We Love Like Fools
1 ...we lose.
Notas iniciais
Por favor, para melhor aproveitamente da fic, oiçam a música Fools by Lauren Aquilina: https://www.youtube.com/watch?v=QrkIfuECK5s
Espero que gostem!!
O deslumbrante e acolhedor sol cintilante de Tóquio anunciava o início de um quente Verão radioso. E, como se em sincronia com a sua chegada, expunha ainda mais o brilho cegante dos fios dourados do cabelo do modelo e iluminavam os seus grandes e delicados olhos arregalados e fascinados. Não podia conter a sua admiração, afinal, aquela época do ano era a sua predileta e em Kanagawa, as temperaturas não eram tão agradáveis como na capital.
Por mais alegre que o seu humor quotidiano fosse, estes dias soalheiros sempre traziam uma nostalgia indesejada junto com os fios de luz admiráveis. O tipo de melancolia inevitável que o faziam suspirar e encarar como o céu passageiro era a única coisa que nunca iria mudar na sua vida.
Deixou-se guiar pelos seus pés e caminhou para longe da estação de comboios de Tóquio, abafando o calor ao abanar a sua camisa tentando produzir algum tipo de refresco que o ajudasse a combater a temperatura. Ignorava o peso da mala que trazia ao ombro e a necessidade de ir a casa, provavelmente ver as suas irmãs, pôr a conversa em dia, tomar um banho longo e relaxar o resto do dia. Sabia que poderia fazer isso no próximo mês e meio de férias que teria. Aliás, nos próximos tempos ele poderia simplesmente fazer o que iria fazer agora, mas estranhamente, sentiu uma incompreensível vontade de dirigir-se ao local e apenas afundar-se na mesma saudade de sempre.
Passou pelo parque próximo e não evitou rasgar um sorriso à felicidade transbordante das crianças despreocupadas, que corriam e brincavam umas com as outras. Sentia falta de quando ele não se importava com nada e era totalmente livre. Ou pelo menos, parcialmente livre. Tinha saudades de ter amigos que estivessem sempre ao seu lado, verdadeiros amigos, que sorrissem para ele, ouvissem-no das suas próprias formas e gostassem de estar ao pé dele por quem ele realmente era.
Por momentos parou, os anteriormente dilatados olhos agora estreitos e cheios de mágoa que não queria ser expressada. Não poderia admitir que estava a sentir-se solitário, nem tinha para quem admitir. Mas a verdade é que a falta da Geração dos Milagres devido à distância e ao passado era agora insuportável. Jogar basquete já não lhe trazia a felicidade honesta e inocente de antes. Especialmente agora que o clube se havia tornado muito mais silencioso, sem os superiores a relembrarem-no para ele se concentrar nos treinos e não na multidão de fãs que possuía.
Nem sabia porque estava tão feliz assim com a chegada do Verão. Porque isso significava que já estava no seu segunda ano na Kaijou e aqueles que admirava encontravam-se fora do seu alcance.
Foi acordado de novo para o mundo pelo som de uma bola quicar no chão repetidamente e pela borracha estridente estalar em contacto com o chão de uma quadra de basquete que sempre frequentava quando vivia em Tóquio, acompanhado pelos seus amigos. Ouviu um riso familiar, demasiado familiar, que fez seu coração disparar e uma esperança súbita encher o vazio que se havia instalado dentro dele desde a partida dos companheiros de time e engoliu em seco, tentando conter as suas expectativas para não se desapontar, como sempre.
Avançou lentamente, hesitante, como se tivesse medo do que estaria ao virar da esquina, dentro do local reconfortante que estimava. E após uns passos finalmente observou a visão que tanto desejara: finalmente encontrou um deles, um que o poderia abstrair do mundo, um que era especial.
Os cabelos azuis escuros colados à testa pelo suor produzido durante os movimentos rápidos e ágeis coordenados com a bola de basquete sempre presente em suas mãos; os olhos direcionados em todos os locais, observando, analisando tudo em sua volta; o corpo, num movimento imparável, como uma dança, por toda a quadra. Era realmente fascinante, não só a forma como ele jogava, mas também a forma como ele simplesmente era. Aomine Daiki era realmente um ser admirável.
