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2 Capítulo dois - O sorriso doce de Emily.


Notas iniciais
Oi gente, desculpa a demora pra postar. Não vai se repetir, mas é que criar forças para postar o segundo é sempre mais difícil pra mim, principalmente porque eu não tive retorno de vocês pra saber se estão gostando ou não. Queria agradecer a quem está acompanhando e dizer que, de verdade, isso me deixa muito feliz. Então é isso. Vou parar de falar e deixar vocês aproveitarem mais um capítulo.

Emily não imaginava que a vida pudesse novamente estar sorrindo para ela. Não depois de tudo o que havia acontecido nos últimos meses desde que sua mãe resolvera assumir um caso com um rapaz que tinha idade para ser seu filho.

Não que a vida ao lado de seu pai pudesse ser chamada de boa, pois ela havia crescido sendo a filha preterida. Ambos, mãe e pai, sempre privilegiavam seu irmão mais velho. Mas, pelo menos, o pai não a tratava como o padrasto o fazia. Emily se sentia humilhada e suja, por tanto nunca falava sobre isso com ninguém. Definitivamente também não queria pensar sobre isso agora.

A garota ruiva então se concentrou nas ruas da cidade que passavam depressa pela janela do carro de Thomas. Sim, ela havia aceitado o convite do moreno e agora estava sentada no banco traseiro de seu carro, envergonhada o suficiente para não participar da conversa descontraída que acontecia entre ele e Rebecca.

– Você sabe Thom. Esse é o melhor horário para tirar as fotos, porque a luz é a alma da fotografia e eu, particularmente, adoro esses tons de começo de noite. – Rebecca comentou e tentou mais uma vez se convencer de que a preferência por aquele horário não era motivada pela cor do céu que adquiria uma tonalidade similar àquela dos olhos de Jeremy. E, como se fosse impossível de evitar, virou a cabeça para trás procurando o olhar de Emily que, por uma ironia do destino, tinha exatamente a mesma cor.

Emily percebeu que a outra olhava em sua direção, mas não teve coragem de encarar de volta, temendo a sensação que a havia arrebatado momentos antes. Não queria se sentir confortável daquela maneira na presença de uma estranha. E, por mais que estivesse pegando carona exatamente com essa estranha e seu amigo também estranho para um lugar completamente estranho, ela não queria pensar que eles tivessem alguma obrigação de suprir todas as falhas emocionais acumuladas durante sua vida. Definitivamente eles não tinham.

Rebecca voltou a falar com Thomas e os dois embarcaram em uma conversa técnica sobre a importância da luz para a fotografia, até que o moreno anunciou a chegada ao local e estacionou o carro.

– Aqui?! – Questionou a mais velha enquanto corria os olhos pelo lugar.

Thomas riu e balançou a cabeça em negativa, logo começou a andar para dentro das árvores por uma trilha que existia somente na sua imaginação. Aquilo deixou Emily com um pé atrás. Ela realmente estava entrando dentro daquela floresta com duas pessoas que ela tinha acabado de conhecer?

– Vamos Emily – Thomas chamou. Ele e Rebecca a observavam com paciência. – Temos que ir ou vai ficar tarde demais para as fotos.

O moreno sorriu e Rebecca balançou sua Canon no ar. Emily olhou para os próprios pés ainda em dúvida sobre aceitar seguir a diante. Pensou se estava longe o suficiente da cidade para que ela desse alguma justificativa qualquer e voltasse andando sozinha. Porém sentiu uma mão entrelaçando a sua e aquela nova sensação de conforto a preencheu junto com um calor estranho.

– Emily, está tudo bem. Não somos maníacos, não vamos te sequestrar se é isso que está te dando medo. — A voz calma de Rebecca invadiu sua cabeça e, como se só tivesse espaço para uma coisa, tudo o que a impedia de ir junto com eles desapareceu.

Depois de uns cinco minutos de caminhada os três chegaram ao topo, em um lugar que parecia ser uma clareira. Era um campo espaçoso, rodeado de árvores e de fato a luz que batia ali naquela hora dava ao lugar um ar ainda mais encantador.

Rebecca retirou uma lente de dentro de sua mochila e trocou com a que estava em sua câmera. Fez alguns ajustes rápidos e conversou com Thomas sobre os ângulos para as melhores fotos, além do que ele esperava do resultado e exatamente o que ele precisava.

A morena começou a clicar alguns pontos específicos. Às vezes abaixava para conseguir uma foto melhor. Ela parecia realmente animada com o que fazia e aquilo, aos olhos de Emily, deixava-a estranhamente encantadora.

O tempo para a ruiva parecia voar na presença daqueles dois. Por mais que estivesse apenas observando enquanto os dois estavam concentrados no trabalho, ela se sentia tranquila como em muito tempo não se sentia antes.

Até que Rebecca voltou a focar seu olhar cor de âmbar escurecido pela pouca luz em Emily e dessa vez a mais nova não evitou olhar de volta. Continuaram prendendo o olhar uma na outra enquanto a morena se aproximava, a passos lentos, da ruiva. Rebecca então posicionou a câmera em seu rosto e focou na menina a sua frente. Era muito mais fácil encarar aquele olhar que a queimava por dentro, quando estava atrás da lente. Parecia profissional e a impedia de pensar nos motivos que a levavam a sentir o que sentia quando os olhares se cruzavam.

Emily não conseguiu desviar o olhar, nem motivada pela vergonha de saber que seria fotografada. Nem quando Rebecca abaixou a câmera e tocou seu queixo segurando-o entre o indicador e o polegar enquanto o virava de lado procurando a melhor luz.

A morena sorriu e voltou a posicionar-se atrás da lente, esquecendo-se de Thomas, que observava as duas de longe com um ar de interrogação no rosto. Emily não evitou o sorriso tímido que se formou em seu rosto e logo depois veio o flash.

– Olha aqui... Não te disse que você ficava especialmente bonita quando sorri. – Rebecca falou se aproximando ainda mais e mostrando o visor de sua Canon para a ruiva que se espantou com o que viu. Realmente parecia bonita naquela foto.

Suas bochechas ganharam uma leve coloração avermelhada e ela balançou a cabeça sem conseguir negar a beleza da foto. Nunca tinha se achado tão bonita antes e claro que ela creditava o resultado ao profissionalismo da fotógrafa.

– Você sabe que parte da beleza de uma foto se deve ao olhar de quem está por trás da câmera... – Thomas comentou em tom de observação enquanto se aproximava das meninas.

– Com certeza... Ela deve transformar o pior dos casos em beleza. Suas fotos são ótimas. – concordou Emily enquanto se afastava da outra. Morrendo de vergonha por ter se esquecido da presença de quem a havia convidado em primeiro lugar.

Thomas não havia concluído a frase, mas Rebecca tinha entendido o que ele queria dizer nas entrelinhas e então simplesmente balançou a cabeça negando o que sabia que o amigo devia estar pensando. E assim que olhou em seus olhos soube que não o tinha convencido. Com certeza ele iria querer saber mais tarde o que tinha sido aquilo.

– Vamos? Acho que já temos material suficiente para o projeto, Thom...

Rebecca partiu na frente deixando Thomas e Emily para trás. Não queria olhar para nenhum dos dois naquela hora. Estava certa de que ter sonhado com Jeremy aquela noite tinha mexido com suas estruturas e só por aquele motivo Emily conseguia mexer com ela de uma forma tão íntima.

Ok, não tinha tanta certeza.

–-x--

Assim que Rebecca entrou em casa acompanhada por Thomas, depois de terem deixado Emily de volta na biblioteca – ela tinha conseguido convencer os dois de que seria melhor para ela ficar ali – ele a jogou contra a parede. Não no sentido literal da coisa.

–Hmmm Becs, pode começar a falar – E ai estava o velho Thomas novamente. Rebecca riu nervosa.

– Sobre o que mesmo? – a morena se fez de desentendida querendo ganhar tempo para pensar em uma boa resposta. Coisa que ela realmente não tinha.

– Engraçadinha, não se faça de besta. Eu sei que... – Naquele momento Melissa entrou no apartamento e, por mais que Rebecca estivesse brava com ela por tê-la dedurado, ela a recebeu com uma festa, se agarrando a oportunidade de adiar ainda mais sua resposta.

– Melzinha, meu amor... – a morena pulou nos braços da amiga e lhe deu um abraço – Cadê, nada de festas hoje? – Rebecca tentou iniciar uma conversa com a outra e fazer com que Thomas se esquecesse dela por um tempo.

– Você sabe que minha irmã foi amansada agora, Rebecca. Nada mais de festas pra ela. – por um momento Rebecca pensou que seu plano estava funcionando – Mas não tente fugir do assunto que agora é você...

