We Are The Champions
7 Capítulo 6.2
Douglas POV
O raio de sol invade todo meu quarto pela manhã. Abro os olhos, sentindo um leve frio. O cobertor não está mais me cobrindo e estou apenas com minha cueca box azulada. Depois de ir pra casa de Leandro e “fazer o que devia ser feito”, eu voltei para casa e pra variar apenas tirei a roupa até ficar apenas de cueca e me lancei na cama. É geralmente isso que acontece pelo fato de que eu chego muito cansado em casa.
O dia teria amanhecido perfeito para mim se não estivesse frio, Dandara fosse ao acampamento e eu não fosse obrigado a sentar do lado do idiota que um dia chamei de melhor amigo. São oito horas em ponto e estamos todos em frente à escola, no aguardo da Sra. Morissette terminar de conferir as fichas e autorizações de todos os alunos. Mylena chega junto de Martinho, que está com a pior cara possível.
— Quem morreu? — Pergunto assim que eles se aproximam. Camila está devorando um pacote de salgadinhos e Day está com um fone no ouvido e o outro pendurado, olhando para o céu. Theo ainda não chegou, graças a deus.
— Ninguém, mas eu preferia ir a um enterro do que ser obrigado a sentar ao lado de Mariana. — Martinho reclama.
— Não fala assim, ela é minha amiga. — Desvio o olhar e encontro Mary. — Ela nem é tão ruim assim. — Martinho olha para ela, que está encostada numa árvore fumando, com uma feição intimidadora. Quem vê pensa que ela é daquelas que desmonta um com um soco.
— Super simpática. — Diz Mylena.
— Por que foram inventar de ter “mapas” de lugares no ônibus? — Resmungo.
— Tá reclamando de que? Você vai se sentar com Theo. — Diz Camila.
— Que sorte a minha. — Murmuro de forma irônica.
— Bom dia! — E falando no diabo, ele aparece e coloca o braço em torno de meus ombros, passando por trás do meu pescoço. — Animados? — Reviro os olhos e retiro o braço dele de cima de mim.
-*-
— Douglas, acorda. — Alguém está me balançando, me despertando de um bom sono. — Douglas, anda, acorda. — É a voz de Theo. Mas que inferno, ele vai ficar me perseguindo?
— Que é? — Respondo de forma grosseira.
— Desculpe te despertar de seu sono, princesa. — Ele diz com a voz cheia de sarcasmo. — Mas acontece que nós já chegamos e todo mundo já desceu do ônibus. —
Olho ao redor e realmente, o ônibus está vazio. A paisagem é bonita pelo pouco que vi pela janela, já que Theo está tampando um pouco a visão. Encaro-o por alguns segundos, até perceber que há algo nas mãos dele. Meu celular. Que atrevimento!
— O que pensa que está fazendo? — Retiro o celular da mão dele. — Quem te deu esse direito? —
— Você. — Ele responde. — A partir do momento que não trocou a senha, o que significa que eu posso usá-lo. —
— Você é muito cara de pau mesmo. — Bufo.
— Então, acho que você se excitou um pouco durante seu sonho. — Ele diz, mudando completamente o rumo da conversa.
— Quê? —
— É, você está até meio descabelado. — Ele diz rindo e passo a mão por meu cabelo que está meio desarrumado.
— Quer um pente? — Ele oferece, esticando a mão e me oferecendo uma escova azul. Idiota.
— Com licença. — Peço, me levantando e me espremendo para passar no curto espaço entre o banco e as pernas dele.
Theo olha para mim com um sorriso divertido no rosto, como se achasse graça da situação. Pego minhas coisas no bagageiro e já quando estou pra descer do ônibus, ele grita por mim. Olho para trás, já sem paciência e ele apenas fala “Depois me conte quem era o garoto do sonho”. Reviro os olhos e desço do ônibus.
Dayene POV
Fui o caminho inteiro ouvindo música, mas parece que a tal Giovana que sentou ao meu lado era cega porque puxava conversa comigo toda hora, me obrigando a tirar os fones e ouvir as besteiras que ela dizia. Finalmente chegamos ao camping, já estava ficando irritada em ficar dentro daquele cubículo com aquele ser que não fechava a boca. O lugar é lindo, árvores altas e de copas grandes, grama verdinha e aparada, as pequenas cabanas de madeira com aspecto simples e aconchegante, e de longe conseguia se enxergar uma área de lazer. Tudo parece em perfeita ordem.
Não muito distante da onde o ônibus estacionou, há uma tenda montada, é onde os monitores informam em qual cabana ficaríamos. Depois de quase cinco minutos esperando, Douglas desceu do ônibus com uma cara emburrada e os fones no ouvido, seguido por Theo que tinha nos lábios um grande sorriso nos lábios. Alguma coisa estranha está acontecendo. Nós seis caminhamos até a tenda. Camila vai dividir a cabana com Mylena. Douglas, Theo, Martinho e eu só sabemos o número da nossa.
— Bom, eu vou procurar minha cabana. Nos vemos em vinte minutos. — Digo e saio andando.
Os professores tinham pedido que todos fossem ao salão — uma construção grande que tem ao lado esquerdo da área de lazer — porque teremos um tipo de cerimônia de boas vindas com a dona do Camping, junto a uma pequena apresentação do que faríamos lá e as regras gerais. Finalmente encontro a cabana, número 89, ao lado da porta uma plaquinha "Lara Silva/Dayene Araújo".
