We found love in a hopless place II
34 Capítulo 34
Notas iniciais
Ela respirou fundo e tentou se concentrar. Todas as suas esperanças estavam depositadas nas descobertas que a conversa com Rumple na noite anterior a proporcionou. Sua mente a leva de volta para a cela escura e fria onde os diálogos eram praticamente sussurros no meio da madrugada.
– O que eu vou fazer?! Não posso escolher um dos meus filhos para morrer assim! Só eu sei o quanto sofri para lançar a primeira maldição. Não posso fazer isso outra vez!
– Não acredito que você ainda esteja em dúvida, queridinha.
– Claro que isso é fácil para você! Não precisa eleger um dos seus filhos para ser entregue em sacrifício!
– Você ainda não entendeu, não é mesmo? A escolha é óbvia, Regina. Você deve escolher a garota.
– Rose?! Como eu poderia?! Eu não sei o que fazer!
– É claro que não. Você é uma mãe e está cega pelos seus instintos. Agora vamos lá, raciocine comigo. O que você e Emma Swan tem em comum?
– Henry.
– Além de Henry.
A rainha hesita por alguns segundos e então prossegue:
– Magia?
– Magia. Por que Emma Swan tem magia?
– Porque ela é a salvadora, oras!
– Resposta errada.
– Porque... Ela é fruto de um amor verdadeiro! – E nada é mais forte do que um amor verdadeiro- Dizem em uníssono.
– Sua filha, Rose, obviamente tem magia. Caso ao contrário, jamais teria conseguido invocar o medalhão. E ela fez isso com um feitiço. Você mesma disse. Isso não se dá apenas ao fato de ela ser a salvadora, o que significa que o Piratinha de quinta é o seu amor verdadeiro. – A propósito: Sinto muito por isso. Você merecia mais.
A rainha o encara com desdém e ele ri.
– O que eu faço? Não vejo uma maneira de ajudá-la a vencer Pan. Não sei como ela pode fazer isso.
– Ela é a salvadora. As coisas acontecerão como devem acontecer e pronto. Não se pode escapar do destino. Mas se quer saber, aquele artefato é muito mais poderoso do que você imagina. Ele é capaz de reter magia dentro de si quando devidamente direcionado. Creio que se ela conseguir proferir um feitiço com segurança, há grandes chances de ele funcionar dessa maneira.
– Rose não vai pensar nisso sozinha.
– Não subestime a garota. Ela é muito mais poderosa do que parece. E você pode, digamos que... Direcioná-la corretamente. Faça-o deixa-la a sós com a sua filha por alguns instantes e lhe ensine as palavras. Certifique-se de que ela irá repeti-las no momento correto. E então, tudo estará feito.
– Parece um bom plano. Espero que dê certo. Se não funcionar, não quero nem pensar nas consequências disso.
– Agora descanse, queridinha. Você tem uma resposta importante a dar amanhã.
Ela deitou-se no banco duro, mas não conseguiu pregar os olhos. Agora ali, seguindo pelos corredores estreitos com sua filha e seu grande inimigo, sentia o peso do cansaço e do medo sobre os ombros. Em seu interior, torcia com cada célula de seu corpo para que tudo saísse como o planejado. Caso ao contrário, não saberia dizer que escolha teria.
~~oOo~~
Os passos apressados ecoavam pelas paredes da caverna, levando-os ao topo. Pan havia sido bastante cuidadoso no preparo de todos os elementos necessários para lançar a nova maldição. Seus olhos brilhavam de expectativa e prazer, enquanto acompanhava a rainha lançando para dentro do grande caldeirão os ingredientes, um a um. Não demorou muito até que faltasse apenas uma coisa. Regina o encarou e a dor em sua expressão era clara. Tão clara quanto a fúria que emanava por cada um de seus poros.
– Vamos, majestade! Faça logo! Quanto mais rápido for, mais fácil será de aceitar.
A mulher se ajoelha em frente a filha e arruma seus delicados cabelos com os dedos. Abre um generoso sorriso para a menina e sussurra que tudo ficaria bem. Suas mãos descem de encontro às de sua pequenina e as seguram com firmeza. Pan se aproxima e dá uma boa olhada na garota. Seus olhos analisando-a com curiosidade, bem de perto. Era fácil reconhecer os traços da rainha estampados no rosto da criança e até mesmo algumas semelhanças com o maldito pirata que ele tanto detestava. Era uma pena que sua vida fosse desperdiçada, mas se devia a uma causa maior, então valeria a pena.
Tudo aconteceu muito rápido. Ao notar que Pan se aproximava de Rose, Regina apertou suavemente as mãozinhas da garota e esta, começou a cantar bem baixinho, quase que em um sussurro:
“O que do mal veio, ao mal retorne.
Que a magia errada não nos transtorne.
Tudo precisa em seu lugar estar.
Leve-nos de volta ao nosso lar!”
A pedra azul começou a brilhar sutilmente e o brilho foi aumentando conforme a criança repetia os versos. Levou alguns segundos até que o rapaz percebesse o que estava prestes a acontecer.
– O que ela está fazendo?! Mande-a parar! Eu vou acabar com você, Regina! Vai pagar muito caro por isso! – Gritou.
Peter Pan se joga para o lado, tentando alcançar a adaga, mas falha miseravelmente.
– Vamos ver se você é forte o suficiente para enfrentar o senhor das trevas!
Antes que pudesse alcançar o objeto, sentiu sua força se esvaindo e lentamente, foi sendo atraído para o medalhão. Por um instante, Rose se assustou e parou de cantar. A rainha apertou suas mãozinhas novamente e começou a cantar junto, para incentivá-la. O garoto se aproximava cada vez mais do objeto preso ao pescoço da criança, e quando estava prestes a ser completamente sugado, pode ouvir a risada de Regina enchendo o ambiente, seguida pelas seguintes palavras: Uma mãe sempre conhece sua cria, Pan. – E então, a pedra azul parou de brilhar e estava tudo acabado.
~~oOo~~
Continua...
Fale com o autor