We found love in a hopless place II
32 Capítulo 32
Notas iniciais
– O que você quer Pan?! Por que diabo você lançou essa maldição sem sentido?!
– Ora, mas isso é óbvio, não é? Amor, minha querida. Ele não é a base de tudo, afinal?
A rainha solta uma longa gargalhada.
– Amor? Você está realmente maluco.
– Se tem alguém no mundo capaz de entender isso, esse alguém é você, Regina. Vocês vieram aqui, levaram o Henry e tentaram acabar comigo. Meu próprio filho me apunhalou pelas costas. Sabe, vivi muito tempo em Neverland com os garotos perdidos, mantendo minha juventude e me divertindo muito. Mas não demorou muito até que eu percebesse que isso não era o suficiente. Nunca foi. Precisávamos de garotas perdidas também. Um homem tem suas necessidades.
– Você me dá nojo, seu moleque insolente!
– Eu quero a mesma coisa que você. Um amor verdadeiro. Uma família boa. Felicidade. E segui seus passos cuidadosamente. Lancei uma maldição exatamente como você fez. No entanto, meu intuito foi outro. Se eu não posso ser feliz, ninguém pode. Todos serão miseráveis até que eu alcance o meu objetivo e depois disso, um novo reino será instaurado. Um reino onde ninguém envelhecerá e todos ficarão sob o meu comando. Serei seu único e eterno rei.
– E acredita mesmo que todos vão seguir você com essa ideia absurda?
– Eles não terão escolha. Agora vamos ao que interessa. Eu não preciso justificar as minhas decisões para você. Sua pirralha quebrou a minha maldição e ela precisa ser lançada novamente. Deve durar até que todas provisões para a execução do meu plano sejam providenciadas.
– Fique à vontade. Você falhou uma vez e vai falhar novamente. É só questão de tempo.
– Não se iluda, queridinha. Pode acreditar nisso se quiser, mas no fundo você sabe que eu sou muito mais competente do que demonstrei até agora. E vamos parar de papo furado. Não te trouxe até aqui para tagarelar.
– Vá em frente! Lance a maldição! Você sabe como tudo isso funciona. Pode até demorar, mas seu plano vai falhar. E quando isso acontecer, eu vou rir na sua cara pessoalmente.
– Infelizmente eu não posso. Ingredientes especiais são necessários. E não há mais nada nesse mundo que eu ame o suficiente para poder cria-la.
O garoto pronuncia as palavras lenta e duramente. Seus olhos encontram os do filho e os encaram com diversão. Por fim, prossegue:
– Mas você tem. Dois corações cheios de vida que podem ser sacrificados por esse propósito. Agora só lhe resta escolher. Qual dos seus dois filhos você vai renunciar pelo bem maior?
– Você está completamente louco! Eu nunca vou te ajudar nisso! Jamais vou sacrificar um dos meus filhos por uma insanidade dessas. Já abri mão do que eu mais amava uma vez e não funcionou. A única coisa de que não me arrependo a respeito da maldição que lancei foi ter conseguido Henry.
– Ora, ora, ora, majestade, você não percebeu ainda, não é mesmo? Não é como se pudesse recusar ao meu pedido. Ou você acha que é forte o suficiente para enfrentar o senhor das trevas? Ainda que tenha sido uma boa aluna, não é capaz de superar o seu mestre. Imagine só o que ele pode fazer com a sua vidinha miserável. Ou melhor: Imagine o que ele pode fazer com os seus filhos! A escolha é sua. Salve um ou perca os dois. E eu te garanto que isso ocorrerá da pior forma possível.
A rainha fecha as mãos em punho ao lado do corpo, furiosa. Sente sua cabeça latejar. A raiva emanando por cada um dos seus poros. O garoto continua:
– Se eu fosse você, queridinha, não tentaria nada. Ou você acha que eu te coloquei nessa cela com o meu adorável filho para vocês ficarem batendo papo como duas vizinhas velhas? Ouse mover essas mãozinhas ai e receberá o pagamento justo por isso. Prometo que vai doer bastante.
