We must be killers
12 A tempestade perfeita se cria antes da festa
Notas iniciais
Quando as flores começam a brotar e o despertador de uma garota loira desperta uma hora mais cedo. Nós sabemos o que esta para acontecer.
É dia do aniversário de Annabeth.
E como em todos os aniversários de Annabeth ela acordou uma hora mais cedo e tomou seu primeiro banho de banheira realmente relaxante em dias. Seus ombros estavam tão tensionados que não achava que os quarenta minutos dentro da água tenha adiantado. Finalmente sua cabeça havia parado de latejar e havia ficado uma dorzinha suportável no lugar. Uma que ela conseguiria aguentar. Depois de sair do banheiro ela desceu as escadas correndo. Atena já havia acordado e um pedaço de bolo decorado esperava por ela. Havia uma velinha em cima.
— Feliz dezoito anos! — Atena comemorou e abraçou a filha.
— Mãe — Annabeth deu uma mordiscada no bolo — Realmente não precisava.
Mas era claro que precisava. La no fundo tudo que Annabeth queria era poder se sentir normal novamente. Quer dizer, uma pessoa realmente normal, não uma paranoica que olhava para os dois lados quando pisava fora de casa. Havia uma pessoa anônima a ameaçando com mensagens. Seus amigos não gostavam dela. E seu namorado havia terminado com ela. Tudo o que ela precisava era daquele pedaço de bolo.
— Enviei todos os convites necessários há uma semana — Annabeth parou de mastigar. Seu sorriso desapareceu.
— Mãe eu disse que não queria uma festa – De repente o bolo subiu pela sua garganta e ela o cuspiu num pedaço de guardanapo.
— Eu sei. Eu sei — a mãe se desculpou — Mas será sua primeira festa como uma adulta praticamente. Eu nunca iria deixar em branco.
Annabeth sorriu.
— Mãe eu realmente agradeço — ela fez uma careta — Uma festa é tudo o que preciso.
Dizem que garotas fazem de tudo para contrariar os pais. Mas quem disse não conhecia Annabeth e sua enorme devoção por tais. El olhou para o pedaço de bolo o guardanapo. Era exatamente assim que se sentia.
●●
Leo Valdez atendeu no segundo toque ainda que estivesse meio sonolento. Ele nem havia parado para ler o identificador, mas reconheceu a voz animada que vinha do outro lado da linha.
— Ei cara — Percy disse — Sabe que dia é hoje? Eu sei. Tem muita gente na casa ao lado que por acaso é na frente da sua então espero que saia logo e me ajude com uma coisa.
Vinte minutos depois, Leo encontrou Percy na esquina da rua. Eles se sentaram na calçada.
— Hoje é o aniversário de Annabeth — Percy começou — E eu tenho um plano.
Leo revirou os olhos, nervoso.
— Seja lá qual for seu plano — ele disse — Não vai dar certo.
— Eu sei que Annabeth pediu ajuda ao meu irmão com alguma coisa porque outro dia eu os vi sentados sozinhos no quarto dele.
— Você acha que eles querem reviver algo? — Leo insinuou e Percy cobriu a boca fingindo que ia vomitar.
— Cara, eu não sei e provavelmente não estou nem aí. Mas de uma coisa eu tenho certeza. Tyson descobriu algo e vai contar hoje pra ela.
— Você sabe o que ele descobriu?
— Quando Tyson saiu pra algum lugar ontem, eu entrei no seu quarto e encontrei o celular de Annabeth — Ele olhou para os lados — Tinha umas coisas anotadas num papel do lado e eu vi o emaranhado de números e letras que tinha mandado o e-mail com aquelas mensagens pra ela.
— Humm.
— Então como Tyson sempre foi ótimo com computadores é claro que ela pediu para ele rastrear o e-mail que mandou as mensagens.
— Garota esperta.
— É — Percy continuou — Eu sei que ele descobriu algo por que não saiu do quarto hoje e quando eu ameacei entrar, ele disse que tinha algo importante pra fazer hoje a noite e me perguntou se eu ia dar os parabéns para a aniversariante.
— Você acha que ele vai contar pra ela hoje à noite? Tipo contar quem é o dono do endereço? Percy, se ela descobrir você vai saber quem fez aquilo com Rachel!
— É claro que sim. É o melhor presente de aniversário que ele pode dar pra ela — Percy concordou — Mas é o seguinte Leo, nós precisamos saber antes de Annabeth quem mandou essas mensagens, porque se ela souber ela vai entregar para a polícia e ai está tudo fudido.
