Notas iniciais
Mais um cap =3 boa leitura


– Wed, você... Você está louca? — ele nem sabia por onde começar, suas mãos suavam frio e suas palavras não o obedeciam — Casamento? De onde você tirou isso? Eu sou muito novo pra casar!
– Você disse que me amava, então meio que eu só estou adiantando o inevitável — ela disse, tentando manter a indiferença, mas por incrível que pareça, não conseguia esconder o leve entusiasmo.
– Espera. Wednesday Addams dizendo que me ama, é isso mesmo? — ele debochou. Sempre dizia que a amava, mas ela sempre foi mais... "Reservada".
– Não abusa, Malfoy. Aproveita enquanto eu estou de bom humor. Aliás, aproveita meu bom humor porque agora a casa inteira... Bom, eles te odeiam.
– Eles me odeiam por sua culpa! — ele disse, movimentando os braços como um italiano — E você podia, tipo assim... Ter me avisado antes, né! — Draco secou o suor da testa com as costas da mão, enquanto a outra repousava em sua cintura — E agora eu vou ter que sobreviver uma semana nessa casa de loucos assassinos que me odeiam!
– Não fala assim, eles são legais quando você os conhece — nessa hora, Pugsley atirou uma faca na direção do garoto, que se já não estivesse de certo modo preparado, teria sido acertado nas partes baixas em cheio — Com exceção dele — Wednesday pegou aquela mesma faca e atirou de volta em Pugsley.
– Wednesday... Você sabe que isso é loucura, certo?
– Você não vai fugir agora, né? Porque, pra quem me aturou por dois anos e sobreviveu, uma semana aqui não vai passar de um desafio divertido — ela se pendurou no ombro dele, e disse em seu ouvido — Vamos, fica aqui, Draquinho.
Mas que droga. Draco se sentia estúpido. Assim como Gomez, ele era facilmente influenciável pelo poder da mente feminina.
Os dois voltaram para a mesa, até por educação, para não irritar ainda mais aqueles caras tão estranhos.

Wednesday pediu que Pugsley levasse seu noivo até seu novo quarto, e conseguiu convencê-lo a confiar um pouco no irmãozinho. Enquanto isso, ela resolveu que precisava de pelo menos um aliado na casa, de forma que foi se aproveitar do pequeno defeito de seu pai.
Ela levou Gomez até a biblioteca e exigiu que se sentasse.
– Só para começar, eu quero dizer que não aprovo esse seu relacionamento.
– Pai, qual é? Você gostava dele até eu falar do casamento!
– Isso é porque você ainda é muito criança, filha. Não dá para sair casando assim com qualquer um!
– Pai, ele não é qualquer um! Ele está comigo já faz quase um ano e ainda está vivo! Ora, isso já devia significar alguma coisa, não?
O homem ficou pensativo por alguns instantes. Quem sabe considerasse isso, afinal.
– Não, não, não. Paloma, minha filha, onde você quer chegar com isso? Quer dizer, você viu sua mãe como ficou! Você quer que ela comece ter que tomar medicação pesada? Que passe os anos que lhe resta odiando vocês? Aliás, nos odiando?
– Pai, mamãe já é louca.
– Isso é verdade.
– Pior do que está, não fica. Então porque não? Draco é um cara legal. Mais uns aninhos aprendendo comigo, e logo ele estará tão cruel quanto nós.
– Aquele menino? O loiro? De olhos azuis, que não consegue nem desviar de um modo nobre das brincadeiras do seu irmão? Não acredito.
Gomez cruzou os braços, o que era um bom sinal, pois só o fazia quando estava nervoso. Wednesday o estava convencendo, afinal. Os olhos da garota brilharam. Ela já sabia exatamente qual seria seu argumento final.
– Pai — ela fechou a porta — vou te contar umas historinhas nossas — ela tomou lugar na cadeira de frente a ele, pronta para narrar detalhe por detalhe de cada estudante de Hogwarts que partiu para uma melhor nas mãos deles.

– Volta aqui, menino loiro! — Pugsley gritava, com uma serra elétrica na mão, percorrendo Draco pelo segundo andar, deixando os corredores e a mobília antiga valiosa em pedaços.
Draco fugia no maior desespero, sabia do que esses Addams eram capazes. Com o pouco resto do raciocínio lógico que lhe restava, Draco sacou a varinha e gritou:
– Accio Firebolt! — foi o primeiro nome de vassoura que lhe veio a mente, de forma que o objeto logo apareceu. Draco a segurou com a maior força, correndo até o fundo do corredor, preparado para saltar pela janela através do vidro mesmo.
Draco só abriu os olhos quando sentiu a vassoura se estabilizar sob si. Ele sorriu, vitorioso. Nunca havia feito uma acrobacia daquela, não acreditava que tinha dado certo. Tirou os cacos de vidro da roupa, e voltou seu olhar para Pugsley.
– Vem me pegar agora, menino! — ele ria na cara dele, e debochava de todas as maneiras possíveis.
Pugsley, examinando a janela quebrada, fez um bico emburrado no meio daquelas bochechas enormes. Se abaixou por um instante, saindo do campo de visão de Draco. Quando o garoto apareceu de novo, ele tinha em mãos o atirador de Wednesday.
– Temporada de caça a aves está aberta, Draquinho! — ele gritou, e já começou a mirar no garoto.
Draco usou toda a agilidade que ele havia conseguido durante esses anos de Quadribol, que ainda assim pareceram quase inúteis, vendo que o garoto chegava a errar ele por milímetros.
– Ah, seu moleque! Petrificus totallus! — Draco gritou, e o garoto caiu duro.
O loiro sorriu, se aproximando lentamente da janela com a vassoura. Entrou de volta na casa e tentou consertar a janela com um feitiço. Draco se abaixou ao lado de Pugsley, admirando seu trabalho bem-feito.
– Vem me pegar agora, gordinho! — ele disse, rindo triunfantemente.
– Ah, meu pai, o que você fez? — gritou Gomez do fim do corredor, com Wednesday atrás dele.
Gomez se aproximou dele, e Draco praguejou por ter descontado sua raiva no garoto justo naquele momento.
– E-eu posso explicar, Sr. Addams...
– Não há nada para explicar aqui, mocinho!
– Ele... Ele está vivo, pode ficar calmo — Draco tentou tranquilizá-lo.
Wednesday deu com a mão na própria testa. Como ele podia ser tão burro? Draco observou atentamente enquanto os olhos de Gomez lentamente se enchiam de água. Ele se abaixou ao lado do filho e chorou em seu colo.
– Está vivo! Porque, Deus, por quê? — Gomez gritava, desesperadamente. Ok, agora sim aquilo fazia sentido — Tanto tempo pensado em como tirar essa vida miserável, e no final ele está vivo? Por quê?
Wednesday viu que aquilo não chegaria a nada, e fez um sinal para que Draco se afastasse lentamente do homem.
Draco obedeceu, e Gomez estava entretido demais em seu desespero para notar. Os dois seguiram até um cômodo qualquer no fim do corredor.
– Draco, me escuta. Consegui que meu pai apoiasse nosso casamento, ele te acha o máximo agora. Mas não fique depreciando ele desse jeito, ok?
– Isso é incrível, Wed! — ele disse, ignorando completamente a última frase — Como você fez isso?
– Contei para ele nosso currículo — ela disse apenas.
Draco sorriu confuso, mas a abraçou, sua felicidade tomando conta de si. Esse casamento até que poderia dar certo, afinal.





Notas finais
reviews?