angelina sorriu. – Frederick Weasley II.

Aquele momento pareceu uma eternidade. Fred realmente sentiu que havia se passado uma eternidade nos quinze segundos de silêncio cúmplice entre George e sua esposa. Haviam se passado sete anos. Sete anos. E era a primeira vez que Fred descobria que fantasmas também conseguiam chorar, porque de repente seus olhos começaram a piscar e ele passou a sentir algo molhando o seu rosto, porque seu irmão não podia estar realmente dando seu nome ao próprio filho.

— Você gostou? – perguntou ele.

— Eu amei – respondeu Angelina, encarando o pequeno bebê em seus braços que dormia tranquilamente. – Acho que é o melhor nome que poderíamos ter escolhido.

George concordou, tendo suas próprias lágrimas silenciosas escorrendo pelo seu rosto quando a porta se abriu, revelando a cabeleira ruiva e rala de seu pai.

— Podemos entrar?

— Claro, entrem. Venham conhecer o neto de vocês – disse Angelina e assim eles o fizeram.

— Ele é tão lindo – disse Molly Weasley segurando a mão minúscula do recém-nascido. – É o bebê mais bonito que já vi!

A mais nova avó sorria encantada como se não houvesse dito a mesma coisa no nascimento de Victoire, Molly e Lucy também.

— Ele vai ser tão bonito quanto você, Angelina. Você teve sorte, George – comentou Arthur. – Como vai se chamar?

Angelina ergueu o rosto em expectativa para o marido que estava de pé encostado na beirada de sua cama.

— Fred – anunciou George. – Fred II.

Pela segunda vez em pouco tempo, Fred viu tudo acontecer devagar a sua frente. O rosto de seu pai abandonando o neto para encarar George, seu olhar em um misto de tristeza e amor, enquanto caminhava e abraçava o filho, não querendo comentar sobre as lágrimas que haviam deixado um rastro no rosto do mais novo e muito menos das que estavam deixando no seu.

Já Molly continuou em silêncio, o que fez com que George fosse até ela assim que seu pai o soltou. Fred também deu alguns passos à frente, tentando enxergar a expressão da mãe e torcendo para que não fosse em nada parecida com a dele.

— Tudo bem por você, mamãe? – perguntou. – Podemos fazer isso?

— Ora, George... – ela riu fracamente, balançando a mão que Fred II não segurava com sua enorme força de bebê.

— Se for... se for demais, mamãe, não tem problema. Angelina e eu podemos escolher outro. Talvez Joseph, não temos um Joey na família ou quem sabe Ernes–

George se calou quando a mãe negou com a cabeça, agarrando sua mão que se movia nervosamente e a segurando junto do coração do quinto filho, deixando seu olhar repousar sobre ele do mesmo modo que fazia quando eram pequenos e Fred caía, se machucando muito feio e George ia até a mãe, apreensivo, perguntar como estava o irmão.

— Obrigada, querido – disse ela. – Acho que Fred é um nome ótimo assim como o dia que ele escolheu para nascer. É como se fosse o nosso pequeno presente, não é?

— Como se ele estivesse voltando para nós, mesmo que um pouquinho – concordou George.

Fred não soube durante alguns dias o porquê, mas depois da fala do irmão, ele apenas sumiu. Só voltou a ver George e sua pequena família quando eles já estavam em casa. Ele não quis pensar muito sobre nos primeiros dias, gostava de dizer que após sete anos aquilo havia mudado. Ele não se sentia mais tão preso à família ou a George, gostava de ser o bom fantasma – o conformado, engraçado, mas não era bem assim e ouvir que seu sobrinho era uma parte dele voltando, o machucou. Não sabia se estava sendo egoísta, maldoso ou só muito mesquinho com os sentimentos dos vivos, mas ele não estava voltando de verdade, ele não tinha como voltar. E isso era a pior coisa do mundo para ele todos os dias.

Todos os dias.

Mas porque ele amava sua família mais do que amava a si mesmo e nunca havia desejado que alguém fosse mais feliz do que George no mundo, Fred voltou à casa do irmão, que não era mais o antigo apartamento em cima da loja de logros e sim uma aconchegante casa no centro de Londres. Ele atravessou a porta de entrada, vendo Angelina dormir, exausta, no sofá da sala e seguindo para o quarto do sobrinho.

O quarto era pequeno com paredes cor de creme e uma poltrona azul no canto onde George estava sentado, tentando fazer o garoto parar de chorar. Fred não conseguiu evitar sorrir divertido ao ver as olheiras no irmão.

— Ninguém disse que seria fácil, não é? – disse ele. Estava acostumado demais a falar sozinho. Já não o incomodava mais não obter respostas.

