We set fire to the rain
2 Deixei cair meu coração
Notas iniciais
Eu já esperava ser recebida em casa naquela noite com uma cara emburrada da minha mãe e um discurso longo de como a bagunça que eu deixava em minha própria casa refletia em minha vida, tudo porque eu não limpei o banheiro depois que eu tingi meu cabelo de manhã. Apesar de eu já morar sozinha a mais de um ano, minha mãe quando vinha me visitar (o que acontecia a cada dois meses) sempre resolvia vir nos dias onde eu estava mais despreparada para ela: os dias onde minha bagunça ainda estava a mostra. E foi dito e feito. Eu coloquei os pés dentro do meu apartamento e ouvi os passos apressados dela vindo na minha direção.
– Minha filha, o que aconteceu naquele banheiro? Como você teve coragem de ficar o dia todo fora e largar sua casa assim, nesse estado?
Ela gritava enquanto vinha para a sala, onde me encontrou recém sentada no sofá, com o queixo apoiado em minhas duas mãos, minha mochila ao lado e uma expressão de cansaço. Não a comovi nem um pouco, pois ela viu algo que a fez ficar mais irada. Meu cabelo completamente roxo.
– Oi, mãe. — eu a cumprimentei, a olhando de baixo pra cima com ela bem próxima de mim, e sua expressão extasiada.
– O QUE VOCÊ FEZ COM SEU CABELO, ALEXIA!?!?!? É POR ISSO QUE O BANHEIRO ESTÁ AQUELA BAGUNÇA?
– Meu cabelo só está roxo, mãe. Não é o fim do mundo. Um dia sai.
– Um dia sai?! É isso que você me diz depois de eu te encontrar parecendo uma personagem de desenho infantil e com a casa nesse estado? Minha filha, pelo amor de Deus! Por que sempre que eu venho te visitar eu encontro algo errado? — minha mãe já estava aos berros e eu sabia que os vizinhos ficariam cochichando sobre aquilo depois.
– Mãe, por favor, não exagera no drama! Você sempre grita quando vem me visitar por causa de alguma coisa e depois eu tenho que ouvir os vizinhos dizendo que eu não sei cuidar da minha própria vida. — eu dizia estressada, estava muito cansada naquela noite — Eu JURO que vou arrumar a bagunça do banheiro amanhã de manhã, mas agora será que nós podemos conversar amigavelmente e jantar? Eu não como nada desde as 5 da tarde e sei que você quer comer da minha comida.
Eu coloquei as mãos nos ombros dela e ela desmanchou a cara de brava, dando lugar para uma expressão de redenção. Ela sabia que quando eu pedia a ela para comermos juntas era porque eu estava com saudade e tinha coisas para contar. Sem dizer mais nada, ela segurou uma de minhas mãos em seus ombros e eu a puxei para a cozinha, onde ela se sentou no meu balcão e fez uma enxurrada de perguntas, passando em assuntos como minha faculdade, estágio e até mesmo meus amigos. Eu perguntei sobre meu pai, que eu sabia que estava a cada dia mais feliz morando perto da natureza. Ele, minha mãe e meu irmão mais novo haviam se mudado para Peçanha, uma cidade no interior de Minas, a umas 6 horas de Belo Horizonte. Caíque, meu irmão mais novo, resistiu bem no começo, mas depois que descobriu que a escola de lá era maravilhosa e que os amigos que fez lá eram daqueles pra vida toda, se adaptou muito bem. Fiquei surpresa quando minha mãe disse que ele queria fazer faculdade por lá mesmo, seguindo a carreira de administrador, e isso me tranquilizou um pouco, porque eu já estava começando a me preocupar que meus pais ficassem sem nenhum dos filhos por perto, já que meu irmão mais velho, Jorge, havia se casado a seis meses e ido morar na Inglaterra e eu estava em BH, fazendo minha faculdade de artes.
Depois de jantarmos, minha mãe veio com o assunto que eu menos gostava de discutir com ela. Namorados. Quem me conhece sabe que eu não dou muita bola para isso, principalmente pelo fato de que raramente um cara se interessa por mim porque eu sou gorda. Sim, gorda, daquelas com um popozão e braços fofos, rosto redondo e bochechas de boneca de porcelana. Mesmo que muitas pessoas dissessem que eu sou bonita e tudo mais, algumas experiências anteriores não muito agradáveis me faziam pensar o contrário, mesmo eu sendo vaidosa e gostando de me arrumar.
– Ah, mãe, você sabe que eu não estou preocupada com isso agora... A UFMG toma muito tempo e um relacionamento agora me atrapalharia. Além de que morar aqui sozinha exige mais de mim e eu ainda não me sinto livre o suficiente para assumir uma vida com alguém no meio do meu "processo de adaptação". Prefiro esperar um pouco mais, mesmo sabendo que eu ter alguém nessa vida é uma coisa difícil, haha.