– Como você pode ser tão burro! Como deixou que ele pegasse a adaga?! – A rainha grita com o outro ocupante da cela, indignada.
– Quanta ingenuidade! Um pai conhece sua cria, majestade. Rumple achou que poderia escondê-la de mim, mas eu sempre soube como essa mente suja trabalha. Chega de conversa. Você tem até amanhã de manhã para decidir. Se não escolher, eu mesmo trarei um dos dois até aqui. E acho bom você ainda estar apta a arrancar corações. Não vai querer machuca-los ainda mais, não é mesmo? Pense com cuidado. Nos vemos ao amanhecer.
O vilão movimenta as mãos e some em meio a uma fumaça verde. Regina emite um grito furioso e desaba sobre a cadeira no canto da cela. Passa os dedos pelos cabelos de um modo nervoso e abaixa a cabeça, tentando se concentrar e assimilar tudo o que ouviu. Precisava pensar em alguma coisa. E tinha que ser logo.
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Ela respirou fundo e sentiu a brisa noturna bagunçar seus cabelos escuros. Sabia o que precisava ser feito. Há muito tempo que não se sentia confiante o suficiente para libertar a fera dentro de si, mas havia aprendido a controla-la no passado e não seria diferente agora. Era nisso que preferia acreditar. Levantou-se lentamente e afastou-se com cuidado do acampamento improvisado. Tirou primeiro os sapatos. Permitiu que seus pés tocassem o solo desconhecido e deliciou-se com a sensação confortante que isso lhe proporcionava. Cuidadosamente, desabotoou o vestido e deixou que deslizasse por seu corpo, até chegar ao chão. Por fim, soltou a capa rubra e lançou-a para perto das outras vestimentas.
Imediatamente, seu sangue começou a fervilhar e a transformação aconteceu. A audição se tornou extremamente aguçada, assim como o faro. E uma vontade imensa de correr o mais rápido que pudesse a atingiu. Ruby dispara para o desconhecido na escuridão da noite, procurando qualquer tipo de indício dos outros que faltavam no grupo. E não demorou muito até que os encontrasse em uma caverna, adormecidos. Todos, menos um: Regina. Onde será que a rainha havia se metido? Poderia estar por trás disso tudo? Será que havia lançado a nova maldição e agora estavam ali por parte de um plano terrível que ela conseguira mascarar muito bem até o momento presente? Não. Não podia ser. Não fazia sentido. Se bem que... De todas as pessoas na cidade, a prefeita era a única que podia desfrutar plenamente da companhia de sua família sem que nada acontecesse. Interessante. Digno de dúvida.
Decidiu voltar logo, antes que notassem sua ausência. Vovó não ficaria feliz ao saber que ela se transformara e fora explorar um lugar totalmente desconhecido durante a noite. Poderia guiar o grupo até ali despretensiosamente no dia seguinte, fingindo ter encontrado o local por acaso. Olhou bem ao redor para gravar todos os detalhes possíveis em sua mente e ser capaz de voltar ao amanhecer, quando fosse apenas Ruby e não mais a loba. E então, correu floresta adentro, rumo ao acampamento.
~~oOo~~
A rainha não poderia se lembrar de outra noite que tivesse sido tão longa em toda a sua existência. Ter que escolher qual dos dois filhos sacrificaria por uma insanidade alheia era a coisa mais difícil que experimentara em toda a sua vida. No entanto, estava decidida. Sabia o que precisava fazer e esperava realmente que estivesse certa.
Mal o sol nascera no horizonte e a risada desdenhosa de Peter Pan se fez ouvir por toda a caverna. Regina respirou fundo e tentou se controlar. Precisava seguir com aquilo.
– Bom dia, majestade. Seu tempo acabou. Creio que tomou uma decisão sensata. Enfim, qual dos seus filhos vai ter a honra de nos ajudar nessa tarefa árdua?
A mulher engoliu em seco e encarou o rapaz com desprezo. Seus olhos fervilhando de puro ódio. Por fim, disparou:
– Rose. Eu escolho a Rose.
~~oOo~~
Continua...
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