We found love in a hopless place II
6 Capítulo 6.
Notas iniciais
Já era madrugada e ela não conseguia dormir. Sabia que seria desta maneira. Por mais que tivesse a consciência de que ver o filho lhe causaria uma dor quase insuportável, ansiava por isso como um perdido anseia por um oásis no deserto. Rose estava inquieta também e de certa forma isso era oportuno porque tinha uma desculpa para se manter acordada. Estava exausta, mas não ia ceder. Ajeitou-se no sofá e abaixou a blusa do pijama, expondo o seio e oferecendo-o à filha que não hesitou em começar a mamar. A menina a encarava com adoração. Seus grandes olhos azuis contemplando a face cansada da mãe. Regina sentiu-se ainda mais apaixonada por ela.
– Ah, minha querida! Se você soubesse... Em breve veremos seu irmão mais velho, mas infelizmente ele não sabe sobre você e nem se lembra de mim. Espero conseguir consertar tudo logo. Rose, eu estou fazendo isso por você também. Sinto um orgulho tão grande aqui dentro que mal cabe em mim. Henry é meu filho e eu o amo com todas as minhas forças, mas você... Você é parte de mim. A melhor parte. Querida, você é o meu final feliz. Ainda que todos partam, você é a minha salvadora. Salvou a minha alma. Eu vou fazer tudo o que puder para te manter a salvo. Vou ser para você a mãe que eu não tive. Juro que jamais vou te fazer sentir o que Cora me fazia sentir. Eu te amo tanto, querida! Tanto que só de pensar em perdê-la um dia já me faz querer arrancar este coração que bate aqui no meu interior. Eu te amei desde o primeiro instante, quando soube de sua existência. Preciso que me ajude a ser forte. Vai ser muito difícil encontrar o seu irmão e parecer uma estranha para ele. Preciso que esteja aqui para mim com esses perfeitos olhos azuis e essas lindas bochechinhas rosadas, sorrindo e me fazendo acreditar que tudo ficará bem.
A menina termina de mamar e Regina a coloca de pé, apertando-a contra seu peito para que pudesse arrotar. Sua mão acaricia a cabecinha delicada da filha, com ternura. Lágrimas caem de seus olhos, sem que possa evitar. Sentia como se o seu coração estivesse dividido em dois. Uma parte repousava ali, feliz e tranquila em seus braços. E a outra parte estava perdida em suas próprias memórias. E doía. Doía tanto que ela se sentia sufocada. Permitiu-se chorar. Estava exausta, sozinha, com medo. “Vou resolver isso. Pelos meus dois filhos. Rose não ficará presa ao destino de livrar a todos dessa maldição e Henry vai se lembrar de mim. Vou garantir que eles sejam felizes nem que seja a última coisa que eu faça.” – Pensou. Levantou-se lentamente, enxugou os olhos e seguiu até o quarto da filha, onde colocou cuidadosamente a menina em seu berço. Admirou seu sono por alguns instantes e então, vencida pelo cansaço, seguiu para seu próprio quarto e acomodou-se ao lado do pirata, que a essa altura já estava no décimo terceiro sono. Manteve-se por um tempo ainda pensando nos próximos dias e em como seria quando visse o filho novamente e então caiu na escuridão de um sono sem sonhos pelo restante da noite.
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4:30 da manhã. O carro amarelo para em frente a casa tão conhecida. No banco de trás, Henry dorme com seu mais novo volume de “Percy Jackson” repousando em seu colo. Mais uma vez tinha aquele sonho confuso onde se encontrava perdido em uma floresta, sabendo que o perigo estava próximo e não conseguia correr. Suas pernas simplesmente não se moviam, como se estivessem presas. Ele gritava, mas não sabia por quem.
Emma desce do veículo rapidamente, seguida por Neal. Os dois se dirigem à entrada em passos apressados e ela toca a campainha, impaciente. Minutos depois, um David com uma grande cara de sono os atende, visivelmente irritado pelo fato de alguém lhe incomodar àquela hora. No entanto, ao ver quem batia, a irritação deu lugar ao alívio e por fim à alegria.
– Emma!
– David!
Pai e filha se abraçam. Instantes depois ouve-se uma voz fraca indagar: David, que está ai? A mulher surge, ajeitando seu roupão. Os bonitos olhos claros, inchados, devido ao sono.
– Emma!
Mary Margaret espera até que o marido termine de abraçar a filha e se afaste para também envolve-la em seus braços. Neal permanece parado junto à porta, sem jeito. David nota o embaraço do genro e quebra o momento.
– Entrem, vocês devem estar exaustos.
Os dois avançam para o interior do cômodo e fecham a porta atrás de si.
– Onde está Henry?
– Dormindo no carro. Ele não se lembra de nada, então tivemos que inventar uma historia.
– O que disseram a ele?
– Que Neal trabalha comigo e estamos aqui para investigar um caso que talvez leve algum tempo então estamos nos mudando provisoriamente. Eu disse também que conheço todo mundo, pois já morei aqui antes com uma família adotiva.
– Vocês vão ficar aqui em seus antigos quartos. Podemos dizer a ele que você e Mary Margaret eram melhores amigas no colégio e ela lhe ofereceu um lugar para ficar enquanto estão na cidade. Neal dirá que vai para um hotel. Henry não precisa saber que não é verdade.
– Certo. Só gostaria de dizer que precisamos ser extremamente cuidadosos com tudo o que falamos para não botar o plano por água abaixo.
– Sem dúvidas.
– Posso perguntar uma coisa?
–Tudo o que quiser.
– Neal me contou sobre a nova maldição. Como vocês estão fazendo? Quer dizer... Ainda estão morando juntos.
– David e eu estamos dormindo em quartos separados e não nos tocamos. Tomamos todo o cuidado possível para não encostar um no outro.
– Sinto muito. Isto deve estar sendo terrível.
– Está mesmo, mas pelo menos podemos nos ver. E temos fé que agora com você aqui, vamos encontrar o medalhão e sair dessa.
– Eu espero que sim.
– Neal, vá buscar o Henry. Já é madrugada e vocês todos precisam descansar. Amanhã podemos planejar melhor as coisas.
– Ok, você está certa. Emma, vamos lá. Ele pode acordar e vai ser constrangedor.
– O Henry? Duvido. Aquele garoto dorme como uma pedra. Pode explodir uma bomba do lado dele que ele não acorda. Mas eu vou.
Mary Margaret sobe para ajeitar o quarto enquanto Emma, Neal e David seguem para o carro, onde Neal apanha o filho e os outros, as malas. Após colocar o garoto na cama, o homem se despede, deixando a casa dos Charming. Logo todos se organizam e vão para suas próprias camas descansar. O dia seguinte seria bastante puxado, precisavam estar preparados.
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Continua...
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