Eu tinha uma expressão de desânimo no rosto e minha mãe parecia aliviada em saber que eu não estava namorando ninguém. Para ela eu ainda era uma menina, tanto que ela ainda me ligava todos os dias, acreditem ou não, e eu não me incomodava com aquilo. Ter uma mãe para te dar apoio nunca é ruim, mesmo você já sendo praticamente independente.
...
Na manhã do dia seguinte a primeira coisa que fiz quando levantei foi ir ao banheiro para limpar a bagunça que minha tinta de cabelo havia feito e para minha surpresa, o banheiro estava limpo. Muito limpo.
– Mããããe, por que você limpou o banheiro? Eu não disse que faria isso? — eu gritava indo em direção à cozinha, de onde vinha um cheiro ótimo de café recém coado e pão de queijo (que clichê, não?). Mas o que eu encontrei foi um bilhete perto da garrafa de café e ao seu lado uma nota de cem reais, os dois com uma ponta em baixo da cesta de pães, para não voarem com o vento friozinho do início de maio que vinha da janela aberta.
"Alexia, tive que ir passar uns dias na casa da sua avó.
Ela me ligou e está bastante resfriada, precisando de ajuda.
Sei que prometi que ficaríamos uns dias juntas, mas peço que entenda e eu prometo que daqui dois meses eu ficarei uma semana das suas férias com você. Ah, e trarei seu irmão e seu pai para fazermos um passeio bem legal. E é claro, o Fredinho pra comer suas sapatilhas.
O café e o banheiro foram uma compensação pela quebra da promessa. Não se acostume, hahaha.
Cuide-se, moça do cabelo de gelatina.
Com amor e saudades sem matar, mamãe."
Com aquele bilhete eu percebi o quanto eu sentia falta da minha vida em família. Mesmo com meu irmão me enchendo, minha mãe obcecada por organização, meu pai bobalhão e meu cachorro boboca, o qual eu já havia passado noites chorando de saudade, eu daria tudo pra que eles pudessem viver em BH comigo. Mas a vida é isso. Eu estava aprendendo a ser alguém por minha conta.
Depois de tomar e aproveitar MUITO o café que minha mãe deixou, eu me arrumei com bastante calma e saí para a faculdade, com aquele apertozinho no coração que sempre fica depois que eu sinto saudades de quem eu amo. Não aguentei e liguei para minha mãe no meio do caminho, aproveitando o trajeto do ônibus até meu destino. Estava tudo bem com ela e com minha avó, que aliás era uma das pessoas que eu mais visitava, pois ela morava a meia hora da minha casa.
Chegando na UFMG, o frio dentro do prédio de Belas Artes era terrível, tanto que praticamente todos os meus colegas estavam bem agasalhados. É incrível como um lugar podia ser tão frio, mesmo ainda estando no Outono. Eu fui direto a cantina pedir um chá quente, mas no meio do caminho fui agarrada por um indivíduo branquelo e cabeludo, meu melhor amigo.
– Paulo, não faz isso! Ah! — Ele me dava um abraço apertado e se enroscava na minha blusa de lã cor de rosa, que era tão comprida que ia até minhas coxas.
– Lê, você chegou pra me esquentar! Deixa eu te abraçar, tô morrendo de frio!
Eu tentava me desvencilhar do abraço de mano que eu ganhava, mas não tinha como. Me rendi e deixei que ele deitasse a cabeça no meu ombro, como uma criancinha no colo da mãe.
– Paulo, eu preciso pegar meu chá, já são quase oito da manhã e eu vou me atrasar. O Édipo não gosta de atrasos, você sabe disso.
– Eu vou com você, não quero te soltar. — ele me agarrava pela cintura e me empurrava até chegarmos a cantina, nós dois andando como se fôssemos bonequinhos conectados por pauzinhos.
– Tá bom, chatice. Só não reclama do povo falando depois, ok? Você mesmo diz que tá cansado do pessoal achando que nós dois somos namorados. A escolha é sua. — eu dizia enquanto a moça da cantina, que nos olhava rindo da situação, me atendia e como de costume diário fazia meu chá de hortelã.
– Me deixa e pega seu chá afrescalhado, anda. — Paulo não iria me soltar, definitivamente. Intimidade gera gente folgada.
...
Depois de uma aula teórica interessante mas lenta por conta do clima frio, todos os alunos saíram da sala e foram atrás de almoço, pois muitos de nós fazíamos estágios e aulas complementares durante a tarde. Eu e Paulo nos separávamos ali, pois ele iria para o jornal da faculdade cuidar de suas diagramações, e eu para meu estágio na Casa dos Quadrinhos, como monitora da aula de desenho técnico. Almoçamos juntos naquele dia e mal nos despedimos, pois nos veríamos essa noite em casa. É verdade, esqueci de mencionar que Paulo mora comigo. Ele passou a última noite fora para eu poder ter um tempo com minha mãe, da mesma forma que eu fazia quando ele queria levar alguma de suas "aventuras" pro nosso apartamento. Era uma troca justa, já que eu não fazia nada do tipo.