— Vamos lá, Fred – dizia George balançando para frente e para trás. – Não podemos acordar sua mãe, ela está cansada. Você não pode dormir?

Ele ficou de pé, começando a andar de um lado para o outro. Fred encostou-se na parede. Tudo naquela cena fazia Fred se sentir aquecido. A roupa largada de George, a fralda pendurada em seu ombro, o macacão laranja do garotinho e seu choro que cessava lentamente até deixar de existir quando George o colocou no berço já dormindo.

— Às vezes você é muito difícil, filho – disse George com um sorriso bobo, voltando para a poltrona e se recostando. Ele bocejou e Fred percebeu o quanto o irmão parecia mais cansado do que ele pensava. George deixou que sua cabeça caísse devagar para o lado, o sono o acertando em cheio como havia acontecido com a esposa no cômodo ao lado. – Até me lembra alguém... – balbuciou ele, baixinho, tão baixo que talvez Fred nem tivesse ouvido se não houvesse se aproximado.

Fred revirou os olhos enquanto ia até o berço onde seu sobrinho dormia. A respiração de Fred II era baixinha e gostosa de ouvir, seus dedinhos eram pequenos e o mais velho sentiu um forte impulso, uma vontade – não sem tanta explicação assim – de segurá-lo e sentir ele mesmo como é um bebê apertando um de seus dedos, como sua mãe havia feito no hospital.

O garoto recostou-se no berço, vendo quando o bebê fez uma careta e lentamente abriu os olhos. Tudo em Fred II gritava Angelina, da cor da pele até o formato da boca, mas os olhos, Fred reparou, os olhos eram como os de George. Enquanto Angelina tinha olhos praticamente pretos, aqueles eram castanho-claro, quase como mel, exatamente como os do irmão.

— Ei, Freddie – disse quando o garoto começou a chorar. – Desculpe ter deixado sua festa tão cedo, cara, mas você não pode chorar por isso, não é? – brincou, já esperando que George surgisse atrás de si, atordoado por ter sido acordado, mas nada aconteceu, porque Fred II parara de chorar. O tio franziu o cenho. – É impossível você estar me ouvindo – disse, mas ainda assim os olhos do bebê pareciam estar pousados nele, como se pudessem enxergá-lo, o que Fred sabia não ser possível. – Por isso as pessoas têm medo de bebês, você está olhando como se estivesse sendo confortado por um fantasma, Fredinho.

Fred estendeu sua mão, passando-a sem encostar em volta do rosto redondo do sobrinho.

— Não posso encostar em você. Vou atravessar. Odiava quando Nick Quase-Sem-Cabeça fazia isso – comentou ele. – Você tem os olhos do seu pai. Não por causa da cor... bom, por isso também, mas você tem os olhos dele. Aqueles olhos observadores, calmos e, se você for esperto, posso adicionar sábios também. Você tem uma grande arma secreta aí, Fred, George consegue o que quiser com esses olhos. Funcionava até comigo.

O garoto continuava com o olhar fixo no tio, piscando devagar e Fred decidiu que sim, era impossível que seu sobrinho o estivesse vendo. Qualquer um diria aquilo, mas naquele momento, naquele único momento, Fred fingiria que não.

Alguém o estava olhando depois de sete anos. Alguém estava o ouvindo. Essa era a resposta que ele havia esperado por tanto tempo.

— Fiquei um pouco assustado quando seu pai decidiu te dar meu nome – continuou ele. – Mas acho que se eu tivesse um filho, eu também daria a ele o nome de George, porque ele foi a melhor pessoa que eu conheci. Você vai ter muita sorte, Fred, vai mesmo. Seu pai vai ser o melhor de todos. Todos vão ter inveja de você. Ele vai ser o mais divertido, o mais cuidadoso, o mais descolado...

O garoto pareceu rir e Fred se juntou a ele.

— Mas escute muito bem o que seu tio vai falar agora: não seja parecido comigo. Você só vai ter meu nome, Freddie, só isso. Vão esperar que você seja um causador de problema, é claro que vão, porque você vai ser um Weasley, vai ser filho do seu pai e ainda por cima vai ter o meu nome. E provavelmente vai ter uma boa dupla com James Sirius que vai nascer daqui uns dias, mas você tem que ser como ele, Freddie, deixe a idiotice apenas para os filhos de Ginny. Ela sempre foi muito mais parecida comigo nessa parte.

Os dedos de Fred passeavam devagar um centímetro acima da barriga gordinha do garoto.

