We Don't Fight Fair
4 Capítulo 4, Perda
Notas iniciais
Partimos durante o começo da manhã, calculamos que realmente demoraria um pouco para chegar lá, poderíamos ir devagar e com o tempo normal ou poderíamos ir rapidamente e testar a sorte com a duração do trailer que já não estava nas melhores condições.
Passar a noite na estrada nunca era muito seguro, as noites nunca eram muito bem dormidas, Max acordava geralmente com pesadelos.
A mudança nas pessoas era bem visível, o tempo que se passara desde o começo disso foi esquecido, eu chutava cinco ou seis semanas, minhas esperanças de que alguém viria nós salvar já iriam embora, meu pai estava muito mais carrancudo, Jessie tentava dar motivos para nós sorrirmos, ela não gostava que matássemos os mordedores quando não era preciso, como quando eles estavam sem pernas e deitados na rua, ela falava que já que não era preciso poderíamos os deixar em paz, decidi ficar de olho nela, Leo ainda era muito fraco pra ser bom com alguma arma, temia que ele não sobrevivesse, Tom cuidava de nós e dos kits médicos, ele se saia bem, Brendan estava um pouco afetado, quase não sorria, ele e meu pai se ignoravam e discutiam muito em cada palavra, Adam era preocupado com todos, tinha esperanças de rever seu irmão, ele estava ensinando Max alguns nós de escoteiro e a usar um facão, conseguiu permissão de meu pai, minha mãe estava muito assustada com tudo, chorava diariamente, eu conseguia a escutar. Eu pensava que Max não entendia o que estava acontecendo as vezes, achava que ele simplesmente ignorava tudo em seu próprio mundinho, achava que tudo era um pesadelo, ele era muito inocente, isso iria acabar o matando. Eu ainda não tinha matado nenhum mordedor, meu pai matava-os para mim em todas as oportunidades, ele queria que eu ficasse segura com minha mãe. Discutíamos muito.
— Achamos um lugar para passar a noite, pode ter várias cosias boas também, é um posto de beira de estrada, quem sabe poderíamos até passar um tempo por lá, para descansar – Adam nos informou assim que voltou de uma patrulha com Brendan.
— Bom, acho que vale a pena, o lugar é realmente bom, não tem sinal de mordedores por lá. – Brend comentou.
Meu pai fez uma cara séria e foi conversar com Tom, falou com minha mãe e Leo, logo respondeu:
— Nós vamos, só por essa noite. Mare, fale para Max entrar no trailer, saímos em cinco minutos.
Assenti só por realmente precisar falar com Max, meu pai me tratava como uma estúpida, nem conversou comigo antes de decidir, ele não queria que eu tomasse as decisões, queria que eu ficasse somente observando e seguindo ordens, não “atrapalhando”.
— AAAAAAAAAAAH! – ouvimos Max gritar.
Luke, que estava no Jeep, levantou as orelhas e saltou correndo atrás dele, todos nós seguimos o mesmo instinto.
Max estava correndo até nós, chorando e gritando:
— JESSIE! JESSIE ESTÁ LÁ! NA ÁRVORE! ENCURRALARAM ELA!
Leo e Adam correram para a direção que meu irmão apontava, saquei minha pistola e estava indo também quando meu pai disse:
— Não, você fica aqui Mareena, cuide de seu irmão.
— Cuide você dele, eu estou indo.
Antes que meu pai retrucasse, saí em direção de Jessie junto dos garotos, cinco dos mortos a deixavam presa em cima de uma árvore, dois estavam caídos no chão.
Adam sacou seu machado e matou três deles, Jessie conseguiu descer e matou mais um, Leo saca seu facão e mata o último com dificuldade.
Respiramos com calma, Adam chega até ela e pergunta:
— Está bem?
— Sim – responde Jes – Eu estava pegando algumas nozes com Max, eles apareceram do nada, falei para ele correr enquanto os despistei.
— Foi bem corajosa – Adam elogiou.
Jes corou e agradeceu, Leo os olhou com raiva.
Tudo estava normal, voltávamos para os carros, Leo andava mais longe de nós quando algo o agarra pelo ombro.
— SOCORRO! – ele consegue gritar tentando se livrar do mordedor.
Adam estava sem sua arma, Jes só tinha o bastão, fiz o que eu tinha que fazer, mirei a pistola na cabeça do monstro que estava quase mordendo meu amigo.
Olhei aquele “monstro” antes era uma mulher, cabelos longos, sua barriga estava totalmente aberta, ela usava um vestido de flores totalmente manchado com seu próprio sangue e sangue dos outros mortos agora apodrecidos, parte de seu olho estava sendo comido por insetos.
Mirei minha pistola. Apertei o gatilho.
Adam parou com o machado quase atacando o monstro, pelo fato do mesmo ter caído no chão, Leo suspira de alívio junto de Jes, Adam e eu.
— Você conseguiu – Adam falou sorrindo.