Ao sair pela porta da cantina, eu dei de cara com alguma coisa alta e que segurava muitos papéis, pois eu via uma chuva de folhas coloridas para todos os lados. Caí sentada no chão, soltando um gritinho agudo e jogando minha bolsa longe, junto com minha dignidade diante daquele lugar lotado. Fiquei furiosa no mesmo instante, mas congelei quando vi no que eu tinha trombado. Ele era alto, roupa escura, barba cheia e cabelos no ombro, escandalosamente ruivos. Eram como fogo em brasa.
Fiquei completamente paralisada quando meus olhos encontraram os dele, que estava debruçado na porta da cantina, com uma das mãos no peito e respirando pesado, pelo susto da trombada.
– Lê, você está bem? — Paulo veio correndo ao meu encontro na mesma hora, pois ele ainda tinha conseguido presenciar o momento antes de ir embora. — Levanta, vem aqui.
Ele me ajudou a levantar e me entregou minha bolsa, que uma garota havia pegado no chão e entregado a ele. Eu só conseguia olhar para o ruivo, que me encarava e tornava sua expressão mais dura a cada segundo.
– Você não me enxergou aqui, mulher?! Olha o que você fez com todos os papéis que eu acabei de organizar! — o ruivo gritava comigo, pegando os papéis do chão.
– Me perdoe, foi um acidente! — eu agachei e o ajudava a juntar os papéis, mesmo ele os tomando de minhas mãos assim que eu pegava do chão — Eu estava distraída, não foi por querer!
– Deixe pra lá, eu junto. — O ruivo me empurrou de perto dele e eu só não caí porque Paulo estava atrás de mim e me levantou antes que eu sentasse novamente no chão.
Eu me sentia péssima. Sempre fui atrapalhada, mas nunca havia deixado ninguém tão nervoso a ponto da pessoa me empurrar. Paulo queria avançar para cima do ruivo pela grosseria, mas eu o impedi silenciosamente e ele deixou pra lá. Eu saí da cantina junto de Paulo com todos os olhares em cima de mim e uma vergonha que queimava meu rosto, que devia estar da cor de meus cabelos eu tendo a pele tão pálida, herança de minha mãe. Só então percebi que minha blusa de lã estava manchada de capuccino até embaixo e meus sapatos de veludo vermelho respingados de chocolate. O ruivo estava com um copo nas mãos e eu nem vi.
– Aquele gigante ruivo foi grosso comigo e ainda por cima acabou com minha roupa! Caramba, como eu vou trabalhar agora? Aaahhhh.... — eu choramingava e Paulo coçava a cabeça, pois ele estava de mãos atadas.
– Olha, Lê, eu queria poder te ajudar, mas você sabe que eu tô liso e atrasado ainda por cima. Se eu pudesse te levaria pra casa agora, mas você entende, não é?
– Claro, Paul, eu sei disso. Não te culpo. Vou ter que passar na Riachuello do Centro e me resolver por lá. Pode ir, não se preocupe.
Abracei Paulo e ele me deu um beijo no rosto, antes de fazer um último comentário:
– Olhe pelo lado bom. Você tá com um cheirinho maravilhoso de café, hahaha. :3
– Some daqui, Paulo Gustavo.
Eu ria enquanto ele saía apressado pela entrada do prédio, e então fui procurar um lenço na minha bolsa ou algo que me ajudasse a pelo menos amenizar a mancha marrom que estampava minha lã cor de Barbie. Eu sentei nos degraus de um palco redondo que havia no meio do pátio em frente a cantina, umedeci uma toalha de rosto que eu tinha e a passava sem parar na minha mancha, sem nenhum efeito positivo. Uma sombra então se formou detrás de mim e uma mão me estendeu um casaco preto de botões, que tinha um cheiro forte de perfume masculino. Era o ruivo.
– O que você quer? Veio mostrar que sujei seu casaco também? — eu dizia nervosa, aumentando a força com que esfregava minha blusa.
– Não, eu estou te oferecendo meu casaco como um pedido de desculpas pela minha grosseria com você agora a pouco. — ele se sentou ao meu lado e me estendia de novo o casaco — Por favor, me perdoe. Me arrependi no mesmo momento em que gritei com você, sei que não foi de propósito o que você fez.
Olhei pra ele e ele tinha um sorriso tímido no rosto, como quem te olha te pedindo as desculpas mais sinceras do mundo. Peguei o casaco silenciosamente e me levantei, indo em direção ao banheiro para me trocar.