— Vou te dizer o porquê – falou ele. – Sem o seu pai eu não teria feito nada. Não existiria loja, provavelmente teria sido expulso ou preso tentando chantagear certos bruxos por aí, eu precisava dele e é de pessoas como ele que essa família precisa. Precisamos dos parceiros calmos, inteligentes, que ficam do seu lado para o que der e vier, mas nem por isso te deixam fazer qualquer coisa. Precisamos das piadas engraçadas sem nunca serem maldosas de George, da preocupação e do cuidado dele com todo mundo. É assim que você precisa ser, Freddie, você acha que pode fazer isso pelo seu velho tio aqui? Sei que acabamos de nos conhecer e tal, mas você roubou meu nome e o meu aniversário. Acho que me deve uma.

Fred II soltou uma gargalhada de verdade e o mais velho balançou a cabeça. O garoto podia não estar o ouvindo, mas fingia muito bem.

— Ok, vou entender isso como um sim então – Fred sorriu observando o sobrinho erguer o braço. – É a única coisa que vou te pedir. Agora... agora eu quero te agradecer.

Fred passou a mão pelo rosto, percebendo que chorava e percebendo também que era muito estranho sentir esse tipo de coisa, mas não poder sentir nenhuma outra.

— Fiquei um pouco magoado quando disseram que eu estava em você, porque pensei que não estava, sabe? Mas foi estúpido. Eu estou em cada um deles, estou em você e estarei em cada um dos que vão nascer em breve também. Mas estou principalmente aqui, Freddie, com você e com seu pai. E eu sempre lamentei o fato dele não saber, dele não sentir isso mesmo que eu esteja aqui sempre que importa, mas agora que você está aqui, carinha, ele vai sentir. Todos eles vão e esse é o maior favor que você poderia me fazer. Você vai sarar um pouquinho deles e eu nunca pensei que poderia existir alguém capaz disso.

Fred suspirou, olhando rapidamente para o irmão que ainda dormia com a boca entreaberta, aproveitando o silêncio do filho.

— Obrigado por ter salvado o nosso dia também. O dia da mentira vai finalmente voltar a ser comemorado! Você me promete que vai fazer seu pai comemorar, não é? Aniversários duplos até você crescer e odiar tudo e todos da sua casa antes de perceber que, por mais irônico que pareça, eles são o melhor presente que você poderia ganhar? – Fred II riu mais uma vez e Fred fez o mesmo. – Estamos começando a nos comunicar, Fredinho. Muito bom!

Fred ficou ereto novamente, afastando-se um pouco do bebê.

— Agora que você está aqui, acho que posso parar de aparecer com tanta frequência. Posso apenas receber as notícias junto com o resto do pessoal – o garoto ficou um pouco sério, iniciando aquela careta que havia assustado Fred mais cedo. – Mas vou estar olhando por você, carinha, prometo.

Fred mal deu três passos para trás quando a boca do sobrinho se abriu com seu choro alto, despertando George que logo pulou até o berço e o pegou no colo.

— Ah, filho, você não me deixou dormir nadinha mesmo... – comentou o pai.

Fred riu enquanto George dava tapinhas fracos nas costas do bebê, tentando fazê-lo dormir novamente, mesmo que tudo que Fred II fizesse fosse encarar por cima do ombro do pai. O mais velho riu, balançando a cabeça.

Não conseguiria jamais explicar para ninguém como parecia tanto que seu sobrinho de apenas três semanas conseguia vê-lo e ouvi-lo quando ninguém mais podia, mas se Fred tivesse que apostar nisso, sabia que apostaria contra todas as probabilidades e todas as coisas que ele achava entender sobre o mundo dos vivos e também dos mortos.

— Bem-vindo à família Weasley – disse ele dando mais alguns passos para trás, lançando um último sorriso ao garotinho que havia encostado a bochecha no ombro do pai e parecia sorrir também. – Bem-vindo, Fred II.

Notas finais
Não sei ainda se gostei dessa one ou não, eu só queria escrever algo que mostrasse a reação do Fred ao descobrir que o primeiro filho do irmão teria o nome em sua homenagem. Eu acredito que deva ter sido muito difícil para a família perder o Fred, em todos os sentidos possíveis, mas também acredito que a chegada de Fred II aliviou essa dor, mesmo que pouquinha, mesmo que não sejam a mesma pessoa e todos saibam disso. No meu HC, fazer a família rir sempre foi uma das coisas favoritas do pequenininho. Enfim! Espero que tenham gostado e se vocês estiverem procurando por alguma outra angst envolvendo esses dois irmãos, no meu perfil eu tenho uma chamada The Funeral (acho que o titulo fala por si só, não é?). Muito obrigada, vejo vocês nos comentários talvez...? Beijo, até a próxima :)
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!