— Hey! — Diz uma menina de cabelos escuros, olhos meio grandes, baixa e com um sorriso simpático no rosto. — Sou Lara. —
— Dayene Araújo. — Dou um sorriso, em seguida apertando a mão dela. Dou uma olhada no quarto: um guarda-roupa, uma mesinha no canto com uma cadeira, uma porta — obviamente um banheiro — as duas camas e uma tábua de passar.
— Então Dayene, eu vou dar uma volta e ir ver minha irmã, nos encontramos mais tarde. — Aceno e logo ela desaparece pela porta de saída, deixando-a entreaberta. Guardo minhas coisas e observo o relógio. Estou atrasada.
Mariana POV
Minha semana não começou bem e essa viagem também não está ajudando. Vim sentada ao lado de Martinho, que ficou a viagem inteira falando com Theo, que a todo momento ficava me encarando sem nem disfarçar. Mas eu tenho que recuperar minha paciência, engolir o meu orgulho e pedir desculpas para eles, afinal de contas, eles não estão errados. Eu estou.
Sou uma das últimas a descer do ônibus, o que é péssimo, já que meu antigo grupo está reunido na porta do ônibus. Provavelmente estão esperando alguém. Abaixo a cabeça e passo por eles, indo até a tenda para saber o número de minha cabana. 128. Depois de quase dez minutos procurando, finalmente encontro, mas quando entro, dou de cara com um garoto só com uma toalha enrolada na cintura
— Quem é você? — Ele pergunta me olhando assustado. — Olha, se veio procurando o Mariano ele não chegou ainda. —
— Quem? — Faço um rosto confuso. O que esse garoto faz em minha cabana?
— Mariano, vamos dividir a cabana. — Ele explica.
— Não é Mariano, é MarianA, e sou eu. — Digo sem paciência.
— Ah meu deus, desculpe. — Ele diz sem graça. — Acho que tem um problema na sua ficha. Meninos não ficam com meninas aqui no acampamento. Erraram seu nome na hora de fazer a placa. — Ele solta uma risada.
Esse definitivamente não é o meu ano.
-*-
Após o ridículo acontecimento na cabana, a coordenadora do camping me pediu desculpas várias vezes e deu um jeito de me trocar de quarto. Eu estava me sentindo extremamente envergonhada, porque o tal Thomas nunca parava de rir da situação e contava pra todo mundo o que tinha acontecido. Pouco depois da cerimônia de apresentação que a diretora fez, o monitor Kevin me indicou a minha cabana.
Caminho em passos lentos até a pequena construção que fica ao lado de uma pequena arvorezinha. Desejo mentalmente que minha nova parceira não saiba que eu fui confundida com um garoto. Abro a porta e dou de cara com seis figuras que me olham com a mesma cara de surpresa. Então Camila explode em gargalhadas, seguidas pelos outros do grupo. É só o que me faltava.
Dayene POV
Depois do longo discurso da Sra. Müller, eu e o resto do grupo fomos pra minha cabana, temos cerca de uma hora pra descansar antes do café da manhã. Camila reclamou que estava com fome e que uma hora era muito tempo, mas essa não foi a maior surpresa da manhã. Quando cheguei à cabana, Lara estava retirando suas roupas do armário e guardando-as na mochila.
— Lara. — Chamo-a, jogando-me na cama enquanto os outros se acomodam em qualquer canto da cabana.
— Dayene, sinto muito, mas vou ter que trocar de cabana — Ela diz, sorrindo para os outros. — Teve um problema na ficha de uma menina, acharam que ela era menino — Ela solta uma risada. — E ele estava dividindo quarto com o meu primo, então vamos ter que trocar. —
— Quer dizer que a nova companheira de cabana da Day tem nome de homem? — Theo pergunta.
— É, mais ou menos isso — Diz Lara — Então, vou lá colocar minhas coisas e mais tarde dou uma passada aqui pra gente se conhecer melhor — Os outros acenam sorrindo e ela sai da cabana.
— Tomara que a menina com nome de garoto seja tão bonita quanto essa Lara — Diz Martinho e Camila ri. — Que foi? A menina é linda — Solto uma risada também. Era estranho ver um cara como o Martinho falando assim de uma menina.
— Não é isso, tô rindo porque tô tentando imaginar um nome de mulher que possa ser confundido com nome de homem. — Camila explica.
— Coitada, vai ser a piada da semana. — Diz Martinho.
— Vocês não vão zoar a minha companheira de quarto, ok? Muito pelo contrário, vão ser legais com ela e fingir que não sabem de nada — Digo autoritária e eles concordam com a cabeça, Theo com uma expressão de "ah tá bom".
— Tô com fome. — Reclama Camila.
— E quando é que você não tá? — Mylena zomba.
Antes que alguém dissesse alguma coisa, a porta faz um barulho e Mariana entra, nos encarando surpresa e retribuímos o olhar. Ah não, eu vou mesmo ter que dividir minha cabana com ela? Depois de alguns segundos Camila começou a rir. Logicamente pelo fato de que a Mariana era a tal menina com nome de garoto. Não aguento e começo a rir também, Mariana é toda do estilo machão, mas não parece ser uma daquelas “mulheres macho”. Mas conseguiram se confundir achando que seu nome era masculino. Quando as risadas cessam, meu olhar encontra uma morena furiosa conosco. Será uma longa semana.
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