A morena deixou que os ombros caíssem em frustração e soltou um longo suspiro de derrota.

– Que assunto é esse? – Perguntou Melissa antes de abraçar o irmão e lhe dar um beijo na bochecha.

– Não é nada, Mel. Coisa do seu irmãozinho ai... Você sabe como ele é quando coloca uma coisa na cabeça e...

– E como ele é? Igual a mim? – Melissa soltou uma risada animada e se juntou ao irmão contra a sua amiga.

O moreno logo tratou de colocá-la a par de toda a situação. Contou da conversa que teve com a amiga mais cedo, contou de levá-la até a biblioteca e deu ênfase na situação que ele havia encontrado a amiga depois de ter passado um bom tempo esperando por ela no lugar marcado. Deu detalhes sobre o que ele tinha presenciado na campina e até imitou a amiga de um jeito engraçado.

– O que? Então você tá querendo se aventurar pelo lado colorido da força, Becs? – perguntou Melissa em um tom sério. – Posso dizer que é ó... Uma delícia... – Disse juntando o polegar e o indicador em um sinal e logo depois caiu na risada.

– Ahn? Não, claro que não... Vocês dois. – Rebecca bufou irritada e cerrou os punhos com força. – E me poupe dos detalhes sobre o que a Marina faz com você.

Thomas tentou segurar a risada sem muito sucesso. Não era segredo para ninguém a opção sexual de sua irmã mais nova. E nunca tinha sido problema algum para Rebecca, elas eram melhores amigas, colegas de apartamento e nunca tinha passado disso. Foi engraçado ouvi-la implicar com ela sobre aquele assunto e mais engraçado ainda foi ver sua irmã revirando os olhos e mordendo o lábio em provocação.

– Argh! É só que ela me lembrou do Jeremy... Ok? Logo hoje que eu estou fragilizada com a memória dele me aparece uma garota com aqueles olhos. Mel, se você tivesse visto... Era tão... Sei lá. Intenso. Foi como uma viagem de volta ao passado. E, não, eu não estou apaixonada por alguém que eu conheci não tem nem um cinco horas, ainda por cima mulher e com idade pra ser minha filha.

– Ela não tem idade pra ser sua filha, Becs. Ela tem o que? Uns 18 anos? Você tem 26... Não tem idade para ter uma filha desse tamanho. – Thomas riu, mas logo ficou sério.

– Do que isso importa? Eu não jogo no time de vocês, ok? Meu negócio é com os rapazes... Sabe?! E além do mais a gente nem vai mais ver essa menina... Por favor. – Rebecca completou e aquilo por algum motivo a incomodou.

A morena deu um beijo no rosto de cada um de seus amigos e foi andando até seu quarto. Avisou que ia dormir já que estava cansada e não tinha conseguido dormir direito naquele dia. Porém não conseguiu pregar o olho, relembrando como aquele dia tinha se transformado de um desastre anunciado para uma coisa boa. Tinha que admitir que tivesse sido bom.

Thomas ficou conversando com a irmã por mais algumas horas até que a namorada da irmã ligou e ele tomou aquilo como uma deixa para ir embora. Já estava realmente ficando tarde e quando a irmã entrava em um daqueles telefonemas com a namorada ninguém a fazia desligar.

Rebecca por sua vez já estava mais tranquila. Mesmo tendo passado as últimas horas pensando nos momentos que havia passado em sua tarde/noite. Principalmente os que Emily estava incluída. Ela finalmente estava conseguindo se convencer de que o que tinha dito para Thomas e Melissa era verdade. Que ela estava realmente mexida com a lembrança que o olhar da mais nova revivia em seu coração e apenas isso. O arrepio e as borboletas que dançavam em seu estômago quando se tocavam ou os olhares se cruzavam era apenas consequência disso.

Era o olhar de Emily. Aquele olhar abalava as estruturas de Rebecca e o motivo era seu ex-namorado, Jeremy. Já podia dormir “feliz”. Mas então a imagem da ruivinha com o seu sorriso doce e fofo invadiram seus pensamentos.

Notas finais
Ai aiai, sei não ahn?! Quem quiser se enganar que se engane HAHAHA. Espero que estejam gostando e qualquer coisa podem me dizer. Críticas construtivas caem tão bem quanto elogios. O próximo capítulo vem ai, mais rápido do que vocês imaginam, rs.