— É o que parece – comentei afobada.
— Boa garota.
Sorri.
Leo me agradeceu, era uma sensação boa, salvar a vida dele, contanto que eu não olhasse muito para o que eu acabava de presenciar, matei alguém, ou algo, um ser, talvez não vivo, sei lá, não entendia o que eles eram.
Assim que chegamos olhei meu pai com um ar de desafio, ele não tinha gostado daquilo com toda a certeza.
Fomos para o posto.
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Trancamos todas as portas e vasculhamos as coisas por ai, uma das portas estava trancada, decidimos não fazer muito barulho por precaução.
— Precisamos abrir aquilo ali – Meu pai falou – pode ter coisas boas lá dento, é o deposito, geralmente é onde escondem as coisas.
— Não sei não, melhor deixarmos assim mesmo – Adam opinou.
— Vamos abrir, pode ter comida lá!
— Acho melhor não, tem comida por aqui também, podemos pegar o temos aqui.
— Pode ter armas!
— Não precisamos de nenhuma, achamos duas pistolas a mais, agora a Sra. Turner tem também junto de Tom, Jessie disse que prefere ficar com seu bastão e Leo não sabe atirar direito e iria demorar para o ensinar.
— Entendo, vamos deixar assim por precaução então, cuidado com os barulhos, se algo estiver preso lá dentro pode tentar sair se souber que estamos aqui.
Todos concordamos, fiquei responsável em procurar comida, era um posto, quase ninguém deveria ter vindo para cá ainda, tinha muitas balas, chiclete, salgadinhos, barrinhas de cereal, comida enlatada, refrigerantes e água refrigerada.
— Bem vindos ao paraíso – comentei – Max me ajude a encher as mochilas.
Max assentiu, esperei minha mãe parar de nos vigiar para falar om ele:
— Max, você entende o que está acontecendo por aqui?
Ele me olhou com seus olhos grandes e castanhos e respondeu:
— Sim, monstros estão tentando nos pegar e estamos indo para um lugar onde não precisamos mais nos preocupar.
— É, isso ai, você entende isso, é uma coisa boa, talvez não fiquemos seguros ao chegar lá, talvez o lugar nem esteja mais lá, talvez esteja infestado, você entende essas coisas? NÃO ESTAMOS SEGUROS AINDA!
Assentindo com a cabeça, Max falou:
— Acho que vou dormir, vem comigo?
Olhei para sua cara inocente e respondi:
— Ta bom, vamos lá garotão.
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Acordei com um barulho estrondoso.
Olhei assustada para um lugar, Leo tinha derrubado uma prateleira com caixas no chão.
— O QUE PENSA QUE ESTÁ FAZENDO? – meu pai gritou.
— D-desculpe E-eu só estava tentando alcançar....
— SÓ ESTAVA? ERA PRA FICARMOS QUIETOS!
Batidas são ouvidas pela porta trancada, muitas batidas.
A porta começa a rachar.
— PRECISAMOS SAIR DAQUI AGORA! – Brendan gritou.
— AH NÃO ME DIGA! – retruca Jessie.
Pegamos nossas coisas, meu pai, Adam, eu e Brendan postamos nossas armas.
Mortos saem pela porta, muitos deles, muitos mesmo, a sala começa a se infestar, corremos, Adam atira, meu pai atira, eu atiro, Brendan atira, Tom atira, minha mãe fica parada com a arma nas mãos, suor em seu rosto.
— Karen precisamos correr AGORA! –meu pai fala a puxando.
Luke sai em disparada para cima dos mortos, ele tenta os pegar, puxei a guia dele, não queria que meu cachorro morresse.
Tudo vira um caos, todos corríamos para fora, Max e minha mãe eram os mais lentos, estavam ficando para trás, os dois iam morrer.
O que eu esqueci era que Karen Turner era uma mãe, ela faria de tudo para salvar seus filhos, ela empurra Max para fora da porta e se tranca.
Puxo Max para dentro do Jeep. Ele chora.
Jessie cobre os olhos dele.
Vejo minha mãe sendo estraçalhada por mortos, sua barriga sendo aberta, sua carne sendo ingerida, sangue escorrendo por todo o seu corpo.
Ela é mordida, arranhada, comida, estripada, aberta, torturada, tudo pelos mortos, sua cara fica prensada na parede com uma expressão de horror.
Max agarra Luke e chora enquanto Jessie o abraçava, o trailer tinha ficado lá, todos estávamos no Jeep, Tom dirigia
Leo sentava ao seu lado junto de Brendan, fugindo de meu pai com toda a certeza, eu sabia que ele não tinha culpa, meu pai não, sentava no canto do Jeep sem falar com ninguém.
— Ei, você está bem? – Adam me pergunta.
Nego com a cabeça.
— Sabia que isso ia acontecer, eu sabia, só não... não queria acreditar.
Ele parece concordar comigo.
Ninguém poderia dizer nada para melhorar a situação.
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