We could be together

1 I - Trick or Treat?


Notas iniciais
Nossa, nunca imaginei que um dia chegaria a postar algo relacionado a coleções de OS. Mas, eu precisava fazer isso. Nessa avalanche de Solangelo, as coisas tão difíceis, mas fazer o que. -q
A fanfic é um UA também postada no Tumblr.
Espero que gostem. c:

Nico, desde criancinha, sempre gostou de Halloween.

Hazel e ele costumavam esperar ansiosos por essa data durante o ano inteiro, e quando ela chegava, os dois iam pedir doces juntos. A garota sempre se vestia de bruxa, enquanto Nico vestia-se de vampiro.

Fantasias clichês, claro, mas esse era o máximo que o pai deles conseguia fazer. Sempre quando Nico se lembrava do homem tentando ajeitar os filhos, ele tinha vontade de rir, afinal, seu pai não tinha jeito para isso, mesmo que se esforçasse ao ponto de comprar um livrinho de maquiagem com algumas dicas para deixar tudo mais realista.

Por mais que ele tentasse, o livrinho não ajudava muito — sem falar que ninguém conseguiria imaginar um homem como Hades, sempre sério e disposto a distribuir olhares mortais a todos, tentando arrumar seus filhos irrequietos.

Mas agora, com seus maravilhosos dezessete anos, Nico tinha certeza que estava fora de cogitação para si vestir uma fantasia de vampiro e sair pedindo doces aos seus vizinhos na maior cara de pau.

Para melhorar, sua irmã tinha ido numa festa de pijamas, e para não ficar no tédio, se ofereceu para atender as crianças e não deixar ninguém quebrar ovos em suas janelas ou espalhar papel higiênico pelo pátio. Hades não demonstrou nenhuma relutância em aceitar; detestava lidar com crianças que não fossem seus filhos.

Então, para passar aquela noite, Nico apenas locou alguns livros com contos do Edgar Allan Poe e colocou para trocar qualquer playlist de Halloween que achou no 8tracks, enquanto esperava as crianças tocarem a campainha — o que acontecia por mais vezes que ele conseguia imaginar quando se ofereceu para aquilo, e para melhorar Nico nunca tinha certeza se aqueles pirralhos já tinham passado por ali ou não, já que a maioria usava fantasias bem parecidas.

Seu pai às vezes parecia por ali também, apenas para garantir que seu filho estava fazendo um bom trabalho em abrir a porta e entregar balas às crianças.

Nico coçou seu pescoço ao ouvir a campainha tocar mais uma vez, se levantando do sofá. Ele pegou o pote de doces de cima do balcão e foi abrir a porta, olhando para baixo esperando encontrar os olhos de uma criancinha fantasiada de zumbi ou de Elsa, mas a realidade foi outra.

— Doces ou travessuras? — Falou uma voz entediada, cansada e grossa demais para pertencer a um garoto de até treze anos.

Ele olhou para cima, se deparando com um cara quase dez centímetros mais alto, provavelmente da sua idade ou um ano mais velho. Ele tinha olhos azuis, cabelos louros e vestia uma espécie de toga por cima de uma blusa roxa. E para completar sua fantasia de embaixador romano ou seja lá o que aquele cara era, havia uma coroa de louro de plástico enfeitando sua cabeça.

Nico arqueou uma sobrancelha para o garoto que parecia cansado e olhou-o de cima a baixo, enquanto o outro apenas trocou o peso de uma perna para a outra.

— Você não está um pouco velho para fazer esse tipo de coisa? — Questionou, e se não tivesse segurando o pote com balas, teria cruzado os braços.

O loiro pelo menos se deu a decência de corar.

— Eu sei disso, ok? Mas a culpa é toda de Percy! — Ele revirou os olhos, sem se importar se Nico realmente sabia quem era Percy ou não. O moreno resolveu se escorar no batente da porta. Aquilo provavelmente seria longo. — Semana passada ele me desafiou num jogo de xadrez, onde o perdedor faria o que o ganhador quisesse. Mesmo que eu não seja tão bom assim, eu aceitei, porque Percy é um cabeça de algas e eu duvidava que ele conseguiria vencer de mim. Mas, eu me esqueci que ele namora com a Annabeth Chase, e aquela garota é viciada nesse jogo e provavelmente obriga ele a jogar por anos. Acabou que Percy chutou totalmente minha bunda e sabe o que aquele bastardo me pediu? Para que eu me fantasiasse, pedisse doces e entregasse tudo a ele! Dá para acreditar? Eu já andei mais de dois quilômetros por isso! — Exclamou remexendo os braços para dar ênfase, quase derrubando algumas balas da sua sacola plástica. Mas perante o olhar desinteressado de Nico, o outro pareceu se recompor. — Ok, desculpa por despejar isso em cima de ti, mas...