E ele detestava isso. Detestava como aquele fascínio alucinante impedia-o de avançar, de esquecer tudo. De deixar de tentar buscar o inalcançável. E aquele sentimento de inutilidade, fraqueza, vulnerabilidade, faziam o seu coração doer. E o vazio corrompia-o aos poucos.
- Kise! — um grito retirou-o dos seus pensamentos perturbantes e endireitou a cabeça para encarar o azulado, que corria até ele com o sorriso alargado habitual. — Hahah, é raro ver-te por aqui estes dias! Estavas com saudades de perder contra mim?
- Aominecchi~! — espalhou o seu sorriso automático, trabalhado com os anos como modelo, como ator da vida. — Não penses que me consegues derrotar facilmente agora~~! Eu tenho treinado muito! — observou como o outro pareceu sério por momento e pareceu julgá-lo com um olhar mas depois voltou à sua expressão indiferente. Será que ele conseguira ver por trás da sua máscara? Não, o Aomine nunca havia sido tão atento.
- Jogas ou não?
- A-ah, e-eu preciso voltar a casa, sabes, as minhas irmãs devem estar à minha espera...-desviou o olhar enquanto ria sem graça e coçava a nuca para disfarçar a desconfortabilidade. Manter-se na presença do outro estava fora de questão, tinha de sair dali depressa.
- Então eu vou contigo que tenho que passar na loja de conveniência para comprar a última revista que saiu da Mai. — Aomine sorriu de uma maneira tão pervertida que era perturbante.
- Eu não quero ver as tuas revistas, Aominecchi...
- Oh, admite lá! Tu também tens umas em tua casa não tens? E ainda deves ter o privilégio de ver umas modelos todas boas no teu trabalho! — lançou o braço envolta dos ombros de Kise, a tentar visualizar as garotas com quem ele trabalhava.
- Wahh! O Aominecchi sabe o que privilégio quer dizer!
- Cala-te, baka! — deu-lhe uma tapa na cabeça e deixou a rir-se abertamente, aproveitando pelas poucas vezes em que era ele a provocar os outros.
Um silêncio agradável mas um pouco melancólico instalou-se enquanto andavam, lado a lado, e a viagem pareceu curta. Logo chegaram à secção tão desejado pelo azulado que se dirigiu a ela imediatamente. E quando decidiu confirmar se nenhum volume novo das revistas mensais de Basquete havia sido lançado sem se ter apercebido, avistou pelo canto do olho a geladeira de picolés que tanto comprara durante o fundamental.
Uma onda de tristeza atingiu-o de novo e mordeu o lábio para não mostrar sentimentos. Mas como se o tivesse percebido, Aomine deu-lhe uma pancada nas costas que o fez dar um passo em frente e sorriu-lhe. A revista estendida solitária de volta em seu lugar.
- Que tal comprarmos uns, hã? Como nos bons velhos tempos! — empurrou o loiro e arrastou-o até que este comprasse o gelado. Levou o usual de chocolate de leite enquanto que o azulado ponderou muito entre o de menta e o de lima, acabando por levar o último.
O sabor agradável parecia derreter-se amargamente na sua boca de cada vez que via as memórias dos tempos na Teikou a passarem por aqueles locais em que andava; agora pareciam tão solitários. Já ninguém estava ali, como antes.
- Kise.
- ....Hn?
- Tu estás a sentir-te sozinho não estás?
Quase que se engasgara naquele momento. Uma pergunta tão profunda e com um tom de voz preocupado vindo de Aomine era algo realmente raro e que fez com que se beliscasse só para confirmar que não estava a dormir.
- Isto não é um sonho idiota, não te magoes! — o azulado deu-lhe uma tapa na cabeça com uma falsa irritação para esconder o quão envergonhado se encontrava. Era bastante fofo vê-lo assim, tão frustrado por algo trivial. Pôde apenas rir-se levemente da condição dele.