Leo contraiu os lábios.
— Talvez seja melhor assim.
— Era disso que eu tinha medo — Percy enfiou as mãos no bolso da calça jeans — Leo me diz uma coisa: Você se sente culpado pela morte de Bianca?
— Imensamente.
— Pois eu te digo: não deveria. Nós não fizemos nada aquela noite. Não levamos gasolina e não colocamos fogo nela. Quem fez isso, nós sabemos muito bem. E se essa pessoa não se sente mal por isso por que diabos nós deveríamos? Droga! Só estávamos no lugar errado e na hora errada e não deveríamos ir parar na cadeia por isso.
Leo olhou para o céu azul em cima. Será que Bianca estaria em algum lugar observando aquela confusão?
— Não vamos para a cadeia por causa disso, Percy. Vamos para a cadeia porque sabemos o que aconteceu e mesmo assim escondemos por todo esse tempo.
— Leo, eu sei como é se sentir culpado. Porra cara eu também me sinto! Mas eu não quero mais. Se tiver alguém inocente nessa história além da própria Bianca somos nós. Por que nós não planejamos fazer nada de ruim naquela maldita noite e eu estou cansado de remoer isso. Portanto nós vamos à festa de Annabeth e vamos descobrir antes dela quem é que mandou aquelas mensagens estúpidas e aí vamos resolver tudo isso. Por que somos as únicas pessoas que foram arrastadas para os problemas de outras pessoas.
— É — Leo concordou — Mas e se não conseguirmos saber antes de Annabeth?
Percy suspirou e se levantou.
— Se não conseguirmos, procuramos Silena e vemos se ela quer companhia para se esconder.
●●
Reyna Avilla trancou a bicicleta cor-de-rosa e depois levantou as meias 3/4 um pouco para cima. O sol estava encoberto por algumas nuvens e ela percebeu que não havia quase ninguém fora da escola aquele dia. Bem, seu carro havia quebrado de vez e agora estava com a bicicleta. Ela olhou em volta. Seus sentidos estavam completamente aguçados desde o acontecimento de dois dias atrás. Sua mente vagava por tudo. Seu coração ainda palpitava. Ela deu uma olhada no banco de fora do campus e decidiu se sentar um pouco. Não precisava de outro ataque de pânico, então colocou o rosto entre as mãos e respirou bem fundo.
— Você esta bem? — alguém perguntou.
Reyna levantou a cabeça e encarou a figura a sua frente.
— Eu não sabia que tinha voltado — ela se levantou – Quer dizer, eu pensei que ficaria em repouso.
Rachel E'Dare sorriu concordando.
— Eu sou uma invalida, aparentemente – ela sorriu -Você esta bem? — Rachel perguntou de novo.
— Ah... Sim. Eu só estava descansando um pouco sabe? A escola anda difícil.
— Na verdade eu não sei.
Reyna parou de sorrir um pouco e então se lembrou. Rachel não havia ido para escola por que passara os últimos dias em um hospital.
— Bem, ela já era difícil antes.
— Jesus, estou brincando. — Rachel deu uma gargalhada que a fez parecer completamente extrovertida. – Não precisa se preocupar. Ficar sem vim para a escola foi definitivamente a melhor coisa disso.
— Tudo bem — Reyna apertou a bolsa contra o ombro — Vamos entrar?
Ela viu a garota vacilar um pouco. O cabelo ruivo amarrado em um rabo de cavalo.
— Eu não esperava que fosse fácil — ela disse — Mas esta sendo tão difícil. Encarar toda essa gente querendo saber se eu estou bem ou se eu sei quem fez isso comigo, sabe?
Reyna concordou.
— Sei, eu sempre me considerei extremamente deslocada.
— Ah qual é! Você era melhor amiga de Silena Beauregard — ela sorriu — E Annabeth Chase! É muito legal ser deslocada ao lado delas.
— Meu Deus você esta me dizendo que elas são as melhores pessoas daqui? — Reyna sorriu — Bem, nem tanto.
Rachel franziu as sobrancelhas.
— Achei que fossem amigas.
Reyna olhou para os próprios pés.
— Nós éramos — ela disse — Sabe, antes de me mudar.
— E quando você voltou?
— Mantivemos contato por um tempo, mas as pessoas se separam.
Houve um silêncio. Reyna não sabia o que dizer.
— Eu queria te agradecer — Rachel disse — Pelo outro dia. Soube que você e Leo pediram ajuda. Vocês e Annabeth.
— É — Reyna se sentiu extremamente culpada.
Rachel se abaixou pegando uma folha seca do chão.
— Eu tenho que ir — ela disse. Reyna concordou — É melhor entrar agora do que na hora do almoço. As pessoas me perguntam sobre tudo o que aconteceu.
— A gente se vê.
Reyna observou a silhueta da ruiva sumir pela multidão de alunos que já se formava. Seu telefone vibrou dentro da bolsa e ela o pegou distraída.
Rachel vai te odiar quando descobrir que você sabe por que isso aconteceu com ela.
●●
Naquela tarde, Annabeth estava parada no estacionamento dos estudantes, perdida em seus pensamentos, quando alguém a cutucou no ombro. Ela deu um pulo e se virou para trás alerta.
— Desculpa — o professor de Inglês, Mr. Fields deu um passo para trás enquanto segurava um café — Eu não quis assustar você.
— Tudo bem — ela disse segurando um livro de biologia.
— Sei que são seus primeiros dias desde o...
— Incidente? — ela perguntou irônica.
— Como quiser — o professor parecia extremamente desconfortável. Ele aparentava ser mais novo que os demais professores, mas ainda assim carregava um certo ar de experiência — Estamos com os resultados para o vencedor dos representantes de classe.
— Ah, é.
Com tudo que havia acontecido, Annabeth se esqueceu completamente daquilo. Parecia uma realidade diferente agora.
— Como deve saber apenas você e Silena Beaurgard ficaram como finalistas — ele tomou um gole do café que carregava — E como ela pediu recesso nas aulas por tempo indeterminado, você foi à escolhida.
Annabeth sorriu agradecendo.
Como é que uma coisa que parecia certa há alguns dias atrás, agora parecia como um fardo que ela teria que carregar pelo resto do semestre?
As arquibancadas do auditório estavam realmente lotadas de alunos. Annabeth foi guiada pelo professor de Inglês e a diretora estudantil. Ela tinha apenas que subir no palco, agradecer ao título e depois se sentar para uma foto que iria para o anuário. Fácil.
Pra alguém que não tinha levado uma pedrada na cabeça.
Pra alguém que não estava sendo ameaçada.
E definitivamente fácil pra alguém que não tinha nenhum tipo de culpa.
Seus olhos pousaram no chão por um momento depois de agradecer a todos e logo depois ela se virou para a cadeira vermelha onde deveria se sentar. Alguém bateu a foto enquanto ela tentava a todo custo sorrir como antes.
Houve um silêncio constrangedor e então palmas foram ouvidas. Primeiro um único bater de mãos que logo se transformou em vários. Annabeth se virou atordoada pela plateia. Não aguentaria tudo aquilo, não naquele momento.
É claro.
Percy Jackson havia puxado as palmas porque sabia que ela não aguentaria tudo aquilo.
Annabeth se levantou e correu pra fora, atordoada com aqueles rostos a olhando. Ela não sabia por que, mas havia imaginando alguém rindo dela. La atrás. Batendo palmas.
Era Bianca Di Ângelo.
●●
Percy Jackson seguiu o restante dos alunos para fora do auditório. Annabeth havia surtado e corrido para fora depois das palmas puxadas por ele. O que ela esperava? Vaias?
— Ei — alguém chamou assim que ele tomou o ar amontoado do corredor.
Percy se virou para a pessoa.
— O que?
— O que aconteceu ai dentro? — Thalia Grace encarou Percy com aqueles olhos extremamente azuis que intimidava qualquer pessoa.
— Annabeth enlouqueceu. — ele respondeu enquanto abria a porta que dava para o estacionamento.
— Como assim enlouqueceu? — Thalia ultrapassou Percy.
— Ela estava lá recebendo aquele título estúpido e então saiu correndo.
É claro que ele havia omitido parte do ocorrido, mas nem mesmo ele saberia explicar aquilo. Qual é o garoto só queria tentar ser gentil. E claro quem sabe, pedir um convite para sua festa de aniversario. Não podia adivinhar que Annabeth sairia correndo depois de algumas palmas.
Thalia colocou a mão no ombro dele.
— Conseguiu o convite?
Percy havia mandado uma mensagem para Thalia perguntando se ela poderia leva-lo de acompanhante ao aniversário de Annabeth. É claro que não. Nem mesmo ela havia sido convidada.