Quando voltei, ele estava no mesmo lugar, guardando em uma pasta os papéis derrubados a pouco. Eu desci os degraus e fiquei de frente para ele, ele me encarando e olhando seu casaco vestido em mim, completamente desajeitado e apertado no busto, pois meu corpo largo deixava o casaco mais acinturado e justinho.
– Se você vier aqui amanhã eu te devolvo seu casaco lavado e passado, como retorno pelo favor. Ou você pode me acompanhar até o centro da cidade agora e eu te devolvo assim que comprar outra roupa. — eu dizia a ele, que tinha seu olhar fixo na tatuagem de copas que tenho na mão esquerda. Fiquei sem graça e puxei a manga do casaco até tampá-la, o olhando querendo uma resposta.
– Eu prefiro te acompanhar até o centro pois é meu caminho de qualquer forma. Estou indo pra Casa dos Quadrinhos e já estou muito atrasado.
– Você está indo para onde??? — eu perguntava, em choque com o que eu tinha acabado de ouvir.
– Casa dos Quadrinhos. Você conhece? — ele perguntava inocentemente, achando que eu não havia escutado de fato.
– Eu sou estagiária de lá. E eu nunca te vi por lá. — eu não conseguia aceitar.
– É porque eu cheguei do Sul hoje, meu pai é um dos donos de lá. Eu nem me apresentei por causa de toda essa confusão. Meu nome é Adan.
– Alexia... — eu apertei a mão que ele havia estendido para mim e soltei rapidamente, meu peito pulava de vergonha.
– Você quer uma carona? Nós vamos a Riachuello e logo em seguida chegaremos a Casa. Não se preocupe, seu atraso hoje será por minha conta.
Eu me sentia mal. E confusa. E em choque.
Como alguém que tinha sido tão rude comigo minutos atrás poderia ser uma pessoa tão prestativa e gentil?
Acho que momentos de stress realmente mudam um ser humano.
Eu fiz sinal positivo com a cabeça para que fôssemos naquele momento e o segui, ele indo para o estacionamento. Quando chegamos lá, Adan parou em frente a uma Harley ENORME, completamente personalizada e tirou do guarda-volumes da moto dois capacetes pretos indênticos, de designer clássico. Paulo choraria se visse aquilo, louco por Harley's como ele é.
Adan subiu na moto e me olhou aguardando, quando percebeu que eu não fazia movimento algum. Eu nem mesmo havia colocado o capacete.
– O que houve? Você não concordou com a carona? Pode subir na moto. — ele fazia sinal com cabeça me chamando.
– Eu... Eu... Eu nunca andei de moto na minha vida.
Quando Adan me ouviu dizer isso, saiu da moto e parou na minha frente, tirando o capacete e me olhando abismado.
– Como assim? Nunca? Nem uma vez? — Ele perguntava com uma expressão de deboche, como se eu fosse uma menininha com medo de roda gigante.
– Isso, nunca! — eu afirmei com dureza e sem baixar a guarda — E morro de medo. Acho que vou de ônibus mesmo, só justifique meu atraso e já está bom.
Entreguei a ele o capacete e me virei para ir embora, mas Adan me pegou pela mão e disse, com calma:
– Alexia, não precisa ser tão medrosa. Essa moto é grande, bem mais segura que as que você vê por aí. E eu sou um bom piloto, eu te juro. E eu quero meu casaco de volta.
Eu fiquei com vontade de soltar minha mão da dele naquela hora e sair correndo, mas meu orgulho quase me rasgou por dentro e quando dei por mim eu estava sentada na garupa da Harley, colocando o capacete e ajeitando minha bolsa na lateral. Ele olhou aquilo como quem via algo muito engraçado, o que me deixou possessa, mas calada. Eu não queria ser expulsa da moto e ter que andar com o casaco daquele cara o dia todo. Mas então, quando já estávamos no meio da avenida Antônio Carlos, algo ridículo veio à minha cabeça e saiu da minha boca sem eu nem perceber:
– Ei, você acha que tem algum problema eu ser gorda e estar andando de moto? Não é muito pesado?
Eu mal havia acabado de falar aquilo e queria me jogar daquela moto em movimento, para ver se eu morria e minha vergonha desaparecia eternamente. Para minha surpresa, achei que ele fosse rir da minha cara, mas assim que paramos no sinal vermelho, ele se virou para trás e me encarou. Foi aí que eu percebi que ele tinha os olhos azuis mais lindos que eu já havia visto em toda minha existência. Senti minhas pernas ficarem bambas. Como ele podia ser tão bonito?
A minha paralisia pelos olhos de Adan foi interrompida quando ele sem nem pensar muito, me respondeu:
– Tá tranquilo, eu aguento.
EU VOU MATAR ESSE IMBECIL. EU JURO!
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