- Eu estou bem Aominecchi, não te preocupes! — e ofereceu o seu sorriso bem trabalhado, o seu profissionalismo exposto em prática. E tudo correria bem como habitual se desta vez o outro não tivesse largado o seu picolé comido a metade para o chão e tivesse-o prensando contra a parede com os braços.
- Não me mintas! Para de me mentir....o que se passa contigo Kise? Porquê todo esse desconforto comigo...?
-....Eu ainda gosto de você, Aominecchi.
Um silêncio perturbante instalou-se entre os dois e o maior eventualmente relaxou e afastou-se do loiro. Depois, antes que este pudesse pronunciar qualquer palavra, agarrou-lhe o pulso e começou a correr arrastando-o consigo.
- Aominecchi! O-Oi! Tenha calma, onde está me levando?! Oi!
- Oi~~! Olhem~~! Aquele não é o Kise Ryouta, o modelo~~??
- Oh meu deus, pois é!!
- Kyaaahhh! Eu quero um autógrafo!
- MERDA KISE! PORQUE TEM QUE SER TÃO POPULAR?!!
- DESCULPE AOMINECCHI!!!
-X-
Após 30 minutos de corrida incansável, numa tentativa vaga de tentar despistar as perseguidoras fãs do Kise, que a cada local que passavam iam-se aglomerando em maior quantidade, conseguiram-se esconder por dentro de uma floresta, para lá de uns conjuntos de árvores grandes e escuras. A tarde começava a encerrar-se, os céus pintando-se de um rosa alaranjado, uma cor deveras apreciável.
- Porra....estava difícil.....que persistentes.....é sempre assim....?
- É....nem me fale nisso....
- Até tinha saudades das perseguições que você sofria mas não quando eu estava incluído.. — acabara por se rir um pouco e dirigira o olhar que se encontrava nos céus para o loiro, que ainda ofegava.
Mas não era só o cansaço que estavam a deixar Kise daquela forma. Porque o outro estava tão confortável após ele ter-lhe confessado de novo os seus sentimentos? Havia se esquecido de como reagira na Teikou? Da dor que lhe provocou? Do desprezo com que o olhou? Da insegurança que se instalou dentro dele? A mesma insegurança que fez com que não conseguisse nunca mais encará-lo da mesma forma.
- Sabe Kise, eu quero pedir desculpa por como eu fui antes.
"Oi, Kise, você tem noção do que está dizendo?! Somos os dois homens, é impossível gostar de mim dessa forma, é nojento."
- Eu ainda estava a crescer, tinha as emoções descontroladas e não pensei no que disse. Foi a coisa de que mais me arrependi na vida.
"A-Ah Kise!....S-sabe e-eu tenho algo que tenho que ir tratar, não posso ir jogar com você!
Mas, as provas já terminaram e—
Desculpe mas, eu não posso. Adeus!"
- Kise, eu acho que também gosto de você.....por favor me perdoe....
"Do que você está falando? Como eu alguma vez gostaria de um homem....
- Kise-kun, até o Kagami-kun que é lerdo nestes assuntos consegue ver que o Aomine-kun também gosta de você. Vá e confesse por favor"
- Desculpe, por eu ter abandonado você....por tê-lo deixado quando precisava eu....eu agora não vou embora! Eu não vou a lado nenhum sabe...eu quero ficar com você... — os olhos azuis encaravam a grama que parecia o assunto mais interessante. A vergonha que o preencheu era extrema e só tinha vontade de se esconder num buraco e nunca mais sair depois de admitir os seus verdadeiros sentimentos.
- Aominecchi.
E quando encarou o loiro este já estava o abraçando fortemente e conectando os seus lábios. A sensação há muito esperada pelos dois ocorreu naquele momento simples, o que o tornou ainda mais belo e único. E os corações à muito separados finalmente reencontraram-se.
- Fique comigo Aominecchi.
fim
Notas finais
Espero que tenham gostado! Por favor comentem e favoritem, se tiverem e vejo-vos em minhas outras fics~~.
Bjss~~
Se quiserem ler outras fics escritas mim, o link de minha longfic AU de KnB:
http://fanfiction.com.br/historia/442795/Under_The_Hells_Gaze/
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