— Claro que não — ele abriu a porta do carro — Você é quem deveria conseguir isso. Ela não era sua melhor amiga?
— A nostalgia é cruel, Percy — Thalia tirou um maço de cigarros da bolsa — Eu percebi que o único jeito de esquecer o passado é realmente me afastando das minhas ex-amigas.
— Isso é surpreendente vindo de alguém que disse que não descansaria ate acabar com Silena. Qual foi mesmo a expressão? ”Posso demorar a vida toda, mas vou acabar com aquela vadia"? Isso mesmo.
— Silena não tornou a tarefa fácil quando decidiu desaparecer — Thalia colocou o cigarro entre os dentes — Estou disposta a esquecer a minha vingança desde que ela nunca mais pise nessa cidade.
— No dia em que Bianca morreu todos nós tivemos que sair de lá — Percy disse — Menos você. Você ficou.
— O que quer dizer?
— Que eu, Leo, Silena, Piper, Reyna e Annabeth fomos embora antes da polícia chegar. Mas você não. Quer dizer, Luke era o dono do lugar e Nico era irmão de Bianca, eles tinham que dar explicações à polícia. Mas você podia muito bem ter se safado.
— Eu já estava lá antes de vocês chegarem — ela disse — Bianca estava comigo e Nico, não poderia simplesmente sumir como você fez.
— Então você prestou depoimento?
— É claro — Thalia deu um passo para trás enquanto acendia o cigarro.
— E o que você falou?
— Eu não lembro, Percy — ela se virou para um grupo de alunos que passou por eles — Estava tarde e eles apenas me perguntaram por que eu estava ali.
— Então você não entregou nenhum de nós?
— É claro que não! Deus, de onde veio isso agora?
— Você nunca falou sobre isso, não acha um pouco suspeito?
— Vai brincar de moralidade comigo, agora?
— Não — Percy levantou as mãos em sinal de rendição — Longe disso. Eu só estava tentando entender qual é a sua.
Thalia tirou o celular do bolso da calça jeans enquanto tratava o cigarro.
Havia duas mensagens novas. As duas de Annabeth.
Eu vou dar uma festa.
Seu nome esta na lista.
— Sabe qual é a minha Percy? É que eu vou estar na festa de Annabeth Chase. — ela sorriu — E você não.
Família geralmente é complicada. Mas nada abala mais uma do que a briga entre primos distantes.
●●
No final daquela tarde, Reyna havia parado sua bicicleta no gramado da casa dos Chase's. Ela só não esperava encontrar dezenas de pessoas andando pra lá e para cá com centenas de mesas e objetos do que parecia uma festa.
— Essa é mesmo a casa dela? — Rachel E'Dare perguntou enquanto arrumava a mochila nas costas.
Rachel havia passado grande parte do dia com Reyna. Era o primeiro dia da garota em Half-Blood desde que havia saído do hospital e ela não parecia ter se recuperado totalmente. Além disso, Reyna se sentia extremamente culpada pelo que aconteceu a garota.
— É claro que sim. A casa do seu namorado não é aquela? — Reyna apontou para a casa ao lado.
Rachel concordou.
— Obrigada por me acompanhar ate aqui — ela disse — Eu preciso agradecer pessoalmente a Annabeth por ter me ajudado. Se não fosse por ela eu poderia estar morta.
Reyna concordou enquanto seus olhos vagueavam pela casa a frente. Era a de Leo Valdez.
Reyna o estava evitando desde o dia em que se beijaram. Havia acontecido tão rápido que ela nem ao menos sabia o que estava sentindo, mas agora era parecido com uma sensação constante de estar sendo perseguida.
Vulnerabilidade.
Rachel cutucou Reyna e ela olhou a mulher mais velha conversando com um homem alto na porta. Reyna reconheceu Atena Chase. Ela parecia concentrada em tudo que estava acontecendo à sua frente.
— Reyna! — Atena a envolveu em um abraço apertado. Reyna se sentiu desconfortável pela aproximação. — Quanto tempo.
— Oi — ela disse quando Atena finalmente a soltou — Então... Eu e Rachel viemos ver Annabeth. Ela esta?
Atena pareceu perdida por um segundo, mas depois sua atenção voltou totalmente para Reyna e ela murmurou um sim antes de sair atrás de um cara com um jarro de flores.
— Ei! Eu quero flores brancas OK? Como isso é difícil! — Atena gritou.
Rachel sorriu enquanto seguia Reyna pela sala de estar. A casa de Annabeth parecia muito maior por dentro. As cores eram claras o que fazia bem aos olhos de quem quer chegasse de fora. Havia algumas pessoas zanzando pela casa com caixas enormes e um cara alto havia montado um aparelho de som ao lado de uma televisão.
Reyna subiu pelas escadas ate onde se lembrava de ser o quarto de Annabeth. A porta estava entreaberta.
— Oi — ela bateu duas vezes antes de entrar.
Annabeth estava debruçada sobre a cama enquanto grifava algo em um livro. Seus olhos se viraram para a porta e ela encarou Reyna.
— Oi — Annabeth se levantou ate Reyna. — Rachel?
A ruiva estava atrás de Reyna então ficava difícil ver o seu rosto.
— Oi -disse ela — Annabeth.
Ela deu um passo à frente ficando de frente para Annabeth, entre ela e Reyna.
— Então... O que vocês fazem aqui?
— Rachel queria te dizer algo.
Reyna fechou a porta atrás de si e deslizou para a poltrona perto da porta do banheiro. Ela não queria parecer folgada nem nada, mas ficar em pé a deixava nervosa. Especialmente no quarto de Annabeth.
— É — Rachel deu um passo à frente para mais perto de Annabeth — Eu realmente queria agradecer por tudo o que fez por mim na noite em que... Você sabe.
Annabeth suspirou. Então era disso que se tratava aquela visita repentina? De repente seus músculos se contraíram. Ela se sentia culpada? Era isso? Com certeza. Olhar para Rachel a deixava extremamente culpada. Se não fosse por ela nada daquilo teria acontecido a Rachel e ela provavelmente não precisaria estar agradecendo a nada.
— Não foi nada.
— Eu já agradeci a Reyna e logo que encontrar Leo Valdez irei agradecer então é isso.
Annabeth concordou olhando pelo canto de olho para Reyna. Ela parecia tão desconfortável quanto ela. Rachel deu mais um passo a frente e então passou os braços pelo pescoço de Annabeth em um abraço desajeitado. Uau. Ela não esperava por aquilo.
— Desculpa — Rachel disse quando largou Annabeth.
— Está tudo bem — ela disse passando as mãos pelos cabelos loiros ainda atordoada.
Aquilo era tão estranho.
— Então — Reyna se pronunciou — O que essas pessoas estão fazendo aí embaixo?
Annabeth balançou a cabeça afastando os pensamentos.
— Atena quer dar uma festa. Sabe pro meu aniversário e tal.
Reyna arregalou os olhos. Meu Deus é claro! Ela se esqueceu completamente do aniversário de Annabeth.
— Claro! Droga, eu já ia te dar os parabéns.
Reyna se levantou da poltrona e em um gesto rápido abraçou Annabeth, um pouco menos apertado e um pouco mais rápido do que Rachel.
— Obrigada — ela sorriu.
— Então é isso? Rachel se não se importa eu acho que devemos ir...
Rachel concordou.
— Ei espera — Annabeth abriu a gaveta de sua escrivaninha e tirou de lá dois papéis cor de rosa. Ela entregou um para Rachel e passou um para Reyna — Eu quero que você vá a minha festa.
— Que ilustre convite — Reyna sorriu olhando para o papel.
— Eu realmente espero que venham.
Atena apareceu no batente da porta com um jarro de flores brancas na mão. Ela parecia aflita.
— Você ainda prefere branca?
— Tanto faz.
— Eu acho que eu vou nessa — Reyna pegou a bolsa da poltrona e a posicionou no ombro — Até mais Atena.
— Te vejo à noite? — Annabeth apertou os dedos contra a cintura.
— Claro — Rachel respondeu.
Atena sorriu quando as garotas saíram. Ainda segurava as flores na mão. — Fico feliz que convidou suas amigas — ela disse — Reyna é realmente uma ótima garota.
— Tudo bem, mãe — Annabeth se sentou na cadeira da escrivaninha abrindo a caixa de e-mail do computador — Convidei Thalia Grace também, mas não acho que ela venha.
Annabeth olhou para trás, mas Atena já tinha saído. Um bip tocou indicando um novo e-mail.
Sabe o que acontece quando se tranca algumas lagostas ex-amigas em uma festa de arrombar? Elas começam a comer umas as outras.
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