Viajar sem Edward ao seu lado era algo novo para Alphonse, que se acostumou com a companhia do irmão em toda e qualquer situação. Mas desde que havia recuperado seu corpo, Al assumiu um compromisso de explorar mais sobre novas formas de alquimia, expandir seu conhecimento a ponto de, quem sabe, conseguir ajudar Ed a recuperar o seu título de Alquimista de Ferro dali alguns anos (um sonho talvez impossível para muitos, mas eles já provaram uma vez que podiam realizar sonhos impossíveis, então por que não tentar de novo?).

De qualquer forma, ainda era um pouco estranho e fora de lugar viajar sem o irmão.

Sempre que Al via algo diferente ou experimentava alguma comida bem gostosa, ele pensava em comentar com Ed, mas então o Elric mais velho não estava lá.

Depois de muito se lamuriar por isso, Alphonse finalmente encontrou uma solução em uma loja de artefatos bem diferente em Xing.

Ele saiu da loja naquele dia olhando empolgado para a pequena câmera fotográfica de aparência antiga em suas mãos, observando depois a região a sua volta e apontando o pequeno objeto para vários lugares diferentes.

Não precisavam ser coisas e nem lugares extravagantes, Alphonse ficava entusiasmado até mesmo com a simplicidade à sua volta. E registrar isso com sua nova câmera era a forma que encontrou para eternizar o momento. Eternizar algo que poderia — quando voltasse de viagem — compartilhar com Ed, mostrar a ele o que tinha visto com seus próprios olhos e vivenciado durante toda sua estadia no exterior.

E Xing era um país apaixonante. Com tanta novidade até mesmo nas construções das pequenas casas e nas flores exóticas que não eram vistas em Amestris.

Com tanta coisa para explorar e tanta empolgação com o novo ambiente, não era surpresa que Al passasse metade do seu tempo fotografando tudo o que via pela frente (a outra metade do tempo era para os estudos, ele jurou para si mesmo isso, afinal também precisava focar em seu objetivo ao estar ali!).

A ideia de mostrar para Ed cada pequeno pedacinho de terra fez com que a tristeza por não ter o irmão ali se dissipasse rapidamente.

Com tanta dedicação às fotografias, Al poderia jurar que cedo ou tarde May se irritaria, não por estar tentando ensiná-lo sobre alkanhestria (pois ele estava aprendendo e era dedicado quanto a isso), mas sim por Alphonse não dedicar o seu tempo livre completamente a ela. No entanto, a garota Chang não parecia tão incomodada e sempre fazia questão de mostrar lugares novos que precisavam ser conhecidos e então registrados na máquina de Al.

Ele sentia o coração quentinho toda vez que May apontava para um local novo ou puxava sua mão lhe levando por ruas inexploradas e cheias de surpresas. As suas bochechas se tornavam ainda mais rosadas quando Alphonse sorria e apontava a câmera em sua direção, capturando não só o ambiente em torno dela, como também a própria garota que não conseguia evitar o rubor sempre que isso acontecia.

Al achava adorável e, interiormente, se empolgava ainda mais com as fotos que tirava quando May estava inserida nelas. Era como se ela iluminasse ainda mais o ambiente, tornando a beleza ainda mais apaixonante aos olhos de Alphonse.

Foram tantas novidades e tantos momentos registrados, que Al passou um bom tempo relatando tudo a Ed e Winry quando retornou à Amestris. Ele contava das cidades diferentes, das comidas exóticas, do cheiro das flores que tinha fotografado, assim como eram as montanhas e os vales próximos aonde o Clã Chang residia... e falava entre tantas outras maravilhas, enquanto entregava as fotos para o irmão, sem conter seu entusiasmo.

— Al… quando você disse que tinha fotografado Xing, você esqueceu de mencionar uma coisa — Ed finalmente interrompeu, com uma expressão emburrada, o seu monólogo e Al o olhou curioso, conforme ele erguia as mãos e mostrava as várias fotos para o irmão mais novo — Por que a maioria das fotos aqui só tem a May e mais nada?

E dessa vez foi Alphonse quem sentiu o rosto enrubescer, de repente ficando completamente sem ter o que falar.

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