Nico apenas revirou os olhos e tirou um punhado de balas de caramelo e de morangos do pote. Ele enfiou-as na sacola do loiro sem comentar nada sobre a sua história de vida. Talvez assim ele calasse a boca, afinal.

— Você desabafou, eu te dei balas... Satisfeito? — Nico perguntou, mesmo que aquilo não fosse muito educado. Mesmo assim, o garoto sorriu, e droga... Nico talvez achasse-o um pouco bonitinho.

— Obrigado por tudo, mas na verdade... — ele coçou o queixo enquanto Nico sentiu vontade de se virar e bater a porta na cara daquele garoto. Ele não sabia o que eram perguntas retóricas? — Sabe como é, você é a última pessoa pra quem eu peço doces, então gostaria de saber se você deixaria eu usar seu banheiro pra trocar de roupa, já que não sou daqui e sinceramente, não aguento mais andar com essa toga. É desconfortável. — Pediu, e suas reclamações disfarçavam um pouco sua timidez.

Nico olhou para ele antes de franzir o nariz. Qual era o problema daquele ser? Ele não sabia os perigos de se convidar para entrar na casa de um estranho?

Tanto faz, afinal.

— Hã... Tá. Entre.

O moreno deu espaço para o loiro entrar, que murmurou um “com licença” antes de limpar seus pés.

— A propósito, meu nome é Jason. — Se apresentou.

— Nico. O banheiro é no fim do corredor, virando à direita.

— Obrigado, mais uma vez. — Então, ele sorriu de novo. — Te devo uma.

Nico murmurou qualquer coisa e olhou para o relógio da parede, notando que já eram quase 22h30. Provavelmente quase nenhuma criança mais apareceria. Ele deu um sorrisinho, havia sobrado pelo menos meio pacote de balas, sorte sua.

Ele se atirou no sofá de novo e fechou o 8tracks, voltando a ler seu livro. Alguns minutos depois ele ouviu a porta do banheiro ser aberta e passos hesitantes irem em sua direção ali.

Nico desviou o olhar da sua leitura na hora em que Jason parara na sua frente. Agora ele usava uma calça jeans azul escura, um par de all stars vermelhos e a mesma camisa roxa. Ele também estava usando óculos de grau dourado, o que impressionou Nico; ele provavelmente deveria estar usando lente antes.

E analisando Jason melhor, ele fazia uma boa mistura de um jogador de futebol americano junto com um nerd insociável tímido demais para seu próprio bem.

Claro que suas bochechas extremamente coradas não ajudavam no julgamento de Nico, não mesmo.

— Mais uma vez, muito obrigado. — Agradeceu o loiro enquanto Nico sentava-se.

— Foi nada. — Respondeu, enquanto Jason coçava seu queixo. — Você vai ir agora ou...?

Ele não queria soar como se tivesse “tocando” Jason para fora, mas mesmo assim...

Talvez ele fosse o único insociável ali.

— Eu já vou, sim. Eu só queria saber se eu poderia ter seu número. — Ao ver a falta de expressão do rosto de Nico, ele tentou consertar embaraçado. — Se um dia eu vir para esses lados, eu poderia te pagar um café pela sua... hã... hospitalidade.

Nico piscou os olhos, incrédulo. Suas orelhas começaram a arder, e aquele silêncio dali era mais do que ele poderia aguentar.

Ele teve vontade de berrar algo como “Hospitalidade? Qual é o seu problema? Caras bonitos como você não deveriam sequer sugerir sair com caras como eu!”, mas ele soube totalmente que aquilo só iria demonstrar sua falta de autoestima, porque ele provavelmente não era tão ruim quanto imaginava.

— T... Tudo bem, eu acho.

Jason deu um enorme sorriso, aliviado.

— Ótimo! Hã, quero dizer... Que bom, então. — Nico falou seu número para o loiro, que apenas assentiu. — Mais tarde eu te ligo e nós marcamos algo, ok? Ok, obrigado.

Jason se aproximou meio sem jeito e abraçou os ombros do garoto, antes de relutantemente dar um beijo na testa do moreno.

Antes que Nico pudesse falar qualquer coisa, o mais alto se afastou com um “até mais!” e saiu porta a fora.

Nico ficou encarando de uma forma meio abobalhada o local por onde o garoto tinha saído, antes de ele ouvir um pigarro do topo da escada.

Ele olhou para cima, onde seu pai estava com os braços cruzados.

Oh, merda.

— Bem, pelo visto alguém aqui tem um encontro. — Falou sugestivamente.

— Pai, isso não é...

— Shhh. Acho que está na hora de termos aquela conversa, sabe? — Informou, descendo as escadas. — Isso sem falar nas prováveis intenções daquele rapaz. Sua hospitalidade... Fala sério. Você fica mais grosseiro a cada dia que se passa. Ele provavelmente só quer aquilo. Nico, você tem que entender algo muito importante–

— Pai, não.

Notas finais
Então foi isso.
Qualquer erros me avisem.
Obrigada por lerem. c: